es-San Rafael - Canion Del Atuel

13.04.2018

Nossa! Dormi bem pouco, fico com vontade de ir ao banheiro, e quando vejo a hora, não compensa voltar a dormir, assim, dormi só 5h. É pouco para a agitação que estou vivendo.

Hoje fui ao Cânion Del Atuel, na cidade da San Rafael, província de Mendoza. Percorremos, entre ida e volta, mais de 650 km. Foi possível observar pelo caminho, o que é verdadeiramente a providencia de Mendoza, com sua precipitação pluvial de pouco mais de 250 ml por ano, num clima semiárido, só abrandado pela água do degelo, e pela quantidade de árvores como álamos, plantadas com distância de 2 metros cada. Fora das cidades. Onde não há plantio de uvas ou outras frutas, uma planície com vegetação rasteira se estende ate o pé da Cordilheira.

A província possui 950 bodegas, de vários tamanhos, mas também produz frutas, e algumas famílias fazem a secagem artesanal, com uso do sol que aquece a região por mais de 360 dias por ano.

O Cânion é uma formação de 46 km de ruptura do solo por ação das águas do Rio Atuel, também originário de degelo. Este rio é represado, e transportado por canos para a formação de vários diques, com centrais hidrelétricas que geram energia para vários locais dos pais.

A província de Mendoza tem passado por contenção hídrica nos últimos 5 anos, quando a neve do inverno brando não foi suficiente para reabastecer adequadamente os lagos artificiais.

Na formação rochosa do Cânion encontra-se basalto, enxofre, arenito, cobre, o que muda a coloração das pedras e das formações. O rio é verde porque tem pouca profundidade e pela ação da luz do sol, a região é sujeita a abalos sísmicos, e ocorrem deslizamentos, impedindo, por vezes, a passagem dos veículos, que transitam por uma estrada dentro do Cânion, já que o rio foi represado e encanado para atender as necessidades da população.

Partimos de Nihuil, com 2500 metros de altura, baixamos ate 800 metros acima do nível do mar, e voltamos aos 2500 metros, pelo extremo oposto. As paredes do Cânion atingem 300 metros de altura. E, usando-se a imaginação, podemos observar varias figuras que foram formadas pelos ventos e chuvas. Algumas formações são de lavras vulcânicas, também influenciadas pelos ventos.

O grupo de hoje era composto só de argentinos, de diversas províncias, mas em sua maioria, residentes em Buenos Aires. A única exceção estrangeira era eu. Fizemos algumas paradas pelo caminho para uso de banheiro e comer algo. Chovia, o que, segundo nossa guia Gabriela, merecia foto pois é um fato raro. Era uma tempestade elétrica, chamada por eles de tormenta. Assim, nosso caminho foi planejado de modo a fugir da tormenta. E conseguiu-se o intentado.

Já estou entendendo bem o castelhano, e falando um pouco melhor, acho. A guia é muito engraçada, fez muitas piadinhas ao longo do caminho, que é longo e cansativo, se não fosse sua por intensa e contagiante alegria. Detém muito conhecimento da história e geografia do lugar.

Num dos diques com hidrelétrica foi possível parar, descer e tirar umas fotos.

Tivemos oportunidade de observar um grupo de guanacos (o parente dos camelos e das lhamas que vive nesta região). Umas lhamas de criação. Um condor. Outro primo menor do condor que não entendi o nome. Foi uma viagem riquíssima em conhecimento, paisagens e aventura.

A estrada que desce para o fundo do Cânion é de terra, estreita e em caracol. Alguns se assustaram bastante.

O grupo era bem divertido e educado, socializando bem. Dois Josés, que estavam juntos, foram meus companheiros de Rafting. Por ARS 300, tive coragem de enfrentar meus medos e descer a corredeira de nível 2. Bem tranquila, segundo os experts. E foi mesmo. Agora... nível 3, me aguarde!

Ao longo do caminho, comi algumas bobagens como chocolates, 'medialunas' e cappuccino, pois o almoço sairia tarde. Comprei dois pacotinhos de quinoa inflada e sementes de girassol, salgadas e secas. Muito bom. Gastei nestas coisas ARS 180.

O almoço foi a última atividade, antes do retorno. Comi talharine ao molho de queijo, com bastante parmesão ralado, e uma água saborizada com laranja. Gastei mais ARS 250 já com a propina.

Ou seja, como paguei mais ARS 990 neste passeio de dia inteiro, pois cheguei de volta o Hostel às 23h, confirmo o que pensei, que seria um lugar mais caro dadas as atividades. Mas também têm passeios sem custo, que programei, mas não terei tempo de fazer.

No rafting, fomos conduzidos pelo Daniel, um 'guapo' que voltou sentado ao meu lado no ônibus, após o termino da atividade, e viemos conversando. Ainda no bote, adivinhou que eu sou brasileira pelo sorriso constante, depois, perguntou a idade de todos e não se conformou com a minha, julgou-me com 38. Lindo!!!

Quando contei um pouco de minha aventura, no retorno de ônibus, disse-me que minha história o fazia lembrar-se do filme: "P.S. Eu te amo". Felicitou-me porque disse que sou simpática, bonita e corajosa. E ele lindo! De verdade. Não deu tempo de tirar foto com ele, pois tínhamos que almoçar rápido. O restante do grupo, que fizera o passeio de catamarã pelo lago, entre as paredes do cânion, terminou a atividade antes que a gente. De modo que, já estavam terminando o almoço quando começamos.

Minha socialização vai bem, obrigada.

A paisagem que me levou a este local foi a cereja do bolo, e ficou pra o final.

Quando cheguei de volta, encontrei a Hanane quando saíamos dos banheiros. Estava cansada do dia nas Termas, de modo que só tiramos mais umas fotos juntas e ela foi dormir, amanhã não nos veremos. Ela vai a um rafting e eu embora. Agora, vou dormir que já são 1h30. Mais tarde, estarei atravessando a Cordilheira rumo a Santiago. Que Deus me acompanhe.