ESTOCOLMO - UM DIA NOS MUSEUS

18/09/2019

Combinamos de sair hoje às 9 horas, e depois de um sono gostoso num quarto friozinho, com 4 companheiros, sendo 3 homens, acordei por volta de 7 horas e aproveitei para ir ao banheiro antes que congestionasse. O mal deste Hostel é a pequena quantidade de sanitários e duchas. E voltei a dormir a´te às 8h30. Levantei, me vesti e escovei os dentes, esquecendo de pentear-me. Mas saímos às 9 horas.

Peguei orientações com a amável recepcionista e fomos em direção à Estação Central de Trem, perto de um Mac Donald's e de um outro café, na calçada oposta, onde tomei meu café. Primeiro erro do dia. Queria algo quente para beber e escolhi algo frio no menu pregado à parede, escrito em sueco, que também parece bastante com o inglês, assim como o norueguês. Só me dei conta quando vi a moça preparando um Moka gelado com chantili. Pedi um lanche de queijo, presunto e tomate, aquecido, um pedado de torta de chocolate e o Moka. A Elisabeth ganhou um café e uma média no hostel e não quis comer nada.

Entramos na estação para depois descobrir, com a orientação do vendedor de tíquetes de trem, que nosso bondinho era externo e sua estação inicial era ali pertinho. Azul com o número 7. Achei que poderia usar o Estocolmo Passe nesta condução mas não foi o que aconteceu, e paguei em dinheiro pois não aceitava cartão. Ainda bem que quando estávamos na estação a Elisabeth sugeriu que sacássemos Coroas Suecas. Estava com 500 coroas e pedi que o fiscal cobrasse as duas passagens. Entendi que ele falou que eram 136 coroas mas ainda preciso confirmar pelo troco. E ele nos levou até a Ilha Djusgarden.

Descemos no ponto final e descobrimos com o fiscal que o parque Grona Lund estaria fechado. Só queria mesmo conhecer e não brincar, mas não tem problema. Então nosso primeiro destino foi o Museu do ABBA. 

Ainda do lado de fora vimos uns cartazes que possibilitavam fazer fotos com o grupo, nossos rostos substituindo-os. No primeiro cartaz fiz só da Elisabeth pois era muito baixo e eu teria que ajoelhar. Muito sacrifício para meu joelho. Tirei foto também para duas senhoras branquinhas que ficaram muito bem caracterizadas nos corpinhos loiros das suecas. Já num outro cartaz, alto, com escadas atrás, fomos as duas e uma gaúcha tirou foto para nós.

Este não fazia parte do Passe de Estocolmo também e eu já sabia. Gastamos 270 coroas cada uma pelo ingresso e um aparelho semelhante a um telefone que funciona como um áudio guia no idioma escolhido, no caso o espanhol. Nos pontos indicados a gente encosta o aparelho e vai ouvindo a história dos integrantes e do grupo que fez muito sucesso em todo o mundo. Anni Frid, Bjorn, Benny e Agneta.

Por diversas salas do museu pudemos ver as vestimentas que usavam em suas apresentações, seus discos, algumas ambientações de camarins, cômodo da casa onde compunham, estúdio de gravação, discos de ouro...

Achei interessante porque lá também estão fotos e videos deles mais velhos, mostrando que ídolos também envelhecem. Isso os humaniza.

E na segunda parte da exposição um museu mais interativo onde pudemos fotografar com eles, participar de um karaokê, dançar, e até me apresentei no palco. (vídeo parcial no @ lessa meyre ou total no Facebook - Meyre Lessa). Me diverti 'a beça'.

Nosso próximo destino foi o Museu Viking. Todas as atrações são próximas umas das outras e ficam junto à rota conhecida como linha azul, e tudo em volta parece cenário para o turista.

O Museu Viking já estava contemplado no Passe e, após subir uma longa escada, demos de cara com um barco viking e um tripulante grandalhão que me conduziu pelos mares da loucura...  Hahaha, brincadeirinha, nem fiz as fotos na mesma hora, mas é para mostrar como as informações são manipuláveis e podemos fazer parecer o que queremos.

A Elisabeth comentou hoje mesmo comigo que, mesmo estando viajando comigo, é interessante ler meus relatos e ver a viagem pelo meu ponto de vista.

Neste museu tem funcionários com trajes típicos e também podemos interagir. A moça que trançava um cinto com fios de lã coloridos me ensinou como fazer e aceitou tirar uma foto. 

Depois encontrei uma típica casa viking, cheia de pelegos e fogueira, com a cadeira do patriarca e um capacete, outro funcionário me autorizou a sentar e fotografou-me.

Várias figuras folclóricas deste mundo viking estão ali retratadas, tudo é muito colorido e intenso. As roupas e acessórios fazendo uso dos recursos da natureza e os homens imitando os bichos para se protegerem do frio.

