es-Último dia em Santiago - Chile

19.04.2018

Minhas coisas estão praticamente prontas, meus colegas de quarto só apareceram pela manhã. O sueco gosta muito de 'licores', então aproveitaram a noite para beber. E ainda iam visitar o Museu de Belas Artes antes de dormir, deixar para descansar a tarde e repetir a dose, literalmente, a noite.

Vou devagar, tenho tempo. Por volta de 10h já tenho tudo esquematizado. Como fico sem internet, pesquiso os trajetos de ônibus e metrô, e tenho 'printado' a tela para me ajudar.

Primeiro, vou ao Restaurante Giratório, junto à Estação de metrô Los Leones. É bem na saída mesmo. Fica no 16.andar e só abre às 12h30, mas tive permissão para conhecer e tirar fotos.

Fiquei boquiaberta. Além das belas paisagens, tem uma logística muito interessante. Um dos funcionários me diz que poucas pessoas ficam 'mareadas' com o giro, pois é muito lento. 

Gostei tanto que penso em passar qualquer virada de ano por aqui. Peço os preços para este ano. Tem a carreira de mesas mais externas, junto às supostas janelas e as internas, mais baratas. As externas custam CLP 185 mil por pessoa, as internas CLP 155 mil. Algo em torno de R$ 775 a 925 por pessoa. Inclui absolutamente tudo. Mas ainda assim, achei uma exorbitância.

Segue o cardápio para esta Virada de Ano com contato, caso alguém se interesse.

O bairro é muito bonito, as pessoas que por ali passam estão muito elegantes. Atravessando a Avenida Providencia, vou em direção ao Parque das Esculturas. Na ponte sobre o rio Mapocho já tem alguns exemplares.

Para chegar ao parque, perguntei a dois senhores como fazer. Os dois falavam ao mesmo tempo, um cortando o outro. Achei engraçado, não entendia nada. Ri alto. O mais jovem então me explica que o outro é muito falador.

_ "Não tem problema. Eu também sou!" e engancho seu braço com o meu. Caminhamos juntos por um pedaço para que me explicasse, e ganhamos ali alguns minutinhos de conversa amigável. Uma das perguntas constantes: "_Viaja só?"

Explico um pouco de minha jornada. Ele diz que tem idade para ser meu pai, afirmando ter 70 anos. Digo que não tem nem para ser minha mãe, ou seria mãe muito jovem. Mais um que erra minha idade. Estou gostando dessa brincadeira. Despeço-me e sigo meu caminho.

O Parque fica às margens do rio, tem esculturas de tipos variados, um estilo mais contemporâneo. É bem arborizado, e flores completam esse cenário, de um Museu a céu aberto. Sento-me um pouco para curtir a sensação de domingo, num isolamento da cidade que nem parece que a Costanera com todo seu tráfego esta ali ao lado. E, venhamos e convenhamos, os chilenos adoram uma buzina.

Volto pelo mesmo caminho, já com um pouco de fome. Quero almoçar no Mercado Central, a tal da Centolla. Então, agora, o que quero mesmo é um doce. Num café, ao longo do caminho, vejo um bolo diferente dos comuns aqui na região. Pago CLP 3500 por um pedaço. Hummmm! Estava delicioso, molhadinho na parte de baixo, cremoso no recheio, e com uma cobertura leve. Exatamente do que eu precisava (cara de gulosa). Queria ir ao banheiro, mas ali só tem para funcionários. Ele me indica o Mac Donald's, mas não posso usar o banheiro sem usar o serviço. Ótimo, tenho uma boa desculpa para tomar um cone de baunilha por CLP 390. Procuro uma mesa para degustar o sorvete de uma forma diferente da minha habitual, sem pazinha, levando-o direto a boca. É tempo de testar novas formas. Estou me dando essas possibilidades. O banheiro é no segundo andar, estava usável, mas resolveu meu problema.

Um outro senhor que encontrei perto do Parque me deu dica para voltar usando o metrô mesmo, pois eu estava à procura do ponto de ônibus. Deu-me a opção de ir de carro com ele até a Estação Salvador, ou pegar ali mesmo em Los Leones. Como o caminho a andar seria do mesmo tamanho, resolvi ir pelo já conhecido mesmo.

Sua orientação foi de seguir pela linha vermelha até a estação Los Heroes, fazer a combinação para a linha amarela em direção a Vespucio Norte e descer na Estação Cal y Canto.

