es-San Pedro de Atacama - Aclimatação

21.04.2018

Cheguei às 8h30 em San Pedro de Atacama. A bilheteria da Pullmann, que faz viagem para Salta na quinta, ainda está fechada. A moça que cobra a tarifa de uso do banheiro (CLP 300), me diz que abrirá às 9h. Aproveito para ir ao banheiro e depois tomar o café da manhã.

No café Diablito, tomo um café com leite e um pão gostoso e grande, com queijo derretido e orégano. Gastei CLP 6050 mas me senti bem alimentada. As músicas do local também eram bem agradáveis. Me espantei com a senha do Wi-Fi, diablito666. Credo.

Um pouco depois das 9h vou até a Pullmann e já estão atendendo, a passagem para Salta fica em CLP 25000, não tem mais lugar panorâmico. Que pena, dizem que é uma vista linda, e esta viagem tem que ser feita de dia, pois a estrada é muito perigosa. Então, não iria dormir. Pego o assento 64, última fila do andar superior. O banheiro também é embaixo. Pergunto sobre a Rua do Hostel, e ótimo, é bem atrás da rodoviária, a uns 500 m do centro. Assim, não tenho que ficar arrastando muito minha mochila sob o sol.

O Hostel Ecoexplor se denomina casa, e assim o é. Interessante observar os tipos de construção por aqui. A frente é pequena, mas esconde uma enormidade de espaço com muitos cômodos por dentro. Parece uma Praça de Armas. Uma área central, cercada pelos cômodos, banheiros, duchas, lavanderia, cozinha e quartos. Ontem a noite não fez muito frio. Aqui estamos a 2400 m de altitude, mas o deserto do Atacama tem duas características diferenciais com relação aos demais desertos, é o mais seco do mundo, e o que se encontra em maior altitude. Devemos aguardar pelo menos um dia para aclimatação. Foi o que fiz.

Quando cheguei ao Hostel, só estava a gentil Maria, com sua 'perra' de nome estranho: Laduska, e a Cookie, uma coelha, a mascote da casa. 

Ceguei muito cedo para o check-in. A Maria me mostrou toda a casa,assim como a forma de utilizar as coisas. A proposta é ecológica, não desperdiçar água, colocar as embalagens separadas por tipo na lixeira, lixo orgânico tem lugar certo, o aquecimento da água é solar, mas também tem gás se necessário, para a noite.

Sai para procurar a Talatur, indicada pela Eli, em Caldera, mas hoje é dia de eleições aqui no Chile, de modo que muita coisa está fechada, inclusive esta agência. Encontro a Igreja, construída em materiais da região, muito diferente, simples e linda, junto a uma praça, um dos poucos lugares com algumas árvores. 

Um centro de artesanato, e um caixa automático do Banco do Chile. Primeiro saco um pouco de dinheiro e depois vou ao artesanato. Coisas bem típicas, não tenho muito dinheiro nem espaço para levar coisas, de modo que só vou levar para a família mais próxima, filhas, mãe e genro.

Volto para o Hostel, ainda não é meio dia, o dono, o Vitor, só deve chegar por volta de 14h para o check-in. Então a Maria me oferece um banho. Aproveito que tem muito sol e lavo toda a roupa suja, com pouca água. Temos um espaço exclusivo para hospedes para estender a roupa. Também me passa o Wi-Fi de forma que me atualizo com as conversas.

Quando chega o Vitor, tem várias pessoas esperando para fazer o check-out, uma francesa e eu para o check-in. Ele passa todas as orientações, calcula o preço em pesos da estadia, CLP 57160. Pede meu passaporte e o PDI. Não tenho esse tal de PDI, ele diz que a polícia da aduana me entregou. Se não joguei fora com outros lixos? Não gostei da colocação. Ou me entregaram e não explicaram a importância. Ou, o que acho mais provável, não me entregaram, pois estava com dois chilenos, que não recebem o papel. Talvez tenham entregado ao Jorge, junto com os papeis para o carro. Depois me diz que não posso pagar no check-in, pois ele não sabe operar a mÁquina. Como assim? Quero pagar agora, preciso pagar agora. Organizei minhas finanças e não sei se amanha o cartão de crédito estará funcionando direito, é o dia do vencimento da fatura, não quero correr riscos. Me 'aporrinhei' como diriam no nordeste. Mexeu com todo meu planejamento. Ele disse, tudo se resolve, estamos aqui para ajudar, mas se comportou como se, isso não é problema meu. Não tivemos um bom começo. Mostrou tudo de novo, coisa que a Maria já tinha feito. No fim, resolvi voltar ao banco e fazer mais um saque, por garantia.

