es-Rota do Cangaço - Piranhas (AL)

17.01.2018

Passeio de catamarã pelo Rio São Francisco

Depois do café da manhã de hoje surgiu uma dúvida: será que o povo daqui é todo muito simpático e bonito ou eu que estou carente?

Saímos felizes, após um ótimo café, com dois belos e sorridentes garçons atendendo nossos pedidos, para mais um passeio, agora pelo Rio São Francisco, denominado 'Rota do Cangaço'.

O passeio custa R$50,00 por pessoa. E uma dica: Para quem pretende também fazer a rota dos canions, denominada 'Paraíso do Talhado', e pagar com Cartão, de débito ou crédito, pode fazê-lo no quiosque da MF Turismo, em Piranhas. No restaurante Karrrancas, em Canindé do São Francisco, o pagamento tem que ser em dinheiro.

O catamarã sai em dois horários nesta época do ano, 8h45 e 10h45. Eu tinha agendado, por e-mail, para o segundo horário. Fomos somente em 4 passageiros. Parecia um navio particular. 

No caminho de ida, a nossa guia foi passando informações sobre o rio e sobre o cangaço. Quase chegando ao Cangaço EcoPark alertou para os perigos da trilha até o Angico(local da morte de Lampião), para cardíacos ou pessoas que passaram por cirurgias recentes. Disse tratar-se de rota leve, de 3200m entre ida e volta, porém o sol é intenso e não é recomendado levar nenhum peso, mas pelo menos um litro de água cada um. Dados problemas recentes de saúde pelos quais passei, desisti.

Decidimos então pelo passeio de barco a motor até o povoado de Entremontes, a capital do bordado segundo os alagoanos. O barqueiro, de nome Evan, que ele pronuncia com som aberto, e fica Évan. Mas não é van, é barco mesmo, não só nos levou em segurança até lá, vestidas de coletes salva-vidas, como nos acompanhou pelas lojas das rendeiras.

Seguiram conosco a Joyce e seu esposo Nilson, casal de Recife(PE). Fomos todos conversando e tirando fotos.

O desembarque e a subida do morro do povoado já reservou uma singela surpresa, uma florzinha do campo, em tom lilás, miúda, mas que no conjunto encanta, mostra a força e a beleza da união.

Na primeira loja fomos recebidos pela Ilma, uma habilidosa rendeira que nos apresentou os bordados em redendê e em boa-noite. Muito solícita, nos convenceu a passar por ali na volta e adquirir umas lembrancinhas.

Em outra loja encontramos Dona Maria, à porta, trabalhando um redendê, e sua filha nos atendeu, dizendo até que a mãe não gosta de fotografia não, mas ficaram ambas muito bem nas fotos.

Passamos pela Cooperativa das bordadeiras e outras tantas casas que servem também de loja, reservando-se um cômodo para esse fim.

Compramos alguns bordados,conversamos muito e voltamos dentro do prazo de 50 minutos estipulados.

Na volta, a Joyce adotou minha mãe, ou vice-versa, e tiramos fotos dividindo a mãe. Amanhã devemos encontrá-los novamente no  passeio para os cânions.

Deixamos encomendados nosso  almoço antes de ir à Entremontes, mas antes de almoçar, resolvi conferir a temperaturada água do rio. Como não sei nadar, água fria me apavora. A margem do rio estava bem quentinha mas, uns passos mais e bbbrrrrrrrr........... gelada.

A água é límpida, vi vários peixinhos. Tomei um banho rápido e sai para o almoço.

Moqueca de peixe Surubim para mim e, bife a parmegiana com purê de batatas para minha mãe. De sobremesa um sorvete Mega Clássico para ela, um café gourmet para mim. Total R$ 101,35 em um almoço de pratos individuais bem servidos e bem temperados. No final do almoço, tivemos uma graciosa companhia. Uma não, várias. A mesa é sob uma frondosa mangueira e de lá desceram um a um, testando nossa receptividade, pequenos saguis, e já foram metendo a cara nas sobras dos pratos. Quando o garçon chegou, fugiram ressabiados. Então peguei uma cumbuca com os restos de arroz e ofereci a eles através da rede entre a mangueira e a mesa. Rede esta que me deixou em dúvida se era para segurar a folhagem ou os saguis mesmo.

Avistei um parquinho e vi adultos no balanço. Quanto tempo não acho um balanço que me aguente. É mais fácil achar um homem que me suporte.Hahaha. Maravilha! Vou me balançar. 

Um dos ajudantes do Cangaço EcoPark se ofereceu para tirar fotos nossas, então minha mãe se aventurou no outro balanço. Várias fotos depois e vamos brincar na gangorra. Ficou meio desequilibrada, mas conseguimos brincar.

E já que ele se ofereceu para as fotos, resolvemos abusar.

Um descansinho nas cadeiras confortáveis, um forrózinho sozinha mesmo enquanto minha mãe descosturava roupas bordadas que acabara de comprar e que que pretendia remodelar, ao chegar em casa. Ela é costureira. Outro nativo nos rodeando, um Galo da Campina de cabeça vermelha.

Hora de volta. A primeira turma voltou às 14h. Alguns resolveram voltar em nosso horário, às 16h. Voltamos em 8 passageiros, mais a tripulação. Uma nuvem localizada nos brindou com duas chuvas rápidas ao longo do retorno. E o sol mostrou sua magneficência ao pratear as águas do rio. Eu exagero nas fotos, como se quisesse mostrar para vocês todas as maravilhas que meus olhos registraram, fazendo-os sentir o mesmo que eu. Sei que é uma missão quase impossível, mas ainda assim, não consigo depois escolher entre tantos registros. É lógico que tenho as minhas preferidas, mas não consigo descartar as demais, nem as que me vejo mais feia que o normal, rs.

Finalizamos o passeio andando pelo Centro Histórico de Piranhas, tomando o Café da Torre do relógio, tirando fotos numa locomotiva que relembra os tempos que a ferrovia por ali passava, e os trens levavam cargas por 160km até Pernambuco. Segundo moradores locais, foi desativada em 1964, por Castelo Branco. O Museu, com histórias sobre o cangaço, fechou às 17h e minha mãe ficou sem conhecer. Ele está instalado na antiga estação ferroviária, um belo prédio que por si só já revela uma imponência histórica.

Foto também da estátua de Altermar Dutra, que segundo consta, foi homenageado por  ser um ilustre frequentador da cidade adotando-a como refúgio regular.

A cidade a beira do rio é toda preservada e tombada pelo Patrimônio Histórico. Tem seu encanto em casas multicoloridas construídas a beira das ruas, num tempo em que não se precisava de garagem. E igrejas com escadarias tão grandes que fazem pensar quão pecadores podem ser os piranhenses para merecer tal penitência. Mas nestas, a missa é relizada somente uma vez por ano.

A vida noturna na cidade é mais agitada que na vizinha, Canindé, porém, nas duas vezes em que aqui estive, não tive a oportunidade de desfrutá-la. Preciso vir só ou com amantes da noite como eu.

Já noite, retornamos, não sem antes dar um perdido pelos trevos do caminho. Sou muito sem direção. Amanhã: Cânions do São Francisco.