Para não perder o hábito, vou para o lado errado na saída da Cal y Canto. A mocinha, que vendia meias dentro do metrô, disse que eu tinha que cruzar, mas não disse o que, cruzei a ponte sobre o Rio. Tinha que cruzar a avenida. Mas não fui só eu, então a explicação não foi boa mesmo. Ali, o movimento é intenso, de gente com menos recursos. Tem um cartaz pregado num poste, escrito a mão, pedindo para que os turistas tomem cuidado com seus pertences, pois os assaltantes acabam prejudicando seu trabalho. Assinado pelos comerciantes locais.

O mercado é bem bonito. É exclusivamente de pescados e frutos do mar. Uma ala para a venda de produtos frescos, in natura, e a outra de restaurantes que os preparam das mais diversas formas.

 A Centolla, uma espécie de caranguejo gigante, é exibida em geladeiras de vidro, na porta de todos os restaurantes. Pergunto o preço logo no primeiro restaurante que vejo, um brasileiro está recepcionando os clientes à frente do restaurante, informa que a menor, pois tem três tamanhos, sai por R$ 300. Acho uma extravagância, mas quero provar. Assim, entro e procuro uma mesa para dois, no primeiro andar.

Ao olhar o cardápio, procuro um prato que tenha o crustáceo no preparo. Tem um que parece aqueles barcos diversificados de restaurantes japoneses. Mas é caro também, e muito grande para uma pessoa sozinha.

Opto por um prato de nome 'Chupe de Centolla', que me agrada, e parece um escondidinho coberto com queijo. Tomo um suco de morango e ainda assim, gasto CLP 16450. Esse programa sai completamente fora do meu propósito econômico, porém, temos que saber nossos limites. E provar as iguarias locais, se possível.

Tiro umas fotos do local e começo o caminho de volta. Quase na porta do metrô, um homem vende frutas em uma barraca. Não vi por aqui nenhuma quitanda, porém é muito comum vender-se frutas em barracas nas ruas. Ele me diz que as cerejas estão por CLP 1000 o quilo. Gente, isso é muito barato. Assim como os morangos e os mirtillos, são frutas típicas dos lugares de clima mais frio. Peço meio quilo, e vou pegar minhas moedas. Só tenho CLP 430, peço para tirar um pouco das cerejas. Ele deixa por isso mesmo. Mais uma gentileza. Vou levar para comer na viagem, se necessário. São mais de 12 horas de estrada.

No mesmo lugar que comprei ovos, perto do hostel, volto atrás do suco de Aloe Vera. Gostei muito. Resolvo provar outro sabor. O primeiro foi de abacaxi. Agora pego de romã.

No Hostel, peço permissão para usar o banheiro, afinal, já fiz o check-out às 10h da manhã. Na cozinha lavo e limpo as cerejas, embrulhando-as no saquinho de papel antes de guardar na sacolinha, assim, além de secarem, se conservarão por mais tempo. A simpática brasileira da recepção, a Julia, está por ali preparando seu almoço. Me pergunta sobre minhas atividades do dia, dou para ela algumas cerejas, e também para alguns outros que estavam por ali.

Pego minhas coisas, despeço-me tirando uma foto com a Julia e com o Gorah, indiano também muito simpático. E lá vou eu para a estação Baquedano novamente.

Quando estou dentro do trem, vejo que na rota consta, depois da estação U.L.A, uma com o nome de Estação Central. Será que para no Terminal Central. Não teria sentido não ter uma estação de metr bem perto do terminal ferroviário e rodoviário. Batata! Sim. EÉ tudo uma coisa só. Sorte a minha, não terei que arrastar minha mala por um quilômetro.

Cheguei à estação muito cedo, mas melhor assim do que atrasada.

Farei hora comendo mais um doce e tomando um cappuccino com baunilha. Lá se vão mais CLP 2450. Compenso amanhã.

O Terminal rodoviário é meio confuso. No bilhete a vendedora anotou a mão o nome Iquique. Entendo que é o destino do ônibus que devo tomar, mas a plataforma esta marcada, de 30 a 41. São muitas possibilidades, não? Nem sei em qual ele encostou. Às 19h30 o ônibus chegou. Meu lugar é na parte de cima, assento 15, panorâmico. Semileito. Mais barato. Aqui escurece mais tarde, mas nesta noite, quem escureceu cedo fui eu. Dormi das 20h às 8h, com breves clarões nas paradas do caminho, e em uma mais longa, para usar o banheiro do ônibus.

Mais de 12 horas de viagem sem paradas para banheiro ou lanches. Eles servem um suco em caixinha junto com um biscoito de chocolate. Achei que iria ficar com os pês inchados, mas o assento é confortável, a posição de dormir também, e ainda recebemos um cobertor para nos aquecer. Como num avião. Boa noite!