es-JOÃO PESSOA - CENTRO HISTÓRICO E POR DO SOL NO JACARÉ

03.11.2018

O dia amanheceu com chuva, e as nuvens estavam lisas e cinzas no céu. Não parecia que ia melhorar tão cedo. As horas de sono não foram muitas mas o descanso foi bom. O café da manhã é servido na varanda, e já estavam lá a Gláucia e a Patricia, ambas de São Paulo. No dia anterior já tinha conversado bastante com a Gláucia, que me ajudou com o mapa dos pontos turísticos. 

Cada uma tinha um destino, e o único fato animador era a previsão de melhoria às 10h. O café foi um pouco mais simples do que o Cosmopolitan, mas a diária aqui é de R$ 30,00, e tem até piscina. Foi servido café, chá, suco artificial, pão francês, queijo e presunto, e muffins.

Até terminarmos nosso desjejum, a chuva já havia parado. O tempo continuou nublado enquanto eu me dirigia ao ponto de ônibus na rua de baixo, para pegar o Cabedelo/Cabo Branco por R$ 3,55. 

No ponto, uma senhora idosa. Me dirigi a ela e logo veio o pedido de ajuda em dinheiro. Isso demonstra um traço cultural ou a situação de miséria que assola o país? Não tinha moedas. Pouco depois, chegou um senhor. este estava revoltado, pois observou os funcionários da Prefeitura tendo que limpar um bueiro, que continha muito lixo. Ele contou-me que varre a calçada em frente a sua casa, e uma vizinha teve a desfaçatez de perguntar-lhe:

_ "Está treinando para um cargo de gari?

Ele não se fez de rogado e devolveu:

_"Estou é recolhendo a fralda suja de coco que a senhora não tem a decência de colocar no cesto de lixo."

E me pergunta:

_ "Você acredita? Neste bairro passa o caminhão de lixo diariamente, e não é uma vez só, passa às 7 horas na ida e volta às 10 horas recolhendo ainda o que vê pela rua. E ela tem a capacidade de jogar as fraldas todas na rua.

Não pude crer.

E ele completou:

_ " E ficam reclamando do governo. Não é governo que tem culpa dessas coisas não. O povo só quer que os outros façam."

O ônibus chegou e nós três embarcamos, eles dois, na condição de idosos, beneficiados pela isenção, por outra porta.

Desci na Lagoa, como dizem por aqui, ou Parque Sólon de Lucena, com a ajuda de passageiros e do motorista.

A funcionária do Hostel disse que não é parque não. É só uma lagoa mesmo. 

Mas só depois entendi que ela vê parque como de diversões. Mas lá é um parque sim, com várias praças, e com muita diversão. Tem até parede de escalada. Pista de skate e de bicicleta, pedalinho, alguns quiosques de alimentação, ornamentação e banheiros. E muito bonito.

Dei a volta em um quarto dos 600 metros de perímetro. E vi uma torre de igreja. Resolvi usar aquela saída pois muitas ruas desembocam no círculo que o parque forma. E dei sorte. Escolhi o caminho certo. A primeira igreja, bem pequena, estava fechada. Mas bem em frente a ela, um vendedor de CD's me ensinou chegar na Igreja Nossa Senhora do Carmo. No  caminho, encontrei a igreja Nossa Senhora da Misericórdia. Fiz ali minha oração habitual de agradecimento, e dentro dela, um senhor saía da sacristia. Perguntei-lhe como chegar na outra igreja, ele explicou e ja veio dizendo que estava vendendo um CD de músicas sacras para angariar fundos para tratar-se de um problema nas pernas. Não deixa de ser uma mendicância. 

Na esquina seguinte, uma banca na rua vende frutas tropicais em pilhas coloridas, acerola, pitomba, cajarana. Multicoloridas e apetitosas.

Dali, seguindo adiante, cheguei a Igreja desejada, que também estava fechada, vi a casa do Bispo, ao lado, e a Casa dos Azulejos, em frente. Esta última tinha aula de instrumentos musicais, mas estava acessível somente aos alunos. Caminhando agora para encontrar o Centro Cultural São Francisco, dei de frente com a Academia Paraibana de Letras. Um lugar bem arrumado e florido no meio da degradação do público. Como as portas estavam abertas...Entrei.

