es-Fim de Semana em B.Aires

01.04.2018

Depois de chegar às quatro da manhã no Hostel, tomar meu banho e cair na cama já quase às 5h, ainda bem que no sábado não havia nada programado.

No entanto, as 8h acordei de novo com a caixa d'agua cheia. Quer saber, vamos aproveitar e tomar banho, e tomar o café da manhã. Depois dos gastos de aniversário, não queria perder o café, com a intenção de economizar uma refeição.

Fiz um pouco de hora nas redes sociais, e de repente, caiu o Wi-Fi. Então vamos para a rua, passei ao lado do Supermercado San Telmo e percebi que era uma galeria, parecendo os Mercados Municipais. Resolvi conhecer, e ali encontrei desde frutas e verduras, tendo comprado 'arándanos', que conhecemos como Mirtilos ou blue berrys, barracas de frango, de carne, onde achei a 'morcilla, que conhecemos como chouriço. Questionei se era doce ou salgado, porque no Uruguai, já o comi doce, condimentado com canela.

Lojas de calçados, flores, artigos baratos, artesanato... Opa, parei. Artesanato regional. Entrei, conversei com 'Guillerme'. Me explicou as regiões em que são confeccionados, arte em palha de uma planta do lugar, madeira reaproveitada da região de Jujuy. Adorei uns motivos de 'niños' enrolados em cobertores, um ao lado do outro, como se fosse uma maternidade. Não são autorizadas fotos dos trabalhos, mas ele me permitiu um foto geral.

arte-pampa@hotmail.com

Continuo e vejo um artista pintando, pergunto se posso apreciar e logo depois o Sr.Norberto para o trabalho e me dá atenção. Ele diz que os brasileiros são muito sensíveis, que sempre param e apreciam sua obra, entendendo o espírito da mesma. Contou-me que conhece o Rio de Janeiro, que foi professor universitário e está aposentado. Vive só e se o convido, segue comigo para o Brasil, pois gosta muito dos brasileiros. Digo que meu caminho, por hora, não é voltando e sim, seguindo  adiante. Nos despedimos com ele aguardando meu retorno. Lindinho!

Vou ter que procurar um banheiro. aquele prédio enorme e lindo, pelo qual já passei várias vezes, o que será? Tem um monte de jovens na frente, deve ser uma escola. Uma moça atravessando a rua, comendo uma empanada. Que cara de estudante ela tem. Sabe do que o prédio? Curso de Engenharia. Será que posso entrar para usar o banheiro? Estou indo pra lá, me acompanhe. Olha o banheiro é ali. Lá estou eu, dentro da Faculdade de Engenharia para fazer... xixi.

Continuo caminhando, como sempre, ou como agora, para Porto Madero. Uma obra gigantesca nos impede de atravessar por qualquer parte. Descubro, ouvindo a conversa de terceiros, que estamos muito perto do cassino. Já estive lá uma vez, não gostei. Muita fumaça, bebida, um ambiente escuro. Noir. Mas sem charme. Para o meu gosto.

O sol esta batendo do mesmo lado que as entradas dos restaurantes. Então não há outro jeito senão caminhar ao sol. Vejo uma churrascaria. ARL 480. Não, não como tanta carne assim. Vejo umas 'hamburguesas'. Não, não é isso o que quero para hoje. Desejo o bife de 'chorizo' para satisfazer a mim e meus amigos que insistem ser o melhor corte de carne bovina por aqui. Eu sei. Então, vou procurando. Vejo um anúncio de 'chorizo com chimichurri e papas'. Pronto! Uni o útil ao agradável. 'Chimichurri' é um molho muito tradicional por aqui. Com um espremido de laranja. Com o 'cubierto' de ARL 30e mais a propina, acabou ficando por ARL 499 o consumo + cubierto (sempre pensei que era a toalha da mesa, mas são os talheres). A propina é livre, então deixei ARL 20. Essa fica direto com o garçom. Na churrascaria ficaria em mais de 600.

Já são mais de 16h e estou com sono, dormi pouco na madrugada. Volto ao Hostel e o WI-Fi ainda não voltou. Aviso minhas companheiras de quarto que podem me acordar se eu roncar, e deito por quase duas horas. Acordo para atualizar o blog e conversar um pouco com elas. Meia-noite estávamos deitadas, prontas para descansar.

Acordo cedo novamente, mas tenho me sentido em paz, como se estivesse em casa. Minhas companheiras e o próprio Hostel, fazem sentir-me assim. É um lugar que super recomendo, agora está com 25 pessoas, das 35 possíveis. Não senti nenhuma dificuldade em utilizar os banheiros, são duas privadas e dois chuveiros em cada um dos dois andares, e o lavatório é externo. Talvez, com lotação completa, a dificuldade aumente.

