FERNANDO DE NORONHA - EM 3 DIAS

04/05/2019

Este foi um passeio diferente dos demais, até agora. Primeiro porque fui com minha família, depois que a Ilha não é um lugar que dá para chegar sem um bom investimento inicial, pois só é possível lá chegar de barco ou de avião, partindo de Recife ou Natal, este último mais próximo, a pouco mais de 350 km enquanto Recife está a mais de 540 km. Mas Fernando de Noronha faz parte do estado de Pernambuco, porém não é um município, trata-se sim de um Distrito Estadual, assim, toda a arrecadação de taxas de preservação e outras, são administradas pelo Estado de Pernambuco, e pelo pouco que pude ver e constatar, muito mal.

Seus menos de 3 mil habitantes são fictícios, pois a ilha abriga um grande número de trabalhadores cuja mão-de-obra é absorvida pelos segmentos do turismo, hospedagem, alimentação, transporte e lazer, principalmente. Estes não são computados como habitantes, pois vivem em alojamentos, agrupados, ligados às empresas contratantes.

Fomos voando Azul a partir de Viracopos com escala em Recife. Chegamos à 1h30 do dia 28 de abril e nos dirigimos ao Hotel Julieta, contratado através do Booking.com, por volta de 2 horas. Às 8 horas já tomávamos nosso café da manhã desejando aproveitar um pouco de nossa estadia na capital pernambucana. Entre nosso pequeno grupo, só minha mãe ainda não havia estado nesta cidade. Por ter estado há menos de um ano em Recife, optei por levá-los ao Marco Zero. A quantidade de pessoas de nosso pequeno grupo obrigava-nos a contratar 2 veículos para toda locomoção. Como minha mãe desenvolveu uma expectativa ruim em relação às motoristas do sexo feminino de aplicativos, ela seguiu no UBER com minha filha mais velha, Débora, e seu marido, Ruan, enquanto a Brenda e eu seguimos com uma simpática e boa condutora, que nos foi explicando alguns aspectos da cidade, e a necessidade de condução mais lenta em função de uma faixa de ciclismo montada aos domingos.

Fomos abordados por um barqueiro, que propôs ao primeiro grupo, a travessia do canal para ver as esculturas de Brennand e o mar, por R$ 2,50. Como o café da manhã ainda não tinha assentado no estômago, decidimos visitar primeiro o Centro de Artesanato. As peças são encantadoras, algumas nem tão caras, e muito criativas.

Em seguida fomos à travessia, mas o barqueiro ofereceu um opcional de navegar por todo o canal da nossa "Veneza", por R$ 30,00 cada, e nos deixaria junto às esculturas. Eu já queria fazer este passeio em maio do ano passado, não fui. Votamos e a maioria resolveu navegar por todo o Canal. 

Passando por baixo de pontes, observando o berçário de garças na pequena faixa de mata ciliar, as construções do Recife antigo, como Palácio do Governo, a Prefeitura, Correio, Shopping Paço Alfândega que já foi um presídio, sob um sol forte, 10 pessoas num pequeno barco, sem coletes salva-vidas, mas confiantes... a maior parte do percurso é em áreas de pouca profundidade, chegando até menos de 1 metro em alguns trechos.

Junto às esculturas o verde mar, batendo forte contra a barreira artificial e, a criação divina valorizando a obra do escultor.

O retorno se dá em qualquer barco que tenha levado turistas. Eles partem assim que enchem os barcos, não tendo horários certos para ida, nem volta.

Chegamos de volta em torno de 11 horas. Ao meio dia eu queria sair do hotel em direção ao aeroporto e nosso destino. A feira do Arsenal estava sendo montada para início logo mais, a tarde. Alguns ambulantes já disponibilizavam suas mercadorias. Compramos água no Museu dos Bonecos Gigantes e chamamos os carros do UBER junto ao Museu do Frevo, em frente a um bar das assombrações do Recife. Só serviu para dar um gostinho de quero mais. Pena não ter dado tempo de ir a Olinda.

Malas prontas, banho rápido de quase todos e seguimos para o voo das 13h30 da Azul. O percurso é de aproximadamente 1 hora, porém só chegaríamos à Fernando de Noronha às 15h40, pois a ilha está um meridiano antes do de Brasília e da maior parte do país. Uma primeira visão, aérea, da ilha, para quem está sentado do lado esquerdo do avião, já começa a nos tirar o fõlego.

Descendo do avião, a primeira visão do Morro do Pico, com o ponto mais alto do local. Filme da Débora, que estava do lado certo e em poltrona adequada para a melhor visão.

https://www.instagram.com/p/Bwzuol4BBuh/?utm_source=ig_web_copy_link

Lá chegando, a primeira providencia é pagar ou apresentar os comprovantes da taxa de preservação da ilha, que gira em torno de R$ 70 ao dia, e vai reduzindo a partir de 5 dias. Eu paguei antecipadamente, através do site https://www.ilhadenoronha.com.br/ailha/taxadepreservacao_em_noronha.php  

Esta taxa só pode ser paga por boleto bancário atualmente, mesmo aparecendo no site outras opções de pagamento, e 4 papéis entre formulários, boleto e comprovante de pagamento devem ser impressos para apresentação no desembarque. Depois, peguei a única mala despachada, que levava os líquidos com mais de 100 ml de todos os integrantes do grupo. Mesmo assim, minha mãe foi parada no controle de embarque dos dois aeroportos, no segundo com uma lata enorme de spray fixador para o cabelo. E eu também porque passava com a mala de mão dela, e uma água, que seguia num porta garrafas térmico. Uma catraca na saída do desembarque serve para que entreguemos o comprovante de pagamento e o atendente já anuncia a Pousada, de modo que já fomos direcionados ao Transfer.

