es-Itabaiana - Parque dos Falcões (SE)

22.01.2018

Perto da Capital do Estado de Sergipe, esta cidade tem uma grande importância econômica para o Estado. Se auto denomina: 'A Capital do  Caminhão'. Possui algumas serras onde , com o acompanhamento de guias, pode-se desfrutar de belezas naturais como rios e cachoeiras.

Em meio a uma dessas serras encontra-se o Parque dos Falcões, uma estrutura que abriga mais de 300 aves entre falcões, gaviões, águias e corujas. Ali, sob os cuidados de José Percírio, 'o encantador de falcões', e seu sócio, Ricardo Alexandre, as aves encontram cuidados, moradia e alimentação adequadas ao seu comportamento natural, são treinadas com carinho e respeito.

Pelo valor de ingresso de R$25,00 por pessoa, as visitas, agendadas por telefone antecipadamente, são guiadas por pessoas preparadas que conhecem a história, os hábitos e os nomes de cada animal, pois todos recebem nomes e atendem por estes.

A primeira etapa da visita costuma ser um filme de uma reportagem da Globo que fala um pouco da criação do lugar, e da forma de administrar, apresentando um pouco do conhecimento dos proprietários e de sua dedicação às aves, bem como a história de algumas delas.

Nossa visita começou às 9h, guiada pelo Marcos. Passamos pelos viveiros das aves, antes registrando um buraco no chão, com algumas corujas buraqueiras à sua entrada. As aves são colocadas às vezes aos pares para acasalamento, às vezes a família permanece toda junta, e às vezes ficam sozinhas, respeitando também o comportamento na natureza. Muitas delas tem deficiências físicas ou psicológicas, impingidas pelo homem. São aves encontradas por diversos e resgatas pelo IBAMA, e levadas até lá para recuperação. Algumas são soltas, outras permanecerão para sempre naquela morada, depende das condições de sobrevivência das mesmas.

O urubu rei, este fulano imponente, com bico laranja aí da foto, é assim chamado pela coloração e pelos hábitos de alimentação, já que, por ser o maior entre os urubus, quando chega para se alimentar os demais se afastam e esperam que se sacie. Tem um bico muito forte, então é capaz de rasgar o couro de espécies de grande porte, e não se aliomenta de animais vivos. Ao contrário dos demais urubus, quando jovem é preto.

O Mocho Diablo é uma coruja escura com penas que parecem um chifre, e são vistas como aves que trazem mau agouro, sendo sacrificadas por esse motivo. Suas parentes, as corujas orelhudas, mais claras, pensam que estão se disfarçando de galhos, devido sua coloração e ficando estáticas para confundir potenciais inimigos.

A Coruja Suindara ou Rasga-Mortalha, que tem a cara em formato de coração, também carrega uma triste sina. Dizem que uma senhora de nome Suindara estava muito doente, e uma coruja passou cantando por cima de sua casa, em seguida a velha senhora falaceu. Assim criou-se a crença de que quando a ave passa cantando sobre uma casa, alguém da família morrerá, o que leva as pessoas, diga-se de passagem, ignorantes, a matarem o pobre animal. Costuma ser encontrada nas altas torres de igrejas.

Em seguida, passamos por aves presas por cordões a tocos fincados na terra, estas estão em treinamento. São utilizadas para conter pragas de aves ou insetos, ou em aeroportos, para afastar outras aves e evitar que estas se enrosquem nos motores dos aviões.

Ali ficam expostas aos ventos, chuvas e sol, tomam banho de bacia, e vão se adaptando as intempéries da vida.

O Percírio fez com um gavião ou águia de nome Fênix, uma demonstração de voo. Acho que é um Gavião Prata. A ave é solta, voa a vontade, planando pelo ar e quando chamada, retorna ao treinador e recebe um carinho.

Soubemos também que um pavão que anda tranquilo pelo parque se apaixonou por uma galinha d'angola, e esta chocou 12 ovos nascendo mutantes, híbridos, aos quais chamaram de pavola. São do tamanho do pavão, com penas que lembram a galinha d'angola, mas não abrem a calda, e falam 3 línguas, a do pai, da mãe e a deles mesmos.

Conhecemos alguns falcões da espécie cárcara que andam livres pelos gramados do parque, cada um em seu território, a Rafaela, logo na entrada, toda prosa, aceita alimentos de toda ordem, às vezes ficando com diarréia. A Drica, com uma deficiência em uma asa, ataca os visitantes desavisados que não estiverem acompanhados pelos guias, mas em compensação, com eles já vem abaixando a cabeça em busca de um carinho.

O Marcos nos explicou que as águias são as aves de rapina de tamanho maior, sendo a Harpia a maior espécie e de modo geral, as femêas são sempre maiores que os machos. Gaviões e águias são como irmãos, enquanto os falcões são primos nesta família de aves.

Gaviões e falcões podem ter o mesmo tamanho, mas uma das diferenças é que os gaviões são planadores enquanto os falcões são velocistas. Uma das duas espécies também excreta as fezes em forma de jato, então pelas paredes dos viveiros, já se distingue uns dos outros sem nem precisar nomeá-los.

Algumas espécies que se alimentam de tipo único de carne, como caranguejos, cupins e serpentes estão em extinção pela eliminação de seus habitats naturais, com a diminuição de seu objeto de caça. No parque, assim como todas as outras aves, comem carne de frango, ratos brancos, pintinhos, carne. São mantidas alimentadas e sadias.

No parque eles mantém em cativeiro uma urubu albina e, recentemente conseguiram um companheiro para ela, de forma que possam se reproduzir. Na natureza, os albinos normalmente são sacrificados pelos demais, ou tem pouca chance de sobrevivência, já que a cor escura com a base das penas brancas, favorecem a isolação térmica. A intenção na formação do casal é a reprodução em cativeiro.

A pequena Caburé, que segundo o guia é o nome dado à pequenas corujas, me trouxe lembranças de meu pai, que assim se referia a minha filha mais velha quando esta era ainda um bebê. Segundo ele, dada a atenção que ela prestava nas coisas, com os olhos arregalados.

O gavião caranguejeiro, o falcão quiriquiri que come cupins na natureza, o urubu de cabeça amarela, a família de corujas onde se destacam, na frente o pai e a mãe, que são também os primeiros a se alimentarem, muitos com histórias trágicas como a de uma das aves que, criada em cativeiro com muito amor, mas de maneira equivocada, com fome, acabou atacando a dona. Entendendo a natureza selvagem do bicho de estimação, sua proprietária não a sacrificou. Enviou-a para o Parque, onde, após longo tratamento, já está curando as neuroses que a deixava perturbada.

E a história da águia que assassinou vários de seus pretendentes, e aceitou como parceiro um macho aleijado de uma perna. São relatos surpreendentes que nos levam à reflexão sobre a natureza dos seres.

Por último, um momento sublime, onde algumas aves treinadas são trazidas para uma seção de fotos com as visitas. São alternadas conforme o dia. Na foto de minha biografia estou com a Zilda. Nesta visita, fotografei com sua irmã Zélia do tipo Murucututu. Fotos também com Lucinha, uma coruja Orelhuda, com a também coruja Orelhuda Rama, Tera um falcão Quiriquiri e Morgana uma coruja Suindara. 

O mínimo que posso dizer sobre este lugar: mágico. Parabéns aos proprietários pela iniciativa e disposição. Acredito que voltarei, até porque Itabaiana oferece algumas cachoeiras como opção de lazer que ainda não tive oportunidade de conhecer.