es-Mendoza - Impossível ficar só dois dias

11.04.2018

Na primeira noite em Mendoza, saí para comprar algo para comer, depois de tomar um bom e relaxante banho. Estranhei muito as valas de água para chuva, na maior parte abertas. Mas fiquei sem entender.

No dia de ontem, na parte da manhã atualizei o blog, porque chovia, os únicos e poucos 800 ml anuais parece que resolveram chover justo quando aqui estou. Mas o Javier, o proprietário, me disse que meu dia não estava perdido e me ofereceu um passeio pelas bodegas. Só de meio período. Saindo às 13h30, com uma van. Antes do passeio fui comer algo, e achei um Pancho baratinho. Gastei ARS 40 porque pedi com uma água saborizada.

Uma francesa de nome Hanane, que também está no Hostel Lagares, vai fazer o passeio também. O trajeto envolvia 3 bodegas, a Lopez visitando a fábrica e fazendo a degustação. A que é uma bodega orgânica, e onde vimos a plantação de uvas e fizemos degustação e a última  onde só fizemos a  degustação. E também uma fábrica de azeite, a PasRai, que também comercializa uvas passas. Custou ARS 460 o pacote completo.

A Lopez é uma bodega muito grande, produz milhões de litros de vinho por ano, vinhos tintos, onde o principal é da cepa Malbec, e brancos, principalmente o Chardonnay, que é originário da região de Borgonha, na França, porém por conta do clima de Mendoza, apresenta como resultado um vinho branco, seco e doce ao mesmo tempo. Foi muito apreciado por nós e aprovado pelo paladar exigente da Hanane. Ali eles apresentam todo o processo fabril, indicam a melhor temperatura de consumo, sendo para tintos entre 16 e 18 graus, e para os brancos, entre 6 e 8 graus. Ensinam como testar se o vinho está em boas condições de consumo.
Os tonéis são importados da França, usados, e precisam ser higienizados de quando em quando, de forma que um homem entra pelo local onde tem a torneira, fica lá dentro 15 minutos fazendo a limpeza, sai e o tonel é girado, para nova entrada, até que seja todo limpo.

Dali passamos na fábrica de azeite, que tem um pomar com uma imensa variedade de frutas da região, figos, pêssegos, limões, cerejas, tomates, kinkan. Nos apresentaram o processo fabril, dizendo que as azeitonas que usam para azeite, têm pouca carne, são transformadas numa pasta, colocadas em pratos especiais de metal como coadores, e prensadas com quase 2 toneladas de força para extrair o líquido, depois decantadas para separação da água,num processo de transferência entre tanques, até que são envasadas como: azeite clássico; ou misturadas com temperos como alho, limão, orégano e manjericão.

Sensacionais, mas a produção é bem pequena. As uvas são mais conhecidas no mercado internacional.

Na bodega orgânica, Familia Cecchin, soubemos que chove muito pouco por aqui, então, a cada quinze dias, num convênio com o governo local, através de comportas do Rio Mendoza, alagam suas plantações, para que a produção seja adequada. Ali se encontram também muitos temperos como alecrim, hortelã, orégano, que tem como principal função espantar os insetos. E árvores frutíferas, que atraem os pássaros para que não estraguem as uvas. E o pasto para manter a umidade do solo.

A produção é pequena, e eles priorizam a qualidade.

Por último, fizemos uma degustação na bodega Baudroom, que tem vinhos premiados internacionalmente. Os preços variam de ARS 100 a ARS 350. Ali compramos, para comer, uma empanada com massa folhada, que é bem comum por aqui. Era recheada de carne. Acompanhou muito bem o vinho tinto.

As visitas eram conduzidas em inglês e espanhol, pois a quantidade de europeus e norte americanos por aqui é impressionante. Muito bom porque meu ouvido está se acostumando, a ponto de, em dado momento, o guia não falar mais em espanhol, só em inglês, pois percebeu que estavam todos entendendo. Perdi muitas coisas, mas entendi a essência. A comunicação envolve mais do que a fala, é toda uma linguagem corporal também.

A amiga francesa, que também fala inglês, foi muito gentil em me acompanhar no grupo de espanhol, de modo que passamos o dia todo juntas. E também fomos jantar. Hanane e eu fomos a um 'Tenedor Buffet Libre'. Ela nao come carne de porco, por questões religiosas, mas se serviu de frango e 'vacio'. Eu comi linguiça, 'vacio', costela, e porco. As comidas quentes e saladas também estavam muito boas. Apesar de achar que algum tempero não está me caindo muito bem.

