es-Sabado em Porto Alegre

20.03.2018

Na noite anterior, comprei no supermercado um sonho de doce de leite para o café da manhã seguinte. Depois do desjejum, resolvi passear com o Fabio, catarinense ou barriga verde, que veio passar um dia no hostel, até a chegada de sua namorada.

Fomos ao Parque Redenção, há menos de 1 km, a pé. Em funçao das chuvas fortes dos dias anteriores, o parque estava em parte, cheios de poças d água, o que nos propiciou divertidas  cenas como a de dois cachorros brincando de pega-pega nas poças. Ou ainda uma fila de tartarugas num toco de árvore, tentando se aquecer. Mas também dificultou o acesso a alguns lugares cujo caminho estava intransitável.

Passeamos pelo Brique da Redenção. Descobri que brique significa troca, permuta. Vi ali um belíssimo trabalho artesanal feito com cabaças, que os gaúchos chamam de porongos, e palha de bananeira. Encantei-me com uma Santa Ceia, com personagens em 3D. Pena que não cabia na mochila.

O Fabio comprou umas bergamotas, e quando chamei-as de mexericas, achou graça, pois eles chamam assim as pessoas que mexem em tudo. Comprei meia dúzia de bananas por R$ 2,60 e um pedaço de torta de legumes sem glúten, mas também sem tempero, o que só descobri depois.

Continuamos pelo parque ate chegar ao Buda, um espaço bucólico, como diria minha sogra, mas lamentavelmente, abandonado. Cheiro de urina, restos de comida e de roupa, demonstravam que fora abrigo de moradores de rua nos dias de chuva.

Meu companheiro sentiu-se à vontade para enrolar um baseado. Confessou-me que a bergamota serviria para tirar o cheiro dos dedos. Pendurou sua camisa num galho de árvore, ficando de camiseta. Um fundo musical do ensaio da banda que mais tarde se apresentaria... Aproveitei para fotografar o local deixando-o à vontade. Ele encerrou passando os dedos pelos cabelos, terminando a assepsia da tangerina.

Fomos conversando sobre os benefícios da ayahuasca. Não contestei. Ouvi suas experiências e me diverti ao perceber a estranheza que o assunto causava em alguns transeuntes que passavam por nós e faziam expressões enigmáticas.

Como sua diária vencera ao meio dia, tivemos que disparar de volta ao hostel, com perdidas pelo caminho. Chegamos logo apos às 13h.

No saguão, encontravam-se a Val, proprietária do Minas Inn, e duas amigas.

Subi correndo, pois precisava muito ir ao banheiro. Pouco depois fui bater papo com elas. Estávamos sem sinal de Wi-Fi e a Valquíria apurada para resolver a situação, saiu e foi preparar um café. Assim, fiquei conversando coma baiana e a Carine.

A baiana dizia que os homens são todos iguais, não são de confiança. Que não quer mais namorar e vive com seu cãozinho de estimação. Sabia do que estava falando, pois faz programas pra viver e lida com todos os tipos: lindos, feios, ricos, poderosos, famosos. Acho que só não tinha pobre. Que todos traíam, mesmo quando as esposas ou namoradas são lindíssimas.

Nisso comentei que achei a cidade com muitos gays, não que tenha algo contra. Ela informou-me que tem uma rua que fica cheia de travestis, de todo tipo.

Pensei comigo: ` Não falei de travestis, falei de gays, o que acho diferentes.`

E ela: ` Eu sou travesti. `

_Baaaaaa....rbaridade. Eu não tinha percebido.

As outras histórias guardarei para mim.

Pouco depois, sozinha com a Carine, perguntei onde almoçar, e ela me levou ao Boulevard, na Duque de Caxias mesmo. Pedi ' a lá minuta'. Nosso P.F. Um prato imenso com arroz, feijão (que não quis), salada de alface, cenoura e tomate num prato a parte, ovo frito, batatas fritas e chuleta, que foi a carne de minha escolha, por R$ 15,00. Tomei um suco de laranja por R$ 6,00. Ela pediu frango com queijo e uma salada só de cenouras. O garçom André já até conhece os gostos da freguesa.

Ao final do almoço, descemos parte do Beco 24 de maio para ver os ladrilhos da escadaria. E pareceu retratarem as histrias de seus moradores, em frases e desenhos. Voltamos ao hostel apos às 16h.

Ao subir, encontrei a aplicada Juliana, companheira de quarto, também baiana, estudante de medicina da UFRGS. Fiquei impressionada com sua determinação e garra. Sua história de vida podia ser de uma derrotada. Mas lá na escola em que recebeu os primeiros ensinamentos com muita vontade, tirando boas notas, era apreciada e querida pelos professores, que a incentivaram a ter um sonho de formação superior. Essa foi a mola propulsora para buscar as alturas. Movida pela necessidade de melhorar de vida e proporcionar algum conforto à mãe, se preparou para essa oportunidade, e a agarrou com gosto, vitoriosa. Isso me enche de orgulho.

Uma soneca de 2horas e meia. Aff!

Banho, lanche, internet, mais um pouco de conversa coma Juliana. A Gleice volta da rua. Descobri que ela e paraense. Daqui a pouco, vamos dormir de novo. Agradeço a Deus por minha maravilhosa vida. Sinto-me abençoada.

Assim se encerra o sábado.