es-SÁBADO DE PRAIA EM MACEIÓ - AL

20.11.2018

Passear com família ou amigos é diferente. Sai do espírito de mochileira ou viajante solitária, que está em constante contato com pessoas desconhecidas, dependente da solidariedade destes. Viajar e encontrar a família faz parte do processo de resgate, de manutenção de laços, agora, de sangue. E aí você relaxa. Sente-se mais seguro. Sente-se meio que em casa.

Assim, o dia de hoje, além de ser diferente nas sensações, o foi também nos gastos e planejamentos. Você não está mais só. Não pode decidir unilateralmente as coisas. Sua programação é, nesse momento, apenas um norte. Desse modo, levantei até cedo para quem tinha ido dormir às 2h30. Acordei já com luz intensa e barulho de veículos na rua. Olhei no celular e ainda não eram 8h. Decidi permanecer de pé, me sentia descansada.

Minha prima já estava de pé, tentando não fazer barulho para não me acordar. Sua auxiliar do lar, a Dona Ivonete, já estava a postos, auxiliando-a nos preparativos para proporcionar-me o maior conforto possível. O filho de minha prima, que reside com ela, já se preparava para o trabalho, e enquanto este tomava seu banho, nós comíamos pão francês com ovo frito com gema mole, que ela diz não ser consumido pelos nordestinos. Comem ovo mexido, ou frito com a gema dura, com receio da salmonela. Chá, suco, café, bolo, digno de um hotel estrelado.

O dia amanheceu ensolarado, e da sacada do apartamento em que estamos, vejo o mar, verdinho, e o céu azul, convidando-nos para um dia de praia, como programado. Porém, antes disso, minha prima tem algumas obrigações a cumprir. Já tinha me perguntado, na noite anterior, se podia convidar uma amiga para sair conosco. A Simone chega e saímos juntas, no carro que ela alugou especialmente para me conduzir durante minha estadia. Passa aqui e acolá, antes das 11h estamos de volta. Eu já estava trocada desde cedo, faltava passar o protetor solar e arrumar a bolsa para praia. Sua amiga também já veio com maiô por baixo da roupa, e em poucos instantes estávamos todas prontas para sair.

Inicialmente eu pensei em Praia de Ipioca, mas elas disseram que não tem estrutura. Sugeriram Guaxuma, que é uma das praias ao norte de Maceió, que era a minha única exigência. Já no caminho cheio de coqueiros vou ficando encantada.

Escolhemos uma mesa no Bar Brasil, solicitamos uma porção de peixe agulhinha e uma de isca de peixe, um caldinho de camarão para mim e um de peixe para Simone. Minha prima não quis caldinho. Duas cervejas Heineken para aproveitar o calor, e uma soda limonada para a motorista. Dois homens faziam uma apresentação musical ao vivo, tocando MPB da altíssima qualidade. Mar, música, comida e amizades, uma combinação perfeita. O total de gastos foi de R$ 110,00, mas a Simone e eu só contribuímos com R$30, 00 cada, por insistência de minha prima. Estava tudo delicioso, o mar maravilhoso, mas ali só molhei os pés na água.

Para banhar-nos, seguimos para a Praia do Mirante da Sereia, uma piscina com água marítima, protegida pelos arrecifes, rasa e quente. Tão rasa que conseguimos chegar até a barreira de corais, caminhando dentro da água. Porém, a maré estava enchendo, e a volta se fez necessária, pois em pouco tempo os arrecifes estavam tomados pela água. 

Enquanto ali estávamos, na sombra, tomando uma água de coco, umas cervejas, apareceu um dos melhores vendedores que conheci. Com um suporte de metal, uma cesta grande, uma toalha de mesa xadrez, foi chegando e anunciando o melhor produto das praias. Uma unidade por R$ 4,00 ou um kit composto por dois grudes (salgado de goma de tapioca, coco e sal), bolo de milho, bolo de macaxeira, brasileira (uma espécie de bolacha de milho), pelo total de R$ 20,00. E a pessoa ainda ganhava um brinde, mais uma sacola plástica de reforço. Comprei.

Depois dele, um vendedor de queijo coalho derretido, que minha prima e sua amiga se interessaram. O queijo ficou tão derretido que precisou colocar um pratinho para sustentá-lo. Minha prima interessou-se em conhecer a marca, pois gosta quando queijo coalho fica deste jeito. Ele ensinou-a a tocar no queijo, de tiver molinho, derrete. Se tocar e ficar duro, não derrete. Essa conversa está muito estranha, mas ainda assim, ela pegou com ele a marca do queijo.

Tiramos umas ultimas fotos de despedida desta praia, e resolvemos seguir mais um pouco para o Norte, para a Praia do Sonho Verde. Não sei se seria um sonho de comer com recheio de alface, ou um sonho do sono, todo unicolor. Minha conclusão é que a Praia é mesmo muito linda, que até parece um sonho, e como está rodeada de vegetação... Na hora em que chegamos, um pouco antes das 17h, a maré estava alta, e a faixa extensa de areia, em sua maioria, encoberta, dificultando até minha caminhada de um lado para o outro, tirando fotos. A Simone ainda tomou um banho de mar.

No caminho de volta, o cansaço dominou o ambiente, e ficamos quietas, até um tanto sonolentas, com exceção da motorista.

No apartamento, tomamos nosso banho, eu quente, a Rejane frio, como de costume por aqui, e fomos levar a minha nova colega até sua casa no Trapiche, primeiro bairro de Maceió. No caminho, notamos um espaço com apresentação de quadrilhas, no Jaraguá. Deixamos a Simone e resolvemos ver as quadrilhas. A TV Gazeta, afiliada a Globo, estava transmitindo o evento. Algumas quadrilhas estilizadas se apresentavam ali desde às 19h. Assistimos o final de uma apresentação, aguardamos para ver o início da outra. Procurei um lugar mais próximo para conseguir boas fotos e afastei-me de minha prima. De repente, após uns poucos minutos de garoa, caiu um 'pé d'água'. Até insisti um pouco, mas tive que correr a procura de um abrigo. Por sorte tinha vestido uma blusinha para me proteger do vento, já que minha faringe continuava prejudicada, e eu sem voz. Minha prima sumiu. Quando a chuva deu uma trégua ela surgiu detrás da porta que me protegia, onde tinha uma cobertura mais adequada. Assim, só molhou um pouco os cabelos. Toda molhada, achei que foi o suficiente de quadrilhas, afinal, aquele concurso é só para a televisão mesmo. Não houve nenhuma preocupação por parte da Prefeitura com a assistência, que ali, era composta principalmente por cidadãos de Maceió.

Desviamos um pouco de nosso caminho e passamos no Buganvilia, no Jacintinho, uma associação com bailes de forró. O bairro me pareceu muito esquisito, mas o clube, com estacionamento próprio, seguranças e catraca na porta, me pareceu agradável. Fui informada, na recepção que o ingresso era de R$ 20,00 e que eles tinham freedancer. Mas estávamos molhadas e cansadas, dessa forma, o objetivo era só saber onde e como era o lugar.

Como tudo que é bom passa rápido, chegamos tarde de volta ao apartamento. Como já havíamos tomado um café da noite, com cuscuz temperado, os bolos que comprei na praia, chá, suco, estávamos prontas para dormir. E nem consegui atualizar o blog.

Às 8h30 marquei com o Henrique Dantas para um passeio no Centro Histórico, então, melhor tratar de dormir cedo mesmo.