Num andar inferior uma aventura num trenzinho que nos leva a conhecer a motivação viking para se aventurar por além das terras geladas do ártico, enfrentando o desconhecido, guerras e fome. Os recursos em suas origens já estavam insuficientes e assim ocorre a influência deste povo e de sua cultura por toda a Escandinávia. O rapaz que nos atendeu em espanhol, orientou-nos junto com um casal de argentinos que coincidentemente chegaram logo após e seguiram conosco no trenzinho. Pedi uma selfie dos cinco. Eles são de Buenos Aires. 

Saímos do museu direto num restaurante e como já eram 14 horas e a Elisabeth só havia tomado um litro de café. Verificamos o cardápio e ficamos. Eu pedi uma sopa de batata na esperança de ser como a ucraniana, que vai também beterraba, e um suquinho de laranja, de garrafa. A Elisabeth iniciou seu pedido igual, mudando apenas o suco. Mas viu o prato de um rapaz que comia uma espécie de linguiça e acrescentou isto ao seu pedido. Acho que estava mesmo com fome. 

Quando fui escolher um lugar, acomodei minha mochila, coloquei a garrafa já aberta na mesa, e quando fui passar no pequeno vão entre uma mesa e uma cortina pesadíssima, a garrafa tombou e parte do líquido entornou, na mesa e no chão. Nisso a Elizabeth já estava chegando e chamei o garçom:

_ " Please, clean the... " e apontei o dedo para o chão. Ele completou dizendo:

_ " The floor?" perguntou-nos de onde eramos e começou a falar espanhol conosco.

Um pouco depois ele nos trouxe uma vasilha bem pequena com um creme braco e um bom pedaço de pão quentinho. Eu disse:

_ " Está muy chiquita esa sopa."

Ele arregalou os olhos e ao perceber que eu estava brincando me disse:

_ " És que los suecos comem poco." E todos rimos. A Elisabeth ainda me perguntou se era verdade sobre os suecos, pois eles são tão grandes...

Em seguida recebemos nossa deliciosa sopa de batatas. Não era a que pensei, mas estava igualmente maravilhosa. Veio com fatias de alho fritas decorando, e o tempero estava muito bom. Senti uma presença de manteiga.

A Elisabeth que só tinha bebido café pela manhã, e já tinha gastado muita energia caminhando até aqui começou o prato principal com gosto. Mas achou que o molho que acompanhava a linguiça, o purê de batata e o repolho não caiu bem. Comeu tudo porque, como eu, não acha correto o desperdício.

Na saída deste museu ainda vimos um capacetes e um espelho que me ajudou encaixar a cabeça nos mesmos. Ou quase.

O próximo Museu é o Vasa. O mais procurado na ilha. Pensei até em não visitá-lo, mas quando vi que estava incluído no Estocolmo Passe e sondei seu acervo, mudei de ideia. Nele está um navio de guerra construído no sáculo XVII e que afundou em sua primeira viagem, por causa de uma rajada de vento, ainda no porto. O mar o conservou por 333 quando foi achado e retirado, sendo exposto neste museu temático, junto com uma série de adornos coloridos.

Pudemos apreciá-lo a partir do andar térreo, primeiro e segundo andar. Não fomos ao subsolo para olhá-lo de baixo para cima.Mas ele é imponente e majestoso. Seus três mastros principais têm mais de 50 metros de altura. Imagine o tamanho do vão para abrigá-lo. 

Após a bilheteria, passamos por três portas de vidro para entrar no museu, uma em seguida da outra, certamente para manter as condições climáticas no ambiente interno, visando a preservação do navio.

 Os entalhes na madeira que adornam todo o barco, mas principalmente e proa e a popa são de deixar-nos boquiabertos. Nunca vi nada igual. 

Em cada andar temos acesso visual de diferentes pontos da embarcação, com placas explicativas em 5 idiomas, sueco, inglês, francês, espanhol e alguma língua oriental.

Quando terminamos de ver, enquanto a Elisabeth foi ao banheiro eu procurei minha sobremesa, no café e restaurante do Museu. Achei o famoso bolinho com canela, tradicional da Suécia. Pedi um café para acompanhar. É gostoso mas nada de fantástico. Vale pela experiência de conhecer um item típico da cozinha sueca.

O tempo passa depressa e quero conhecer o Museu Nórdico ainda, porque ele está abrigado no mais charmoso prédio local. Parece o Castelo encantado de alguma princesa. Já são quase 16 horas e a expectativa é que se encerre às 17 horas.

Mas ele é muito próximo ao Vasa, e seu ingresso também está incluído no Passe da cidade. Logo após passar na bilheteria, levei minha mochila ao armário, não como uma obrigação, mas como uma sugestão já que iriamos andar muito. E depois pegamos um aparelho guia que foi programado para o espanhol, e os fones de ouvido. Quando encontrávamos umas placas com números grandes, inseríamos os mesmos no teclado do aparelho e obtínhamos as explicações.

Assim foi que descobrimos que o Rei Gustav que está sentado, enorme, em seu trono, em frente à porta principal, quer gerar um impacto no visitante, semelhante ao que temos aos entrar nas suntuosas igrejas e templos, de qualquer religião, pelo mundo afora. Todo o prédio teve este propósito e o objetivo é atingido.

