es-PRIMEIRA PARADA - RECIFE(PE)

30.10.2018

Vamos iniciar uma nova aventura, e que aventura! Iniciando no sétimo dia das greve dos caminhoneiros, sem saber se ia conseguir ônibus de Itu para São Paulo. Depois se o avião decolaria. e por fim, se ia ter transporte, qualquer que fosse do aeroporto até o hostel.

Quando fixei a data da viagem, escolhi o dia que os pontos de milhagem seriam suficientes, assim como o destino, pois meu interesse era vir para João Pessoa. Mas como os pontos não davam, e Recife é bem perto, pouco mais de 100 km de distância, vou pra Recife mesmo. Aliás, capital em que só estive uma vez.

Na sexta feira procurei a rodoviária de Itu para comprar passagem para o sábado, já tinha combinado com a minha mãe uma carona de sua casa, no ABC Paulista até o aeroporto de Congonhas, voo no domingo, ia um dia antes, tranquilo. Mas eles não estavam vendendo passagem para sábado, não sabiam se teriam combustível para a circulação dos ônibus. 

_"E pra hoje?

Só tinha 3 horários, já ia comprando para às 17h30 quando lembrei que tinha manicure marcada, minha filha estava me esperando para me levar para casa, pois até aí, já tinha andado uns 5 km pela cidade, fazendo diversas coisas importantes pré viagem. Liguei para a manicure e pedi se podia antecipar. Deu certo. Ela me atendeu às 16h. Obrigada Fe. 

E será que teria UBER pra me levar a Rodoviária mais tarde?

Tinha, e nem foi tão caro, o dobro do normal, R$ 13,00, mas ainda mais barato que o taxi. Ele chegou tão rápido que tive que engolir um chá que tomava como segunda refeição do dia, e sair com um pão na mão ainda engolindo. Nessa pressa, esqueci de recarregar minha 'marmita' de remédios.

Às 19h em ponto, saia o ônibus para a Barra Funda. O percurso que ele faz normalmente em 1h40 com trânsito bom, fez em 1h30. E metro foi rápido, o trem tive que acelerar o passo na escada rolante para não perder, e cheguei ao ABC em 2h15, sendo o normal 3h. Tomei um chá no Franz Café, e resolvi ir caminhando até a casa de minha mãe, para gastar tempo, pois ela só estaria em casa após às 23h. Depois de 3,5km, e quase 9km durante todo o dia, cheguei, e ela meia hora depois de mim.

No sábado tive que comprar um novo cadeado, pois na correria, coloquei o meu mas não tranquei, só encostei, de modo que em algum lugar pelo caminho ele se perdeu.

Consegui também fazer o check-in da Gol pelo site, o que me deixou mais tranquila. E tudo foi dando certo...

No domingo, ruas sossegadas, e em meia hora estávamos em Congonhas. Mala despachada, trouxe minha mãe até o acesso ao estacionamento e fui ao embarque. Já estava acontecendo quando cheguei ao portão 9. 

E agora notei, ao fazer o check-in do Facebook no aeroporto, que é dia 27, minha poltrona também escolhi 27, pois queria corredor com janela já ocupada, na esperança de ter lugar vago no meio, o que se concretizou. E percebi que meu número, dia de meu aniversário se repetia 2 vezes. Bom sinal!

O voo saiu no  horário previsto, 9h55 e a previsão de chegada em Recife era 13h. O voo correu bem, saímos com 15 graus e chegamos com 27 graus. Tinha lido que os ônibus urbanos na cidade estavam com frota reduzida. Na saída do pequeno aeroporto, um taxista me abordou e disse que eu ia perder muito tempo se fosse de ônibus. 

_ "Quanto ficará a viagem até Pina?"

_ "Depende do taxímetro."

_ "Mais ou menos. Você faz por R$ 6,00? é o que gastarei de ônibus."

_ "Hahaha, Sai por uns R$ 40,00.

_ "Não moço, com esse dinheiro tenho que comer dois dias."

E ele gentilmente me explicou como chegar até o ponto de ônibus. Na avenida em frente também passa o transporte coletivo, mas ali tem que ter o cartão para pagamento, não recebem em dinheiro. Fui até o Terminal Aeroporto, perguntei logo na entrada e um homem me indicou qual o ponto, mas disse para confirmar com o fiscal. 

_ "Posso seguir aqui por baixo?" Ele não respondeu-me.

