ESTOCOLMO - HOP ON HOP OFF

22/09/2019

Depois de muitas andanças e de ter visto os pontos de meu interesse programados, sugeri para Elisabeth fazermos o percurso completo da cidade no ônibus de turismo, incluído no Estocolmo Passe.

Não temos pressa, acabei levantando cedo e não tive uma grande noite de sono. De manhã ainda remoía o acontecido durante a madrugada. Descobri que a forma de dizer mal-educada em inglês é 'rude'. Nós também usamos este termo, e talvez ele até tenha uma maior significância. Várias pessoas sugeriram que eu compre e distribua protetores auriculares entre os colegas de quarto, outros ainda se admiraram de eu não ter tido problemas antes. Eu não sei o nível do incômodo que causo, afinal, estou dormindo. Mas estou pensando seriamente em não fazer mais uso de quartos compartilhados, por mais que isto encareça minhas viagens, por mais que eu sinta que eu aceito todas as inconveniências de quartos e banheiros compartilhados como luzes acesas, cheiros estranhos, barulhos, bagunça de malas, banheiros molhados e sem papel, enfim, inúmeras, até a intolerância de alguns companheiros, diz o ditado que:

"Os incomodados que se mudem", mas eu não sou assim. Não gosto de incomodar, faço de tudo para evitar incômodos, então mudo eu. Talvez este episódio tenha se passado para me levar a este desfecho.

Mas saímos novamente em busca de uma café da manhã, já com o endereço da parada do ônibus mais próxima do Hostel. A recepcionista de hoje fala espanhol e me passou direitinho a indicação. Não que a outra não o tenha feito, mesmo nos comunicando em inglês ela foi muito eficiente e solícita, aliás, a melhor parte do Hostel Crafoord Palace de Estocolmo. Sua equipe de serviço.

Hoje, na mesma franquia destes dias, Expresso Café, mas em outra unidade, escolhi o sanduíche errado, espero que isso não seja um prenúncio. 

Quando chegamos no ponto a Elisabeth disse que viu passar um ônibus verde, mas como achamos que o nosso era vermelho, não colocou atenção. O vermelho passou um pouco antes de chegarmos ao ponto, às 10h20.

Mas cerca de 15 minutos depois, lá vem outro vermelho, fomos até ele, a Elisabeth entrou na frente e mostrou o passe, o motorista disse que não podíamos usar aquele ônibus, eu mais atrás não o ouvia, e ela não o compreendia. Ele mandou-nos descer, quase enxotando-nos pela demora.

Voltamos para o ponto e fui olhar uma informação sobre a cor do ônibus que vi, mas não dei crédito porque não tinha visto em toda nossa trajetória, nenhum ônibus de cor verde. Mas era isso mesmo que estava escrito lá. Nisso encostou um casal e ficou aguardando o ônibus, com os mesmos encartes que nós nas mãos.

Outros 15 minutos e mais um ônibus vermelho, eles tentaram entrar e o motorista lhes explicou que não, mas que o verde passaria por aquele ponto também. Nesse momento resolvi conversar explicando que nós também aguardávamos o verde. A Elisabeth soltou um:

_ " Ela é blogueira", em português mesmo, e a mulher viu que falamos português. Disse que português não fala, mas sim espanhol. Opa!!! Assim a conversa flue. Espanhol eu falo um pouco. 

Foi assim que descobri que ela é jornalista, são americanos, moram no Colorado, ela também dá aulas como professora substituta e aulas de espanhol. Ele é psicólogo e não fala espanhol, mas entende um pouquinho. Ela me perguntou se eu tinha ganho o passe, pois ela, como 'periodista' o tinha, mas teve que pedir. Ganhou também a hospedagem. E ela é freelancer, mas de revistas americanas.Perguntou quantos seguidores eu tenho, mas expliquei que meu objetivo com o blog não é ganhar dinheiro, e sim compartilhar minhas experiências e sensações já que viajo só e não tenho com quem dividir diretamente o êxtase da viagem. E que talvez, só talvez, gostaria que tudo isso virasse um livro.

