es-Dois dias em Córdoba - Argentina

06.04.2018

Vou começar passando minhas impressões sobre a cidade, que, no fim das contas, acho que merecia mais tempo meu.

A parte do centro histórico me pareceu suja, a princípio. Não com papéis, descartáveis, cigarros, mas o chão meio encardido mesmo. Depois, andando por bairros mais novos, observei que não, o Centro é velho mesmo. As calçadas têm guias altas, o que me fez pensar em água de chuvas. Isso se confirmou, no verão chove muito. Acho que construíram assim para proteger as lojas e residências. Porém, apesar de já ter 444 anos, as ruas não são estreitas. Têm muitas ruas para pedestres, muitas mesmo. Algumas são bem enfeitadas, com pérgolas de primaveras. Os jacarandás também estão bem floridos por aqui.

Em toda esquina tem uma igreja, enorme, em estilos diversos. Isso ajudou-me, ou atrapalhou-me muito, pois me perdia toda hora usando-as como referência.

Tem muitos músicos espalhados pelas ruas, tocando ou cantando, por uns trocados. Alguns pedintes também. Tem muitos estrangeiros, se ouvem várias línguas pela rua. O hostel é uma boa amostra disso.

Tem duas Universidades públicas, em uma cidade universitária. Argentinos e estrangeiros podem usufruir dessa facilidade. Também há faculdades privadas.

A cidade tem aproximadamente 400 mil habitantes, e o Centro Histórico é um bairro pequeno, comparado ao todo, que esta literalmente num buraco.

O cansaço em que me encontrava ao chegar deturpou minha visão. Cheguei depois das 9h, deixei minhas coisas no Hostel Alvear, pois só poderia dar entrada depois do meio dia, procurei o Café & Te, para fazer meu desjejum por ARS 200, comendo dois tostados de presunto e queijo e um suco de pêssegos com leite. Dali, segui direto para a Universidade, sonhando com a celebração do 'Dia de los Muertos', mas descobri lá, depois de uma longa caminhada, que se tratava de um trabalho universitário, de estudantes de filosofia, com uma preocupação mais essencial e cultural do que visual. Estudando Eventos como eu estava, até a pouco, esperava uma festa típica, mexicana ainda. Mas registrei o evento, e foi produtivo, enquanto conhecimento, da teoria e da Universidade em si.

Comprei um suco e uma salada de frutas que me custaram ARS 45, ainda tinha sede acumulada do dia anterior, e queria uma sobremesa, pois meu café servira de almoço.

Voltei ao hostel depois das 13h, comi, bebi e tomei banho, e deitei, já depois das 15h, dormindo ate às 18h.

Sai para jantar e queria comida, como não achei nada aberto por perto, entrei no Mac Donald's e comprei um Big Mac, com a opção de trocar as batatas fritas do combo por salada de alface com tomates cereja, e o refrigerante por um suco de laranja. Gastei ARS 135.

Tinha urgência em voltar para o hostel e relatar a aventura do dia anterior, pois fora muito emocionante.

Ali, conversei com o Horácio, colega de quarto. Sim, o quarto aqui é misto, tem três beliches e banheiro privativo, só estavam ocupadas duas camas de baixo, de modo que fiquei com a terceira. Ele é professor, e um ano mais velho que eu, mas parece mais jovem. É um homem vivido, e pode contar um pouco de sua história. Ele entende inclusive meu português, e me corrige no espanhol, de modo que me ajuda a melhorar.

O quarto é quente, porque não tem janelas, o ventilador ficou ligado a noite toda, mas ainda assim, passei calor. De madrugada, o Horácio ligou o ar-condicionado. Ainda bem!

A outra companheira de quarto, só vi dormindo, então não sei quem é.

Pela manhã descobri que estou na verdadeira Torre de Babel. Tem por aqui um coreano, de 67 anos, que fala um pouco de inglês, e que esta vindo desde o Alaska de bicicleta. Uau!