O Samuel nos aguardava com uma Pick-Up diesel 4X4 de 5 lugares, e o Ruan com a Débora foram de táxi, pago pela Casa Guedes, onde nos hospedamos. A ilha só possui um hotel, e diversas pousadas. Nossa hospedagem, também contratada pelo Booking.com, é uma casa com 5 quartos, uma cozinha estilo americana de uso comum e uma grande varanda. Reservei um quarto triplo e um de casal. Todos são suítes. De modo que, ficamos muito bem instalados por R$ 2.880,00 ( dois quartos de 3 diárias).

Um pequeno mercado estava a menos de 20 metros de distância. Ficamos na Vila dos 30, distante cerca de 2 km da Vila dos Remédios, e bem na Rodovia, a menor BR do Brasil. A segurança em Fernando de Noronha talvez seja uma de suas principais características, junto à exuberância das paisagens e da excelente culinária em renomados restaurantes.

Instalamo-nos e depois fomos conduzidos ao Posto do ICMBio para pegar as carteirinhas de ingresso ao Parque Nacional de Fernando de Noronha. A ilha toda é uma APA (Àrea de Proteção Ambiental), mas existe uma grande área controlada, onde brasileiros dos 5 aos 60 anos de idade estão isentos, e os demais pagam mais R$ 106, com direito a acesso a qualquer das praias do Parque, com algumas trilhas auto-guiadas, outras com obrigatoriedade de contratação de guias, mas todas as trilhas devem ser pre-agendadas nos totens do Posto, com a carteirinha, e sua foto fica registrada no sistema, para conferência quando da entrada nas áreas do Parque. Não dá para fazer quase nada se não adquirir esta carteirinha. Estrangeiros pagam mais caro. Essa taxa pode ser paga com cartão. e também pode ser paga com antecipação. 

https://www.parnanoronha.com.br/ingressos

Demos uma volta para ver fotos e um pedaço do vídeo do Projeto Tamar e, como já eram mais de 19h e não tínhamos comido mais que os snacks do avião e uns pedações de bolo de rolo e pallas italianas adquiridas na feira do Arsenal, estávamos famintos. 

Nossa programação foi pizza no Muzenza ao som de samba. Primeira dificuldade: o celular não completava chamadas. E de nada serviu o número da Central de táxis que o Samuel nos forneceu. Mas um funcionário do Posto gentilmente solicitou-nos 2 táxis. O Muzenza fica na Vila dos Remédios, junto à igreja, e como o piso daquela parte histórica da cidade é de pedra, muito irregular, numa rua íngreme, muito difícil de caminhar, nos deixam perto da calçada da igreja e demos a volta nesta para entrar por trás. Ou melhor, eu dei. Os demais acabaram descendo as escadaria da igreja e subiram a escadaria do restaurante. O samba já tocava baixinho nos aparelhos de som, mas a banda só começa a tocar depois das 22 horas. A pizza grande custa, em média, R$ 90. Pedimos duas com a intenção de levar as sobras para o café da manhã. Só estávamos nós, neste horário, no restaurante e o atendimento foi muito atencioso e personalizado. Esqueci de tirar foto das pizzas, mas estas impressionaram pela qualidade. Numa massa super fina e crocante, recheio de ótima qualidade. Pedimos 4 sabores: abobrinha, alho poró, calabresa e a outra tinha catupiri, mas não recordo o nome. Não era comum encontrar, no Nordeste brasileiro, pizzas como estamos acostumados em São Paulo, mas estas fariam inveja até às italianas da Toscana.

Eu que adoro doce, resolvi comer um Petit Gateau , apesar do salgado preço de R$ 65,00. Minha mãe pediu uma bola de sorvete que não estava no cardápio. Algum tempo depois, recebi o prato da foto abaixo, com dois garfos. Duas mini bolas de sorvete, um bolinho assado demais, então estava sem a calda. E nada do sorvete de 'mamis'. Os jovens tinham se retirado da mesa neste momento, pois decidiam se ficariam para o samba ao vivo, pagando um couvert de R$ 30, ou uma entrada para os que não fizeram ali a refeição. Chamei o gentil garçon e ele me explicou que o sorvete dela veio junto com o meu. Ele já conseguira a cortesia. Achou que não conseguiria mais uma bola grátis. GRÁTIS!!!!!! Esta sobremesa eu achei cara. Em função da quantidade e qualidade. Até para Fernando de Noronha.

Tinha mandado mensagem de WhattsApp para o Fabio, que contratei através de referências no TripAdvisor, peguei o contato no Instagram: @nastrilhasdenoronha e já tinha pago, por transferência bancária, a metade do valor de um total de R$ 1200 para 5 pessoas, R$ 240 por pessoa. Estava preocupada, mas ao mesmo tempo confiante. Ele confirmou-me.

No dia seguinte, às 9 horas, o Franklin apareceu para nos conduzir pelo Ilha Tour. Tudo que li a respeito foi de que esse deveria ser o primeiro passeio local, pois é onde se tem uma ideia geral do que nos espera. As únicas coisas que tenho a criticar deste passeio de dia inteiro é que perdemos tempo para abastecimento do veículo que, no meu entender, devia ter sido feito antes das 9 horas, horário marcado para iniciar o passeio conosco. O veículo estava apresentando um defeito eletrônico que o tornava lento nas subidas e às vezes não 'dava partida'. O local do almoço não é negociado. E não foram dadas instruções do que vestir, o que levar, de infra-estrutura. Nós, na verdade, levamos até lanches e frutas, além de muita água, fornecida gentilmente por nossa hospedagem. Foram 2 horas de almoço, caro para o que foi servido. Pedimos Posta de Dourado, e moqueca de peixe, acompanham 4 guarnições a escolher e servem bem 2 pessoas cada prato. Escolhemos arroz, batata frita, já que não tinha macaxeira, que era nossa primeira opção,  purê de abóbora e pirão. Ficou R$ 80 por pessoa.

