es-PIAÇABUÇU E A FOZ DO RIO SÃO FRANCISCO

21.11.2018

Hoje as caronas foram um tanto estranhas. Minha prima me deixou na estrada, perto do retorno para Maceió. Tentei sinalizar ali o meu pedido de carona, mas a rodovia é muito plana e reta, de modo que os veículos passavam com muita velocidade, tanta que em dado momento, o vento de um caminhão arrancou meu boné. Resolvi caminhar procurando um lugar melhor. Cheguei junto a uma obra de um condomínio. Uma placa de oferta de imóveis fazia uma boa sombra para eu aguardar. Quase não passava caminhões. Estava reposicionando minha mala quando um carro da vigilância sanitária de Barra de São Miguel diminuiu a velocidade, sinalizai e ele parou. Só iria mais uns 30 km adiante, mas sempre ajuda.

O Senhor Hélio é funcionário público, mora em São Miguel dos Milagres com sua segunda esposa. Ambos eram viúvos. Ele está aguardando para se aposentar em janeiro, ou a qualquer momento em que receber um precatório. Ele e sua esposa recebem pensão dos falecidos cônjuges, e com a aposentadoria dele, disse que é possível viver bem, e daí pensa em viajar e pescar, as coisas que mais gosta de fazer. Sua esposa o acompanha, e até gosta de pescar, ganhando recentemente uma vara do marido. De pescar. Que fique muito claro.

Ele passou um pouco de sua saída, para me deixar no trevo da estrada que vai pelas praias, e por consequência, ao meu destino.

Agradeci, desci, peguei minhas coisas, perguntei a dona de uma barraca de beira de estrada se ela tinha água, e quando fui me aproximando para comprar a água, um carro parou junto ao trevo. Desisti da água e fui até o carro. Ele disse que iria até Coruripe. Eu já tinha visto as praias de meu caminho e sabia que ficaria bem próximo ao meu destino.

O senhor Luís é bem falante, mas achei sua conversa um pouco estranha. Contou que esteve recentemente em São Paulo, e que conhecia uma moça de Maceió que morava lá. Ele foi com sua esposa, visitar parentes, inclusive filhos, e a moça manda mensagem para ele dizendo que o esperava. Ele responde que estava com a família, não poderia ir. Ela insistindo que ia ficar pronta esperando-o. Depois, vira para mim e diz:

_ "Você sabe que você tem uma coisa muito bonita, que chama a atenção. Sabe o que é¿"

_ "O sorriso." Pelo menos é o que dizem meus amigos.

_ "Também, diz ele, mas estou falando dos peitos." E estica a mão quase me tocando.

Reposiciono meus braços para que o peito não fique acessível. E ele continua:

- "São grandes, adoro peitos grandes. Sai com uma mulher que estava triste porque disse que o marido tinha nojo dela. Perguntei se ela estava com pressa para chegar ao compromisso e ela disse que não. Quando olhei, os peitos dela eram iguais aos meus. Só tinha aqueles sutiãs com enchimento."

Argumentei que era possível colocar silicone. Ele disse que não gostava, preferia natural mesmo.

Mudou de assunto, falando das Usinas de açúcar que fecharam. Hoje, das quase 40 que ele atendia, só restaram 9. Ele também é representante de vendas da Hinode, uma empresa de produtos de beleza internacional, e fez um passeio para Cancún com a esposa, tudo 0800, segundo ele, por ter conseguido bater as metas de vendas.

Falou também de umas praias no caminho, mais isoladas, onde deságua o rio Poxim. Disse que se não estivesse apressado, ia me levar para conhecer até aquela praia. Disse também que pelo mesmo motivo não me levaria até Piaçabuçu. Quero não, posso não, vou não.

Ainda bem que, em Coruripe ele me deixou em frente a um posto de gasolina, onde entrei para usar o banheiro, tomar um suco artificial e comer um croissant de queijo, nos quais gastei R$ 4,25.