Antes, passei na esquina e parei para comer, num pequeno bar onde vendem empanadas, comi uma empanada, um muffin de maçã, tomei um suco de laranja, um leite com chocolate e um picolé. Gastei CLP 3900, tinha destinado quatro mil para o almoço, e não perguntei os preços ao escolher. Fiquei comendo e conversando com um argentino que vive aqui e trabalha alugando bicicletas, uma peruana com sua filha que está visitando os irmãos, e que conhece melhor o Chile e a Bolívia do que o Peru. Contei onde estive no Peru, e ela disse que conheço mais que ela. É de Puno.

Vou ao Centro decidida a contratar os passeios, mas são tantas as opções que me vejo como nas lojas de R$1,99, perdida. Saio sem comprar nada. Verifiquei o preço do tour astronômico, sai por CLP 18000.

Passo em um mercado e compro pão de forma, queijo, salsichão, manteiga, chocolate, bolinho recheados, amendoim salgado, 1,5 litro de agua, 1 litro de achocolatado, gastei CLP 11510. No Hostel não tem café da manhã, e em alguns passeios convém levar lanches. Água, sempre.

Quando chego de volta, carregada, guardo minhas coisas e vou para a cozinha preparar os lanches. Nisso chega o Hector na cozinha, começamos a conversar, explico minha dificuldade em contratar os passeios, ele diz que fez com a agência sugerida pelo Hostel, a Vive Atacama, e que gostou. Pronto, me tirou um peso das costas. Ele é chileno, vive perto de Santiago, mas já está terminando sua jornada por aqui. Nisso chega o Vitor com um novo hóspede, um sueco e pede-nos licença para mostrar a cozinha.

Quando o leva para o quarto, comento que o sueco será meu companheiro de quarto. O Hector me diz: _" Você está naquele quarto? " Confirmo, e ele diz que também está lá.

Mais um festival de cuecas. Um alemão, um sueco e um chileno. E eu.

Ficamos todos no hostel durante a noite. Quem chegou, aclimatando-se, quem partirá, descansando. Escrevo minhas anotações, mas não publico, pois estamos sem internet. Melhor, conversamos e aproveitamos a tranquilidade do lugar.

Meu nariz esta reclamando muito da secura do ar. Já coloquei soro fisiológico que trouxe, estou usando o neosoro direto, e bebendo muita água, para não desidratar-me. Para dormir não foi diferente, acordei algumas vezes com o nariz tampado, a boca e a garganta secas. Nos lábios tenho passado a proteção também. A minha cama é no alto de novo, mas tem uma escada firme, que parece de caminhão, então, subo e desço bem. Ao lado da cama tem um espaço onde consegui deixar, bem acomodados, celular, óculos, água, neosoro e protetor labial. Nos pês da cama, após o colchão, outro espaço onde pude deixar a blusa e alguma roupa para vestir na hora de ir ao banheiro, durante a noite, pois é bem frio e o banheiro é externo.

Acordo às 8h, o alemão já saiu. Preparo-me para ir ao centro contratar os passeios. Despeço-me do Hector, um 'guapo', que me da uma garrafa grande de água, e um rolo de papel higiênico que não usou. Ótimo. Fico muito agradecida.

Estou saindo do Hostel quando vejo a recepção aberta. Ótimo, vamos acertar as contas. A Lucía, com acento no i, então é como nossa Luzia, é tão gentil quanto a Maria, me recebe bem, explica todos os roteiros, de modo que peço para ela confirmar para mim, assim posso ficar um pouco mais agora que ela liberou o Wi-Fi, publicar minhas histórias e descansar para as próximas aventuras. 

Ela me pergunta o porquê da viagem, assim começo a falar um pouco mais, temos tempo. Conta-me de uma tia que perdeu uma filha com nove anos, e o sofrimento que passou. Agora, sua filha mais velha teve uma menina, muito parecida com a filha que morreu. E já tem dois anos que a tia encontrou motivo para alegria em sua neta, e está aguardando agora a chegada de um neto. Contei que o Roberto queria muito conhecer um deserto, e ela disse que eu  o estou fazendo por ele, quem sabe ele me acompanha. Disse que ele vê através de meus olhos, e chorei. Ela me ofereceu um abraço, que aceitei na hora. Meu 'abraçômetro' está com a carga baixa. Ela foi muito carinhosa e seu abraço reconfortante. Ofereceu-me também papel, para assuar o nariz.

E foi ao povoado para contratar os passeios na ordem que escolhi, tendo me explicado o que verei no caminho, o que devo levar, quais os melhores passeios, como devo me vestir e alimentar, além da água, muita água. Fez exatamente o que penso que deve fazer um atendente de uma hospedagem.

Assim também me explicou onde comer barato. E agora eu vou, porque às 16h vou conhecer o Valle de la Luna, com muita caminhada.