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21.11.2018

Após esta maratona cultural do domingo pela manhã, o domingo seria dia de praia, mas hoje tem jogo do Brasil com Suíça pela Copa do  Mundo de Futebol. Desta forma, optamos por um almoço em casa. Minha prima tinha comprado camarão para fazer com macarrão. Chegamos no apartamento já passava de 12h30. O jogo teria início às 15 horas. Eu queria assistir em alguma barraca na Orla de Pajuçara. 

Então fomos as duas para a cozinha, e num instante estava pronto um delicioso espaguete com molho de tomates e camarão, que foi servido com ovos cozidos destroçados, queijo ralado e azeitonas. Digno dos Deuses.

Ela tomou um banho, eu não: banho demais gasta a  pele. Hahahaha.

Um pouco antes das 15h andávamos pelo calçadão a procura de um barraca que tivesse lugar e fosse interessante, em termos de público e agitação. Não que eu esteja muito animada com esta Copa, mas ela queria muito assistir o jogo e eu queria ver a vibração da torcida.

O Pirata, que tinha sido a minha eleita, a princípio, não tinha lugar com visão das TVs. Então fomos para a Kanoa, que foi a segunda melhor opção. O lugar ficava num espaço fechado com ar-condicionado, não bem no meio do povo, mas dava para ver o movimento, e não estávamos sozinhas. Como já tínhamos almoçado, ela pediu  água sem gás por duas vezes, e eu uma taça de sorvete de tapioca que compartilhei com ela, pedindo um prato e uma colher extra. Não aprecio compartilhar do mesmo prato.

A torcida estava concentrada, logo saiu um golaço do Brasil, o que deixou-nos animados, mas o jogo ficou lento e sem graça após o gol, como se os jogadores brasileiros estivessem instruídos a não gastar energia se estivessem a frente no placar. Fiquei com muito sono, e o segundo tempo começou com um gol da Suíça logo aos 4 minutos. Senti uma reação brasileira, e vi que aquela seleção é uma pequena amostra de nosso povo, na atualidade. Não demonstra compromisso, vontade ou responsabilidade. Tem competência, mas só usa em troca de muitos benefícios, preferencialmente financeiros. Quando as coisas não dão certo, ou fogem do controle, com resultados inesperados, corre atrás do prejuízo, e na maioria das vezes, tarde demais.

Um vendedor ambulante, todo estiloso, passou vendendo doces. Comprei um sequilho com goiabada por R$ 15,00.

Já pedi a conta faltando faltando 3 minutos para o final do segundo tempo, ela não me deixou pagar nada, e saímos caminhando e conversando, eu ainda rouca, mas já conseguindo ser ouvida. Voltamos a casa sem saber qual seria nosso destino noturno. Não quis arriscar tomar chuva novamente assistindo às quadrilhas. Ela lembrou de um lugar que serve refeições a quilo durante todo o dia e que costuma ter itens servidos no tradicional café da manhã nordestino. Fomo até lá. Comi uma deliciosa torta de bacalhau, frango, e depois bolo confeitado, com duas xícaras de café. Falamos até pelos cotovelos. Ao término, voltamos para casa e conversamos até à uma da manhã, quando seu filho chegava em casa.

Falamos de nossa infância, sobre a relação com os pais e irmãos, sobre boas lembranças e traumas, dificuldades e alegrias, sobre filhos, nossos erros na criação, mas o bom resultado por terem se tornado ótimas pessoas, assim como nós, mesmo recebendo outro tipo de educação. Os tempos eram outros e cada qual, a seu tempo, oferece o que sabe e o que tem para oferecer. Nos despedimos para dormis, agradecidas, pois constatar que o outro passou por coisas semelhantes a você, gera um alívio pacificador.

Mas, mesmo cansada, após duas xícaras de café, só fui conseguir dormir já eram quase 3 horas da madrugada. Mas na segunda iriamos passear juntas, ainda sem destino, não tínhamos pressa.

Não sei o que ocorre, 9 horas já estava de pé. Minha prima tinha uns assuntos a resolver antes de qualquer passeio, decidimos por um passeio de trem até Rio Largo. Pegamos o trem na Estação Jaraguá às 12h10. 

