es-Voltando para casa - enfim lar

15.05.2018

Como eu disse, estava já além de meus limites emocionais, e precisava fazer algo antes de despencar. Assim, decidi sair o quanto antes deste ultimo destino. Mas, aguentaria eu mais de 18 horas de ônibus até São Paulo¿ Seria a maior distância percorrida até então, 1350 Km.

Logo que cheguei, comecei a caçar promoções de voos. Encontrei na 123 milhas um preço muito inferior aos demais. A passagem sairia por R$510,00, e o outro melhor preço era R$ 840,00. Fiquei cismada e resolvi consultar o Google para verificar informações de outros usuários. As informações eram boas, e resolvi arriscar. Depois de 5 minutos que efetuei a compra, recebi um e-mail de confirmação. Mais cinco minutos e o cartão de crédito já tinha aprovado a compra, e pouco depois recebia o código da passagem pela LATAM. Entrei no Site da companhia e lá estava o meu bilhete. Ah! Que tranquilidade.

(site)

O voo estava previsto para as 5h, chegando a São Paulo as 8h15. Considerando o horário de verão brasileiro, 2h15m no total, mas de voo são só 1h40m.

Minha ânsia para voltar ao lar era tão grande que combinei com a Lorenz, do hostel, que o Joel, seu marido, me levaria às 24h para o aeroporto, por 100 mil guaranis. Ela me disse que eu dormisse mais cedo, pois de madrugada, para o aeroporto só demorava 30 minutos. Poderia sair tranquilamente às 3h30m. Justifiquei que não queria incomodar o Sr. Joel, ela disse que não seria incomodo. Aí eu desabei a chorar dizendo que no aeroporto me sentiria a caminho de casa. Assim, ela não mais contestou. Pelo contrário, me entendeu perfeitamente. Assim, meia noite eu deixava o Isla Francia em direção ao aeroporto.

No caminho, passamos por uma Avenida chique, com enormes mansões e várias embaixadas. Um outro lado da cidade que eu não tive a oportunidade e nem a vontade de conhecer.

Tinha ainda 150 mil guaranis para gastar, de modo que resolvi envolver minha mochila com filme plástico para que não fosse violada, depois das coisas que vi e ouvi no Paraguai.

Depois fiquei observando a gente que passava por mais de 2 horas. Enquanto isso uma grande fila se formava no balcão da LATAM, que ainda não prestava atendimento. Às 4h sairia um voo para Buenos Aires, e às 5h para São Paulo. Como ainda era cedo, deixei a fila se formar e continuei sentada, com certeza esta diminuiria até o meu horário de check in. E assim foi. Quando me dirigi à fila, atrás de mim estava um Europeu que vive em Buenos Aires. Começamos a conversar mas, não terminamos. Ele só me dizia:

­_" Não Acredito."" Não acredito."

Fui chamada e a conversa terminou. Depois de despachada a mochila, sem custo adicional, o que me deixou muito feliz, fui perambular pelo minúsculo aeroporto da capital paraguaia. Banheiro, cappuccino, empanada de queijo que sobrou de ontem, soninho, e chegou a hora de embarcar.

Delícia! Um bom espaço para as pernas, o assento do meio ficou vazio e eu estava no corredor. Tentei dormir porque a essa altura, já estava bem cansada. Até que cochilei um pouquinho, mas logo já iniciou o serviço de bordo. E eu estava enjoada, acho que principalmente pelo cansaço físico. Não quis nem comer nada no avião, tomei só meio copo de Coca-Cola sem gelo, como remédio.

Cheguei ao aeroporto de Guarulhos, fiquei impressionada com a alfândega para brasileiros maiores de idade. Tudo digital, e autoatendimento. As esteiras muito bem pensadas, serpenteiam pelo salão proporcionando facilidade de acesso à bagagem. Banheiro de novo e vamos procurar transporte. Ainda estou sem celular, de modo que o UBER está descartado. Fui pegar um pouco de dinheiro no Caixa Eletrônico e no terceiro piso fui consultar o preço do taxi. Para me levar até a Estação Tatuapé do Metrô, queria R$ 120,00.

_"Nossa, que caro."

_"A senhora pode ir de ônibus também. A parada é no térreo."

E lá fui eu. R$# 6,00. Ele passou por todos os terminais pegando passageiros. Sentados ao meu lado, um viajante de Campo Grande, que tem casa também em Santo André. A frente, uma moça que estava indo para Marília, fazer um teste para residência médica, e ao lado dela uma outra viajante que não identifiquei de onde, mas viemos conversando, o tempo passou, e o sono também. O moço que ia para Santo André me ofereceu ajuda com as malas, e eu aceitei ajuda para me indicar o caminho, visto que ele já está habituado com aquelas paragens. Seguimos juntos pelo metrô e depois o trem, descendo eu em São Caetano e ele ainda continuando até a próxima estação.

E, finalmente, tirei o escorpião do bolso e resolvi pegar um taxi até a casa de minha mãe, gastando R$ 20,00 neste pequeno percurso.

Só minha mãe e minhas filhas sabiam da minha chegada em 04 de dezembro, uma semana antes do programado. Quero fazer surpresa para os amigos e familiares, nem todos porque não será possível, que me acompanharam a distância nesta aventura, rezando, torcendo, lendo e comentando minhas narrativas.

Dizem que viajar é bom, mas melhor ainda é voltar para casa. Tenho uma correção a fazer nesta afirmação. Bom mesmo é ter para quem voltar, e voltar para o lar, que é muito mais que casa. Lar é onde estão os seres amados.

Encontrei muitas pessoas especiais pelo caminho, gente que aprendi a amar também. Mas o calor dos abraços de quem me ama e me conhece profundamente, isso não tem preço.