A Hanane é uma linda mulher de 36 anos, solteira, que está trabalhando atualmente em Dubbai, na área de eventos. É mais uma das mulheres poderosas que encontro pelo caminho. Mulheres, o mundo é vosso. Se empoderem. Se apoderem.

Nosso dia termina após as sobremesas, depois de muita conversa, caminhando por 10 quadras até o Hostel às 23h. É uma cidade segura.

Tenho que me levantar cedo, porque às 7h30 está marcada minha excursão para a Alta Montanha. Trata-se do Pico Aconcágua, que fica na Serra Aconcágua, área de preservação.

O passeio dura o dia todo, e saímos dos 800 metros de altitude aproximada de Mendoza, para quase 4000 metros, sendo aconselhados a beber muita água e comer levemente. Paramos em 'Upallata', que é um povoado grande e tem uma base de parada para caminhões, pois demoram a passar pelas aduanas que tem um controle rígido. As montanhas coloridas, o rio Mendoza, a ferrovia desativada Transandina, as rochas, os picos nevados, produzem-me um encantamento único. Um grande paredão de rocha é usado para escaladas.

Um cemitério andino enterra os alpinistas que morrem todo ano tentando escalar o Aconcágua. Mais de 5000 alpinistas procuram essa área entre janeiro e março, época em que se permite a escalada.  10 % atinge o topo. 1% morre tentando.

Um cachorro deitado surge, amarelo, desenhado na rocha, desde que se tenha imaginação.

Um dos pontos mais bonitos foi a Ponte Inca, lugar de águas termais, com muito enxofre, que deixam a areia amarela. O pico Aconcágua não vimos, porque as nuvens não permitiram. Em compensação, vi nevar. E passei frio, porque nÃo esperava por essa situação. É um passeio para Blusa impermeável, mangas longas por baixo, lenço, luvas, touca.

Na Van, uma argentina, dois canadenses, um panamenho, um norueguês, um americano, 4 franceses, 6 brasileiros. Além do chofer e da guia.

O almoço ocorre no final da viagem, lá em cima, num povoado habitado por 7 pessoas, que tem suporte de outros tantos que sobem e descem diariamente. O sistema é self service 'pero no mucho', pois eramos servidos pelas funcionárias, podendo repetir. Por pessoa custou ARS220 em espécie, fora a bebida, que eu levei comigo. A comida estava muito gostosa, e comi finalmente o 'zuchini', ou 'zapatillas', igual a abobrinha. O 'zuchini'tem um formato arrendondado. Foi preparado com aparência de pimentão recheado.

As pessoas brincavam na neve, feito criancas, apesar do frio.

Na ponte Inca, última parada, os canadenses, apesar do frio, demoraram a voltar para a Van. Então um dos brasileiros observou que eles estavam de short, enquanto outro comentava que o homem canadense estava até querendo tirar a camisa pois se sentia com muito calor. Foi um momento de descontração, apesar de tudo ter seguido em harmonia. Só não conversei com os canadenses e o americano, pois falavam só inglês.

Finalmente, descobri o porque do sistema de valas, chamadas 'acequias'. Como todas as árvores daqui foram plantadas pelo homem, e chove pouco, sendo a água do lugar proveniente de degelo, as valas são utilizadas para irrigar as árvores, que estão plantadas dentro destas, e são muitas, para manter a cidade mais fresca.

De volta ao Hostel, às 19h, tomei meu banho e fui a 'panederia' comprar algo para comer, já que o almoço foi ótimo, podia  comer algo só para enganar o estomâgo. Na volta, encontrei com a Hanane, e dividimos nossa comida. Tomei do vinho dela e lhe dei um pouco de meus pães doces.

Comi pão francês (aqui também é chamado assim), mas de massa mais pesada, com presunto cozido. Com vinho. E os pães doces acompanhados de achocolatado.

Conversamos bastante sobre a vida, e combinamos nos encontrar no dia seguinte,  à noite.

Estou cansada, já passa de meia noite e às 7h tenho que estar pronta para ir ao Canion del Atuel. Fui!!!