Na Estação Maceió a outra composição já aguardava a chegada da primeira para fazer a baldeação. De Maceió a Rio Largo são aproximadamente 25 km em linha reta. O preço da passagem é de R$ 1,00 e o trem propicia transporte de boa qualidade, e barato, para a população carente de todo este trecho. Parte dele feito na região urbana da  Capital, e o restante passando junto à Lagoa do Mundaú, vendo o Rio Mundaú, as casinhas margeando a linha de trem, usinas como a de Utinga Leão, pequenas estações em pequenos povoados. A última estação é Lourenço de Albuquerque. Rio Largo é uma cidade um pouco maior, sendo a penúltima da linha.

No trem, que foi bem cheio, e demoramos a nos sentar, muitos estudantes, que acordaram às 4h30 da manhã para pegar o trem bem cedo e seguir para a Capital. Disseram que os estabelecimentos de educação de Maceió eram melhores, exibindo com orgulho, por exemplo, a camiseta do Instituto Federal. 

Um jovem nos surpreendeu pela educação, por passar a maior parte do percurso, de mais ou menos uma hora, lendo. E finalizando tocando bandolim.

Quando chegamos ao nosso destino, não pudemos explorar a cidade, pois minha prima tinha um compromisso inadiável em Maceió às 17h30, e o trem faria um bate e volta até Lourenço de Albuquerque, nos dando pouco mais de 15 minutos de intervalo. O próximo só chegaria à Estação Maceió às 16h30, e percebi que ficaríamos com o tempo muito justo para que ela honrasse seu compromisso. Um gatinho aguardava, tranquilamente, no leito dos trilhos, a próxiam composição.

Sentamo-nos no lado oposto do trem, para fotografar o lado direito, que era o mais bonito. O ar condicionado estava muito gelado e meu vestido de alças não me protegia. Fiquei tão enregelada que fui esmorecendo. Ainda assim, tirei boas fotos da Lagoa e do Rio Mundaú, das casas, que são uma característica da população pobre daqui, geminadas, estreitas, sem garagem, sem quintal na frente.  Da Usina Utinga Leão, de uma igreja.

Quando chegávamos a Estação Maceió, sentamo-nos juntas e ela aqueceu meu braço frio com o calor de seu corpo. Pra me animar um pouquinho, comprei um brigadeiro e um beijinho de uva por dois reais. Comi o brigadeiro e deixei o beijinho para ela, que disse que comeria após o almoço.

Nos esperava uma magnífica feijoada, preparada por ela antes de sairmos, que ficou sob os cuidados de sua auxiliar do lar, Dona Ivonete, que preparou arroz e salada complementares. Enchi a pança por volta de 15 horas, ela saiu perto de 17 horas, e meus olhinhos me levaram para a caminha para uma soneca de uma horinha. Depois, aproveitei que a internet estava pegando bem, atualizei as postagens, e acabei indo dormir por volta de 3 horas.

Seguindo o conselho de minha prima, liguei o ar condicionado fraquinho, fechei as janelas na expectativa de, sem sol, sem barulho e com ar fresquinho, conseguir dormir um pouco mais, mas não deu resultado, até porque já é dia de partir, e apesar da distância a ser percorrida ser pequena, só 130 km, não gosto de ficar até tarde na estrada. 

Mais um café da manhã de hotel 5 estrelas me esperava, preparado com carinho e cuidado. Tapioca com queijo, bananas fritas, mamão papaia, suco de graviola, chá de hortelã, café, biscoitos...

Ela ainda estaria com o carro locado no dia de hoje e fez questão de me deixar, contrariada, na estrada, em Marechal Deodoro. Digo contrariada porque fica preocupada com as caronas. Fique tranquila, digo eu, Deus vai comigo.

Rejane, quero agradecer o amor demonstrado com afeto, carinho, atenção, disposição, tempo. Ofereceu-me até seu quarto, ficando mal instalada. Obrigada ao Renato pela gentileza e alegria com que me recebeu, e até dona Ivonete, sorridente e solícita. Que Deus lhe pague em dobro, colocando em seu caminho, pessoas afetivas e carinhosas como você. Beijo grande.