es-Pantanal de Pacatuba (SE)

01.02.2018

Sertão nordestino... Sergipe é um pequeno Estado, mas privilegiado... Abriga em seu território uma biodiversidade fantástica!

Depois de uma estada para assuntos familiares em Salvador, que diga-se de passagem, foram muito prazerosos, nos dirigimos à cidade de Penedo, em Alagoas, que serviu-nos de ponto de apoio para a visita ao Pantanal, e que em si já reserva-nos um capítulo a parte, que será tratado no próximo post.

Foi o trecho de estrada mais longo, seguimos pela Estrada do Coco e pela linha verde, chegando à São Cristóvão, na grande Aracaju, depois pela BR-101 até Propriá(SE), e na altura do posto rodoviário, antes da ponte sobre o Rio São Francisco, pegamos a SE-335 em direção à Neópolis(SE), onde atravessamos o rio de balsa, que carrega em média 16 veículos com valor de R$25,00 o carro. Foram 7h30m de viagem com duas pequenas paradas. 

Uma ótima sensação nessa travessia, o sol refletido no rio prateando-o, a cidade de Penedo crescendo aos nossos olhos, com todo seu charme.

O prédio grande que avistamos na foto, atrás da antiga igreja, é o Hotel São Francisco, onde ficamos hospedadas e de onde tivemos ótimas vistas e experiências inesquecíveis.

O plano foi seguido a risca, e no dia seguinte, antes das 9h fazíamos a travessia de volta para Sergipe, de carro pois até Pacatuba seriam ainda quase 50km. Entrando na cidade, perguntei, na primeira lanchoneteque vi, por guias para nos acompanhar ao pantanal. A atendente me encaminhou à rua lateral onde fica o Secretário de Turismo. Numa casa verde, estilo residencial, um papel à porta me informava que estva no lugar certo. Fiquei muito grata por lá encontrar o Francisco de Assis, que conforme minhas pesquisas nos blogs, é o principal guia da região. Tivemos sorte, ele nos informou que uma visita havia sido reagendada e podia nos apresentar o local. Tentei agendar no domingo, mas não consegui contato telefônico. Ele, quando viu o registro de chamada, tentou me contatar pelo Whatsapp. Mas como não o conhecia, não identifiquei o contato e respondi só com uma interrogação.

Para que isso não aconteça contigo também, o fone 79 9627-7884  para marcar a visita,   e segue a foto dele e da casa da Secretaria, hahaha.

Quando estavamos saindo do cantro urbano, nos deparamos com uma movimentação de gente na rua. Ele nos explicou que era uma comemoração do dia do Folclore. Achei bonito. Será que as escolas de São Paulo dão tanta ênfase a este dia tão importante, que fala de nossas lendas? Lógico que por aqui não daria pra sair assim na rua, mas sempre tenho a impressão que os Estados do Norte e Nordeste cultuam mais nossas tradições.

Estava tão entusisasmada que nem água lembrei de levar, mas como o passeio foi feito, na maior parte, de carro, e o dia não estava escaldante, não precisou mesmo.

Começamos pouco depois da 9h30 pela Lagoa do Brejão, a maior lagoa deste bioma. É surpreendente avistar este tipo de cenário por estas paragens. No mínimo, improvável. Mas nesse lugar parece que tudo é possível. 

Algumas lagoas levam o nome dos povoados onde se encontram. São  36 grandes lagoas denominadas e mais inúmeras outras, de menores proporções, localizadas entre os  74  povoados.

Me impressionou também, ao longo do caminho, ter a sensação que o pantanal fica abaixo do nível do mar. Perguntei ao nosso guia mas ele não soube precisar. Pesquisei na internet e vi que a cidade está a 78m de altitude. Mas veja as fotos que tiramos do Mirante do Robalo(mirante este que ainda é um projeto), por enquanto, trata-se de um ponto alto onde podemos apreciar a flora, as dunas fixas e o mar, numa vista deslumbrante. Veja se tem a mesma impressão que eu:

Passamos também pelo Rio Poxim, ou Congobéia na linguagem indígena, nas margens do qual se iniciou a cidade que leva o nome do cacique Pacatuba.

Na Vila dos Pescadores, às margens do Rio Parapuca, observamos pequenos barcos, redes e algumas casas, pois seus habitantes estão trabalhando, e só retornam no final da tarde. O Francisco nos diz que vale a pena contratar um passeio de barco com eles, mas isso tem que ser feito logo pela manhã, antes que saiam para pescar.

Mais adiante, entramos por uma estreita estrada em direção à praia. Alguns buracos, junto ao mangue. Por estarmos em estação chuvosa, estavam cheios de água e tivemos que escolher por onde passar. Num deles, deixei o carro morrer. Ainda bem que não encalhou, era uma lama escura e um tanto fétida. O carro ficou imundo, pena que não o fotografei.

A praia, um paraíso perdido, frequentada aos domingos pelos moradores, de uma cidade com pouco mais de 13 mil habitantes, que de tão acostumados, não reconhecem a maravilha de que dispõem.

Infelizmente, um amontoado de urubus pousava sobre trecho do mangue, naquele momento de maré baixa, descoberto, e no meio da vegetação avistamos um casco de tartaruga marinha. Achamos que houvesse encalhado, mas o Francisco disse que deve ter chegado ali morta, senão teria se desprendido.

Por todo lado avistamos tanques de criação de camarões, chamada de carnicicultura, em sistema de parcerias com grandes hotéis e restaurantes, que fornecem os insumos, e os proprietários das terras fazem a engorda dos mesmos.

Lagoa da Junça, Lagoa das Piranhas, Lagoa do Brejão e tantas outras têm em comum água pura, vitórias-régias, taboas, gente simples e feliz morando por perto, lavando roupa na lagoa, ou crianças brincando tranquilamente, seguras. 

O Pantanal ainda tem dunas, e tem mar, tem uma rica fauna e flora que para apreciar tem que ficar pelo menos uns 5 dias na cidade, explorando cada cantinho, conversando com os moradores. Percorremos 170km dentro do Pantanal, a maior parte em estrada de chão, como dizem por lá. Foram 5 horas somente, mas de puro encantamento. Não sou uma conhecedora do assunto, mas essa mistura de pântanos, mangue, dunas de areia e mar, não tem em qualquer lugar.

Para encerrar o passeio com chave de ouro, paramos no único restaurante do pantanal, o do Juarez. Lá ele fornece pratos feitos por R$22,00 que não deixa a desejar para nenhum restaurante chique. Pedi um fígado acebolado (não torce o nariz não) e minha mãe foi de robalo frito. Acompanham um feijão fradinho tipo tropeiro, um vinagrete com coentro que amei, arroz, farofa amarelinha mas que não é de dendê. Ainda tomamos água potável das dunas, e suco. O suco ficou mais R$4,00. Dois pratos mas que atendem 3 pessoas, comendo bem.