es-Mendoza - Aí vou eu...

09.04.2018

O dia começou bem cedo pois queria chegar em Mendoza hoje mesmo, e a distância é longa. Já aprendi que com um caminhão só, ou trocando, sempre é demorado percorrer mais de 500 km.

A noite, conversei com a Victoria e uma sua amiga, deixei meu blog e adicionei-a no Facebook, para que possa me acompanhar. Eram 22h e as duas estavam saindo para o bingo, então, de manhã, quem preparou-me o café da manha foi a Silvia. Ela estava com pressa de sair, pois sua mãe caiu no dia anterior na Instituição em que vive, e quebrou os ossos da bacia, foi revesar com sua irmã nos cuidados com a mãe.

Deixei um recado de agradecimento para a Victoria e saí antes das 7h. Mas o ônibus da linha 14, que peguei na Praça Roca, só passou às 8h04. Fez um longo caminho até chegar a Ruta 8, e ainda assim, o motorista, que conversava com outra passageira, que estava mais preocupada comigo do que ele, me esqueceu, de modo que tive que caminhar uns 500 metros de volta. Mas isso acabou por não ser um problema, já que quando cheguei a Ruta e me encaminhava para um ponto mais adequado para pedir carona, passou uma caminhonete e seus tripulantes mexeram comigo. Levantei o dedo e eles pararam.

O Martin e o Benjamin (lembrei na hora do netinho lindo de uma amiga), são funcionários de uma empresa que faz a manutenção das Rutas. Estavam indo para Sampacho, uma cidade a 45 km de distância de Rio Cuarto. Fui atrás, e o Benjamin, que era o passageiro e mais jovem, só 22 aninhos, foi conversando o tempo todo comigo. A empresa aluga casa para seis funcionários, em cidades próximas aos locais de manutenção, e eles se locomovem em três caminhonetas. O Ben prefere quando reservam hotéis, é mais comodo. Já o Martin gosta mais das casas, tem mais liberdade e pode levar amigos e namoradas. Ai o Benjamin brincou que o Martin leva namorados para casa. Hahaha.

Em Sampacho, eles pararam para comprar água, um pouco a frente da rua onde entrariam para sua casa. É um lugar melhor para eu ficar. Quando eles se foram, entrei no 'Kiosko' para comprar um lanche e uma água saborizada, pois elas parecem suco por aqui, já pensando na viagem. Gastei ARS 36. As empanadas, senti fome e comi as 2 restantes às 22h do dia anterior. Perguntei a atendente sobre banheiros, e ela me disse para ir ate o posto da YPF logo a frente.

Era bem perto, e fiquei contente quando vi que tinha sombra perto de um murinho, num lugar bom para pedir carona. Fui ao banheiro, e quando voltei e comecei a levantar meu dedo, não deu 5 minutos e parou o Antonio Banderas, melhorado, para meu gosto.

O Oscar estava indo para San Luis, para carregar cimento que transporta para Córdoba. Ótimo. San Luis está agora a meio caminho de Mendoza. Lá vou eu de novo. Ele tem um sex aplee muito grande. Fica difícil eu me concentrar na estrada ou em qualquer outra coisa. Assim, fica me perguntando o tempo todo se estou com sono. Ele, como os demais, me julgou com menos idade, sempre em torno de 40 anos. Estou me achando. O Oscar tem 42 anos, mas também parecer ter menos.  É casado, tem uma filha de 15 anos e um filho de 18. Mora em San Luis e adora mulheres grandes, com isso ele quer dizer que gosta de mulheres mais velhas, porque falar 'vieja' é ofensivo. Quando rapaz, namorou uma mulher 22 anos mais velha, mas sua esposa tem 37 anos. Me pergunta se gosto de homens mais velhos. Eu só faltei dizer que gosto de homens, pois disse que mais jovens, mais velhos, desde que tenham o mesmo 'pique' que eu, o que não é tao fácil assim.

