es-La bodega - Concha y Toro

18.04.2018

Hoje é para ser um dia calmo, destinei-o para visitar a vinícola Concha y Toro, pois afinal, estou passando pelas terras dos melhores vinhos do mundo, uma degustação em cada lugar.

Quando tudo está dando certo demais, pequenas coisas parecem ficar maiores do que precisam. Depois de tomar meu café, fui pegar minhas coisas, que preparei no dia anterior, para arrumar o lanche para o almoço. Abro a geladeira e não está na porta, onde deixei. Como tem um monte de sacolas, fico em dúvida se coloquei ali mesmo, ou se, de repente, alguém trocou de lugar. Não demoro a achar, na prateleira de baixo, na porta mesmo, uma sacolinha violada. Sim, este é o melhor termo para descrever. Foi rasgado, dentro um saquinho com o presunto que comprei, ao lado, mas do lado de fora, a omelete que preparei e coloquei num saquinho, de modo que não estava com a melhor das aparências, e o queijo...

Cadê o queijo? Sumiu. Entristeço-me. Isso foi um ato de busca. Eu coloquei a sacolinha ali já eram umas 20h da noite anterior. Passara menos de 12h. Foi uma decepção grande na hora, pequena depois.

Preparei dois lanches, um com a omelete, um com presunto e margarina. Resolvi sair com a mochilinha, pois o lugar é longe e não sei do que posso precisar. O dia está um pouco frio e nublado. Resfriei-me ontem à noite. O tempo aqui é um pouco diferente. Muito calor de dia, e a noite tem esfriado bastante, variando de 10 a 28 graus ao longo do dia.

Pesquisei na internet, e devo demorar por volta de 1h30 para chegar à vinícola, então resolvo visitar a 'La Chascona', o Museu da casa de Pablo Neruda. Fica a três quarteirões de onde estou. Chego láàas 10h03 e o Museu acabou de abrir. Mas uma escola está visitando, de modo que os demais visitantes terão de aguardar uns 30 minutos. Penso em desistir, mas como a recepcionista me confirma o tempo de ida a Concha y Toro, resolvo esperar. Quando vou comprar o ingresso, pego minha carteirinha da Fatec, afinal, o preço tem muita diferença. CLP 7000 para geral, e CLP 2000 para estudantes. Só que eles não aceitam a minha carteirinha. Tem que ser a Carteira de Estudante Internacional. Desisto. Quando ia tirar uma foto do saguão, a moça me diz que não são permitidas fotos por lá. Mais um motivo para eu deixar esta visita para outra ocasião. Tiro uma foto externa e me dirijo à estação Baquedano.

Pelas instruções da própria Bodega, devo ir em direção a los Dominicos e descer em Tobalaba, que é a estação inicial da linha azul, fazer a combinação, e ir ate a penúltima estação desta, las Mercedes. La posso tomar o ônibus, como programei, ou ir de Van, com custo de CLP 2000 ida e volta, ou pegar uma taxi, que sairá por, no mínimo, CLP 3000. Parece caro com tantos zeros, mas na verdade, a Van ficará por R$ 10,00. Decido por este meio e pergunto se tem algum lugar onde possa tomar meu lanche, pois não dá para fazer a degustação de estômago vazio. O rapaz me indica a Praça de Alimentação do Supermercado, junto à estação de metrô. Cheguei à estação às 11h45.

Lanchei calmamente, fui ao banheiro, e quando voltei, acabara de sair uma van, saiu adiantado, de modo que a próxima só às 13h. Minha visita é às 13h20. O tempo de percurso é de 15minutos. Vou chegar em cima da hora. Dois cearenses, de Fortaleza, tem visita marcada para 12h50, em português, estão mais atrasados que eu. É possível alterar, mas a próxima visita guiada em português será às 14h50. Digo que farei em espanhol, de modo que eles resolvem arriscar-se. Vou no banco da frente, conversando com o motorista, que me mostra as Vans escolares, todas amarelas, cor obrigatória, como explicação ao meu questionamento sobre a quantidade de tráfego. Saída de escolares. Depois me fala sobre as categorias de habilitação para dirigir por aqui. Letras A a E, sendo a A para profissionais, com números de 1 a 3 para indicar que tipo de transporte podem fazer, 1 de cargas, 2 de passageiros e 3 para escolares. Carteira B para motoristas de carros, C para motos, D não lembro e E para empilhadeiras, gruas e guindastes.

