es-Montevidéu - Dois primeiros dias

21.03.2018

Ontem não fiz muita coisa em Montevidéu. Minha proposta era atualizar o blog. Então, sai quase meio dia para comer, uma única refeição que serviu de café da manhã e almoço.

Procurava o Shopping de las Cruces, pois no Google Maps aparecia que estava perto. Fui andando até observar um anúncio de almoço, milanesa com dois pães por URL 265. Mais um 'liquado' por URL 90. Achei justo o preço, e lembrei-me que o senhor Horácio me falara bem do lanche. Quando pedi o 'liquado', o garçom me ofereceu um 'espremido', disse-me que era até mais barato. URL 70. Aceitei.

Quando chegou o prato fiquei impressionada. Dois lanches com pão francês cortado ao meio, com bife a milanesa, alface, tomate, queijo e presunto, acompanhado de batatas fritas. Comi as batas e um pão inteiro. O restante, pedi para embrulhar para viagem. Eles dizem envolver para viagem. Ainda estava com sede, reflexo do dia anterior.

Na rua, perguntei sobre o shopping, e recebi uma explicação rápida que não entendi direito. A moça apontou um prédio grande, mas ali é o Terminal.

Continuei andando e vi a entrada de um supermercado, que pelo mapa era ao lado do shopping. Ok, o shopping é sobre o Terminal Rodoviário. Entrei para procurar uma casa de câmbio e corrigir o problema do dia anterior. Ajudei uma brasileira que procurava o banheiro. E queria um café quentinho.

Fui para o shopping e encontrei o Mccafe, um cappuccino médio me custou URL 106. Achei caro, mas recebi um copo com uns 300 ml de café com leite com um sabor marcante e gostoso café. Rodei pelos corredores do shopping e constatei o poder da globalização.

Resolvi continuar até o mercado, precisava de água. Comprei uma garrafa com 2,5 litros. E ainda duas latas de suco, uma de maçã e outra de pêssego, frutas comuns aqui na região. Pensava já no café da manhã. Gastei mais URL 106. Nos supermercados, eles têm armários para guarda dos volumes, chaveados. Peguei minha mochilinha e segui para o hotel, já com a intenção de comprar na 'panederia' quase ao lado do hotel, algum agrado doce para o lanche da tarde e o café da manhã. Comprei um cone de massa folhada com doce de leite e uma meia rosca recheada.

No quarto, já arrumado, comecei a atualizar o blog.

Ah! Antes que me esqueça, nas dicas de viagem falei sobre o sabonete liquido, que era indicado por outros blogueiros. Conversando com o Robson, minha primeira carona, constatamos a importância deste cuidado. Se o sabonete cai, num banheiro de uso coletivo, não dá coragem de usar de novo. E convém estar sempre de chinelo ao tomar banho, pelo mesmo motivo.

Fui dormir por volta de meia noite. A saída do hotel é às 10h. As 9h15 já estava na recepção, de mala e cuia. Tentei chamar o UBER para levar-me até o hostel. Só aceita cartão de crédito, a função débito não é autorizada fora do Brasil, e dinheiro não é permitido. Droga. A recepcionista pediu-me um táxi.

Assombro! O roteiro de UBER sairia por URL 139. De taxi saiu por URL 150. Se fosse assim no Brasil, ninguém estaria reclamando. Eu sempre peço para ir à frente. Não aqui. Um vidro bloqueia o acesso ao motorista. Ate o dinheiro e o troco é passado por uma pequena gaveta entre os bancos.

Outro assombro! O Hostel Gaúcho fica num dos edifícios antigos do centro velho. A porta já impressiona. O pé direito é bem alto. No quarto, com dois beliches, estava uma brasileira, mineira. Digo estava porque foi embora para casa hoje mesmo. Mas ainda deu tempo de eu ensinar-lhe a arrumar a mala, pois reclamou que não ia caber tudo.

