es-Montevideo - la gente es muy buena de corazon

23.03.2018

Hoje usei a torradeira, muito simples. Requer apenas um pouco de observação.

Quero tomar um coletivo para ver a Rambla. Alguns uruguaios consideram o que há de mais belo por aqui. D1 é seu numero, D de diferencial. A tarifa é um pouco mais cara, mas acho que é meio executivo.

Cheguei às 10h12 no ponto, depois de confirmar se ele passava por ali mesmo. Depois de esperar uns 30 minutos, comecei conversar com um senhor, pois estava quase mudando de ideia e pegando o ônibus para o Cerro, que era meu destino programado. Perguntei-lhe se o ônibus para o Cerro chegava perto da Fortaleza. Disse-me que teria de andar um pouco. Falou ainda que o ônibus que ele esperava também era demorado, ainda mais no sábado. Fiquei sabendo que sua mãe era brasileira, nascida em Sorocaba. Olha que coincidência, ha 30 km de casa. Sua mamãe nasceu em 1900. Veio para o Uruguai em 1904 e nunca aprendeu a falar português. Estou amando conseguir me comunicar com gente do povo.

Decidi então ir para o Cerro. É o lugar mais alto da cidade, com 132m e ali tem um Forte que, como em todas as cidades antigas, defendia-a de ataques por mar. Apesar de ser um Rio com cara de mar. O Rio del Plata só fica salgado, se misturando ao mar, na altura de 'Ciudad del Leste'.

Peguei o 125 por volta de 11h. Andamos pelos bairros e pude observar onde mora o povo Uruguaio, bairros nobres e periféricos. Vi uma feira de rua. Algumas características diferentes. Alguns expositores colocam seus produtos em toalhas, no chão. Já vi isso em alguns lugares, mas não junto com frutas e verduras. 

Chegamos ao Terminal del Cerro quase meio dia, fui ate uma conveniência de um posto e comprei uma empanada, um chocolate quente e uma barra de chocolate (que ainda não comi) por URL 104. A atendente foi muito gentil, fiz muitos elogios a ela. Esta sendo o dia das pessoas decentes.

O motorista do 125 me explicou que teria que tomar outro ônibus ali no Terminal, o L12 ou o L18. Com o dinheiro já trocado, peguei o L18 e novamente pedi ajuda ao condutor, ele me deixou no ponto mais próximo para a subida ao Cerro.

Parei num comércio para confirmar o caminho, já que vi umas ruelas esquisitas cortando caminho. As senhorinhas me orientaram a seguir pelo asfalto, não cortar pelo campo por não ser seguro. Como no posto achavam que o horário de visitação seria até às 13h, tratei de correr, ou melhor, subir rápido, sem paradas para fotos. Tinha a esperança de, uma vez lá dentro, não ser colocada para fora às 13h. 

Cheguei arfando e fui logo recebida pelo militar de plantão no horário. Recebeu-me com um cordial bom dia que rendeu muita conversa. A entrada para visitação da Fortaleza tem um custo de URL 40 e o horário, até às 18h. Conversamos bastante, ele me orientou sobre as alas do Forte, me indicou o banheiro, mas me permitiu usar o banheiro deles. Disse-me que eu era visita. Voltei para fazer o registro fotográfico deste simpático uruguaio. Perguntei seu nome, ao que me disse que não iria acreditar, então me mostrou seu Documento: Uruguay. Uruguay Hernando Sena. Mas o Sena pobre, disse ele, não como o brasileiro que foi rico. Contei sobre minha viagem de carona, e de mochila. Ele me questionara sobre as noites, se dormia na rua? Não, disse eu, nem tanto, não é seguro, então fico em hostels e albergues. Ele é nascido em Salto, Uruguai, ao norte do pais. Lugar que conheci brevemente em 2014.

Depois de passar por todas as salas, fotografando, inclusive pelo subterrâneo, que fora armazém de pólvora e também cadeia, voltei para me despedir. 

A porta estava fechada. Bati, mas ninguém atendeu. Resolvi ir embora sem me despedir, mas isso me chateava. Nisso, um casal se aproximou da entrada do Forte, e ele abriu a porta. Que bom. Aguardei-o atender os novos visitantes e entrei. Falei que queria anotar o endereço do blog, ele me perguntou se eu já almoçara, ao que respondi que comi a empanada. Convidou-me para almoçar, me deixou encantada com o convite. Aceitei. Vem a calhar com meus objetivos nesta viagem. Fui levada a cozinha. Ele me apresentou o William, que cozinhou para ambos. Este me serviu um belo prato de lentilhas com legumes, carne e arroz. Serviu-me também um copo de Coca-Cola e encerrou seu almoço comigo, enquanto conversávamos sobre o aproveitamento da vida, a importância de cada coisa e eu explicava os motivos de minha viagem.

Quando desci, o 'Uruguay' me disse que eu era uma privilegiada. Um tempo antes, um pessoal da América Central ali esteve, e também foram muito bem tratadas, mas não almoçaram com eles. Abri o blog no celular dele, trocamos telefones. Já nos falamos pelo What'sApp. Creio que tenho um novo amigo. Passou-me o nome de um livro que o ajudou quando esteve a serviço, no exterior: "Homens fortes em tempos difíceis" de Edwin Louis Cole, e foi presente da família.

Ainda me ensinou que antes de saudarmos alguém com as mãos, devemos saudar com o coração. Ou pelo menos é esse o sentido. Disse que a nossa conexão inicial, a comunicação fluiu bem a partir do primeiro bom dia. Assim, a gente se aproxima do bem querer e o gesto de cumprimentar não é mais um cumprimento vazio. Muito lindo tudo isso.

Meu novo amigo me acompanhou ate o portão e me mostrou onde tomar o ônibus. Igualzinho o que o motorista me falara. Mas me disse que o 124 tem um trajeto mais curto e assim, chegaria mais rápido.

No 124, mais um cordial cobrador. E foi um excelente dia, mesmo encontrando na volta ao hostel, meu estranho admirador, invasor de Facebook alheio.