Essa viagem está exercitando minha memória e minha capacidade de observação. Sempre fui meio coruja, de ficar prestando a atenção, mas a vida corrida e a idade tiram-nos a capacidade de reter a informação. Porém, se não a retenho, posso ficar perdida por aí, e não recordar para vos escrever.

Chegamos em exatos 15 minutos. Saio rapidamente e me dirijo à bilheteria. Adquiro meu ingresso de CLP 14000 para a degustação clássica, com três vinhos e saio com pressa para o lugar indicado. Os cearenses não conseguirão fazer esta visita. Não dá mais tempo.

Quando chego à Praça Central da vinícola, o grupo conduzido pelo Rodrigo já saiu. Encontro-os no caminho. E logo depois de mim, um santista que veio na mesma Van que eu. O Rodrigo nos leva por um caminho de terra em meio à exuberante paisagem, até um jardim de parreiras 'espaldado', construído especialmente para visitação, pois têm diversos tipos de uva, e na época de colheita podem ser provadas pelos visitantes. Não serão usadas para produção de vinho. Pena que os frutos estão muito miudinhos. Tenho que voltar em fevereiro ou março. Rs

A primeira degustação ocorre logo ali, de um vinho branco. Bom. Mas gostei mais dos vinhos argentinos brancos. Faz parte do pacote, uma taça de vidro com o nome da bodega. Assim, continuamos o caminho, cada um com sua taça, aqui chamada de 'copa'.

Depois passamos por um coberto onde se encontram alguns artefatos antigos para produção de vinho, onde ele explica como funcionavam. 

E mais uma degustação, de um tinto mais jovem. Bom também. Um pouco ácido. Nesta etapa, nos entregam uma caixinha, para a taça.

Seguimos para a bodega de tintos tri variações, que estão em barricas de carvalho, francês ou americano, ficam armazenados ali por, em media 12 meses, quem determina o tempo é o enólogo. E depois ainda irão para as garrafas, permanecendo ali mais um tempo antes de irem para os mercados. Ele explica ainda que a temperatura é controlada por ar-condicionado. E que névoas de água são lançadas constantemente para manter a umidade do ar, de forma que as barricas não ressequem, que o vinho não evapore rápido demais e não mude suas características.

Próxima etapa, 'Casillero del Diablo', o principal vinho da bodega, custando uma garrafa entre US$ 150 a US$ 350, conforme a safra. Esta bodega abaixo do nível do solo. É uma construção de tijolos aparentes, rejuntados com uma massa de cal, areia e clara de ovo. Assim, é uma estrutura muito resistente, já tendo suportado vários terremotos. O chão é de terra batida, molhado periodicamente para manutenção da umidade.

Eles fecham a porta com as luzes todas apagadas e passam um filminho que conta a história do nome do vinho, pois dizem que a bodega é protegida pelo próprio diabo, que evita que as garrafas sejam roubadas.

Se é isso mesmo eu não sei, só sei que quando fui tirar fotos do elevador, vi labaredas de fogo através da lente.

Depois me dei conta que era a luz do flash sobre as partículas de pó. Um efeito impressionante! Hahaha.

E aí sim a última degustação, de um tinto mais maduro, mais seco, porém, para meu paladar, mais doce. Foi meu predileto, apesar de gostar ainda mais dos Tannat uruguaios.

A volta foi tranquila, depois de uma conversa enquanto esperava a Van, com a responsável pela recepção dos visitantes, e com duas paulistas de Caraguatatuba.

Voltei com sono, de modo que, a primeira coisa que fiz foi 'sonecar', a partir das 17h. Meus novos amigos de quarto, um sueco e um americano, chegaram e fizeram o mesmo. Só fomos levantando, primeiro o sueco às 19h, depois eu, e o americano quase às 22h.

Agora vou preparar minha mochila, pois amanhã deixo o Hostel às 10h, apesar de meu ônibus ser à noite. Deixo a bagagem embaixo da mesa de sinuca, como já disse, e pego na hora que estiver indo embora.