Assim que terminei meu lanche, me dirigi para a estrada e, novamente um carro passou devagar, sem eu sinalizar. O motorista ficou olhando e eu levantei a mão. O senhor Laelson é sergipano, vendedor de camarão criado pela família dele mesmo. Eu estava a menos de 50 km do meu destino. Ele me disse que não passam muitos caminhões por ali. Como ele é acostumado a fazer este percurso, pelo menos uma vez por semana, perguntei se, saindo de Penedo seria melhor eu ir pela rodovia que margeia as praias, ou ir até Propriá e tentar carona na BR-101¿ Ele disse que pela praia é mais tranquilo, que ele sempre dá preferência para este caminho. E que em Penedo eu devo conseguir fácil carona para Aracaju. Acho que já vou tentar na travessia da balsa.

Estranhou eu andar de carona, e disse que não sabia em outros estados, mas em Sergipe, se eu ficar parada na beira da estrada e não sinalizar, ninguém para não. Eu expliquei que só sinalizo para caminhões. Ele quis saber o porquê, pois não era a primeira vez que escutava isso. Defendi minha teoria de que o caminhoneiro está a trabalho, é um conhecedor da rota, é bom motorista, em geral, tem compromisso com horários e carga. Ele achava que era, principalmente no caso das mulheres, para poder manter uma distância maior do motorista. Perguntou se nunca aconteceu de eu pegar carona a noite, ou anoitecer enquanto estava num caminhão. Eu expliquei a ele que, de modo geral, só pego carona de dia, sempre tenho destino definido, com pousada já contratada, e que os motoristas que me transportaram, até então, são sempre muito solícitos, me deixando no melhor lugar para garantir a minha segurança e a facilidade de pegar outra carona. Assim ele o fez também, me deixando quase na porta da Portal Pousada.

Foi a primeira pousada que vi e, aliás, a única depois que caminhei pela cidade. Se bem que já não prestava mais atenção, pois já tinha me decidido por ela, me livrando logo da bagagem, e já que a estadia ficou por R$ 40,00, com café da manhã.

Deixei minhas coisas no quarto 4, no primeiro andar e já fui procurar o rio. Eram 14h30, quem sabe consigo fazer o passeio ainda hoje, ver o por do sol no Delta do São Francisco e ir embora para Penedo ainda cedo.

Pedi orientações a atendente, passei em frente a Rodoviária, já vi que tem lotação até Penedo por um custo baixo. Orientando-me pelas torres da igreja, fui chegando perto do cais. Passei por dentro da Central Turística, tirei as primeiras fotos do 'Velho Chico'. Vi um pessoal junto a uns barcos, e fui saber de onde saem os passeios. O Alex me informou que o passeio sai dali mesmo, o valor é de R$ 70,00 e tem que ter, no mínimo, 2 pessoas. Eu teria que aguardar chegar mais alguém, voltar à Pousada para me trocar e depois sair com o barco da vez. Desisti. Resolvi comer uns pasteis de queijo, pequenos, que foram fritos na hora, em número de 5, a meu pedido, com um suco de abacaxi. Gastei R$ 8,00. Mas tinha um pastel de frango no meio. Ainda bem que não sou vegetariana, falei para a proprietária do bar.

Logo ali em frente, tem a Praça principal da cidade, onde estão a Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens, a Prefeitura, o posto policial, a padaria e o Banco do Brasil, de onde peguei um pouco de dinheiro, para pagar o passeio de barco, apesar deles aceitarem cartão. A Igreja estava sendo limpa e, portanto, estava aberta. 

Fui para o outro lado da praça, e segui para uma das extremidades da calçada que beira o rio, encontrando alguns barcos pesqueiros de maior porte e os pescadores. Um garoto pescava só com linha e isca.

Ia aguardar o por do sol, por uma hora mais ou menos. Fiz as primeiras fotos e dirigi-me ao outro extremo da rua, onde aportam os barcos menores. 

Achei um bom local para sentar e acompanhar o sol se por. Uma nuvem grande dava a impressão que ia atrapalhar a visão, mas ela só fez possibilitar a minha visão, e tornar aquele sol poente único.


Passei no mercado e na padaria, comprar suco, queijo e pão para o lanche noturno, apesar de ainda ter alguns alimentos em minha mala. Gastei mais R$ 15,15 e encerro meu dia.