Estava tão feliz que fiquei meio atordoada. Coloquei minhas coisas no quarto, olhei minha programação e sai pela rua, buscando o Palácio Salvo. Andei duas quadras e vi a Catedral, fotografei, agradeci e sai. Resolvi olhar na mochila se tinha levado a bateria extra. Dei falta da bolsa. Oh meu Deus! Esqueci a bolsa no hostel. Mas onde? No escritório ou no quarto. Minha companheira tinha dado uma saidinha antes de mim. Retornei. Ela estava de volta ao quarto, e minha bolsa pendurada no beliche. Ufa!

Comeco tudo de novo, mas agora direto para o Palácio. Passo pela praça da Independência, fotografo o General Artigas em seu cavalo, observo um grupo escolar passeando com suas professoras pela praça, e me dirijo ao Palácio. As quintas, a visita começa às 15h. Ainda nao é meio dia, então mudemos a programação. Vou em busca do Teatro Solis, para compra do ingresso para qualquer coisa. Quero ver o teatro em funcionamento. A visita guiada eu fiz em 2014, quando aqui estive pela primeira vez. Recebo do atendente um folder com a programação e a informação sobre o preço. Além de ver que a bilheteria inicia suas atividades às 15h. 

Ok. Entao vamos ao Palacio Estevez, antiga sede do Governo. Tambem estava ali, em torno da Praca principal, onde alias ja tinha fotografado a Porta de la Ciudadela.

O Palacio recebe agora outro nome. Ainda atordoada, quando a moca me pede documento para meu cadastro, entrego. Guardo minha mochila no armario, ela me informa que nao posso fotografar o espaco superior e me entrega uma credencial para cololar na roupa e o meu cartao de credito. Oh! Foi isso que te enteguei? Nao tem problema, diz ela. So precisava do nome. Qeur que tire uma fotos suas na escada.Sim, claro.


Na ante-sala do andar superior, uma exposicao dos 300 anos da maconaria no Uruguai. Olhei com interesse, lembrando-me de meu falecido pai, e de meu primo, alem de tantos outros tios macons. Fui abordada  por um colaborador do museu que meu deu uma breve explicacao de como iniciar a visitacao. Em todas as salas, retratos de todos os presidentes uruguaios, alguns pertences, vestimentas, moveis. Em algumas salas, fotos de epoca com fundo musical compativel. Ali observei o brasao da Republisa, com quatro figuras. Uma balanca, um morro com uma construcao, um cavalo e um boi. Justica, fortaleza, liberdade e abundancia.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bras%C3%A3o_de_armas_do_Uruguai

Saindo, observei uma movimentacao musical na praca, como a zumba, com palco e tudo. Pedi permissao para sentar-me num banco, ao lado de um homem. Ele comecou a conversar comigo. Seu nome eh Henri (diz-se Renri). Eh peruano e mora em Montevidei. Acha o portugues dificil e nunca conseguiu conversar com uma brasileira pois nao as entende. Achou que falo bem o castelhano. Hahaha. Engano.

Me disse que sou bonita. Uma faxineira do Palacio tambem o disse. Comeco a achar que meu tipo agrada aos uruguaios. (carinha de alegria :)

 E peruanos. |Hahaha.

Estendi a mao para me despedir. Ele me disse que no Uruguais se despedem com 2 beijos no rosto, mas explicou que era so um comentario. Subi a 18 de Julho, principal rua comercial da cidade, procurando a fonte dos cadeados.  Me detive para fotografar o Teatro circular, uma fonte, uma estatua. E deparei com um Museu qua nao estava nos meus planos, mas que o nome me despertou interesse. Museu pedagogico. 

Tambem gratuito(lembrei agora que me esqueci de assinar o livro de visitacao, na saida), com permissao de fotografar, desde que sem flash.  Fiquei encantada. Numa sala tipo auditorio observei uns lindos vitrais. Ali estava a senhora da limpeza. Saiu da frente de um dos vitrais, e eu disse-lhe que poderia ficar, ao que me respondeu:

_"Sou velha mas nao faco parte do Museu." Rimos um pouco.

