es-Um dia Especial com pessoas especiais

30.03.2018

Hoje a programação envolve Palermo. Mas ao invés de seguir minhas pesquisas, consultei o melhor meio de acesso com Suzana. Então, peguei o 'subte' na estação Independência até a Diagonal Norte. Ali troquei para linha verde e fui ate a Plaza Itália. 

Novamente me encanto com o roxo das flores do jacarandá. Um gari me encaminha para o requisitado 'Rosedal'.

Fui pela calçada do zoológico, porém, não quis entrar, até porque li que anda mal cuidado sob o aspecto de segurança. 

Seguindo exatamente a explicação, com uma perguntinha a mais quando estava bem perto, cheguei a um belo e conservado espaço verde e colorido, contrastando positivamente, com o cinza do céu nublado do dia. Rosas de todas as cores e tamanhos, algumas parecendo repolhos, de tao grandes, outras sangrando com um vermelho tão intenso. Fiquei maravilhada com a profusão de cores, sem falar dos aromas... Uma placa perto do portão me esclarecia os principais pontos, mas o roseiral, ao centro, é mesmo o ponto alto do espaço. Lagoas na laterais completam os elementos naturais: terra, água, ar, sendo o fogo a inflamar nossos corações com tamanho esplendor, prova da natureza divina.

Os gansos passeiam e nadam como donos do lugar.

De cima da Ponte, sobre os lagos, fui orientada por uma turista sobre a direção de meu próximo destino, o hipódromo, então sai pela porta contraria a que ingressei, e dei de cara com o Museu Sivori. Durante a semana, a abertura ocorre ao meio dia. Faltavam 15 minutos. Sentei-me num banco junto a pista externa ao 'Rosedal', onde ciclistas, patinadores, pedestres, se exercitavam em ambiente favorável, protegidos. Eu lia minhas mensagens acumuladas enquanto observava.

Nessas observações, me chamou a atenção a troca de lâmpada de uma dessas peculiares luminárias, compatíveis com a beleza local. Registrei em foto, dado o trabalho.

No Museu, a entrada para estudantes é gratuita, assim como para aposentados. Só podia provar minha condição de estudante, da Fatec Itu, com matricula trancada em setembro, mas com carteirinha valida ate março de 2018.

Várias amostras reinauguravam o Museu. No primeiro espaço, retratando em pinturas e desenhos, a relação torta entre os homens, exploração, trabalho, riqueza e pobreza. Gostei especialmente dos escritos em algumas destas obras, e também gostei de ver a minha desenvoltura ao ler os textos em espanhol.

Um laço rosa e a impressão da Campanha de Outubro contra o câncer de mama, e uma sala com fotos de mulheres, em pares, parecendo mães e filhas, numa relação de intimidade e alegria que sugere que a saúde espiritual reflete na saúde corporal. Muito alegre.

Em outra sala, elementos da natureza em obras mais abstratas, uma me chamou a atenção particularmente, expressando para mim, a árvore mãe da natureza. 

Bustos, tapeçarias, estátuas, desenhos, pinturas de diversos artistas, emolduradas por um belo jardim, onde está incrustado o museu, e dentro dele ainda o excelente café do Museu Sivori. Como esqueci meu lanche, e sabia que seria difícil encontrar um lugar com bons preços para comer, me iludi com o preço de uma 'Tarta de Zapatillas' que a atendente me esclareceu ser uma torta de verduras, mas que se revelou uma torta de abobrinha. Senti a necessidade de carne e ela me sugeriu milanesa, disse serem pequenas, então pedi três. Não eram tão pequenas, mas eram finas. Uma limonada com gengibre. E uma torta de maçã para finalizar. ARL 375. Mas é meu aniversario. Desculpe-me programação.

No caminho adiante, passei pela 'Plaza 3 de Febrero' e achei diferente e bonito o aproveitamento da sustentação em arco, dos trilhos de uma linha de trem, em atividade, para área de serviço, inclusive de alimentação.

Ruas largas, bonitas e arborizadas, logo após estou no hipódromo. 

Tão imponente quanto todo o bairro, fui caminhando em direção às cocheiras, e ali os cavalariços cuidavam dos animais até sua aguardada performance.

Seus pelos são mais brilhantes que meus cabelos. Imponentes, majestosos. Com certeza, melhor cuidados do que muita gente, e até que seus próprios cuidadores.

Estava perto da pista, recorri a uma segurança local para definir meu destino. Tinha que percorrer toda a extensão do prédio, pelo lado externo porque por ali, os acessos são pagos, e entrar no ultimo prédio, nas tribunas especiais, subindo até o quarto andar, de onde teria uma visão privilegiada. No caminho, fui observando as esculturas pitorescas, em aço, na maioria com figuras de cavalos. Mas um cavaleiro me chamou a atenção. Digo cavaleiro não porque estivesse sobre um cavalo, pelo contrário, ele porta uma câmera, mas me pareceu o estereótipo de dom Quixote, o Homem de la Mancha.

