es-'LUNES' em Buenos Aires - 6.dia

01.04.2018

Não lhes apresentei a Esmeralda ontem, então, aqui esta ela, a peludinha que ganhei do acordeonista Luis:

Comecei me movimentar mais cedo hoje, precisava resolver uns assuntos antes da visita guiada as Galerias Pacífico. Percebo que meu rendimento enquanto pedestre esta menor do que como motorista. Depois de 8 horas de caminhadas, para lá e para cá, não tenho ânimo de sair a noite. Esse é um inconveniente dessa vida de mochileira, talvez um dos poucos.

A Galeria fica ali, junto a rua mais conhecida pelos turistas em Buenos Aires: a Florida. Rua de comércios diversos, voltados a este público. É um calçadão, e toda ela tem gente falando:

_"Cambio, cambio."

Achei que estivessem falando em algum rádio, mas não, estão oferecendo para fazer troca de moedas mesmo.

A Galeria é grande e bonita, com abóboda pintada, muito chique. Cheguei 15 minutos antes, fui ao setor de informações e o moço me disse que hoje não teria visita, que as visitas são de segunda à sexta às 11h30. Mas hoje é segunda, repliquei. Mas hoje não tem, porque sou eu o guia, e me puseram para fazer outra coisa. Amanhã, provavelmente tenha.

Decepcionante. Esse é o tipo do anti-serviço. Talvez eu volte amanhã, talvez não volte. Vai que me preparo novamente, gasto tempo e dinheiro e chego aqui e nada, de novo.

Resolvi voltar para o hostel, pois os outros programas são para aparte da tarde. Passei em frente a um restaurante vegetariano por quilo, e uns bolinhos que pareciam de espinafre, me chamaram a atenção. Ao preço de ARS1300 o quilo, comprei ARS 53, para viagem. Nâo consegui achar a estacão Subte Lalalle em que tinha descido a pouco, quando vi estava na 09 de julho, perto do Obelisco. Voltei com o 17 até a estação Estados Unidos.

Depois de almoçar (Comi os mirtilos que sobraram), e de compartilhar chocolates com quem ali estava, a Suzana me disse que sentiriam minha falta. A Maria também ja me disse isso. Contei que gosto de compartilhar, sempre fui assim. Ela me disse que a maioria da gente não o é. Para mim essa é uma questão de reflexo. O  que quero espelhar e o que desejo enxergar no meu espelho da vida. A vida tem refletido muito mais do que aquilo que mostro. Tantos me estenderam e estendem a mão, que é pouco o que posso oferecer de volta.

Juntei minha roupa para levar para lavar. Gostei da brincadeira. Acho que vou comprar umas máquinas dessa e montar uma lavanderia selfie service. Fiquei um pouco mais de uma hora no aguardo, lavei e sequei por ARS 67. Ao lado do hostel, no mercadinho com quitanda, comprei mais uns morangos por ARS 14, pois estava com sede e água não estava sendo suficiente.

Nisso ja era hora de partir para o Café Tortoni, ícone turístico de Buenos Aires, a ponto de, em plena segunda-feira, quatro horas da tarde, ter fila para entrar. Fiquei preocupada pois constava 17h30 a visita ao Palácio Barolo, na mesma rua, mas a uma 6 quadras de distância.

Aguardei uns 20 minutos e fui instalada numa mesa, sendo logo atendida pelo garçom. Pedi um chocolate com churros, veio rápido, o chocolate estava ótimo, mas os churros foram decepcionantes. Sem nenhum recheio. Na cidade do doce de leite... ARS 137, já incluída a taxa de serviço, e sai dali faltando uns 10 minutos para as 5 da tarde.

Passara ali pela manhã, nas não tinha visto o prédio. Na nova passagem, já atenta, identifiquei as semelhanças de contorno de seu irmão Uruguaio, projetos do mesmo engenheiro, e com a mesma concepção e inspiração da "Divina Comedia" de Dante Alighieri, donde o piso térreo representa o Inferno, no quarto andar termina o círculo central com uma abóboda falsa, chegando então ao purgatório. 

Os primeiros 14 andares, representam os 7 pecados capitais, sendo 2 andares para cada um destes. A partir deste, subimos para o céu pelas escadas, estreitas e circulares, pois o elevador que sobe ate o vigésimo andar, só leva um passageiro por vez. No 20, uma parada, com portas para todos os lados, com sacadas, também em semicírculo, semelhante as do Palácio Salvo, de Montevidéu. Ambos estão cheios de signos maçônicos.

Os dois últimos, em escada ainda mais estreita, nos leva a luz divina, segundo a representação. Chegamos ao farol. Numa redoma de vidro, onde sentamos 12 dos 16 que resolveram fazer a visita. Assim como o irmão de Montevidéu, ele não fica mais aceso para não atrapalhar a movimentação de navios no Porto. Porém este, como está em plenas condições de funcionamento, é ligado diariamente às 22h, permanecendo com sua luz branca girando pela cidade de B.Aires por exatos 20 minutos. Dada a Campanha Internacional contra o Câncer de Mama, ele está trajado de rosa, com uma laço da campanha a decorá-lo.

Ainda passamos por um grande terraço do Palácio, onde por vezes, ocorrem eventos e, por um dos escritórios do Palácio, onde pudemos tirar fotos de uma sala ambientada com moveis do seculo 20, e chapéus a escolher, para caracterizarmo-nos.

Nossa guia, que também trabalha a caráter, disse-me que eu me assemelhava a uma detetive de romances.

Voltamos ao térreo e encerramos nossa visita de ARS 245. Muito produtiva e educativa.

De volta a estação subte Independência, pude observar o parque infantil, cheio de crianças com pai ou mãe, brincando. Achei muito bonito observar que essa cidade tem tempo de administrar os anseio da família. após uma segunda feira de trabalho, se divertir com os pequenos no parquinho, é o máximo.

Só por curiosidade, que não me falta, descobri que a cidade de Buenos Aires tem pouco maios que 3 milhões de habitantes, enquanto a cidade de São Paulo, tem mais de 11 milhões, que é um pouco menos do que a população de toda a Província de Buenos Aires.

Chegando ao hostel, uma amiga me perguntou o que aprendi hoje. Disse-lhe que história, mas depois lembrei-me que aprendi um pouco mais que isso.

"Aprendi que para chegar ao Paraíso, temos que subir muitos degraus de uma estreita escada, e para alcançar a luz divina, o caminho é ainda mais difícil."

Sendo assim, se queres desfrutar das coisas boas da vida, se esforce para alcançá-las.