es-DE RECIFE À JOÃO PESSOA (de ônibus)

02.11.2018

Em primeiro lugar, a greve me atrapalhou: Sim!

Mas fiz minha parte. Andei a pé o mais que pude, comi o que havia disponível sem pagar mais por isso, me antecipei para não ficar sem condução, tanto na compra de passagens, como nas idas aos pontos de partida. Assim, comprei minha passagem pela internet ontem de manhã, pela empresa Progresso e gastei R$47,15 incluindo passagem e taxas. Comprei para o meio dia, pois temia a dificuldade de me locomover até a estação rodoviária. Me disseram que normalmente leva em torno de 1h40. A Alexandra do Cosmopolitan me aconselhou sair com 3h de antecedência.

Pois eu fiquei escrevendo o blog até 1h40 da matina, fui dormir uma hora depois, e coloquei o despertador para tocar às 7h40. Dormi só 5h. Tomei meu café da manhã, que como já disse, considerei bem farto, dada minhas experiências anteriores em hostels, e o preço da diária. A Alexandra me indicou o ônibus 80 Joana de Bezerra/Boa viagem. Na estação terminal Joana de Bezerra, tomar o metrô sentido Capeberegibe e descer na estação Rodoviária. Por todo este percurso, gastei os R$ 3,20 da passagem. 

O metrô deles é enganação do governo. É  trem mesmo, pela velocidade, característica dos vagões e das linhas, e a linha que fiz é toda externa. São três linhas que servem a cidade. Esta que peguei sai do Recife, na mesma linha, tem um trem que bifurca sentido Jaboatão. E a outra linha também parte de Recife mas não gravei o destino final.

metrô

Significado de Metrô

substantivo masculino. Abreviatura de metropolitano, estrada de ferro urbana, total ou parcialmente subterrânea. (Dicionário Online)

A vantagem com relação aos trens de São Paulo é que o acesso é por rampa. Mas a sujeira nas estações, dentro e fora, a quantidade de vendedores ambulantes e a variedade de produtos, denuncia a maior pobreza e a menor fiscalização. Vendia-se desde bolo caseiro de tapioca, que o vendedor enrola em filme de PVC em grandes pedaços, oferecendo por R$ 2,00, até lanterna com um fio de aço na ponta, para desentupir bico de fogão. Chegava a ter mais de 6 ambulantes no vagão. Em determinado momento passa um garoto vendendo carregador, outro vendedor o aborda e diz:

_ "Minha mochila com biscoitos de polvilho está bem pesada," carregando-a à frente do corpo. "Você vende carregador?'

O menino ficou com aquela cara de "não tô entendendo nada", ao que o outro explicou:

_ "Para carregar minha mochila." Risos.

O outro então, com um riso de entendimento pronuncia:

_ " Só carregador de energia."

Um senhor que está sentado à minha frente, lateralmente, troca comigo olhares de cumplicidade e rimos também.

Na Estação Afogados entra uma mãe com uma garotinha que ja ranca as alpargatas, se ajoelha no banco e fica olhando pela janela. Mal entrou e já começa cantar alegremente. Depois, atravessa o vagão e toma uma lugar vazio no mesmo banco que estou, dois assentos após o meu. A cantoria continua, e de repente ela aborda a moça ao meu lado com um "Tia", e pede a explicação de algo. Olho pra moça e sorrio. Depois olho pra linda menina e percebo leves traços de Down. A mãe, em frente, veste uma camiseta do Projeto Guri - Afogados. Se dirige a menina chamando-a de Renata. Quando descemos na Estação Rodoviária, a moça, um rapazinho que estava no quarto e último assento, e eu, ela se deita feliz no banco, que ficou só pra ela e sauda a moça com um "Tchau tia." Elogiamos a alegria inocente e contagiante, todos ficamos sorridentes. Por que as pessoas não entendem que só isso poderá transformar o mundo, nosso país, nossa cidade ou bairro, nossa casa, num lugar melhor pra se viver.

Dali fui procurar a bilheteria para trocar meu voucher. A atendente foi a primeira pessoa mal humorada com quem falei até agora, me disse que tinha uma taxa de embarque de R$ 6,00. Disse-lhe que já havia taxas e impostos no bilhete por mim comprado. Ela disse que essa taxa era a parte. Confirmei isso acidentalmente depois, com outros passageiros que também se sentiam indignados.

Comprei uma água e fiquei fazendo hora por duas não tão longas horas. O trânsito estava pouco, ônibus e trem passaram rápido, e às 10h já estava trocando a passagem, tendo saído do Hostel às 8h45.

Ao meio dia em ponto, encosta um ônibus leito da Progresso na plataforma 7. Minha passagem era a de número 4, na frente, corredor, do lado oposto ao motorista. Mas como era um ônibus de dois andares, a número 4 passou a ser janela, atrás do motorista. São 3 poltronas por carreira, duas e uma. Um casal ao meu lado ficou separado pelo corredor (do ônibus, melhor deixar bem claro) e troquei de lugar com ela. A distância entre Recife e João Pessoa é de 130 km aproximadamente. Mas, acreditem, levou 3 horas para fazer o percurso!!! O ônibus para um um monte de cidadezinhas no caminho, na Rodovia mesmo, mas demora de prosseguir viagem. Vimos ainda muitas filas de carros em postos de combustível. Um dos pontos ainda tinha muitos caminhões, polícia, bombeiros, e tumulto, mas não foi possível saber o que ocorria.

Aproveitei para dormir, já que a poltrona é muito confortável e a posição não permite ver muito a estrada. Cheguei bem grogue à João Pessoa, quase trançando as pernas. Fui até o banheiro na Rodoviária mesmo, e resolvi chamar um UBER. Consultei o preço e ficaria menos de R$ 14. O Hostel João Pessoa fica a três quarteirões da praia do Cabo Branco, que concentra uma boa parte da rede hoteleira. Larguei minhas coisas de qualquer jeito e fui almoçar, pois estava com muita fome.  Achei um 'PF' no  quiosque Estrela do Mar por R$ 18,00, e tomando também um suco de cajá, gastei R$ 24,75. Fiquei chateada pois perdi um dos dois poucos dias que ficarei em João Pessoa. Já não Será possível rodar pelas praias do litoral Sul, como eu previa. Então vou amanhã fazer o Centro Histórico, ver o por do sol no Jacaré (desejo antigo) e estou arrumando um forró com os hóspedes do hostel. Espero que amanhã dê tudo certo.

Soube por uma amiga que o irmão dela mora aqui, até fizemos contato, mas como vou ficar tão pouco tempo, nem será possível nos encontrarmos, afinal, ele e a esposa trabalham, nem todo mundo está aposentado como eu.

Terminei o dia com uma caminhada pelo calçadão, e vi um parque com food-trucks que muito me interessou, mas só funciona à noite, então acho que não vou poder aproveitá-la.

Hoje vou dormir na parte de cima do beliche. Pernas, pra que te quero.

E amanhã tem mais.