Mas a parte ótima foram os passeios, os mirantes, nossa sorte e gratidão. O outono e inverno é marcado pelas chuvas no Nordeste brasileiro. No mês de abril, choveu mais que o dobro do normal na Ilha de Fernando de Noronha, causando muitos transtornos que mencionarei em seguida, mas pegamos 3 dias de sol, com pequenas pancadas de chuva , em geral, na hora que parávamos para o almoço. E vimos muita vida aquática tanto nos mergulhos livres como no passeio de barco, do dia seguinte.

Ilha Tour.

Nossa primeira parada foi no Mirante junto a Capela São Pedro dos Pescadores, no morro São José. Estávamos numa das extremidades da ilha, e pudemos observar a divisão entre o mar de dentro e o de fora. Neste dia, ambos os lados estão bem calmos, mas ambos ficam agitados, conforme a estação do ano. O dia está quente e claro, o mar fica ainda mais bonito.

Seguimos de carro até o Buraco da Raquel, esconderijo da filha de um sargento quando ficava aborrecida, segundo contam. Mas creio que ela só podia se aborrecer quando a maré estava baixa.

Dali observamos a Praia de Caieiras, pertencente ao lado externo da ilha, entendendo que o lado interno é o que faz face com o continente.

Na volta para o carro já aproveitamos para visitar o Museu do Tubarão. Perguntei sobre o famoso bolinho denominado Tubalhau, e o Franklin explicou-me que já não é mais produzido, pois a caça de tubarão está proibida. Mostrou-me também as fotos do maior caçador de tubarões da Ilha, hoje um dos maiores ativistas. Em frente ao museu, tem umas estruturas que possibilitam umas fotos interessantes.

Dali fomos para a Praia diametralmente oposta, a do Porto de Santo Antonio. O carro ficou no alto, junto a um restaurante que descobriríamos, dias depois, tratar-se do Mergulhão. Ainda no alto uma escultura de 'Eu Amo Noronha', onde aproveitamos para fazer uma foto familiar.

Logo no início do passeio tínhamos alugado equipamento para mergulho livre num local bem próximo à Casa Guedes. Todos alugamos, sem ter certeza de quem iria realmente encarar. O snorkel com máscara, o colete salva-vidas e os pés de pato, por R$ 30,00. Agora era hora de descer até a Praia do Porto e encarar o desafio. Ele orientou-nos a colocar o pé de pato já dentro da água, com esta pela cintura. Mas, minha mãe e eu, como desobedientes que somos, e não sabendo nadar, colocamos, com a ajuda da Débora, bem no rasinho. Comédia para colocar e comédia para andar com o pé de pato enchendo de areia. Minha mãe logo desistiu, não é a 'praia' dela. Hahaha. Eu fui andando como caranguejo, de ladinho, até chegar na parte mais funda, e me embaracei em um monte de algas. Enquanto isso os demais já me aguardavam ansiosos para mergulhar. O Franklin mostrou como colocar na boca o bocal do snorkel e eu fui mordendo com tanta força que fiquei com as mandíbulas doloridas. De nada adiantou. Entrava um monte de água salgada na boca e eu ficava levantando toda hora para cuspir. Ainda assim vi peixes de vários tamanhos, listrados, azuis, redondos, fininhos, e, pasmem, um pequeno tubarão lixa. Como nos alertaram que eles não fazem nada se não se sentirem provocados, meu medo era de ser levada por uma onda, pois não tenho nenhum domínio da situação, e esbarrar nele, sem querer, e ele achar que foi de propósito. Hahaha. Tratei de dar linha e sumir dali. Nadei um pouco mais e fui sair de bunda na areia, sozinha, no meio de um monte de turistas, mas sem olhar para ninguém para não ferir minha dignidade. 

Fui até minha mãe que descansava num buraco formado pela vegetação rasteira às margens da areia. Deixei meu equipamento e voltei para tentar localizar os demais. Meu genro surgiu no mar dizendo ter avistado uma tartaruga. Logo depois as meninas e o guia voltavam para a praia, felizes. Ele dizendo que tiveram muita sorte, viram coisas que às vezes, nem mergulhando de cilindro é possível ver. Várias tartarugas, um tubarão pequeno e outro grande, uma arraia, e muitos peixinhos. Pena que o registro foi só na memória. Mas fico grata pela oportunidade. A foto abaixo foi fornecida pela Trovão dos Mares.

A população local estava fazendo um movimento para sensibilizar as autoridades do Governo do Estado de Pernambuco e bloquearam o acesso por terra à Praia do Sancho. Assim, nosso guia levou-nos primeiro ao Mirante Caracas, na Praia do Sueste.

Depois acessamos a praia propriamente dita,  famosa pelos tubarões presentes logo na margem. Esta é uma praia que necessita da carteirinha do Parque, feita já no primeiro dia. Ali compramos um pouco de água, pois passava de uma hora e a nossa já havia acabado. R$ 6,00 cada, com 500 ml. Embalagens com menor quantidade não são mais permitidas na Ilha, para facilitar a proteção do meio ambiente.

As praias tem água muito transparente, a do Sueste estava um pouco agitada com a areia perdendo um pouco desta qualidade, mas os tubarões estavam lá, e nem deu medo, parecem peixes grandes nadando tranquilamente, sentindo-se protegidos.

