es-UMA PAULISTANA EM SÃO PAULO - SP (Centro)

15.04.2019

Se você acha possível conhecer toda uma cidade grande como São Paulo, eu te digo, vai precisar de muito tempo e dedicação.

Há um ano eu estava, nesta mesma época, me embrenhando pelos países sul-americanos. Bateu uma nostalgia... assim que, resolvi aproveitar dois feriados muito próximos, o de 15 e o de 20 de novembro, juntei com a necessidade de vir para o ABC rever minha mãe e confraternizar com antigos amigos de trabalho e vou 'turistar' em São Paulo. Sou nascida no bairro Cambuci, porém fui criada em São Caetano do Sul, a princesa do ABC. Cidade pequena em território, que faz divisa com a metrópole.

Em meu primeiro dia, programei uma ida ao Centro. Até tentei uma visita guiada em espanhol, com a https://paseosapiesaopaulo.blogspot.com/ , mas a confirmação só recebi hoje por volta do meio dia, assim que decidi fazer sozinha mesmo.

No entanto, aproveitei o itinerário deles, em parte. Saí de um bairro de São Caetano do Sul para tomar o trem da CPTM, utilizando um ônibus metropolitano por R$ 4,20. A passagem do trem é integrada à do Metrô e custou R$ 4,00. Desci na estação República e procurei a saída que dava para a Avenida Ipiranga, pois já programara meu roteiro usando o Google Maps, e meu primeiro destino seria o Teatro Municipal. 

Logo na saída da estação, avistei dois policiais militares numa esquina e à eles me dirigi para confirmar a rua certa para chegar ao Municipal, e questionei quanto à segurança para fazer fotos na Praça da República. Eles me alertaram, principalmente, quanto aos grupos de garotos ciclistas, mas que era bom estar alerta sempre. Segui à esquerda pela Rua Direita e me surpreendi com a limpeza. Grande parte da região central de São Paulo é de 'calçadões', com tráfego de veículos proibido, com raras exceções. Entre muitos pedestres, uma diversidade de lojas e calçadas limpas, muita mendicância. Pessoas com seus cobertores e outros pertences ocupam sombras de árvores, de marquises, e outros lugares em que possam se abrigar das intempéries, na maior normalidade e naturalidade. Nem são mais notados. Infelizmente.

Outra sensação única, própria de grandes cidades, são os aromas. Cheiros azedos de gente ou de lixo, misturados a cheiro de comida fresquinha, perfumes e pó. Mas a cidade, para que vem observar, apresenta outras facetas incríveis: a diversidade de raças e credos, alardeados aos quatro ventos; a pluralidade de expressões artísticas (vi um maestro que regia uma caixa de som); roupas exóticas, informais, formais, de várias cores e para várias estações do ano, já que o dia estava particularmente quente, mas uma pesada nuvem cinzenta não abandonou o céu, mas também não descarregou seu peso. É um misto de sensações que tornam esta capital imperdível para se conhecer, e quase impossível de se viver. Ela é ímpar. Completa e dura. Lógico, sob meu olhar, pois aqui já trabalhei.

Enfim cheguei ao Teatro Municipal de São Paulo. Li no site do Teatro que a partir deste mês de novembro, o saguão estaria aberto para fotos às terças feiras. De quarta à sábado, eles fazem visitas guiadas, gratuitas, por todas as dependências. Não sabia que eram gratuitas. Fiquei com muita vontade, se der tempo, volto lá ainda esta semana. 

Ao lado está o Vale do Anhangabaú, sobre o qual passa o famoso Viaduto do Chá. Pude constatar a presença de Guarda Municipal ou Militar em toda a região, o que me deixou mais tranquila. E era em torno deles que eu parava para fazer fotos, coisa que aconselho. O viaduto não estava cheio de ambulantes como vi em outras vezes que por ali passei. 

