es-De Porto Alegre a Rio Grande, passando por Guaíba e Pelotas

20.03.2018

Como fiquei ate tarde batendo papo, não consegui tomar o catamarã das 7h55, tomei o das 9h45, indo de UBER ate o cais três do Centro de Porto Alegre, por R$ 10,29. Em alguns horários ele também faz parada no Barra Shopping.

Cheguei com antecipação, comprei o bilhete de R$ 10,10 e ingressei pela catraca, com leitor óptico, num saguão de espera envidraçado, donde foi possível acompanhar uma grande embarcação ser conduzida por dois pequenos rebocadores, um puxando e outro empurrando.

O catamarã, neste caso, é um ônibus fluvial com 121 assentos confortáveis. A viagem é rápida e podemos observar vários dos pontos turísticos de Porto Alegre a partir do Rio Guaíba, que na verdade é um grande lago. Exemplos são a Usina do Gasômetro (que se encontra fechada para visitação),  a arena do Internacional (Beira Rio) e a  Fundação Iberê Camargo.

A viagem dura em torno de meia hora, chegamos a Guaíba, uma cidade mais calma que passa uma sensação de tranquilidade diante da correria da capital do Estado. 

Acionei o UBER até a Churrascaria Arrastão, na BR. Ali o Elizandro, que ajuda com a guarda dos veículos no estacionamento do restaurante, me ajudou com a carona. Falante, cuidou de minha mochila enquanto eu ía ao banheiro e comprava um pastel assado.

Quando saía do banheiro, encontrei junto ao lavatório uma simpática senhora de 82 anos que estava dirigindo um carro com placa de Torres, e era acompanhada por seu esposo. O carro estava com o banco traseiro cheio de coisas, assim, não me ocupei de pedir-lhe carona. Mas conversamos, falei que moro em Itu e ela conhece a fama da cidade do gigantismo, ao que me referi a seus moradores, comprovando a fama, e me mostrando. Ela riu e se manifestou, dizendo que suas filhas reprovariam sua sinceridade. Quando saímos, suas filhas haviam chegado em outro carro e ela foi logo contando a história, ao que suas filhas disseram que a paulista ia achar que os gaúchos são grossos, não autênticos. Não achei nada disso. A senhorinha era muito sorridente. Forte e esperta, e no alto de seus mais de 80 anos, se satisfaz em dizer o que pensa. Espero estar pensando tão bem quando tiver essa idade. Conversa vai, conversa vem, descobri que seu destino era Montevidéu. Uma das filhas estava de mudança para essa cidade. Mas os carros estavam cheios de coisas pessoais. Assim, com meus votos de uma boa viagem seguiram em frente.

Enquanto eu pagava o pastel, vi um senhor sem cabelos :) , tentando sair pela entrada. Perguntei se era o proprietário da caminhonete de Pelotas. Ele disse que não e indagou o por quê? Falei que queria uma carona, ao que ele assentiu dizendo que ia para lá.

O Lauri é fiscal de pirataria para uma empresa de advocacia, representando várias marcas como o time de futebol Grêmio, a da Ana Hickmann, entre outras. Disse que já tem 18 anos nessa profissão, já rodou o Brasil todo trabalhando, e hoje se concentra no Rio Grande do Sul. Falou-me da família, de estar cansado da vida na estrada, do sonho em estar numa atividade que não precise mais se deslocar. Contou um pouco sobre sua atividade, que já teve depressão há um tempo atrás, tendo passado por vários psicólogos que não o ajudaram, segundo sua ótica e que, um médico,  numa situação inusitada, perguntou o que lhe faltava? Alertando-o para à ingratidão e o desperdício de vida. Sentiu-se sacudido. E essa verdade o levantou. É casado, tem um filho com 22 anos, já na universidade. E uma filha com 12 anos que é seu xodó.

Falei sobre aquele texto de Olavo Bilac, que achei pertinente.

https://www.pensador.com/frase/MjAyNzg0MQ/

Espero ter deixado algumas palavras confortantes para ele.

Deixou-me no Posto Japonês, um pouco antes de Pelotas, sempre um lugar mais fácil para obter a próxima carona.

Ali almocei num Buffet com carnes, suco e sobremesa por R$ 17,00.