Lá o senhor Josemar apareceu e foi conduzindo-me às salas, fornecendo algumas explicações e falando de alguns escritores mais famosos como Ariano Suassuna, e    Augusto dos Anjos. Falou também de um escritor que matou o outro pois o segundo ofendera seu filho. Paraíba masculina, mulher macho sim senhor... Imagine os homens. Observei este traço até na contrapartida aos meus sorrisos. Entendem já como paquera. Vou ter que modificar minha forma de expressão. Difícil!!!

_ "Estes móveis são todos novos, comprados recentemente. 

Apesar de terem estilo clássico. 

_ "O couro do assento das cadeiras possui o brasão da Academia."

_ "A biblioteca particular é aberta aos estudantes."

_ "Estamos vendendo um livro de Geraldo Vandré, que inclusive já antou aqui."

_ "Ontem teve uma festinha aqui, e eles comeram e beberam muito. E hoje a noite terá sessão de cinema. Por isso está aberta no feriado."

_ "Este quadro, todo mundo acha muito sinistro." Já eu, achei bonito, elementos fortes, certamente, mas encantador.

_ "Se a senhora puder dar uma ajudinha... Eu trabalho aqui há 27 anos. E também moro aqui. E eles estão atrasados dois meses com o pagamento do salário."

Dei R$ 2,00 pois agora tinha trocado e ele me prestou um serviço muito bom pela condição do cargo que ocupa.

Na saída ainda avistei sobre o muto de pedra, os pequenos lagartos aos quais eles chamam de lagartixa, e têm muitos pra todo lado.

Bem em frente estava o Centro Cultural São Francisco. E estava aberto para visitação.  A visita é guiada e a entrada inteira custou R$ 6,00. Entrei com um casal de gaúchos e juntamo-nos a um grupo que começara a visita naquele momento, pela Capela de Santo Antonio. Depois fiquei sabendo que esta, em estilo rococó. Ali está um púlpito que foi considerado o mais bonito do Brasil. A madeira da ornamentação é cedro. 

Num recanto, uma Capela de São Benedito, destinada aos escravos.

 O grupo tinha umas 8 pessoas e recebeu mais visitantes por duas vezes ao longo do caminho. Nosso guia foi o Senhor André. Achei logo de cara que ele não passava detalhes importantes do acervo. Sua preocupação era mais com histórias populares em torno dos fatos. Passava com muita pressa pelos lugares e mal nos dava tempo de observar grosseiramente, quem dirá os detalhes. Depois de passar por diversas salas, com celas da época de mosteiro, exposições de objetos, mostrar as paisagens no entorno, inclusive do Rio Paraíba, disse-nos que nos levaria à Capela de São Francisco, mas que o pessoal não quer que leve gente lá. O objetivo era mostrar um buraco que informou tratar-se de um cemitério, que tinha mais de 200 corpos de religiosos enterrados. Alguns desceram, ele não, nem eu. Ficou perguntando a quem não foi se estavam com medo. Não a mim. 

Num corredor de acesso, informou que onde hoje é um refeitório, acredita-se que era uma senzala, mas que os padres não gostam que diga isso.

Numa das salas, alguém perguntou se podia sentar nas cadeiras, ele disse que sim, só para tirar fotos, sendo que na cadeira tinha um aviso pedindo para não sentar, para ajudar a preservar o patrimônio.

Antes de adentrar nesta mesma sala tinha um acervo de santos, que fotografei. Quando saiamos ele informou que, se alguém tivesse fotografado, não divulgar na internet, por questão de segurança das imagens, pois em são Sebastião(SP), haviam roubado imagens recentemente. E ainda assim, permitiu que alguns integrantes do grupo continuassem fotografando. Na entrada eu perguntara se podia tirar fotos, eles me disseram que o guia informaria onde não podia. Não vou divulgar a foto que tirei. Mas quem sou eu se o próprio guia não respeita o patrimônio. 

A Capela de São Francisco, como todo o resto, é muito bonita. Só não sei se não pode levar os visitantes lá, ou ele queria valorizar seu trabalho, mas ela estava realmente trancada.

E se não bastasse toda essa lambança, ele ainda falou ao finalmda visita que, se alguém quisesse dar uma contribuição...