No final do viaduto, a Prefeitura de São Paulo. O vai e vem de gente impressiona. É um mar de gente. Na Praça do Patriarca, que de praça não tem mais nada, novo questionamento à um policial, aliás, sempre solícitos, para saber a direção da Praça da Sé. A avenida que ele me indicou, não passava pelo Páteo do Colégio, como eu desejava, assim que fiz uma rota um tanto tortuosa, mas que, resultou mais proveitosa do que a que eu tinha traçado.

Iniciei a visita pela Caixa Cultural, escolhi lugares que nunca estive ou que gosto demais. Aqui, não conhecia. Eles estão com exposições de conscientização sobre a raça negra.  No andar térreo, a exposição Diáspora, de Josafá Neves. É importante ler o texto sobre a exposição e assistir ao filme sobre o artista para ter uma melhor compreensão da obra. Ele assumiu como característica marcante e diferencial, o pintar sobre telas negras, o que torna seu trabalho mais escuro, porém estrategicamente ligado às suas raízes. Levou-me a uma reflexão. Já no primeiro andar o conceito é completamente diferente, baseado mais em formas e cores, a obra de Rubem Valentim não causou-me impressão semelhante. No entanto, li ali mesmo, que ele é o escultor responsável por uma das obras da Praça da República, que fiz questão de fotografar. Já no segundo andar uma obra inquietante: Neopanótico, de Vinicius S.A. Primeiro um caleidoscópio invertido, onde a projeção é a do observador. Depois uma imensa lagarta branca, cheia de olhos (lagarta no meu conceito), que representam talvez o monstro da observação virtual, onde você está constantemente exposto aos olhos de todos e ao seus mesmos. As esferas brancas que representam os globos oculares, tem adesivos onde se observa o reflexo do que o olho vê, ou não, em olhos castanhos, verdes, azuis, cor de mel, olhos, muitos olhos. E deste andar também é possível observar melhor um lindo vitral concebido pelo italiano Henrique Zucca, única obra de arte que compõem a bela arquitetura do prédio, e que pode ser apreciada em qualquer visita que venha a ser realizada, dado que, as demais, são temporárias.

Dali vou para o Páteo do Colégio. Ele é mesmo um pátio, com magníficas construções que o ladeiam, sendo de uma simplicidade singular. Foi um colégio Jesuíta no início da Vila de São Paulo. A construção abriga o Museu de Anchieta, que guarda relíquias católicas, mapas de São Paulo desde a construção do Colégio e suas mudanças ao longo do tempo, uma maquete do planalto que abriga a cidade, e imagens de santos e outros objetos sagrados. A visita me custou R$ 2,00, como aposentada. Não são permitidas fotografias. Era hora de almoço, assim a visita à cripta estava indisponível, mas a moça me avisou que abriria logo mais, às 13 horas. Mas não me interessei.

Lanchei no café do Páteo, uma quiche de alho poró e um suco de abacaxi, por R$ 20, 24. Nada demais, mas um ambiente muito agradável.

Após atravessar o principal corredor da Praça da Sé, ladeado de Palmeiras, passando pelo Marco Zero da cidade, cheguei à Catedral. Todas as Rodovias paulistas tem sua distância calculada a partir dali. Se você nunca observou isso, preste a atenção, as rodovias começam em Km 11, Km 17 e por aí vai.

A Catedral da Sé é imponente. É um dos lugares que não me canso de visitar. Cada ângulo novo é um flash. Seu estilo me parece gótico, com suas naves pontudas. Por dentro ou por fora, ela enche os olhos com sua bela construção. A Praça da Sé é o lugar que costuma ter o maior número de agrupamentos de pessoas, mostrando  mercadorias, fazendo discursos religiosos e políticos, apresentando pequenos shows musicais, ou de marionetes... Mas convém tomar cuidado com batedores de carteira, apesar de estar bem policiada também. 

Agora vou procurar a escultura do Rubem Valentim. Um poste de metal está atrapalhando um pouco para fotografar. Ela está junto a uma fonte, que se tornou banho público. Os moradores de rua tomam seu banho, até com sabonete, lavam suas roupas e as estendem pelos jardins a volta. Bem, melhor do que ficar fedidos e sujos. Essa parte da Praça é menos frequentada, e o cuidado deve ser redobrado.