Um pouco mais a frente, ele parou para que eu lavasse o rosto, para despertar. Pensei que ia parar num posto de serviço, mas parou no acostamento. Eles têm, no caminhão, um tanque de água . Lavei meu rosto e me senti mais desperta. Mas o caminho reto e longo, mesmo conversando, ainda me dava sono. Ele também se lavou e quando foi enxugar as mãos, ai meu Deus, que mãos grandes... Raparei e falei. Ele observou que as minhas também são bonitas. Eu disse que alguma coisa tinha que ser bonita em mim. Estávamos no caminhão e ele pegou minha mão, disse que era macia e começou alisá-la até o cotovelo, ou menos. Meu Deus! Se esse homem quiser alguma coisa, não sei se vou resistir.

Continuamos no caminho, e eu só pensando o que não devia.Já chegávamos a  San Luis, vi que conversou com algum companheiro ao telefone, dizendo que ia almoçar e descansar antes de carregar de novo. Depois me perguntou se queria dormir, 'acostar-me'.

Gente, eu não estou com sono. Será que minha cara está tao mal assim?

Ele parou na frente de um posto de combustível, nem desceu do caminhão para baixar minhas malas, não me deu nem um beijinho, e me olhou com uma cara de frustração. Não entendi.

Resolvi entrar no posto para comer meu lanche. Comprei um chocolate, e um pacote de bolachinhas sabor pizza, para no caminho não ficar mais com cara de sono. Gastei mais ARS 35. Fui ao banheiro e voltei para a Ruta.

Estava saindo um caminhão do restaurante, arrisquei com minha plaquinha, ele estava bem devagar e olhou bem para conseguir ler, e parou.

Gente:

"A oração é uma ferramenta poderosa".

Sempre lembro de agradecer e também pedir a Deus por minha proteção e a de minha família e amigos, mas hoje, especialmente, pedi para que Deus colocasse em meu caminho pessoas do bem, para que eu chegasse cedo a Mendoza.

Não parei na estrada, não esperei, e todos foram boníssimos. Até eu me comportei.

O José estava indo para uma cidade 18 km a frente de Mendoza. Ia buscar matéria-prima para o fabrico de cimento da YPF. Me disse que antes fazia uma rota maior, que incluía a descida pelas Cordilheiras até o Chile, mas ficava muito tempo sem aparecer em sua casa, que permanece vazia durante suas viagens, e lhe roubaram tudo que tinha em casa, móveis e eletrodomésticos.

Nesse novo itinerário, passa 4 a 5 dias, todo final de mês, em casa. Já se sente satisfeito assim, pois mora sozinho. Tem uma filha de 16 anos, que mora com sua mãe em Entre Rios, pois foi abandonada com 3 dias pela própria mãe, que agora quer o retorno da relação, pois já constituiu outra família, tem filhos... Mas sua filha não quer, enxerga na avó sua verdadeira mãe. Quem sabe quando estiver mais velha...

Apesar de passar tão pouco tempo em casa, parece um aficionado por carros. Mandou recuperar um modelo dos anos 60, verde, muito lindo. Tem um carro moderno que já está pensando em trocar por um Fluenze da Renaut, e tem uma moto. Também deseja viajar pelo mundo, mas de moto, como 'Che Guevara' com 'ante-ojos rosados'. Pretende fazer isso quando aposentar. Ainda faltam 10 anos. Completa 50 em Janeiro.

Diz que admira minha iniciativa e concorda com minha manifestação sobre viver o hoje, cada um vivendo sua própria vida, me dando um aperto de mão para demostrar isso.

Digo que quero passar o ano de 2018 na Europa. Que só um companheiro pode mudar isso. Se este quiser ficar comigo, eu posso mudar de ideia e ficar por aqui com ele. Ou ele , o companheiro, pode ir comigo. Mas pessoas na minha idade normalmente tem filhos e netos que não querem se distanciar, assim, fica mais difícil ir acompanhada. Então, quem sabe, eu fique. Ou não.

Me passa o contato de um amigo, liga para o Fabio e pergunta quando vai ao Chile, informando que tem uma amiga que esta viajando 'a dedo', se podia me levar. Diz que vou entrar em contato entre 7 e 8.

Também me diz que tem muitos amigos que fazem esta rota, porém quer me indicar um que me respeite. diz que o SIM ou o NÃO tem que ser da mulher, pois tem alguns amigos que, 100 metros depois de dar carona, já vão parar querendo algo mais.

Eu disse que também tem mulheres que atacam, de forma que o homem também pode decidir. Ele concorda, disse que um pouco antes de me dar carona, uma moça, de mini saia branca e mini blusa, pediu carona, ele não quis dar pois, já imaginou o que ela podia querer mais.