Dirigi-me ao posto de combustível e falei com o frentista, ficando junto ao caixa, por sugestão de meu novo amigo Robson, e por sorte, ao lado da maquina de agua fria e quente, que os postos gaúchos colocam para atrair caminhoneiros. Eles param para abastecer suas garrafas térmicas para beber, e para o chimarrão. Com todos conversei pedindo carona. Depois de umas duas horas ali de pé, já ficando preocupada com o horário, por volta de 16h consegui uma carona para Rio Grande, região portuária do Rio Grande do Sul, como viria a saber, depois.

O Sandro, que carregava soja para o porto, foi o único que me perguntou se minha família não ficava preocupada, ao que respondi que me acompanhavam pelo Google Maps, que deixei habilitado para sua visualização. Foi o único ate então, que ao subir, mandei a placa pelo Facebook. Mas tudo correu bem, sem nenhum imprevisto. Ele é de Erechim, e voltaria carregando esterco, em sacos de 100 kg ou de 1000 kg. Levou-me ate um ponto de ônibus, pois o porto, para onde ía, era um pouco distante da cidade. O ponto era na rodovia. Resolvi já fazer reserva pelo Booking para saber em que ponto descer.

Numa distração, o ônibus passou. Minha previsão era que o próximo demoraria. Assim, acanhadamente, levantei pela primeira vez até então, a mão num pedido de carona. Uma dúzia ou pouco mais de veículos solicitados, eis que para um carro e volta de ré, depois de observar se eu estava só. Era um senhor cujo nome esqueci, saía do serviço e ía buscar sua esposa antes de retornar a sua casa. Ofereceu-se para deixar-me em outro ponto, mais perto da cidade, onde teria mais alternativas. Sugeriu-me o Casino. Nome da praia deles. Praia de mar. Achou corajosa minha aventura, mais ainda tratando-se de uma mulher, e foi o segundo a me dizer que por isso parara. Mas que acha muito perigoso, para ambos, motorista e carona.

Mal ele encostou no ponto, o ônibus já encostava junto e ele me acenou dizendo ser aquele. Foi a primeira vez que entrei num ônibus urbano. A catraca é logo depois do motorista, e a entrada é pela frente. Questionei o cobrador, já com o endereço do hotel, e tanto ele como outro passageiro me orientaram. Desci na Praça Tamandaré, e já fui fazendo fotos pelos quase 1000 metros que arrastei minha mochila.

No caminho vi duas belas igrejas. Uma delas passou mais longe, e voltaria no dia seguinte, na saída, para fotografá-la, e aproveitar para agradecer os eventos até ali.

A recepção no hotel foi muito boa, por parte do Bruno. Talvez fosse até o proprietário. Paguei R$ 120,00 nesta estadia, um bom quarto para dormir sozinha depois de alguns dias de hostel. Só deixei minhas coisas e já sai para comer algo, pois queria, após o banho, colocar roupa de dormir (pasmem, estou dormindo com roupa), e aproveitar o Wi-Fi para atualizar o blog. Ainda bem que foi essa minha decisão, pois, ao chegar até uma padaria que tinha visto pelo caminho, já estavam quase encerrando as atividades, às 20h.

Solicitei dois cassetinhos, 100 g de mortadela, 1 litro de chocolate com leite tipo Toddy, e um pedaço de bolo. Gastei R$ 17,50.

No quarto tomei parte do leite, comi um lanche e o bolo, e preparei o outro lanche para viagem. Tomei um banho revigorante, escrevi para os amigos e familiares, fiz uma postagem no blog e não aguentei mais. Fiz varia pesquisa para definir como sairia dali, resolvi pelo ônibus para o Chuí, o problema eram os horários: 7h ou 16h30. O primeiro era muito cedo, não queria perder o café da manhã do hotel precisava descansar. O segundo me deixaria no Chuí às 20h e as opções de estadia eram também caras, até mais que ali. Mas dormi com a decisão de tomar o segundo ônibus. Assim, daria tempo de arranjar melhor a mochila e tirar as fotos da igreja. Meia noite e a cama me convida a um restabelecimento das energias. Esquece tudo e dorme tranquila!