_You are the inspiracion.

Corri até a cozinha e pedi para os novos amigos me ensinarem e perguntei para ele:

_"How old are you?

_ 67.

_"Congratulations."

Tem um francês que fala espanhol, uma italiana poliglota, uma argentina de Mendoza que é uma simpatia , e uma brasileira, de Recife, que fala inglês, e que está aqui ha três meses, aprendendo espanhol, para trabalhar no Rio de Janeiro, na área de turismo. E acredite, conseguimos conversar durante o café da manhã. Têm muitos outros hospedes, mas meu tempo é pouco, então não vou conseguir conhecer todo mundo.

O Luís, que deve ser um dos proprietários, é o grande diferencial do lugar. Sempre pronto com as informações e, muito receptivo.

Às 11 horas teria um Tour Turístico, mas precisava mandar uma procuração para minha filha. Fui informada que o correio daqui demoraria uns quatro meses para entregar no Brasil, assim, procurei a DHL, uma entrega express. Perdi meia hora numa fila mal administrada, o que me fez desconfiar do serviço, e não mandei, pois um envelopinho de nada iria me custar ARS 1002. Barbaridade tche!

Corri de volta e quase perco o ônibus. Custou-me ARS 180. O Luís, da recepção do Hostel, me disse que tem um gratuito, mas acho que já tinha saído.

Rodamos pelo Centro Histórico, pelo maior Parque de Córdoba, junto a Cidade Universitária, pela nova Córdoba e pelo Bairro Junin, que foi recém-povoado, pois era área de inundação. No ônibus, muitos brasileiros, até um casal de Campinas. Uma família de Torres, uns suíços, uns peruanos, colombianos e argentinos, de outras regiões como Patagônia.

O Tour é realizado em espanhol, mas meu ouvido esta bem treinado quando falam auto, pausado e tem boa dicção.

As vistas são bonitas, e para quem tem pouco tempo como eu, vale a pena. Renderam também boas fotos e a vontade de visitar a Igreja dos Cappuccinos.

Quando encerramos, a Cassia, de Torres, anota o endereço de meu blog para me acompanhar, seu pai se chama Leleco, e a mãe, muito simpática, mas com um nome difícil de entender e decorar. Eles estão visitando amigos que aqui moram e já são bastante idosos.

Voltei ao Hostel e pedi informação de comida por quilo. No Mundo Verde, a um quarteirão de distância, encontrei feijão fradinho, arroz, frango à milanesa, empanada de atum em massa folhada, abobrinha e uma deliciosa tora de espinafre com queijo. Paguei ARS 75. Comprei também castanhas sortidas, por ARS 42. Este é para a viagem de amanhã.

Mas lá não tem mesas, então voltei ao hostel para comer.

Agora, vamos caminhar, e muito, por que? Apesar de ser tudo na região central, minha bússola biológica, que não funciona, sempre me faz a escolha errada para chegar a qualquer lugar, mesmo com mapa nas mãos. Passei de novo pela Catedral, pelo Cabildo, pela Plaza San Martin, e queria chegar A Igreja do Sagrado Coração de Jesus (capuccinos). 

Vi umas árvores interessantes e grandes em frente a uma igreja, tirei fotos. Quando passava ao lado da igreja, vi uma porta aberta e entrei perguntando se podia tirar fotos. O guarda disse que só da área central e que tinha visitação , que acabara de começar. A princípio, não me interessei, mas quando, ao tirar fotos, vi que se tratava da 'Manzana Jesuítica', mudei de ideia. Estava na minha programação. Paguei ARS 20 e fui conduzida ao grupo. Eram 15h e a próxima visita seria as 17h em inglês. Então, melhor pegar esta já começada mesmo. 

Na primeira parte, não se podia tirar fotos, tinha livros em estantes de vidro, extremamente antigos. O guia conta em espanhol rápido uma montanha de informações e datas.