O protesto continuava, e não sem razão. Devido ao excesso de chuvas no mês de abril, as estradas de terra encontram-se em situação lamentável, as fossas sépticas transbordando e poluindo algumas praias, principalmente a dos Cachorros, próxima a Vila dos Remédios. Só tinha um ônibus circulando pois dois outros estavam quebrados. Vi até a manifestação de um artista Global, dono de uma hospedagem em Fernando de Noronha, fazendo um apelo no seu Instagram.

Podíamos decidir entre fazer o trajeto até a Praia do Sancho a pé, com lama até o joelho, ou deixar de ver o Mirante com a vista referência de Noronha. Optamos por não ir, e assim, fomos direto para o almoço. Como disse antes, não nos foi dada a opção de escolha, e o restaurante para onde fomo levados fica no meio da ilha, sem vista para o mar, oferece a refeição para os guias, e assim, estava cheio. A refeição não era tão cara, mas deixou a desejar.

Depois do almoço fizemos a Trilha Costa Esmeralda. O carro ficou lá no alto e descemos o ultimo pedaço a pé, devido, principalmente, à condição do veículo, pois a estrada estava péssima para todos, mas alguns veículos desceram. Passamos pelas praias do Bode, Quixabinha, Cacimba do Padre e Praia dos Porcos. Junto a esta última tem uma piscininha natural que é um encanto, com as ondas batendo forte na rocha, e deixando penetrar pequenas quantidades de água que permitem a tranquilidade dos peixes moradores daquele recife. O caminho envolve praia, areia e pedras, muitas pedras, onde encontramos várias espécies de caranguejos. 

No retorno, quase tudo igual, mas a maré vazante permitiu acessos diferentes.

Depois de tudo isso, está na hora de pensar no por do sol, que foi no Mirante do Boldró, de onde se avistam os morros 2 Irmãos, as Praias Boldró, Americano, do Bode e Cacimba do Padre. Uma nuvem de chuva insistiu em participar deste evento. Mas ajudou a espelhar o dourado do sol pelo céu.

Essa foi nossa segunda visão da ilha, por terra.

Cansados que estávamos, resolvemos jantar na Vila dos Trinta mesmo, num restaurante muito recomendado mas que não tinha colocado na minha programação inicial pela carestia. Minha mãe resolveu dormir sem jantar. Então fomos os quatro, pisando lama novamente, porém no plano. O Restaurante Varanda fica a uns 200 metro da Casa Guedes, e foi uma grata surpresa. Os pratos individuais giram em torno de R$ 100,00. Pedi um linguini com queijo fundido e camarão, até agora minha boca se enche de água ao pensar. A Brenda optou por um risoto de camarão e o casal pediu peixe. Todos pratos muito bem elaborados e bem servidos. Ambiente agradabilíssimo. A decoração do ambiente acolhedora. Maravilhoso!!! Valeu a lama no pé. 

A Brenda passou mal por causa do camarão, ela está desenvolvendo alergia aos frutos do mar. Já tinha percebido com peixe cru. De repente, estou no banheiro e ouço a porta do quarto se abrindo. Já desconfiei que era ela, saindo. Passou um pouco, batidas urgentes na porta. Como a gente percebe a diferença? Quando abro dou com uma cara inchada. Estava parecendo uma tartaruga. Os olhos incharam e juntaram com o nariz miúdo, virando uma placa só. Ela se comunicou com o Samuel, sob minha orientação, perguntando de farmácia. Ele disse que, àquela hora, só a Farmácia Mãezinha, na Vila dos Remédios, estaria aberta. Fecharia à meia noite. Eram 22h18. 

Eu:

_ "Veja se a Débora e o Ruan vão conosco?"

Teríamos que ir caminhando já que chamar táxi já se mostrara impossível pois nossos telefones não funcionavam. A distância aproximada de 2 km. Dava para ir tranquilamente. Mas o Caminho não tem calçada e é bem escuro, o que é bom para ver o céu.

O Ruan se prontificou e lá fomos nós comprar um anti-alérgico. Nem sei quanto tempo demoramos, mas deu tudo certo. Ela já ingeriu o medicamento na farmácia mesmo. Voltar.

E bora descansar que amanhã tem...

Passeio de barco.

Acordei 6h50, e depois de ler minhas mensagens e fazer minha higiene matinal, chamei minha mãe e fui preparar nosso café da manhã, logo minha mãe e a Débora apareceram para ajudar. A Brenda acordou ainda com os olhos um pouco inchados. Escondeu com o óculos de sol. 

Na minha mente ficou registrado que devíamos estar às 9h15 no escritório da Trovão dos Mares, bem próxima a casa, mas já eram 9h11 e ainda não estávamos prontos. Toca o telefone e nos avisam que estão nos aguardando. Me enganei, no voucher constava 8h45 como horário do encontro. Desagradável se atrasar, os demais turistas já tinham ido com uma Van, e nós fomos conduzidos num veículo 4X4 com carroceria adaptada. Só deu tempo de apresentarmos nossas carteirinhas, passar o protetor solar e já fomos todos convidados a embarcar.

Não eram muitos os turistas, ficamos na parte de baixo, quem gosta de mais sol foi para cima. A parte difícil foi escolher as fotos para mostrar tamanho encanto.

Minhas princesas, ou grandes sereias, e eu.

E minha rainha e eu...

Numa paradinha tècnica, fiquei encantada de observar os mergulhões ou atobás, não sei distinguir as espécies, pegando uma proveitosa carona de barco com um pescador.

O horário previsto era 9h30 mas, saímos mais tarde, vocês já sabem o porquê. Fomos pelo mar de dentro do Porto de Santo Antonio até a Ponta da Sapata, no outro extremo da Ilha. 