Hoje é dia de Feira na Recoleta, assim, destinei esse dia ao bairro. Vou de ônibus mesmo, sendo o transporte mais indicado a partir de onde estou. Desço na 'Callao', e um senhor, que estava no mesmo ônibus, tendo visto meu pedido de ajuda ao motorista, acaba por me acompanhar.

Ele toca acordeon sob os imensos galhos do Gomero (arvore trazida da Índia pelos freis recoletos, da ordem franciscana), com sua generosa sombra de 40m de diâmetro, e galhos que precisam de apoio, de tão pesados. 

Mas, como esta adiantado, resolve ser meu guia pelo Cemitério. Ele conhece bem e caminha com desenvoltura para me mostrar os túmulos diferenciados, como o único em que a mulher esta enterrada na terra. Os demais estão em predras ou nos mausoléus; o que a mulher e o marido não se falavam há anos, estando de costas um para o outro também no túmulo; o da famosa Evita Peron, simples, mas o mais procurado; os de Intendentes, Presidentes, Artistas, Esportistas e etc. Fato é que se trata de um verdadeiro Museu a céu aberto. O cemitério é do seculo XIX e ali jazem aristocratas e celebridades num espaço de manutenção caríssima, num dos bairros mais nobres da cidade.

Enquanto ele vai se preparar para seu dia de trabalho, vou a Basílica Nossa Senhora do Pilar, chegando bem na hora da homilia. Penso que Deus esta querendo me dizer algo com estas missas. Foi bem fácil acompanhar. A igreja esta cheia, fico em pé. 

Ao final da missa faço as fotos do lindo lugar e volto para o arvoredo em busca do Luis. Decido tirar uma foto minha junto a raiz da árvore, mas lá se encontra um casal que parece que não sairá tao cedo. Resolvo pedir para o rapaz tirar uma foto minha. Ele fez mágica. Digo-lhe que me deixou melhor do que sou. Ele diz que em português seria 'mucho gostosa'. Fiquei em dúvida se ele achou isso mesmo ou se conhecia o termo, sem saber bem o que significa. Mas saio me sentindo poderosa, assim mesmo.

Encontro o Luis caracterizado com um nariz de palhaço, faço minha contribuição e tiro várias fotos dele. Ele quer tirar uma foto de tango comigo e precisa que alguém o faça. Peço a uma jovem que vem passando, e entendo quando ele me abraca o que quis dizer. Pose de tango e nariz de palhaço. Adorei. Antes das despedidas, ele tira um bichinho de dedo da sua mala e pergunta se gosto, me faz um 'regalo'. Quero me despedir de acordo com toda a disposição desse homem, que descobri dentro do cemitério, ser exatamente nove anos mais velho que eu, e seu documento prova esta coincidência. Dou-lhe um abraco e um beijo na face, que ele se ajustou para tentar que fosse na boca. Do outro lado, ainda não deu. Então vamos tentar um terceiro?  Não, não. - disse-lhe eu.

Saio muito agradecida com a gentileza a que estou sendo submetida por todos. Vou caminhar pela Feira de San Telmo, apreciando as varias obras de arte e artesanatos. Um homem vendendo 'Fresas carameladas', maçã do amor? Isso é para os fracos. Vou comer morangos do amor.

Vou caminhando meio sem destino e vejo outra igreja, quero chegar nela e quando percebo, estou no Shopping design, como programado. Quase 14h, esta bom para almocar.

Hoje vou de lanche do Mostaza, como um hambúrguer e bacon, batatas e soda light. O combo fica por ARL 160. Depois procuro a sobremesa na Volta, outra das importantes sorveterias argentinas. Uma dica: os sorvetes são ótimos, mas a especialidade argentina são os de doce de leite, então, a não ser que não goste desse sabor, deixe os demais para tomar em qualquer outro lugar. Pelo menos um dos sabores escolhidos tem que ser uma das variações de doce de leite. Tomei de doce de leite clássico com chocolate turfado, por ARL 90. Encontrei uns mineiros que não queriam provar o sorvete de doce de leite em algum lugar do caminho, pois diziam que estão mais que habituados com este doce em sua terra. Mas não o sorvete, disse eu. Espero que os tenha convencido.

