es-Paraty - A Cidade em Festa!

14.11.2017

Pelo que ouvi falar, Paraty tem um calendário de eventos ímpar, com festa o ano inteiro, para todas as tribos, e o que é melhor, sem excluir o Paratiense.

A Festa do Divino Espírito Santo

Celebração que se encerra no domingo de Pentecostes, importante data no calendário cristão que comemora a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos, 50 dias após a Páscoa. Homenageia a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade.

A Festa do Divino tem duração de 10 dias, encerrando sempre no domingo de Pentecostes. Sua origem é atribuida à rainha Isabel, que coroava um súdito como imperador. Foi trazida para o Brasil pelos colonizadores portugueses e acontece em Paraty desde o século XVIII.

As preparações têm início um ano antes, e são conduzidas por festeiros e voluntários. Contempla parte litúrgica e profana. Há realização de missas, procissões, levantamento de mastro, bandeiras, foguetório, coroação do imperador, danças folclóricas, doação de alimentos à pessoas carentes, almoço gratuito organizado pelos festeiros, soltura simbólica de um preso, distribuição de doces, tudo para manter a tradição da festa que reúne população local e turistas.


Estive na festa no penúltimo dia, sábado, 03 de junho. Me informaram que ocorreria um encontro, da procissão que sai da casa do festeiro, em frente à Igreja de N.Sra. dos Remédios, e que este devia acontecer por volta de 19h30, após o qual, realizar-se-ia a celebração da missa com coroação de um menino, que, segundo meu novo amigo, Dalcimar, é escolhido entre os familiares do festeiro.

Depois do city tour da tarde, corremos tomar um banho no hostel para apreciarmos estes eventos. Chegamos às 19h30 em ponto, mas o encontro já havia ocorrido e a missa se iniciado. Participamos de parte dela, porém lembramo-nos, e digo no plural porque estava com minhas colegas de classe, da Fatec Itu, Fran e Tânia, de que precisávamos jantar, e que após a missa, a praça de alimentação iria ficar muito cheia.

Lá haviam muitas barracas de alimentos e bebidas. Ambas optaram por tomar um caldo. Eu fiquei desejosa, mas o sabor que eu queria não estava mais disponível. Optei por uma costela suína ao barbecue, com batatas rústicas, e estava maravilhoso. Paguei R$ 20,00. Esse prato foi acompanhado de um copão de quentão, que custou mais R$ 4,00. 

Foi fácil arrumar uma mesa, e o serviço de limpeza destas era constante e eficiente, por parte dos colaboradores. A barraca que tinha mais movimento era do Yakissoba. Disseram-nos que era muito bom. Não me interessei.

Após nossa refeição, voltamos para a frente da igreja e ainda pudemos ouvir a coroação do imperador, e a finalização da missa, quando as bandeiras do divino saem e ocupam a rua em frente à Igreja. 

As pessoas que não conseguem lugar dentro da Igreja, já habituadas com os festejos, não tomam sua frente desordenadamente. Deixam livre o espaço que a procissão de bandeiras, o imperador e seus vassalos ocuparão ao final da solenidade. Achei isso muito simpático. Nós, os turistas, fomos na vibe.

Terminada a parte litúrgica, iniciou-se a parte considerada profana, com três espaços diferenciados, preparados para a ocasião. O primeiro deles, na praça bem em frente a igreja, onde ocorrem as 'congadas' ou Marrapaiá de Cunha.

O segundo, ao lado direito da igreja, onde são montadas arquibancadas que servem à platéia e um palco onde o imperador e sua comitiva ficam assistindo aos festejos.

Ali acontecem as danças de fita, do campinho e a dança dos velhos, que trás também crianças e jovens caracterizados como anciãos.

Ao lado do palco permanece tocando a banda da festa e as danças são animadas por esse som, que confere mais tradicionalismo e rusticidade ao evento.

Assistimos as danças de fita e parte da dança do campinho. Me disseram que as fitas são entrelaçadas pelos dançarinos de mais de 15 maneiras diferentes. E depois tudo é desfeito na dança mesmo, com muito zelo.