Passei pela entrada principal. Tenho notado por aqui, a presença da bandeira nacional em diversos estabelecimentos, mesmo no altar da igreja. Não sei bem o que isso quer dizer, além de uma ato patriótico.

No quarto andar, um bar, uma galeria com mesas para os clientes do bar, e fileiras de cadeiras, protegidas por um vidro, permitindo a visão da pista. Televisores e telão espalhados de forma a trazer o detalhe do acontecimento, com repetições, e anúncio das apostas e resultados, das premiações, dos cavalos concorrendo, seus ilustres proprietários, e jockeys.

Pouco depois de minha chegada, a segunda 'carrera' do dia acontece. É minha primeira 'carrera'. Nunca entrara num hipódromo. Interessante, como uma primeira experiência, mas jogos de azar não faz muito minha cabeça. Acho a concorrência a mola propulsora do capitalismo, mas sou adepta da cooperação. Penso que estou preparada para o próximo passo da humanidade. Assim espero. Mais uma disputa, de menor percurso.Umas fotos dos jockeys conduzindo os cavalos para o ponto de partida. assisto a peleja e me dou por satisfeita.

Agora, vou tentar voltar sem fazer o mesmo trajeto, me informo com o porteiro da entrada do hipódromo, mas penso que não compreendi a explicação. Devia seguir umas quatro quadras em uma direção, fui em outra. Que me pareceu a outra base do retângulo que formava o traçado de meu trajeto. Encontrei a primeira argentina estressada e desatenciosa. Tudo bem que ela estava ao telefone, em passo ligeiro, mas me disse que eu tinha que andar quatro quadras na direção que eu tinha vindo, porém no sentido contrario. Como assim? Vou voltar para onde estava. Não. Com certeza, há engano nesta informação.

O próximo transeunte se mostrou muito mais simpático. A estação que eu procurava ficava mesmo há uns quatro quarteirões, mas em outra direção, porém, como se preocupou em saber para onde eu ia, me mostrou a estação mais próxima na linha 'D', a verde, mais antiga e sem ar condicionado nos trens, como já pude constatar. A estação ficava a dois quarteirões, grandes, como tudo na região: 'Carranza'.

Queria descer na Diagonal Norte, mas não havia esta estação. O que deu errado? Quando vi, estava no terminal Catedral. E teria que caminhar até o hostel. Estou ficando cansada disso. De bancar a pobre, ou de ser pobre? Não sei bem dizer, mas o que não tem remédio, remediado esta. Caminhei pela Bolívar, para ver coisas diferentes. Quando passava pelo Bar Yauss Club, resolvi parar e conhecer a brasileira Gabriela, pois a Lola, lembram-se da Lola e do Alan? Então, ela me disse que a Gabriela trabalhava ali as sextas-feiras. Surpresa minha ao encontrá-los também ali. Achei que duplas se revezavam no atendimento diário. Novas fotos e segui adiante, me comprometendo a voltar para um evento dominical.

Final da tarde, era hora de um bom banho e improvisar um visual com meus parcos recursos, para a comemoração de mais tarde.

No quarto encontrei minha nova amiga Luana, que experimentava acessórios para a noitada, questionando-me sobre o mais bonito. Gostei dos dois, mas para ocasiões diferenciadas. Quando estava quase pronta, ela me questionou se ia sair a bailar. Disse-lhe que era meu aniversário, me cumprimentou e perguntou se podia sair comigo. Claro, vamos primeiro jantar com primos e amigas. E a reserva que foi feita para quatro, depois passou para cinco, agora se confirmava em seis pessoas. Isso esta virando uma festa.

Avisei minha prima que não passaria em sua casa, para que fossem direto, e aguardei a Luana, peruana, se preparar. Quando confirmou que estava pronta, chamei um UBER. Tinha feito uma primeira simulação por ARL 120 até a casa de minha prima. Após uns 30 minutos de espera pela amiga, o preço caiu para ARL 100. Mudei o destino após o chamado e ficou por ARL 50 até o restaurante. Fomos as primeiras a chegar, então lembrava o nome do restaurante. Entre as quatro esquinas do cruzamento entre 'Montevideo y Sarmiento' têm dois restaurantes. Escolhi o menos sofisticado, porém muito agradável, e sim, lá havia uma reserva para Magdalena, minha amiga Portenha. Minutos após, lá estava a linda, exótica e maravilhosa Magda. Foi tão bom abraçá-la naquele momento. Sua mamãe, Maria Tereza, estava a caminho. Entramos e M.Tereza não demorou a chegar, mas antes, a Magda recebeu uma ligação no What's App, da quarta integrante de nosso peculiar grupo do 'zap'. O Gente Bonita.