Nosso atraso foi recompensador. O guia Diego explicou-nos que passamos pela Baía dos Golfinhos no exato momento em que eles se deslocavam para mar aberto. Um pouco antes e eles ainda estariam próximos à praia, um pouco depois e já teriam passado. Disse que nem toda viagem é possível avistá-los. Um marujo me disse que, com muita sorte, aparecem mais vezes. Nós os vimos 5 vezes. Me considero uma pessoa de muita sorte. Gratidão! A última foi ao longe, quando já estávamos ancorados na Praia do Sancho e turistas ousados iam mergulhando em alto mar, ao encontro destes. Mas pela observação dos experientes navegadores, o grupo de golfinhos estava acompanhado também de tubarões. Além do risco que corriam, ainda podiam ser multados pelos guardas ambientais que vigiam de binóculo e câmera fotográfica para registro dos abusados.

No trajeto passamos por uma escarpa que engole água num buraco bem fundo e faz um rugido quando isso acontece, parecendo um leão. Mas não é ali a Praia do Leão. Paradinha para fotos e filmagens. Impressionante!

E voltamos até a Praia do Sancho, onde seria servido o almoço, finalizado enquanto mergulhávamos. 

Tivemos também a sorte de poder ver a cachoeira da Praia do Sancho, intermitente, e devido à grande quantidade de chuvas no mês de abril, se mostrou volumosa até.

A Praia do Sancho é ou já esteve classificada entre as mais bonitas do mundo. Não sem razão...

Durante o passeio, uma fotógrafa profissional nos acompanhou e fez fotos de quem a contratou. A Débora solicitou o serviço e assim, além das fotos pessoais, ganhou umas fotos da ilha. Na parada para mergulho elas fizeram lindas fotos no verde mar e junto às pedras e peixes. Gostei do resultado. Custou para ela R$ 80,00.

Eu pulei no mar com 2 espaguetes, não quis fazer o mergulho em alto mar. Até com os espaguetes era levada para onde o mar queria... Então fiquei uns 30 minutos na água e voltei para o barco. Choveu forte enquanto eu estava na água. Quando subi a escadinha, senti-me um pouco nauseada. Comi uma maçã, que tinha levado, e melhorei. Minha mãe, que não desceu do barco, e era a turista mais velha no passeio, já tinha ganhado uns agrados dos tripulantes, e experimentara o peixe. As meninas também saíram do mar enjoadas, mesmo já tendo tomado remédio para evitar o enjoo (Dramin). 

O almoço servido no barco, feito na hora pelo Chef Sargento, estava delicioso. Lasanha de peixe, peixe frito, saladas, pirão, purê de batata e de abóbora, farofa, arroz, peixe cru. A sobremesa era melão e melancia, e pedacinhos de goiabada. Tudo à vontade. Este passeio, incluído o almoço, custou R$ 300,00 por pessoa, e findou às 14h30 aproximadamente. 

Uma situação peculiar ocorreu na hora do nosso almoço. Peculiar para nós, os tripulantes devem estar acostumados a preparar marmitas com serviço delivery para outros barcos que encontram pelo caminho. Altruísmo em alto mar.

Tivemos aí nossa terceira visão da Ilha de Fernando de Noronha: por mar

Depois do almoço dá uma 'leseira' danada. Aí só foi curtir o vento na face e o sol no couro, rumo ao Porto.

Neste dia o Por do Sol seria no Bar do Meio, na Praia de mesmo nome.

Tomamos um banho, nos trocamos e quando vimos, já passava das 16h. Hora de caminhar...

Já sabíamos da distância até a Farmácia, até o Bar do Meio dá outro tanto quase igual, mas o caminho é, inicialmente íngreme e pedregoso, depois plano e estrada de chão, ou de terra, mas como é temporada de chuvas, e pegamos uma chuva enquanto terminávamos a descida, parando na sacada do Banco Santader, com mais um monte de gente que não queria se molhar, e providencialmente, a meio caminho, tempo bom para descansar.

Quando saíamos, encontramos duas moradoras com seus guarda-chuvas. Como minha mãe havia me sussurrado algo, perguntei-lhes:

_"É verdade que a segurança na ilha é ótima, não tem roubos?"

Ao que elas confirmaram. 

_"Pois - disse eu - essa estatística vai mudar agora." Elas riram achando que nos referíamos ao cãozinho que carregavam no colo, ao que retifiquei.

_"Não é o cão que queremos, minha mãe está interessada em seus guarda-chuvas."

Todas rimos e seguimos nosso caminho.

Descendo a última ladeira até o bar do meio, observamos a Praia do Meio, à direita, e, atravessando por dentro de bar, avistamos a Praia da Conceição, à esquerda do Bar. À direita da Praia do Meio está a dos Cachorros. Assim se explica o nome da Praia, entre as outras duas.

Eu tinha reservado um Lounge , que tem custo de R$ 500,00 convertidos em consumação. Mas por causa das chuvas, este espaço, assim como os bangalôs, estavam desativados. Nos restando as mesas junto ao bar e ao palco. Os outros lugares são melhores para apreciar o por do sol, mas não estava com cara de que o astro rei daria as caras. De dentro do bar avista-se a Praia da Conceição.

Ainda assim, nosso consumo total ficou em R$ 538,00. Este foi o único lugar que considerei caro em Fernando de Noronha e, explico o porquê. Decidimos pelas porções, já que o almoço no barco foi muito satisfatório. E eu queria evitar camarão, já que tanto meu genro como minha filha mais nova têm alergia ao mesmos. E minha mãe não gosta.