Seguindo ainda em busca da igreja que ficava num patamar superior, chego ao Centro Cultural, também programado. Uma exposição muito interativa, de fotos, confeccionadas em material imantado. Na entrada as instruções de visita propõem que pegue um carrinho, escolha as fotos que mais gosta, retirando-as dos painéis e colocando no carrinho, e depois se dirija a outros painéis no fundo, montando seu próprio painel, fotografando e compartilhando nas redes sociais com:

#ColeccionRecoleta

Lógico que o fiz. Minhas escolhas recaíram sobre uma gata que me fez lembrar a Sofia, minha gata, da qual estou saudosa; um cara de Tuba, que me fala da música; uma mistura de elementos que me trazem as artes; um livro aberto, lido num lindo cenário, que me traz a criatividade por trás da leitura; e uma paisagem histórica por trás de lentes de óculos de sol, que me traz o turismo. Todos muito relacionados aos momentos que estou vivendo. As saudades, as inspirações artísticas, através dos diversos sentidos, os momentos de contemplação e êxtase.

Consegui enfim chegar a igreja, que estava fechada.Mas do balcão onde ela  se encontra, pude fazer algumas fotos dos lugares pelos quais passei. E outras ali mesmo, num reduto que parecia feito para as noivas, recém casadas, incluírem em seus álbuns de fotos de casamento. Dali se via o Hard Rock Cafe. E agora? Já conheço. Ir ou não Ir? Um grande dilema.

Estou aqui, com sede. Vou tomar só um drinque. Sento-me ao balcão mesmo, e entre tantos drinques coloridos, como gosto, escolho um dos poucos sem rum ou gim, que costumam me embebedar. Ao lado, com sua parceira, meu fotógrafo favorito. Fico 'na minha'. Decido-me por uma sangria, que vem com framboesas e mirtilos. Esta um pouco sem doce para meu gosto, vou tomando devagar, e aproveitando o Wi-Fi livre. Pela metade do copo, peço a Bele que coloque um pouquinho mais de açúcar . No final,me dirijo ao caixa para acertar a conta de ARL 150 no cartão de credito. Tenho pago, como acho que já disse, a alimentação em especie, e as acomodações no cartão. Mas decido guardar um pouco de 'efectivo'.

Informando-me na saída, caminho em direção à livraria El Ateneo. Não posso comprar nada, mas pelas fotos que vi na Internet, faz lembrar a biblioteca da Fera, do clássico Disney: A Bela e a Fera.. Genial!

No caminho vejo uma farmácia aberta, preciso comprar três coisas. Só recordo de duas. Mini absorventes, que sabia que precisaria comprar mais pelo caminho, e antisséptico para os sapatos. Queria trazer um Granado de casa, mas a tampa não estava boa. O terceiro item, lembrei-me depois, são cotonetes. Mas ainda tenho uns 10. Passando em frente a um café, vi um anúncio de macarron, mas não qualquer, a fotografia mostrava um recheio de morango com chantilly. Achei que queria dizer que tinha fruta mesmo dentro. Entrei para ver, duas bolachas de macarron vermelhas, do tamanho dos cookies da Starbucks,  igual ao da foto, por ARL 88. Não vou comprar. É um exagero. Sigamos.

A livraria é na quadra seguinte, muito grande, com um círculo central que nos permite ver os dois andares acima e um abaixo, com uma arquitetura de construção antiga, e decoração compatível, e livros, por toda parte. Lindíssima. Foi como estar nos Teatros que visitei, mas a plateia é composta de livros. Fui só fotografar mesmo, nem um café tomei.

Na volta fiz diferente do programado, peguei o 152 ali na esquina mesmo. Deixou-me no cruzamento da Santa Fé com 9 de Julho, pertinho do Obelisco. Dali, segui para o ponto do 10, 17 e 59. Tomei o primeiro que passou. Atenção, cada qual tem sua parada. Tive que correr um pouquinho entre uma parada e outra.

Chegando ao Hostel, mostrei as fotos para a Maciel e para a Maria. E meu presente. A Maciel perguntou-me se coloquei nome no bichinho. Não pensei nisso, mas, olhando para ela, o que mais me chama a atenção são os olhos, verdes Esmeralda. 'Listo' esta escolhido o nome.

A Maria, que faz curso de Cozinheira, resolveu por a mão na massa, literalmente, fazendo uma pizza. Sugeri fazermos as compras repartidas e compartilhar o resultado. Duas pizzas, uma de muçarela, molho de pimentão, outra de gorgonzola, com salada de rúcula e de cebolinha para acompanhar, um vinho comprado pela Maciel e seu namorado, e pizza compartilhada com quem por ali estava. Ficou ótima. Por aqui a massa é grossa, com pouco recheio, mas o recheio de gosto marcante, deixou o sabor muito equilibrado.

Estou me sentindo tão em casa que, ora penso em espanhol, ora falo em português como se todos estivessem me entendendo.

Espero que eles compartilhem mais momentos assim. Sao 6 moradores que convivem diariamente, fora os funcionários.