Resumo da história, não dei nada e ainda procurei a recepção para perguntar se havia caixa de críticas e sugestões. O recepcionista perguntou-me o por quê? E quando soube do meu descontentamento com o guia, incentivou-me a fazê-lo mesmo. E, enquanto eu preenchia o papel, ele apareceu e perguntou-me se havia algo errado, acrescentando:

_ "Tem muita coisa que melhorar né?"

Ao que respondi:

_ "Tem sim. Principalmente em seu trabalho. Desculpe-me dizer mas, o senhor foi desrespeitoso com o grupo, não valoriza o patrimônio que aqui temos, e não demonstra ter conhecimento sobre o mesmo."

Ele ficou quieto esperando eu terminar de escreve e ofereceu-me um mapa com os pontos turísticos da cidade. Ficou sem ação. As pessoas não estão acostumadas a lidar com a verdade. Falei para ele que minha crítica, desejo que seja construtiva. Deixei nome e e-mail. Espero ter uma resposta e provocar uma melhoria.

Saí dali em direção à Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves, que parece nova, mas é do século XIX. Mais uma igreja fechada no dia de Corpus Christie. Imagino que algum evento conjunto, em função da procissão, por exemplo, alterou os horários de abertura e de missa.

Bem perto está o Mosteiro de São Bento, mas no caminho, o Café 17, e já era quase meio dia. Eu estava ansiosa por água, algo doce, e com um pouco de fome. Bem charmoso, pintado de verde, com um jardim à frente, faz um convite a entrar. Ainda não queria almoçar. Pedi uma água, um café Lemon, que vem com chantilly e raspas de limão, e uma tapioca de queijo com manteiga. Achei que a tapioca passou do ponto, ficou com muita goma. Mas, em geral, gostei do lugar, do atendimento e da comida. Os proprietários me ensinaram chegar ao teatro Santa Roza, mas incentivaram-me a conhecer primeiro a Casa da Pólvora, que estava bem próxima, mas teria que fazer um desvio para a direita, e retroceder pelo mesmo caminho para passar no Mosteiro e caminhar em direção ao Teatro, passando pelo Hotel Globo.

Foi uma opção interessante, esta atração não constava em meu roteiro, mas além de ser uma construção interessante, revela uma vista bonita da parte baixa da cidade, junto ao Rio Paraíba. Nela não tinha ninguém, nem visitante, nem funcionário. Trata-se de um único e amplo cômodo, com paredes em pedra, que cauda boa impressão. Um livro de registro de visita numa mesa logo na entrada, e uma mostra de nome: Translúcidas, que expunha imagens de mulheres de forma sensual e até um tanto eróticas, por Sidney Azevedo. A exposição vem bem a calhar com o nome do lugar. Instigante e explosiva.

Na saída, uma surpresa: um sagui caminhava sobre o muro de divisa da propriedade, junto a uma Primavera. 

Uma pequena ladeira acima, e estou de volta ao Mosteiro São Bento, também com as portas cerradas. Ao seu lado, a Loja Maçônica Branca Dias, achei bem bonita a fachada. Veja que isso combina com meu novo título religioso, Universalista. Também fotografei uma Igreja Batista, de dentro do ônibus, a caminho do Parque Sólon de Lucena.

Vi a Secretária de Cultura e, de longe, achei que podia ser o o Teatro.

A caminho do Teatro Santa Roza, vi um núcleo grande de comércio e sai do meu curso em busca de uma ou mais bermudas, pois só trouxe uma na mala, e as 2 calças, só servem para o deslocamento entre cidades. Para locomover-me na cidade, com este calor, sem ficar assada entre as pernas, a bermuda é a melhor opção. Comprei 2 por R$ 30,00. Não considerei isso como gasto de viagem. Um pouco abaixo, na mesma rua um prédio imponente, sede dos correios.

Em frente a ele, uma bonita praça, nela uma estátua denominada: Debaixo do Tamarindo, que chama a atenção pois sugere o descanso que aquele lugar proporciona. E aí sim, do outro lado da Praça Pedro Américo, o Teatro, do qual registrei, também, só a fachada.