O terceiro e último espaço fica em frente a Praça de Alimentação, do lado esquerdo da igreja, e às margens do rio Perequê. Ali um grande palco foi montado para apresentação de grupos musicais. Durante a tarde, ouvimos um pouco de samba. A cantoria para na hora das solenidades religiosas e só recomeça às 23h, depois das apresentações de danças típicas.

Ali encontramos outros membros de nossa visita técnica, como chamada pelos professores da Faculdade, pois tem o propósito de apresentar espaços geográficos tombados em função de sua importância histórica e/ou cultural, sendo utilizados pelo poder público e privado, de forma organizada, sem ferir as estruturas do patrimônio e respeitando a população, inserindo-a no processo.

Estavam eles munidos de delicioso vinho tinto seco que nos proporcionou combustível animador para permanecermos na festa até seu encerramento, perto de 1h da madrugada.

Dia puxado, considerando que não tinha dormido no ônibus na noite anterior porque passei mal, e badalamos o dia inteiro.

Mas não pense que acabou. Ao chegar no hostel, meia hora depois, utilizei um banheiro externo, convenientemente situado próximo ao quarto em que estava alocada, e que tinha o maior número de leitos, e só fui adentrar ao quarto, pé ante pé, sem sapatos para não incomodar minhas colegas que já dormiam, às 2h da madruga. No escuro, meu colchão, que decidi anteriormente colocar no chão, pois o bicama era alto para quem, como eu, levanta a noite para urinar, não havia sido ali colocado, e ao invés de uma outra colega na mesma situação que eu, encontrei outros 3 colchões no chão, e nenhum era meu, estando todos ocupados, e ficando com o espaço restrito para me movimentar sem acordar as demais. Também não achei o cobertor e travesseiro que tinha reservado para meu uso. Me disseram os mochileiros mais experientes, que isso é normal acontecer, mas não imaginei que assim o fosse por tratar-se de grupo de pessoas conhecidas entre si. Assim sendo, para não estressar-me nem atrapalhar ninguém, calcei-me novamente, e munida de minha bolsa a tiracolo e meu travesseiro pessoal, resolvi procurar outro lugar para dormir. O recepcionista me informou que ali perto havia um outro hostel. Sai sem mala nem cuia pela solidão da noite (apesar dos conselhos diurnos para não fazer isto, pois nossos guias nos avisaram que Paraty é hoje a segunda cidade mais perigosa do estado do Rio de Janeiro), e não os aconselho a fazer o mesmo. Na rodoviária, a uns 3 quarteirões dali, encontrei sentado em um banco de concreto um rapaz de boa aparência. Questionando-o sobre hospedagem ali por perto, ele me disse que estava numa pousada bem localizada com valor de R$ 40,00 a diária. Estava se encaminhando para lá e que eu podia acompanhá-lo se fosse de meu interesse. Achei o preço convidativo e precisava de um bom sono se não quisesse estragar meu passeio no domingo. Acompanhei-o. Era um paulistano que estava de férias mochilando. Já tinha passado por Búzios e em Paraty chegará havia 3 dias. Me deu várias dicas de turismo, com sugestão para alimentação boa e barata, tendo encontrado refeição a quilo por R$ 30,00. E me preveniu quanto aos aspectos de segurança. Só lhe disse o que ocorreu comigo após chegarmos na Pousada, na Avenida Roberto Silveira, quase em frente ao Subway.

Ali obtive um quarto sem banheiro, que tinha acomodação para 5 pessoas, sendo 2 beliches e uma cama de solteiro, onde me acomodei. Em frente ao quarto ficava o banheiro, e meu conhecido estava no quarto ao lado. Dormi feito um anjo, sem roupa, sem incomodar ninguém e sem ser incomodada. Levantei a noite, coloquei a roupa de cima e fui ao banheiro tranquilamente. Acionei o despertador do celular para 8h da manhã e tirei minhas 5 horas de sono (pouco, pois meu sono de beleza é de 8horas) que atendeu minhas necessidades para aquela situação. A pousada não oferecia café da manhã, mas voltei para tomá-lo na Carpe Diem, sob olhares curiosos de meus companheiros de viagem.

Descobri depois que os itens do meu enxoval tinham sido colocados sobre outros beliches, assim, não seria mesmo possível achá-los no escuro. Foi um aprendizado interessante, que me será útil na viagem pelo sul da América.