Ali atrás está o Palácio de Justiça. O Centro de São Paulo possui belos prédios históricos bem conservados. Aproximo-me para confirmar se é permitida a visitação. Sim. Porém só posso fotografar o andar térreo, onde permaneço, já que é assim. Eles têm monitores para guiar grupos. No final do saguão uma sala de juri. Pedi permissão para fotografar, que me foi concedida. Gostei muito. É como estar em um filme.

Meu primeiro traçado envolvia parte do bairro da Liberdade, que significaria seguir no mesmo sentido. Porém, andando avistei a Torre do antigo Banespa, então mudei meus planos, retornando dali para passar no Mirante e no Mosteiro de São Bento.

Pergunta aqui e ali, cheguei a uma porta do Banco de São Paulo. Pensei já me encontrar no mirante, mas não. No entanto é um belo edifício, que também é aberto para visitação, mas que não prestei atenção do porquê não no dia de hoje.  Ainda assim, pude tirar fotos, inclusive da bela porta giratória, muito estilosa.

O Mirante estava no prédio em frente. Os primeiros andares guardam um acervo histórico do antigo Banco do Estado de São Paulo (Banespa), comprado pelo Santander há uns 15 anos, com nome alterado para Farol Santander. Nove andares de escritório e os andares superiores são destinados a exposições temporárias, uma pista de skate (uau), e um ótimo mirante da cidade. O ingresso para aposentada custou R$ 10,00.

Pedi sugestão ao bilheteiro de como conduzir minha visita. Ele sugeriu iniciar pelo Mirante, já que estava vazio naquele horário, já depois das 14 horas. Foi uma boa ideia, pois depois fui ficando cansada e nem visitei o acervo do Banespa. Vou dar umas sugestões, baseadas em outros mirantes que vi pelo mundo, para melhorar a visualização dos principais pontos turísticos da cidade, para os turistas. No café do Farol, no 26. e último andar, tomei um chá doce de amêndoa, gelado, e comi um bolo de laranja com pinga. O chá tinha gosto de canela. O bolo estava gostoso. Normalmente, comer nestes lugares é mais caro, mas já que quase tudo foi gratuito... Gastei R$21,00.

A exposição do 23. andar foi a que mais me agradou entre todas as que vi hoje. Entrei bem num momento em que os fios instalados sob placas de zinco, brilhavam no escuro. Os sons e os efeitos visuais me deram a nítida impressão de uma tempestade elétrica. No fundo uma projeção que parecia de nuvens. Num outro olhar, foi possível observar tratar-se de um feto em sua vida uterina. Conversando com a guardiã do espaço, ela disse que gosta de ouvir as impressões que a obra causa nos visitantes. A maior parte fica intimidado, e pergunta se corre o risco de levar choque. Disse que ninguém tinha falado em tempestade. E ela mesma nunca tinha pensado nisso. Acho que ela já tinha o preconceito do autor, o que limitou sua criatividade. Ela concordou com a tempestade, e penso que irá observar com outro olhar daqui por diante.

Saindo dali, deparei com uma porta que me pareceu de uma casa da moeda. Está em um prédio abandonado, mas ainda chama a atenção.

Próxima e última parada, Mosteiro de São Bento, junto ao largo do mesmo nome. Acho que nunca entrei na igreja do Mosteiro. Tomei informação e sei que eles fazem visita guiada no último domingo do mês. Às 10 horas acontece a missa em canto gregoriano, depois vem a visita guiada, culminando com um brunch. Mas achei o preço um tanto limitador. Estão cobrando R$ 220,00 por pessoa.

A parte interna da igreja de São Bento também não pode ser fotografada. É simples, mas atraente. Por fora é possível imaginar a imensidão das instalações. Dali direto para o metrô, estação São Bento, descer na Sé e...

Ver uma exposição sobre o Metrô de São Paulo e os seus 50 anos de história, antes de embarcar rumo a Itaquera, baldear no Brás e voltar de trem para São Caetano por mais R$ 8,20.