Pedimos uma porção de isca de filé mignon e uma porção de mini pastéis com recheio de frango, carne e queijo. A porção devia ser chamada de bocadinho. Era minúscula em tamanho e grande no preço. A de pasteis veio com 8 unidades e custou algo acima de R$ 80,00. A de carne custa algo em torne de R$ 100,00. Pedi uma jarra de suco de maracujá, muito gostoso e com pelo menos 1,5 litros. Custou só R$ 20,00 e foi o único item compensador, diria até barato.

Os jovens pediram cervejas, caipirinhas, cachaças. Eles tinham levado numa garrafa de H2O um pouco de cachaça que compraram no mercadinho ao lado da Casa onde nos hospedamos. Misturaram com o que não tomamos do suco de maracujá. As doses de cachaça custavam entre R$ 20 e 40, essa parte nem me importo se é cara, aliás, não tenho nem parâmetros para classificar.

Apesar da péssima relação custo/benefício, as porções são bem feitas, todas são acompanhadas de molhos, que me pareceram a especialidade da casa, mas podiam ao menos ser mais generosas em quantidade. Foi tão pouco que tivemos que pedir uma terceira porção de lula à dorê, e ainda saímos com a sensação de 'quero mais'. Quando começa escurecer, eles colocam velas nas mesas, e marcam o caminho com tochas.

Mas este local tem algo que compensou a nossa visita. No palco, uma banda composta por um guitarrista e um percursionista, muito talentosos, animados, comunicativos, que têm excelente repertório. E o sol não nos decepcionou. Apesar das nuvens...Que deram um show a parte. E como digo sempre, se não está bom, procure melhor e ache ao menos um motivo para estar.

Na hora de irmo-nos, solicitei ao garçon que pedisse um taxi para nós. 

_"Posso te dar o número da Central."

_"Mas a gente não consegue ligar."

_"Nem nós."

Estava chovendo forte. Como fazer para retornar, com minha mãe, subindo ladeira, na lama e embaixo de chuva?

Me chamou a atenção uma conversa ao telefone numa mesa a sudoeste da nossa. Eu me voltei e percebi que a moça chamava um táxi. Como assim? Ela conseguiu? Seja rápida, Meyre. 

_"Moça, você pode chamar mais dois táxis pra gente?"

_"Moço, tem uma senhora aqui pedindo mais um táxi."

_"Um não, dois. Estamos em cinco pessoas."

_"Dá pra você chamar mais dois colegas seus, então? São três táxis."

Mas os táxis não descem até o Bar, de modo que a primeira ladeira teríamos que fazer mesmo a pé. A Débora me disse:

_"Mãe, pede pra um vir até aqui, buscar a vó."

_"Eles não vêm. E além disso, a moça já está fazendo um favor de solicitar."

Ela se afastou de nosso grupo e voltou dizendo:

_"Arrumei carona."

_"Se é assim, melhor cancelar um táxi."

_"Não, só pra vó. Até o ponto."

Saímos então subindo a ladeira. A chuva estava mais fraca. A moça do telefone junto conosco. As amigas dela ficaram para trás. 

Quando cheguei no alto, o táxi já havia chegado e a moça o cedeu para minha mãe, filha e genro. Até porque suas amigas não haviam chegado. 

Quando chegaram, ela informou que já estavam atrasadas, pois já haviam perdido o primeiro táxi. Mas os outros dois já se aproximavam.

O valor mínimo de tarifa de táxi, pelo que percebi, é de R$ 26,00. Achei caro, a princípio, mas depois de ver as condições em que os veículos trafegam, mudei de ideia.

O relato acima fez-me classificar o Bar do Meio no TripAdvisor com 4 estrelas. 

Descobri depois, com outro motorista de táxi que, é um dos poucos lugares que não chama o táxi. O proprietário teria que fazer uma melhoria na estrada, que na verdade seria obrigação do governo, mas de interesse específico dele. E ele não faz porque diz que o bar está sempre lotado, os turistas vão de qualquer jeito. Se eu soubesse antes... preferiria prestigiar quem não tem tanta prepotência.

Trilha Curta de Atalaia

Essa trilha depende de agendamento prévio nos totens junto ao Projeto Tamar, nas mesmas instalações de onde fazemos as carteirinhas do Parque Nacional. Essa trilha não precisa de guia, pois é considerada de fácil acesso. Mas a contratação de guia é obrigatória para as rilhas de Pontinha, Pedra Alta, Capim Açu, Farol e do VOR.

Conseguimos agendar para o horário de 10 horas. Era o último e único com vagas suficientes para nosso grupo de 5 pessoas. Só conseguimos agendar porque o fizemos já no dia de chegada, 28 de abril, deixamos este passeio para o último dia, 01 de maio, e por estar na baixa temporada.

Só não nos disseram que, na temporada de chuvas essa trilha é dificílima. É um caminho de pouco mais de 1,5 km de descida por uma pequena serra em meio a vegetação. A trilha tem muitas pedras e raízes, terra, que com chuva vira lama, e não se deve tocar na vegetação lateral porque existe uma árvore, de nome Burra Leiteira, cujo leite causa queimaduras na pele. A entrada para o Parque é muito próxima à nossa hospedagem, assim, fomos caminhando desde ali. O que aumentou o percurso em uns 600 metro. Saindo da rua principal de acesso à Vila dos 30, a rua para entrada da Praia já estava em péssimas condições. Toda esburacada e enlameada. 