Agora a descida é mais acentuada, rumo ao rio e a estrada de ferro. No caminho vi algumas ruas enfeitadas com bandeirinhas, para as festas juninas, perguntei a um transeunte sobre a estação ferroviária, ao mesmo tempo que via uma torre de igreja, e apontei a ele. Ele não sabia que igreja era não, mas ali tinha o Hotel Globo. Para a estação, bastava seguir em frente, para a igreja e o hotel eu tive que caminhar mais uns 3 quarteirões a direita. Era a igreja amarela que avistei das janelas do Centro cultural São Francisco. Trata-se do Pátio de São Pedro. O Hotel Globo tinha um funcionário na entrada, esticado entre duas cadeiras, ouvindo música sacra, num ambiente calmo que traz consigo a sonolência da falta do que fazer. Pedi sua licença para visitar o local. São dois edifícios coligados, com pequenos quartos, e amplas salas, todos sem mobília. Dali se vê o Paraíba. As Portas do segundo prédio tem vidros coloridos que causam um belo efeito visual com a passagem da luz do sol. O segurança confirmou-me a utilização do espaço para eventos. Mostras, exposições e outros, mas que não havia nada programado para o mês de junho, devido às festas juninas.

Agora termino a descida da ladeira e vou caminhando ao lado da via férrea procurando a Estação, pois desejava ir até o Jacaré usando esse meio de transporte. É uma opção barata (só R$ 1,00), descortina uma bela paisagem, pelo que ouvi dizer, porém é muito lotado, pois tem poucos horários. Lá chegando não encontrei a entrada, e questionei uns 'flanelinhas'.

_ " Ô tia, hoje num tem trem não. É feriado."

Indicou-me um ponto para pegar o ônibus para o Cabedelo. Estou aguardando no ponto, chegou um rapaz de óculos de sol e iniciou comigo uma conversação. Descobri que o ônibus que eu precisava, não passava naquela rua.

_ "Tem que pegar no 'Intregação'. Não errei a grafia não. Percebi que muitas pessoas daqui trocam o 'r' de lugar.

Ele decidiu me acompanhar pois também teria mais opções ali. Informou-se na entrada e confirmou que meu ônibus faz ponto na rua externa ao espaço chamado de Integração. Ali é possível trocar de ônibus sem pagar nova passagem. Nos separamos.

O último ponto da rua era o procurado. Em cada ponto um carrinho vendendo água e algumas bobagens para comer. Ao confirmar se era ali o ponto, a ambulante me sugeriu o alternativo.

_ "Como é isso? perguntei."

_ "É um carro que leva."

_ "Mas depende do preço."

_ "É só R$ 4,00."

_ "Ah! Então me interessa."

_ "Moço da Cabedelo, mais uma aqui."

Um moço sai de um comércio em frente, e me leva até o carro que está estacionado sobre a calçada ali pertinho. Uma outra moça, que depois descobri ser a Patrícia entrou no banco de trás, e eu pedi para ir na frente. Ele faz exatamente o mesmo caminho do ônibus, porém mais rápido. Ia se aproximando dos pontos e as pessoas erguiam a mão.

_ "Como sabem que você está indo para Cabedelo?"

_ "O pessoal já me conhece."

E mais uma moça embarca no carro, está com uma criança pequena que ela põe no colo, se não quiser pagar outra passagem.

A Patrícia solicita sua parada. Eu vejo placa do Jacaré e peço para ficar lá. Era o mesmo ponto que ela desceria. Atravessamos a pista e fomos juntas para a praia fluvial do Jacaré. Questionei-a como o alternativo consegue fazer preço tão baixo em tão grande distância. Ela informou que os carros, normalmente, são a gás. E que ele vai pegando outros passageiros pelo caminho. Onde descemos mesmo, subiu um senhor.

Ela trabalha no Tree House, único restaurante atualmente instalado ali. Ela foi contando que trabalha ali há três anos, vem normalmente de trem, em função do preço. Diz também que o espaço sofreu reformas. Que ela gostava mais antes. Tinha vários quiosques em torno da praia, mas a Prefeitura e algumas organizações disseram que estava afetando o manguezal. Agora tem uma rua bem organizada, a meu ver, com várias lojinhas de artesanato e roupas, para turistas, poucos estabelecimento de alimentação, alguns food trucks, uma feirinha de artesanato e uma proteção, onde as pessoas que querem ver o por do sol ao som do Bolero de Ravel, tocado pelo Jurandir do Sax, sem embarcar para passeio de R$ 40,00 por cabeça, se encostam e apreciam, como eu fiz. Mas antes rodei todo o lugar, comi uma nova tapioca, agora com bastante recheio de carne de sol desfiada, tomate e queijo. Tomei um suco de caju. Gastei mais R$ 23,10 e foi meu almoço. Fui ao banheiro público, junto ao artesanato e fiquei pronta para o por do sol. Assim que acabasse, precisava voltar pois a noite tinha marcado com outros hóspedes do Hostel para ir a um forró.