Paramos para comprar uma água saborizada sabor laranja, pois estava calor e abafado. Ele trouxe dois copos, muito gentil pois eles costumam tomar direto no gargalo, o que facilita, é logico.

Um pouco depois, outro transportador da mesma companhia, entrou em contato pelo celular informando que não tinha abastecido o caminhão, e precisava de um cartão e um papel que não tinha em seu caminhão. Ele se comprometeu em ir mais devagar esperando-o. Mas o outro estava a 120 km de distância dele, e nós, a menos de 80 km de Mendoza. Não tinha como ele chegar se não parássemos. Um pouco mais e ele recebeu ordem de esperar num posto da YPF. Ali tinha sinal de Wi-Fi, aproveitei para falar com todos enquanto ele tomava banho, para ganhar tempo. Ficamos ali por mais de 1 hora, recebeu outra ligação que o outro caminhão não conseguiu chegar, o combustível acabou e ia ser socorrido por um outro vindo de San Luis.

Enquanto tinha Wi-FI aproveitei para perguntar a minhas amigas argentinas por que todos os motoristas ficavam falando para eu dormir?

A Resposta de minha amiga me fez ficar rindo sozinha por muito tempo, e toda vez que eu me lembrava e imaginava sua expressão:

_" Meyre!!! Si queres dormir com el? Si queres acostarse? Es tener sexo"

Estava inocente eu, coitadinha. Achando que estava com cara de sono. Hahaha.

Assim, Deus também me protegeu. Se soubesse disso antes, talvez tivesse deitado com o Antonio Banderas de San Luis.

Eu ainda estava fora do caminhão, enquanto o José descansava, e ele me chamou, dizendo que fora liberado. Chegamos em Mendoza por volta de 20h. Também usou um caminho diferente para me deixar num lugar fácil de tomar ônibus.

Andei um pouco até a avenida, fui perguntar por um ponto e ônibus para o Centro quando o morador me mostrou o ponto e o ônibus que já estava chegando. Não tive tempo de ouvir se aceitavam 'efectivo' ou só cartão. Só aceitavam cartão, mas o motorista, gente boa, perguntou para onde eu ia, e falou para eu entrar. Me deixou na rua Córdoba, ao lado da Corrientes, meu destino.

Andei por 5 pequenas quadras, observando as obras de escoamento de águas das calçadas, com 'bocas de lobo' sem tampa e as canaletas profundas e abertas. Me assusta pensar nas chuvas por aqui.

Estava exausta, tomei um banho e só por volta de 22h sai para comprar algo para comer. Trouxe um litro de achocolatado, um lanche, argh!!! de novo, duas bolachas recheadas como as Goiabinhas da Piraque, e quatro gomas de sabores ácidos. Quando as vi lembrei como são gostosas. Meu falecido marido adorava. Gastei exatos ARS100 e foi meu jantar.

Quando voltava, um bicho saiu de um portão e correu para o esgoto, tinha uns 20cm, um rabo comprido e fino, uma cara de bigodes e dentinhos. Credo! Um rato. Só podia dar nisso essas canaletas expostas assim.

Estou com muito sono. Minha cama é a de cima, no beliche, não tem escada, e o quarto é misto. Ainda bem que ainda não tem ninguém mais no quarto. Subi e esqueci-me de apagar a luz. Agora vai ficar assim. Meus companheiros de quarto entram, reclamo que está calor e a menina vai atrás da recepcionista para ligar o ar-condicionado. Explico que não desci mais da cama pois tenho dificuldade de subir. São dois rapazes e uma moça. São suíços, falam inglês, alemão, francês, e um pouco de espanhol. Por que não nasci na Europa?

Tem mais uma moça também, mas só a vi pela manhã. Segurei a urina para não descer do beliche, mas fui dormir a meia-noite e aguentei até 6h30. Não foi tao difícil assim descer da cama ( :) expressão de alegria).

Mas amanheceu chovendo, e nem táxi vem até aqui, apesar de estarmos no Centro. Vou ver o que sera possível fazer. Talvez fique aqui um pouco mais, para ajustar minha saída com a do Fabio, se der certo a carona.