Fomos orientadas a pegar o elevador até o quarto andar e iniciar a visita por lá. Como o edifício possui um grande vão livre central, os andares estão dispostos nas laterais mas acompanhando os mais de 130 metros de comprimento do prédio. Formam um elo no perímetro da construção e as exposições estão no terceiro e quarto andares.

Nestes são apresentados móveis, trajes, utensílios e diversas coisas relacionadas ao modo de vida do povo nórdico do passado e do presente. Este Museu é novo, iniciou suas atividades em 1907, após a morte de seu idealizador.

Mas pudemos ver até um arquivo de tecidos e seus padrões florais, multicoloridos, em gavetas de madeira protegidos por vidros.

Decorações de mesas ao longo dos séculos, motivos natalinos, decoração e vestuário em patchwork. Até a forma de estofar os assentos das cadeiras pudemos apreciar.

Um setor falava sobre os povos aborígenes do Norte da Escandinávia, os pouco mais de 20 mil descendentes vivos, seu costumes e o fato de hoje serem encontrados principalmente numa cidade de nome Sapmi.

Chegamos aos anos mais recentes, suas estrelas de cinema, os figurinos dos anos 30, 40, 50 e por aí vai, até uns bem atuais.

Fizemos os dois andares devendo ter andado só ali dentro quase um quilômetro. Quando saímos comentei com a Elisabeth:

_ " Que tal chamar um UBER, se houver, porque estou muito cansada."

_ " Nossa, estava aqui pensando exatamente idoo."

_ " Qual o nome do hostel que estamos mesmo?"

_ " Não lembro."

_ " Ah, acho que Poshtel."

E coloquei no UBER. Logo veio o valor aproximado, porque aqui eles dão um intervalo de valor como sendo o cobrado. Veio algo como entre 3450 e 3800 coroas suecas. Tão cansada que estava falei para ela:

_ " Nossa, vai custar algo acima de 34 euros, muito caro."

_ " Mas em duas não fica tanto."

_ " Acho melhor usarmos o mesmo bonde que viemos então."

Ela tinha visto anteriormente ue uma outra alternativa, que está incluída no passe, o ônibus Hop On Hop Off só circula até 16 horas, e já eram quase 17h30.

Nisso vi um bonde vindo e o ponto era perto, mas aquele já não conseguiríamos pegar. Mas o próximo chegou logo. 

Sentamos em bancos posicionados igualmente em lados opostos do corredor, pois o trem estava cheio. Combinamos que ela pagaria agora, já que eu paguei a ida. Quando a fiscal chegou para receber e ela apresentou uma nota de 500 coroas a fiscal disse não ter troco. Uns moços que estavam sentados junto dela ficaram rindo e, nitidamente tirando o sarro da gente. Assim que abriu espaço ao meu lado ela se esgueirou fugindo daqueles babões. No ponto final tentamos ainda pagar a fiscal, ela nos informou que o bilhete poderia ser comprado na Seven Eleven, mas para a próxima viagem. Esta saiu de graça.

Fomos ainda até a Seven Eleven para comprar guloseimas para o jantar. Quem encontramos saindo de lá? Dois dos 3 babões. Um deles olhou pra mim e disse rindo:

_ " Only cash?"

Até sorri de volta pois não o tinha reconhecido. Mas, pque eu disse errado?

Falei como o fiscal da ida falou comigo.

Mas deixa ele para lá. Compramos o que precisávamos e quando saímos, fui programar o Google Maps para nossa caminhada. Quando coloquei Poshtel, deu 21 dias de caminhada. kkkkkkkkkkk. Daí que me toquei que coloquei o nome do hostel de Turku. Caímos as duas na gargalhada. E só depois que entendi que o valor do UBER até lá seria de 350 a 380 euros. ainda bem que não confirmamos. O cansaço deixa a gente risonho ou chorão. Neste dia estávamos risonhas. Rimos muito com esta burrada.

A Elisabeth resolveu comprar de guloseima um sorvete, só para trocar o dinheiro. E saiu chupando aquela 'dilícia' pela rua, já quase 18 horas. Ela dizendo que estava gostoso e eu disse que nem iria fazer mal porque estava em temperatura ambiente. E nova gargalhada. 

E lá vamos nós 1,5 km acima novamente. Chegamos exaustas. E felizes. Ela consegue acompanhar bem o meu ritmo, em algumas situações até tem melhor performance, nas subidas, que fico sem fôlego pela forma de respiração curta. Apesar de seus 6 anos e meio a mais que eu, formou-se em educação física e sempre teve cuidado em movimentar-se. Disse-me até que há quatro meses vinha fazendo caminhadas diárias de 15 km.

Temos caminhado em torno de 10 km diários, durante 8 a 9 horas. E muito pouco nos sentamos. Mas creio estarmos explorando bem os lugares pelos que passamos.

E encerramos com um por de sol pela janela lateral do quarto de dormir...