Numa das salas, nos mostra uma Bíblia, escrita em vàrias línguas antigas, que só existem quatro exemplares, sendo aquele, escrito em 1645, o terceiro. São 10 volumes de livros de uns 80 cm de altura, uns 50 cm de largura, e uns 15 cm de espessura. Acho que é maior do que o manual para entender as mulheres.

Depois, em uma sala com móveis antigos, nos explica que ali, doutorandos defendiam suas teses, com seu instrutor sentado logo abaixo, e a mesa de julgamento à frente, num modelo de igreja. Senti, talvez em uma das primeiras vezes em minha vida, o sono que sentem os alunos que não entendem a matéria. Como o guia falava demasiado rápido, com muitas informações por mim desconhecidas, meus olhos pesavam.

Dei uma volta pelo quarteirão jesuítico, impressionante!

Novamente, ia na direção errada, e tive que voltar para atingir a Av. Irigoyen em direção aos Cappuccinos. Tirei fotos externas enquanto aguardava a reabertura da igreja às 17h. Aqui, só a Catedral fica aberta direto. As demais fecham na hora da 'ciesta'. Enquanto esperava, observava uma sessão de fotos com uma modelo, suponho, de acessórios femininos, do tipo relógio, correntes, brincos, essa profissional. E uma molecona, com o namorado, fazendo poses e bocas para fotos, que me lembrou muito a mim mesma, na idade dela.

Por dentro, a igreja também é muito bonita, mas a parte externa impressiona com seu estilo gótico e seu colorido.

Fui informada que, de hora em hora, a fonte ali próxima, apresenta um espetáculo de aguas dançantes. E que a noite, são coloridas pelas luzes. Como faltam só 15 minutos para a próxima hora cheia, decido entrar na Havanna e tomar um chocolate quente. Escolho o Submarino, um minialfajor e um muffin com recheio de doce de leite. O submarino recebe um leite quente, e uma barra de chocolate meio amargo, que ponho dentro do leite, para transformar num delicioso chocolate quente. Tudo me saiu por ARS 132.

Já são 18h e pouco, nada de águas. Sento num bloco de concreto, fico cantando músicas brasileiras e observando a gente. Passa uma moça com seu cachorro, encontra duas moças com outro cachorro que parece irmão do primeiro. Soltam os cachorros que correm um atrás do outro por toda a área, chamando a atenção de crianças e adultos, com tamanha diversão. Depois de um tempo correndo, resolvem beber água. Mais um pouco estão se banhando e fazendo a maior farra na água das fontes.

O relógio marca 19h, um casal se aproxima e me pergunta se sei da apresentação, explico que ali estou desde as 18h e nenhuma apresentação ocorreu. Começa uma chuva fraca, vou embora sem ver as águas dançantes.

No caminho de volta, penso em ver se o Mundo Verde ainda está aberto, pensando em comprar umas empanas para o jantar e para amanhã.

Vou olhando as igrejas e os nomes das ruas e me adiantando. De repente estou na rua Belgrano, mas o lugar não me parece familiar. Pergunto num 'kiosko' e ele me informa que ficou para trás. Novamente me confundi com o sentido.

Mais adiante, um anúncio de empanadas caseiras me leva para dentro de um estabelecimento, onde solicito 2 empanadas árabes, que sao as nossas esfihas, uma de acelga e uma de presunto e queijo. Por aqui se fazem empanadas doces tembem, de carne. E são boas, já provei. Pedi um suco de pera e paguei ARS 110. Sobrou uma esfiha para amanhã, na viagem.

No hostel, após comer, começo a escrever e peço ao Horácio que me ensine a técnica de diminuição de dor, que ele havia comentado anteriormente. Meu calcanhar com fascite plantar doí, depois de caminhos certos e errados.

Ele passa bem uma hora me ensinando e ajudando, sinto uma grande diminuição na dor. espero que amanhã cedo esteja ainda melhor, porque é dia de seguir 'adelante'.