Já quem quer ver embarcado, deve chegar antes das 16h30. O barco faz um pequeno passeio no Rio, alguns dançarinos devidamente paramentados são contratados para entreter os clientes, que dançam com eles ao longo do trajeto. A visão do músico também é melhor a partir destas embarcações, o que é justo, pois estes pagaram pelo privilégio. Ele é conduzido num pequeno barco por entre os catamarãs. Mas o por do sol é democrático, e se faz maravilhoso para todos, igualitariamente. O dia amanheceu chovendo, mas a previsão de melhoria a partir das 10h se confirmou. Às 15h, enquanto eu usava o alternativo, ainda tomamos chuva. Mas eu sabia que o sol e as nuvens não iriam me decepcionar. Era um momento desejado há mais de 15 anos. Eu merecia apreciar essa maravilha em uma espetacular apresentação.

Na espera final, fiquei dançando ao som do forró que se espalha por todo o espaço, através de alto falantes. No meu caso, ouvia o som do restaurante. E fotografando, por mais de uma hora. Às 17h06 o sol desapareceu deixando somente seu rastro vermelho nas poucas nuvens que ali estavam.

É bom caminhar. Além de fazer bem para a saúde, nos possibilita a contemplação. No caminho de volta, encontro uma habitante noturna: uma corujinha.

Soube que no posto de gasolina, na BR tinha um caixa eletrônico. Estou quase sem dinheiro, preciso sacar. Mas, ao me aproximar, o posto a esquerda, o ponto a direita está cheio de gente, o que indica que o ônibus está para passar. Opto pela condução. E tenho que dar uma corridinha, só alcançando-o porque tinha bastante gente para entrar. Cheguei no exato momento que entrava o último passageiro. Agora o penúltimo.

Poderia tomar o mesmo que usei quando sai de Cabo Branco, mas aquele não era da mesma linha. Desci na Lagoa novamente, o que foi bom pois a fonte central estava em funcionamento, e o parque, todo iluminado e bem aproveitado pela população. Ele também sofreu uma reforma, e como no Jacaré, muitos quiosques foram tirados e, muita gente ficou desempregada. Ali tinha uma feirinha permanente, Mas pareceu-me que a alteração foi bem sucedida. Foi uma transformação de um espaço urbano que o tornou mais útil para a população e mais atrativo para os turistas.

Tirei umas fotos e cansada, suada, resolvi chamar de novo o UBER, gastando mais R$ 13,70.

No Hostel a Glaucia disse-me que sairíamos as 21h30. Fui tomar meu banho e preparar-me. Eram pouco mais que 18h. Eu ocuparia meu tempo livre atualizando o blog. Às 10h22 ninguém ainda tinha me chamado. Fui para a sala e estavam todos prontos, Glaucia, Patrícia, Jonas (todos paulistas, vivendo na capital) e Alex (austríaco que fala muito bem o português).

Decidimos compartilhar o UBER. Eu acionei pelo meu celular, assim eles me pagariam em dinheiro, não achei onde sacar o dinheiro. Mas só custaria R$ 11,04. Fomos os 5 no gol. O motorista aprovou, eu não muito. Fui na frente.

Lá chegando resolvemos comer um lanche num carro, do lado de fora. Estimávamos que lá dentro tudo seria bem mais caro. O Alex passou o dia inteiro com bolacha e Coca Cola. Pedimos 3 cachorros-quentes por R$ 5,00 cada. Lá se vai meu dinheirinho. A Patrícia e o Alex ficaram comigo e já me pagaram a condução, enquanto a Glaucia e o Jonas foram procurar Vodka. Comemos, conversamos e eles não apareciam. Fomos para a fila e entramos com um ingresso sem consumação (Ó), de R$ 40,00.