Outro ônibus vermelho passou. Eles queriam ir para o Skansen. Nós não conhecemos este Museu a céu aberto porque no dia que fomos para a ilha, Djusgarden, estava com o tempo ruim. E eu queria ir aos museus, e este iria consumir um bocado de tempo. Mas se estivesse sol, eu iria mesmo assim. Sugeri que eles usassem o bonde elétrico azul, para não perder muito tempo do dos dias de seus passes. Mas depois de esperar tanto tempo, sempre temos a sensação de que ao sairmos chegará nossa vez...

Assim que eles decidiram ficar até uma hora de nossa chegada, aguardar então até às 11h20. !!h15 passou o quarto ônibus vermelho, ela me perguntou a hora e disse que já tinha completado o tempo, mas nisso seu marido viu ao longe o bendito ônibus verde. Domingo. A cada uma hora, com primeiro horário às 10h da manhã e o últimos às 16h nessa época do ano. Não bastasse isso, ele rodou uns 15 a 20 minutos e parou num ponto de maior importância e ficou parado por uns 30 minutos, antes inclusive de ir para a ilha. S´fomos passar pelo Skansen às 12h30. Nem sei o que eles fizeram pois entraram no ônibus e ficaram na parte de baixo, enquanto nós fomos para cima com nossos microfones, saber um pouco mais da cidade com nossos fones de ouvido e o tour guiado em espanhol.

Descobri que aquele lindo lugar, próximo ao embarque para o Palácio Real, é a Prefeitura e que ali se entregam alguns dos prêmios Nobel. 

Passamos por um túnel de 1,5 km e fomos parar na parte sul da cidade, que já foi de periferia, habitado por trabalhadores, mais sujo, mais feio, mais barato, mas com o crescente aumento da população da cidade de Estocolmo, essa zona foi revitalizada e hoje abriga muitos apartamentos pequenos e funcionais, com todas as facilidades de transporte e ciclovias e etc.

Noto que todos estes países pelos quais passamos tem orientação para o pedestre. O trânsito é educado para respeito ao pedestre em primeiro lugar, depois aos ciclistas, motociclistas e por último os veículos, estes também guardando ordem de preferência, transportes coletivos, de carga e automóveis. E funciona. Mas tem pistas de ciclismo e pedestres para todo lado, quando não, calçadas e ciclovias. Nas faixas de pedestres, carro para sempre que houver alguém atravessando, com exceção de locais onde houver semáforos. E é uma grande cidade, com grande movimento de transeuntes e veículos.No ônibus, através do audioguia nos foi dito que o transporte em bicicletas já foi o principal transporte da cidade, decaiu e agora está voltando com força total por causa das pessoas que querem preservar o meio ambiente e fazer exercício, tendo gente que usa este meio de locomoção durante todo o ano, mas os meses com maior fluxo de 'bikes' são entre maio e setembro, meses de calor. kkk. De 6 a 17 graus. 

Passamos por uma grande área verde, com mais gramados do que árvores, mas que já foi utilizada pelas forças armadas, e que após 200 anos sem participar de nenhuma guerra, o espaço foi entregue à população, mas que já houve interesse de especulação imobiliária para ocupar com habitações o lugar, tal a necessidade de expansão em virtude do crescimento demográfico. Mas a população não cedeu e não abriu mão do espaço, muito utilizado pelos moradores para diversas atividades ao ar livre.

O percurso completo durou 3 horas e pudemos apreciar áreas da cidade que de outro modo não o faríamos. Às 14h20 descemos no ponto de origem, porque ali perto havia uma feira ao ar livre e o prédio da entrega do prêmios Nobel. 