Chegamos antes da 9h30 à portaria, entramos e alugamos o equipamento de mergulho livre, mas sem pés de pato. Não era obrigatório, mas quem não o tivesse não poderia entrar em parte do aquário. R$20 entre snorkel e colete. A Brenda não ouviu ou não entendeu isso e não pegou. Minha mãe não iria entrar na água mesmo. O atendente diz logo de cara que é bom descer de tênis. Eles os alugam também, e vai ver que é por isso que ninguém nos avisou antecipadamente que seria o melhor calçado. Assim que, só a Brenda, acostumada a fazer trilhas, e minha mãe, por falta de opção, estavam devidamente calçadas. Eu coloquei uma sapatilha da Moleka, me achando o máximo, pois pensei em corais e água. A Débora e o Ruan estavam de chinelo. ÓÓÓÓHHHH!!!! A Débora não quis correr o risco de micose. E lá fomos nós...

Foi um escorrega tão grande que não dava nem para apreciar o caminho. A gente tinha que firmar bem um pé antes de tirar o outro pé do lugar, pois de repente podia pisar em pedras pontiagudas ou afundar o pé na lama. A Brenda seguiu na frente, e distanciou-se do grupo. Pra completar, ainda trazíamos bolsas com água, toalhas, documentos, dinheiro... E precisávamos das mãos livres para ajudar nos apoios.

Todos que passavam por nós, retornando, avisavam que o caminho só piorava. E iam aconselhando: não pões a mão aqui... carrega a bolsa dela... se fosse minha mãe eu não deixava ir... melhor descer descalço. E a gente ia se adequando.

Minha mãe levou um tombo no meio da descida. Eu, no fim, mas fui amortecida pela bolsa e pelo colete que, a essa altura, eu tinha vestido. Não nos machucamos.

A Débora e o Ruan acabaram descendo descalços mesmo. E nos ajudaram muito.Demoramos 1h30 pra descer. Começamos a trilha antes das 10 horas como marcado, chegamos lá embaixo às 11h20, e a estagiária que controla o fluxo de gente lá embaixo disse que teríamos 10 minutos, antes da maré começar a subir e tornar perigoso ficar perto das pedras.

A Brenda chegou até mim chateada, dizendo que não poderia entrar porque estava sem o equipamento. Cedi o meu para ela. Achei que ela faria melhor proveito. Mas eu poderia entrar na parte rasa, até o limite fixado por outra auxiliar do Parque. Minha mãe decidiu entrar também, afinal, depois de todo nosso esforço, e com aquela água transparente. Ela se animou tanto que, mal entrou, tropeço e caiu. ainda bem que era raso. Eu até brinquei com ela que já estava até mergulhando.

Observem as ondas ao fundo como indicam a periculosidade da maré alta.

Alguns peixinhos, os mergulhadores chegaram a ver um polvo. Mas fomos convidados a sair. Ninguém ficou muito satisfeito, mas somos de obedecer. 

A subida, para mim, é pior. Meu joelho não tem força para trazer meu corpo quando o degrau é muito alto. E o que faço é apoiar-me e projetar o corpo, levando o outro pé rapidamente para não me desequilibrar. Só que, se eu fizesse assim, poderia colocar o pé num local inadequado. E tive que tirar a sapatilha pois já estava sambando no pé de tão enlameada. Subi pela lama mesmo, que era melhor que pisar nas pedras. Minha mãe, a Débora e o Ruan, nessa vez, seguiram na frente. A Brenda foi me ajudando. Levei um tropeção e dois capotes. No tropeção fui de cara nas pedras, se não me seguro, arrebentava a cara. Depois cai de costas, a sorte que a inclinação era leve senão poderia dar cambalhotas. E a terceira foi a pior, porque o pé esquerdo correu para o lado, e o direito torceu.  Ainda bem que não o suficiente para me impedir de prosseguir. Nesta hora, já não tínhamos mais água, e o sol era o de meio dia. Numa corredeira de água de chuva, lavamos rosto, pescoço, a pressão começou a cair... Ainda conseguimos olhar a paisagem ao descansar para respirar.

As estagiárias que cuidam da piscina passaram por nós sem nem nos dirigir a palavra. Mais tarde suspeitamos o porquê.

Quase no fim do caminho, o atendente da portaria do Parque veio ao nosso encontro com água e biscoitos. A água foi muito bem vinda. Ele desceu pois já fazia uns 15 minutos que parte de nosso grupo chegara e estavam preocupados com nossa demora.

Minha mãe não queria e não aguentava dar mais um passo a partir dali, assim que chamaram um táxi. Meu genro já tinha ido. Cheguei e a Débora foi jogando canecas de água fria sobre minha cabeça e corpo. Ainda assim, não quis ir de táxi, estava cansada, mas também molhada e enlameada para sujar o veículo.

A Brenda foi comigo e a Débora com minha mãe.

Na entrada da Casa Guedes tem uma torneira que possibilitou-nos tirar a lama dos pés, dos calçados e roupas antes de entrarmos. A Brenda estava muito queimada, já que podíamos passar protetor, e tomou banho frio, tendo-o desligado no interruptor ao lado do de luz. Não me avisou e acabei tomando banho frio também, pensando que o chuveiro tinha queimado, coisa que fomos avisadas que podia acontecer se o chuveiro é colocado muito quente, por causa da água dessalinizada.

O casal iria embora no voo Gol da 16h30 e depois do banho foram comer algo, comprado no supermercado mesmo, pra ficaem prontos na hora combinada com o Samuel para o Transfer. Quando saí do banho, já tinham ido.

