es-PETAR - Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (SP)

24.10.2018

Você nunca ouviu falar neste lugar? Gosta de turismo de aventura, turismo ecológico, turismo histórico ou pedagógico? Então não perca mais tempo, a hora é essa. 

Trata-se da maior extensão de Mata Atlântica ainda preservada. E reserva ainda o maior número de cavernas numa única região. Abriga ainda diversos quilombos funcionais, onde você pode recordar ou conhecer um outro lado da história brasileira, e compartilhar das vivências e experiências desse povo que conserva suas raízes e ajudou a construir nossa terra e formar nossa gente.

A época de chuvas não é adequada para visitar este local, pois as cavernas inundam e muitas das estradas são de terra, garantindo a preservação. Outono e inverno podem reservar ótimas surpresas.

Fui num ônibus turístico em visita técnica com dois grupos de Fatecanos, um de Barueri, outro de Itu ( e eu com este último).

Saímos de Itu às 22h30 da sexta, descemos pela Sera da Cabeça da Anta, e encontramos o outro grupo na altura de Registro, num posto Graal, para um café. Por volta de 6h chegavámos à Yporanga, que foi nosso ponto de apoio. Dividimo-nos em um pequeno hotel, no Centro da cidade, e em duas pousadas, já que o grupo tinha 71 pessoas. A organização da visita foi toda realizada pela professora de Patrimônio Cultural, Gabrielle, por um custo acessível, contemplando atividades incríveis, por módicos R$ 310,00. O preço incluiu 2 cafés da manhã, um jantar no sábado e o almoço de domingo, Visita guiada à duas cavernas do PETAR no sábado, palestra e oficinas no quilombo, no domingo, além de hospedagem em quartos coletivos e transporte.

Infelizmente, ou felizmente, por causa das chuvas fortes na madrugada e manhã de sábado, um dos ônibus encalhou quando trazia os alunos da Pousada La Luna para  a visita às cavernas, o que atrasou o início do passeio em mais de 2h. Além disso, ocorriam manifestações públicas na região, pleitando melhorias, aproveitando-se da comemoração dos 60 anos da instituição do PETAR pelos governos Estadual e Federal. Creio eu que foi felizmente pois, a chuva parou, o sol apareceu para secar as estradas e aquecer nossos corpos, mas sem queimar nossa pele. E pudemos desfrutar de um dia maravilhoso.

A legislação local obriga que um guia particular e credenciado acompanhe os grupos de no máximo 8 visitantes. Na expedição à caverna de Alambari de Baixo, um grupo com 11 pessoas foi acompanhado pelos excelentes guias, Silnei e Geraldo, que além de nos acompanharem, contaram sobre a história da formação do PETAR, a trajetória de seus trabalhos e sua formação como guias. Chamaram-nos a atenção para a contemplação da fauna e da flora nativa. Vimos Macacos-prego, pássaros, nesperas, goiabas, limão cravo e mexericas, provamos geleia de Jussara fabricada por um nativo. E nos conduziram até o ponto alto da trajetória. A caverna de Lambari, onde parte da travessia é feita pelo curso do rio, e em parte ele tem mais de 2 metros de profundidade, mas tem uma corda para assistência aos que, como eu, não sabem nadar e tem medo de água, ainda mais fria, mais ou menos 15 graus. Espetacular! Imperdível! É o mínimo que posso dizer acerca deste lugar.

A próxima expedição foi rumo ao ônibus, para pegar os lanches que já trazíamos em nossas mochilas, e seguir em direção à caverna de Ouro Grosso. Segundo o Geraldo, que acompanhou nosso pequeno grupo de 6 pessoas, é a caverna com o maior nível de dificuldade. Fomos só até a primeira pequena cachoeira, que forma uma piscina na pedra, numa temperatura extremamente gelada, mas que, depois de ter passado por estreitos buracos, ajoelhada, sentada, enviesada, estar literalmente enlameada, não dá para resistir a tentação ao prêmio final. Só não fui até à cachoeira pois sob ela a profundidade é superior a 2 metros, e o jato de água é muito forte, e não quis correr risco desnecessário. A volta é pelo mesmo lugar. Conhecemos ali uma ilustre moradora, aranha sem veneno, que mais parecia um chumaço de cabelos embaraçados. Ela se alimenta das fezes dos morcegos, que não tivemos o prazer de encontrar.

O itinerário da volta, fora da caverna, passou por uma Figueira Mata Pau, que se apoiou em uma Guararema(ou pau d'alho) e outra árvore, para sobreviver. Ela é tão grande que atravessamos por dentro dela.

Apesar de mais de haver 300 cavernas na região, somente 12 cavernas do PETAR estão abertas a visitação - Cavernas de Santana, Água Suja, Morro Preto, Couto, Cafezal, Alambari de Baixo e Ouro Grosso. 

Desta parte o que ficou foi um gosto de 'quero mais'. 

Jantamos uma comida bem caseira, servida pela Telma, ao lado do Hotel, e pudemos apreciar a calma das pessoas e a tranquilidade de uma pequena cidade do interior paulista.

No dia seguinte, a partir das 7 horas, o café da manhã já estava disponível, e os grupos foram se abastecendo aos poucos, pois às 9h sairíamos para o quilombo.