Conhecemos-nos, as quatro, duas a duas, em Porto de Galinhas - PE, no mês de janeiro. E mantivemos essa linda amizade, possibilitada pelas facilidades de comunicação das redes sociais. A minha amiga do coração Elisa, aproveitou o momento em que estaríamos todas juntas, para me cumprimentar. Quantas alegrias. São sensações únicas e inesperadas, esses momentos que a vida, a família e os amigos nos reservam. Já recebera, ao longo do dia, três ligações pelo mesmo meio, as duas comadres (minha tia e minha prima), e uma das filhas (a mais velha). A outra está sem celular, e conversou comigo pelo Messenger. Não tentei comunicação por telefone. Tenho me mantido em contato só por escrita, então, o telefone me assustou ao tocar.

Os únicos integrantes de nossa pequena festa que não tinham chegado ainda, eram meus primos baianos, estudantes nas Universidades de Baires, o que me preocupava, pois já eram mais de 21 horas. Num instante, vi uma moça com um cabelo ondulado na rua, saí do fundo do restaurante e fui para fora, a procura dos dois. A moça que eu vira, sumira. Mas estavam ambos lá, olhando de um lado para outro, sem saber que esquina escolher. Acenei, pois só vira minha prima, neta de um primo, pelo Facebook . E pessoalmente quando ela tinha uns quatro anos, há uns 18 anos. E não lembrava do primo, filho de outra prima. O sangue falou mais alto.

Completamos nosso alegre e divertido grupo. Recebi presentes inesperados, que por sorte, poderei comê-los, então serão peso extra em meu roliço corpinho, e não em minhas malinhas.

Escolhemos nossos pratos, brindamos antes de comer e conversamos e rimos muito, sentados quase numa curva crescente, ou decrescente de idade, uma de nossas anfitriãs, a mamãe Tereza, conduziu o rumo das conversas com sua graça e inteligência peculiar. Colocou-nos, a todos, muito a vontade.

Em dado momento, algo de que me esquecera completamente aconteceu, a entrada de Magda, com um prato de bolos, e vela acesa, e votos de 'feliz cumple'. Tinha pensado em providenciar um bolo para nós, mas sai da da rotina, e me esqueci completamente. Sempre sou eu que tomo estas providências, para mim e para tantos outros, principalmente familiares, que me pegou desprevenida completamente, confesso, do fundo do coração.

E todos ali no restaurante, olhando ou cantando junto, foi emocionante. Emocionar-me é comum. Surpreender-me também. Superar minhas expectativas, nem tanto, pois costumam ser altas. E isso tudo estava acima da minha expectativa. Estar ali reunida, com gente querida, tão longe de casa, sim, superou mesmo minhas expectativas.

Contas acertadas, abraços e despedidas, rezando por um reencontro antes de minha partida, cada qual se encaminha para seu destino.

O meu e o de Luana, o 'Maluco Beleza', que a Lorena indicou como casa para baile, com música brasileira, mas que só conhecia de nome. Vamos procurar o endereço pelo Google, não acredito Sarmiento 1872. Menos de duas quadras de distância. Era nosso destino.

Na porta uma fila para entrar. A casa só abriria dentro de uns 15 minutos, à 1 hora. Os brasileiros ficam numa fila para o outro lado, conforme me mostrou um argentino. O preço, descobri com uma brasileira na fila, gratuito ate às 2 horas.

O baile do primeiro andar, com música brasileira, ficou cheio depois das 2 horas. O de baixo, com música Portenha, ficou abarrotado, mas eles nem dançam.

Um ambiente diferente do que já vivi, em qualquer ocasião de minha vida. Alguns já meus conhecidos como muito álcool, muita fumaça de cigarro. Não me agradam. Muita alegria, muita dança, isso é o que procuro. Mas também uso de drogas, roupas apelativas, comportamentos exagerados. Mas ainda assim, ou apesar disso, me senti em casa, ouvindo pessoas falando minha língua materna. Assim, acho que é esse conforto que a maioria das pessoas que ali estavam, procuram. Todo o resto, penso, poderiam achar em muitos outros lugares.

Um grupo de turistas amazonenses me incluiu em suas danças, enquanto Luana, com sua figura 'caliente' transitava entre os espaços e fazia muitas amizades. Meus presentes e nossos casacos, deixamos num guarda volumes. Por ARL 60.

As 4 horas, decidi que já era hora de voltar para "casa". Encontrei rapidamente minha amiga, e vamos atravessar a selva de gente do andar de baixo. Até difícil de se movimentar.

A volta seria de taxi, pois lá nao tem Wi-Fi. Preco: ARL 96. Aqui compensa muito andar de UBER.