Biblioteca, brinquedos educativos, carteiras de meu tempo de escola, lebrei-me de meus amiguinhos de infancia. Pedi permissao para sentar-me e tirar uma selfie. Tudo eu peco permissao para fotografar. Na Praca da Independencia, queria tirar fotos dos guardas com aqueles carrinhos que a gente fica em pe. Ja vi em alguns shoppings, mas achei diferente no uso de seguranca. Ele nao permitiu.

No Palacio Estevez, apesar de nao poder, vi um homem com o celular fotografando. Nao sei de onde era, mas estava com a filha, e nao deu um bom exemplo.

Apos essa visita, segui ate a fonte dos cadeados.

Dali mesmo voltei pela rua paralela e achei um restaurante com bons precos. Estava comendo um amendoim praline, que se prepara na rua mesmo, em todo lugar. Paguei URL 30 por ele.  Mas, dado o horario, achei melhor comer. Pedi um raviole con tuco, que fiquei sabendo que eh carne moida. Um belo prato com molho bolonhesa. Queijo ralado a parte. Nao bebi nada. Tinha comigo a minha agua para o remedio. Alias, tenho tomado meus remedios certinho. 206 URL e ainda usei o banheiro. Limpinho mas escada abaixo. Aqui eh bom que as pernas e joelhos estejam bem. Tem escada em tudo quanto eh predio. Inclusive no hostel.

Terminei um pouco apos as 14h. Voltei ao Teatro para compra do ingresso, mas como tinha tempo, fui tomar um cafe na charmosa 'peatonal' (calcadao), em frente. Um cafezinho por URL 60. Estou achando que beber aqui eh mais caro que comer.

Mas o cafe veio acompanhado de 5 biscoitos, dois deles com nome amareto, deliciosos, com sabor de amendoa.

 Voltei ao teatro e ja fui para a fila da bilheteria. Enquanto aguardava, observei dois grupos de visitantes. Um de jovens e outro de criancas, ambos escolares. As criancas mais animadas, mas ainda assim contidas, educadas. Do Museu Pedagogico tirei uma fotos do patio da escola estabelecida embaixo. Achei diferente o fato de usarem aventais brancos com um grande laco escuro na fronte.

O ingresso para Otelo, no salao principal, amanha, as 20h, numa das primeiras fileiras, ja que estou sozinha, ficou por URL 150. O mesmo preco da visita guiada.

Como ainda era cedo, fui ao supermercado e comprei duas macas e um iogurte para a noite, ja que almocei bem.

De volta ao Palacio Salvo, ainda aguardei meia hora. O guia Danieli, conduziu-nos, o Sr. Santiago, uruguaio de Montevideu, 79 anos, campeao de corrida de bicicleta apos os 75 anos e a mim, aventureira, quase 54 anos, vindo de Sao Paulo ate aqui de carona; pelo lado externo primeiro, onde deu explicacoes sobre os adornos das colunas, com temas maritimos, mostrou a gargula no teto, e disse que como as outras, serve para despejo de agua, mas num lugar pouco conveniente, e por vezes, a agua sai bem forte dali. Inspiracao maconica, alquimia, um desenho de padrao inca que representa um portal no piso do andar terreo, e a simbologia dos andares, do fundo do mar, para os jardins, depois os animais, numa ascensao aos ceus.

Hoje, parte do predio eh comercial, e parte residencial. Foi construido para ser hotel, e os apartamentos entao sao como kitchnets, pequenos. e se encontram nos 23 andares ocupados. O teto da primeira parte reserva uma horta comunitaria, e belas vistas do entorno. O topo da coluna reserva vistas ainda mais deslumbrantes, enquadradas por janelas de vidro, e um lindo ceu azul de fundo. Uma grande surpresa foi a existencia de uma grande sala de bilhar no terceiro andar. O predio so foi tombado pelo patrimonio publico nos anos 90. Antes disso, muita mudanca interna foi feita, ate a construcao de uma antena de TV e radio no topo. Infelizmente.

Voltei ao hostel. Esta um frio danado, mesmo aqui dentro. Durante o dia estava uns 15 graus, mas com muito vento. Na sombra, sente-se frio. Nos lugares fechados e no sol, calor. Agora, deve estar mais frio. Vou me aquecer um pouco.