Pudemos apreciar um pouco de um bom jazz & blues, ver as bancas com muitos cogumelos coloridos parecendo flores secas, frutinhas e pimentas vermelhas. Algumas mangas e abacates. 

E depois entramos num shopping de alimentos a procura de banheiro e almoço. No andar térreo, restaurantes, com uma pasta que atraiu o olhar da Elisabeth. No subsolo, várias lojas de alimentos a processar. Comprei ali a tal carne rena, em forma de salame. E bem salgado como o salame. Tinha também de carne de urso, e de alce. O de urso deixou minha companheira com dó, e entre o alce e a rena, o vendedor disse que a de rena é mais saborosa e macia.

Na feirinha comprei umas frutas cristalizadas e uns biscoitinhos japoneses. Mais saudável para comer enquanto escrevo.

E fomos para o restaurante italiano atrás do que descobrimos ser um rigatone com linguiça. Opção da Elisabeth. Eu comi risoto com cogumelos e salmão. Que tristeza!

A Elisabeth travou uma conversa com a simpática garçonete, uma falando em português e a outra em inglês, mas que de alguma forma estava dando certo, até negociar um refrigerante na faixa se ela não gostasse do sabor ela conseguiu. Foi engraçado ver as duas. E até pessoas de mesas ao lado pareciam querer participar da conversação. Mas não é todo mundo que tem essa gentileza e alegria em servir. Parabéns para este atendimento. Além do que a comida estava ótima. 

Na hora de pagar, o cartão da Elisabeth não funcionou novamente. Achamos que algo deu errado no dia da sopa em Uppsala. Que teve que passar 4 vezes e não deu certo. Então eu paguei tudo e depois ela acerta comigo, porque estava se fiando mais no cartão, o que até que é certo. Têm lugares que nem aceitam dinheiro, mas sempre gosto de um plano B. Já imaginou ficar sem cartão e sem dinheiro num país estranho em que nem fala direito o idioma???? É estresse demais para meu gosto. Mas já estamos no fim da viagem e ela não vai precisar mais para muita coisa.Voltando a pé pela principal avenida comercial, que agora está com todas as lojas abertas e muitos turistas passeando, até brinquei com a Elisabeth:

_ " Se um sueco quiser casar com um estrangeiro o que tem que fazer?"

Ela iniciou uma explicação de que imaginava que tem que ser como em qualquer outro país... Interrompi-a e disse:

_ " Tem que vir passear nesta avenida no domingo, porque aqui só tem estrangeiro, e conhecer o(a) companheiro(a)."

Ela quis passar na Seven Eleven novamente para tentar fazer uso mais uma vez de seu cartão. Nova frustração.

Hoje voltamos cedo para o hostel, por volta de 16 horas. E fui para a sala de TV escrever, estava vazia. E não incomodei ninguém. Uns e outros entraram e saíram logo. Mais perto da hora em que terminei entraram uns quatro e permaneceram. Neste tempo que ali fiquei também pude falar com minha mãe, que há alguns dias não falava. 

Hoje no quarto estão um casal e uma moça nova, e a mocinha brava. E não foi uma boa noite de sono. Toda vez que eu começava dormir e ressonar ou roncar, o moço sacudia a cama. Desta forma, nem ele, nem eu, dormimos. Mas notei que, num lapso de tempo maior, onde eu fiquei acordada pois perdi o sono de tanto sacolejar, ele dormiu e roncou. Engraçado isso não? Num dado momento percebi que o sacolejar parou. Eles tinham levantado, o casal. E dormi.

Quando meu relógio despertou, a mocinha olhou pra mim e falou algo como

_ " The funny girl sleep."

Não sei se foi isso e imagino algo como a engraçada bela adormecida. Acho cruel fazer comentários jocosos em uma língua que sabemos que o outro desconhece.

Mas estou indo embora, ela vai dormir melhor, ou talvez não, mas isso é problema dela, não mais meu. Se é que o foi alguma vez.