La dentro, mesinhas de apoio para comida e bebida, muita gente bonita e a banda ainda não tinha começado a tocar. Fui dançando ao som do DJ. A Patrícia pediu uma caipirinha, eu uma água de R$ 5,00 (Ó) e numa embalagem de 330ml (Ó). A banda começou, resolvi dar uma volta e descobri que não tinha pista de dança (Ó). Então não é baile, é balada mesmo, os meninos à vontade, mas cheirosos, as meninas, no salto, maquiagem e roupa provocante. 'Miou'. Gastei essa fortuna e não vou dançar. O Jonas e a Glaucia ainda demoraram a chegar. A esta altura, o Alex já arrumara uma garota para conversar. O Japa saiu a caça. A Patrícia não aguentou muito tempo. O som estava alto e a incomodou. Foi embora por volta de 1h, sozinha. Me arrependi de não ter ido com ela.

Passei óleo de peroba na cara e resolvi chamar um moço para dançar, só porque ele estava se sacudindo sozinho perto de mim. Estava num grupo de uns 3 ou 4 rapazes. E levei uma tábua (Ó). O outro me olhou e estendi o convite a ele, que, gentilmente aceitou, mas não dançou nem uma música inteira, e deu uma desculpa que não entendi e juntou-se ao grupo dele. Definitivamente, não tenho mais idade pra esse tipo de balada. Espero que as festas juninas sejam diferentes. Continuei dançando sozinha.

Um pouco depois, quis sair do ar condicionado, que deixa a casa com uma temperatura ótima para dançar, e fui para a área livre, externa, de fumantes. Estava junto ao muro e notei que muita gente ainda estava chegando. Eram 2h, e a segunda banda ia começar a tocar. A Glaucia já pagou R$ 50 pela entrada. O preço parte de R$ 20,00 com ingressos antecipados e vai aumentando ao longo da noite. Moças muito bem produzidas, com saias curtíssimas. Notei uma moça que atravessava desajeitadamente o canteiro da avenida,, que estava com o mato alto. Analisei seu short e parecia uma calcinha de tão curto. Poucos passos adiante e constatei, era uma calcinha de renda. Mas notei certo desespero em sua expressão. Entre tantas pessoas, ela dirigiu-se a mim, pediu para chamar o Marcelo. Supus que algum dos funcionários. Falei com o segurança, e ele disse que não havia nenhum Marcelo no grupo. Expliquei que uma moça seminua o solicitava na calçada.

Voltei para o muro. Logo após o gerente da casa apareceu, e depois um conhecido dela. E ela ainda aguardava o Marcelo. Estava visivelmente constrangida e chorosa. A Glaucia apareceu e resolvemos procurar os meninos, nos despedirmos e ir embora. Achamos só o Jonas, com uma garota. Deixamos recado para o Alex. E quando saiamos, os seguranças passavam carregando um negro forte, com um ferimento na testa que sangrava bastante. Lá fora ele, atordoado, questionou por que fora tirado da festa¿ Parece-me que tinha desmaiado, mas como, se foi agredido ou caiu alcoolizado, não esperei para saber. A menina de calcinha já não estava mais lá. Tudo isso mexe demais com minhas emoções. Que tipo de ambiente é esse que as pessoas estão procurando e frequentando¿ Um clima de caça e caçador, presa e predador, sem carinho, sem conquista. Não sei o que ocorreu com cada um deles, mas as consequências que se me apresentaram não sugeriam nada bom. Pensei em minhas filhas, e em como não gostaria de vê-las em situação semelhante. Lógico que elas não se colocariam em tais situações. Mas nem sempre é voluntário.

O preço da volta no UBER foi idêntico, e a Glaucia pagou metade, mais o valor da ida. Um novo hóspede ocupava a cama que fora da alemã. E já dormia. Conversamos um pouco, trocamos telefones, enviei-lhe as fotos do evento, ela foi dormir e eu tomar um banho. O hostel é muito bom, em termos de instalações, mas a segurança deixa a desejar. O portão está quebrado e não fecha. O recepcionista estava dormindo na sala e não nos viu entrar, e fomos direto para o quarto. Hóspedes entram e saem sem nenhum controle. Se não voltarem, só será notado caso outro hóspede comunique. Acho que é possível até ir embora sem pagar. Fui dormir às 3h30. Coloquei o alarme para 8h30. Boa noite!