Lá na frente, subi um degrau enorme e procurei o fiscal que me indicou o lugar correto, informando também que os ônibus estavam demorando, e explicando, à minha contestação de que o ponto estava vazio, que o povo não estava nem saindo de casa por causa da greve.

No ponto, algumas mulheres que estavam na fila, começaram a conversar comigo e a falar da greve. Em algum momento o assunto passou pelo What's App, coisas de Deus ou não e acabou virando para religião. A essas alturas, fiquei só ouvindo. Eram duas evangélicas da Assembléia de Deus e uma simpatizante do budismo. Mas a conversa correu civilizada, cada uma defendendo seu pontos de vista. Perguntei qual o valor da passagem do ônibus e me disseram que é um terminal intermodal, que ali estavam quem já saiu de outro transporte. Em suma, viajei de graça. A "budista" me ajudou até a descida, no ponto exato para chegar ao Hostel. As demais desceram antes, com acenos e até beijinhos lançados no ar, e desejos de boa viagem.

O ponto fica a 4 pequenos quarteirões do Hostel. É uma casa típica de praias brasileiras. Fez-me lembrar a casa de meu falecidos padrinhos, em Stela Maris, Salvador - BA. Fui muito bem recepcionada pelo Junior, que de cara, disse-me que eu parecia muito uma amiga, Eva, de sua mãe, D.Ione. Me apresentou as instalações, meu quarto misto, que divido com o Daniel de todo lugar, e com o Japa, que é descendente de coreano, e Cearense.

Como além do café da manhã, na minha mãe, só comi dois pacotinhos de bolachas, que a Gol oferece como 'cortesia', ainda perguntando: "Doce ou salgada?"

_ "Quero os dois, pode ser? E um copo de água e um de suco."

Fui atendida. Mas já eram quase 16h e sentia necessidade de comer mais alguma coisa. Sem gastar muito. O Junior me indicou o Wall Mart, pois solicitei um supermercado próximo. No caminho verifiquei a existência de uma loja de conveniência num posto de gasolina bem próximo, e no mesmo posto, terminais de saque 24 horas. Me senti bem servida.

No mercado queria água (1 litro), suco de laranja (1,5 litro), 2 pãezinhos, queijo, requeijão e comprei também 2 rolinhos de frango desfiado com massa folhada. Gastei R$ 32,70. E olha aí o terceiro 27. (3 x 27)

Voltei ao hostel para fazer meu lanche, fui acompanhada pelo Junior e o Daniel, que estavam almoçando. e depois fui caminhar no calçadão da praia. A praia de Boa Viagem. As capitais nordestinas têm cuidado muito bem de suas orlas. Aqui tem ciclovia, com bicicletas para locação, uma larga calçada para caminhada, academia ao ar livre, banheiros públicos, e bastante policiamento. Muita gente caminhando, parquinhos cheios de crianças. Diversão gratuita. As praias são muito democráticas. Adoro isso.

Sem contar que ainda presenciei a tentativa de um movimento do #vemprarua e #foratemer, com uns 200 manifestantes, munidos de bandeiras do Brasil e de Pernambuco, e carro de som.


No retorno, o Daniel, que bebia desde cedo, estava pra lá de estranho. Duas argentinas que estão no hostel foram aproveitar um pouco da noite antes de ir para Porto de Galinhas. São de Rosário, cidade pela qual passei a caminho de Mendoza. O Japa chegou do serviço e trocamos algumas ideias. O Daniel perguntou a ele se era 'viado'? Fiquei atônita. E ele também, respondendo que não e querendo saber o por quê? Ao qual ele respondeu que era por vê-lo trabalhando muito e arrumar a cama cedinho, antes de sair. O Japa deu-nos uma lição:

"Arrumar a cama é um ato de disciplina, que significa o primeiro desafio a ser vencido no dia." Pode ser uma boa estratégia. Devo adotar isso como regra.

Mais tarde chegou a Natana, de Brasília, mas veio só passar uma noite. Chegou também o Vitor, o recepcionista da noite, que já chegou tendo que atender um B.O. O Daniel derrubou a maçaneta da porta de nosso quarto, na hora que saiu, deixando-o trancado por dentro. E foi informado que o mesmo hóspede estava fumando na cozinha, após ter tomado todas. Agora ele saiu, e sumiu. Vou dormir. E espero que a noite não tenha mais nenhum B.O.

Amanhã tem mais!