es-Terceiro dia - Alagoas - Barra de São Miguel e adjacências

14.01.2018

Respeitando limites

Antes de programar qualquer viagem, ao elaborar o roteiro, lembre de pensar nas necessidades, preferências e limitações das pessoas que o acompanham.

Como estou, nesta viagem pelo Nordeste, com minha mãe, uma senhora forte e decidida de 74 anos, que não gosta de tomar sol, praia serve para ser vista e não curtida, nada de areia nos pés. Então, estou rodando buscando as alternativas, o que também é muito bom, pra mostrar que litoral não é só praia.

Hoje perdemos a hora pela manhã, esqueci de por o celular para despertar, e como me resfriei, acho que o corpo amoleceu um pouco. Dormi 10 horas seguidas, assim, saímos por volta de 11horas da manhã.

Fomos procurar o Lago Azul, no município de Marechal Deodoro. O Google Maps me levou até a porta. Na AL 101, usar a saída para Praia do Francês e ir em direção à Marechal Deodoro, na entrada da cidade tem uma placa que indica 10km em frente para Lago Azul (vide foto). A estrada está em condições precárias, cuidado! outra placa indica a entrada de terra com mais quilometro e meio de chão em meio ao canavial. Na entrada, um senhorzinho nos recebe com um sorriso. Efetua a cobrança de R$ 20,00 o carro, para moto é R$ 10,00 e pedestres pagam R$ 5,00. Como choveu por vários dias, mas segundo o povo daqui, nunca é o dia inteiro, o piso até o lago está escorregadio. Novamente, ponto para minha alpargatas da Havaianas.

Lá embaixo um grupo de 6 rapazes que vieram em suas motos, já organizaram seu piquenique em uma das mesas, e estão tomando coragem para entrar na água gelada. O lago é na verdade o represamento de um rio limpíssimo, que por força da iluminação, o 'espectro de luz' nos passa a cor azulada. Quanto mais sol, melhor. No meio do mato, literalmente, com as chuvas, tudo está com musgo. Mas fiquei imaginando no período de sol, com tudo sequinho, e cheio de visitantes. Um lugar a ser visitado com a cesta de alimentos, pois a estrutura é simples, só banheiros e o lago com escorregador, e mesinhas de concreto.

Hora do almoço, resolvemos entrar em Marechal Deodoro, procurar um restaurante. Não achamos. Achamos mais, a orla da Lagoa Manguaba, barcos, duas meninas brincando a beira d'água, várias cestas de pesca que descobrimos serem chamadas de Covó, servem para pescar siri e camarão na lagoa. Uma moradora sorridente faz seu lanche numa das mesas em área coberta destinada a esse fim. Uma bicicleta descansa tranquilamente junto a árvore na praça, uma cegonha pescadora voa de cá pra lá observando a água, a procura do alimento. Enconstados aos barcos, os covos para pesca de siri e camarão amontoam-se a espera dos pescadores. E a vida segue calmamente, num ritmo lento, diferente do da cidade grande, apressada e enlouquecida pela necessidade de consumo.

Rumo à Praia do Francês, localizamos um restaurante selfie service diferente, o preço varia de acordo com a carne escolhida, com guarnição a vontade. Ótimo, porque eu adoro frutos do mar, ao contrário de minha mãe. Estava difícil dividir pratos com gostos tão diferentes. Pedi camarão no molho, ela carneiro. Me servi de feijão fradinho, feijão rosinha cozido com linguiça e abóbora, salada mista, e farofa de dendê. Se escolher frango, paga R$ 12,00. Carneiro ou rabada paga R$ 20,00. Camarão pequeno R$25,00. Camarão sete barbas R$ 60,00.

Restaurante Mocotó&Cia., e também tinha mocotó. Tomei um suco de umbucaja por R$ 5,00. O tempero estava delicioso, comi de' lamber os beiços'.

Encerramos o dia apreciando a Praia do Francês. Passamos por um grupo de meninos que jogava bolas de gude, e chamam o jogo de triângulo. Eu conheço como 'fubeca'. Eles acharam o nome engraçado.

A Praia do Francês é muito badalada, uma das queridinhas da região, e só posso atribuir isso a uma peculiaridade: - ela apresenta, numa mesma praia, piscina por causa da barreira de corais, e arrebentação, com o término do recife. Bom para esportes náuticos de uma lado, e me parece que até um surf do outro.

Além disso a extensão de areia é bem ampla, e muitos guarda sóis. Por ser inverno, e o dia ter ficado nublado, não estava muito movimentada. Melhor pra mim, circulei mais a vontade, mas não tomei banho de mar. 

Hora de voltar para o hotel e tirar uma soneca, já que este resfriado está me amolecendo. O almoço foi tão bom e farto que não jantamos.