Resolvemos almoçar no Restaurante Chica da Silva e comer a sobremesa no Bistrô do Cacimba, super recomendada por uma amiga de minha filha mais nova. Pelo Maps, eram próximos um ao outro, e dada a dificuldade de chamar táxi, como já disse antes, e pela proximidade, fomos a pé pelo quase 2 quilômetros. Muito bem! o GPS, às vezes, dá um perdido no local, e o Chica da Silva não é próximo ao cacimba e estávamos no extremo oposto a ele. Quer saber? Não vai dar pé de voltar a pé. Vimos um motorista de táxi limpando seu carro e pedimos orientação. Foi ele que nos explicou para não confiar no GPS e aplicativos de localização, deu boas referências do restaurante que procurávamos e também nos indicou o Mergulhão para o por do sol. Já passava de 15 horas, e optamos por este último pois, até chegar lá, escolher os pratos, comer, era só fazer mais uma horinha e já veríamos o por do sol. Ele chamou outro taxista para nos levar, afinal, ele arrumava seu táxi para o transporte de uma noiva um pouco mais tarde.

Mais R$ 26, 00 até o Mergulhão, que constava na minha lista programada de lugares para comer e eis que descubro que já havíamos passado por ele inúmeras mvezes sem dar-nos conta. Ele fica junto ao estacionamento da Praia do Porto. E tem uma estrutura simples e inusitada, pois logo ao entrar o seu olhar já atravessa todo o seu comprimento e já alcança o mar. Mais uma gostosa surpresa está na decoração. Um patchwork de chita decora todo o forro, e a cobertura final é de palha. O preço do prato individual gira em torno de R$ 100, mas são sublimes no preparo e na apresentação. Minha mãe comeu um Baião de Dois com costelinha suína, que só sobraram os ossos. A minha filhar menor pediu um Mignon pois não devia mais comer frutos do mar, e eu pedi Peixe na castanha. Todos os pratos bem servidos, mas ainda assim não houve sobras.

E depois ainda Brenda e eu tomamos cafe, coado na mesa, e eu ainda tomei um drink de café com sorvete. A nuvem que apareceu em todas as tardes junto ao sol estava lá novamente, fazendo minha mãe concluir que era uma coadjuvante contratada. Mas ainda assim tivemos uma finalização maravilhosa para este excelente almoço/jantar.

Pensa que acabou? Ainda não comemos a sobremesa recomendada por nossa amiga Mirela. Como a dona Cleuza estava em dúvida se iria ou não comer a sobremesa, chamamos o táxi, e na hora decidimos parar todas na Casa Guedes para a Brenda pegar algo que esqueceu, e esperar assentar a refeição para depois seguirmos, a pé de novo para a Vila dos Remédios. Olha que, o tanto que andamos neste dia, todo o esforço que fizemos, merecia ser coroado com uma bela sobremesa.

A decoração do Restaurante e do Bistrô Cacimba é, em grande parte, homenageando a artista Daniela Mercury. Informaram-nos que os proprietários são amigos pessoais dela, e que a mesma fez o show de inauguração do espaço, que já sofreu reformas mas guarda a homenagem. A sobremesa é o Churros à Daniela Mercury. São dois churros, que lembram o pastel primavera da forma que são feitos, um com recheio de doce de leite, outro de nutella, acompanha um agrande bola de sorvete de creme ou chocolate, e tem calda de nutella. Excessivamente doce se você é diabético. Mas, apesar de ser um doce bem doce, é muito gostoso. E comemos tudo. Cada uma pediu o seu e pagou R$ 28,00. Mal terminamos, a Brenda já começou a passar mal pelo excesso de açúcar. O estabelecimento teve a cortesia de chamar-nos o táxi( no Mergulhão também o fizeram) e voltamos urgente para casa, com minha filha tendo cólicas horríveis, devido a um dumping, mas que uns 40 minutos depois, já se amenizavam.

Arrumamos parte das malas pois nosso transfer estava marcado para 10h30. No dia 02 de maio só teríamos tempo para um banho, café da manhã e finalizar as malas. E despedir-nos de Noronha. Enquanto fazíamos as malas, refletimos sobre os passeios do dia e as faltas de orientação e cuidado na trilha do dia. A Brenda deu falta do óculos de sol dela, chegando a conclusão que esquecera no aquário de Atalaia. Como ela chegou antes que nós, deixou seus pertences separados. Na hora da agitação para irmos embora, ele deve ter caído do meio de suas coisas. O que nos levou a lembrar do papel das monitoras estagiárias, no aquário, que certamente é de controle, de horários, frequência e manutenção da integridade do lugar. Cada uma de nós pensou a mesma coisa, e sem querer julgar nem mal-dizer, chegamos à mesma conclusão do porquê da pressa das duas, sem nem nos dirigir a palavra quando passaram por nós duas na subida, e pelos demais na portaria do Praia.

Acho que consegui, ao longo do relato, pontuar várias situações do dia a dia dos moradores da ilha, principalmente os que vivem de atividades ligadas ao turismo. Um pouco do sistema de esgotos e suas dificuldades, a dessalinização da água que responde por 100% da água consumida para todos os fins exceto para beber, a compostagem do lixo orgânico, o tratamento da água utilizada, que é devolvida ao mar com mais de 80% de pureza, ficando este último responsável, dado ao alto teor de sal do mesmo, por eliminar os 20 % de micro-organismos restantes. Os recicláveis são compactados e devolvidos ao continente. As estradas estão em péssimas condições, o transporte público é escasso. Mas os moradores pagam preços diferenciados tanto no transporte local como nas passagens aéreas. No ônibus eles entram por trás, enquanto os turistas entram pela frente. Todos os itens de consumo são caríssimos, nada é produzido na ilha. A gasolina custa mais do que sete reais. 

Resumo da história

Então, a natureza é paradisíaca, mas a ação e a ganancia humanas deixam suas marcas. 

Obrigada Fernando de Noronha, prazer em conhecê-la. Até um dia! Quem sabe???

E uma visão da chegada ao Recife, ainda com águas verdes e encantadoras, nunca é demais!