es-De Montevidéu à Colônia del Sacramento - Uruguai

24.03.2018

O dia ontem terminou com DOIS alfajores, um coberto de chocolate, da marca Negro, que eu adoro, e outro sem cobertura, mas enorme. E água. Não podia ir embora da capital sem comer essa iguaria da região. Boa desculpa, hahaha.

Depois de muita pesquisa, cheguei à conclusao que a passagem de ônibus entre Montevidéu e Colônia tem um custo baixo, dado o tempo de percurso e a quilometragem. A Turil cobra URL 350. A COT URL 370. E tem mais URL 13 de taxa de embarque. Saem ônibus de hora em hora, alternando as empresas. Cheguei ao terminal as 11h15 e a COT tem um horário para as 11h30, mas já estava lotado. O da Turil sairia as 12h30 e vinte pesos mais em conta. Então não tem opção.

Mas antes de chegar ao Terminal 3 Cruces, tive momentos hilários. Dada a facilidade de tomar ônibus urbano no Uruguai, e a justiça nos preços, decidi usar esse meio de transporte, pagando URL 23, por ser um percurso mais curto o desta linha. Quando chegava ao ponto, uma mulher me abordou com "una perguntita" e me pediu uma moeda. Saquei minha nova, pequena e leve bolsa de moedas, e lá encontrei somente um peso, dando-lhe a moeda e ainda virando a bolsa para mostrar que não havia mais. Como ela conversava com outra moca, perguntando pelo preço do coletivo que queria tomar e falando que ainda faltavam 10 pesos, entendi que o dinheiro era para o transporte. A moca pegou logo um ônibus e a outra continuava a solicitar atenção de todos que passavam ou desciam de algum ônibus. Perguntei-lhe o objetivo do dinheiro e ela me disse que saíra do hospital psiquiátrico, me mostrando em seu braço uma entrada para soro e remédios que não sei o nome, pois não é da minha área de conhecimento. Depois de fugir do hospital, se perdera, pois andara muito, e queria tomar o ônibus para voltar. Sensibilizei-me com sua história, e ao primeiro senhor que passou, ela pediu de novo e fui ajudá-la explicando para que era dinheiro. Ele também tinha um peso e lhe deu, mas com minha fala, percebeu que sou brasileira e começou a pensar, quieto. Um instante depois começou a cantar para mim, uma música que,  acho, devia em ser em português, mas não reconheci. Trocou de música, e eu ainda na ignorância. Claro, disse-me ele, são músicas de meu tempo. Contou para nós, pois a pedinte falava um pouco de português, que esteve em Curitiba, assistindo a uma ópera, e mais uma vez, nenhum reconhecimento. A moca disse que era francesa, e ele resolveu declamar um poema em francês. E 'nadie'. Formávamos ali, na calcada, um grupo risonho e divertido, vez por outra a pedinte nos abandonando em busca de mais uma moeda. Por fim, estava a me falar que tinha 70 anos. E eu disse: "E eu tenho???" Vejo meu ônibus e estendo o braço solicitando sua parada... Ele me diz: "Trinta". Não deu tempo de dar-lhe um grande beijo na boca. Sai sorrindo e ingressei no ônibus, sem me despedir de meus sorridentes companheiros. Obtive moedas no troco da passagem. Que pena! Agora é tarde.

No caminho, ainda tiro umas últimas fotos de Montevidéu, e descubro porque o Google Maps me dava outra localização para o Shopping 3 Cruces. A parada do ônibus e bem de frente à porta principal deste, que fica em frente a uma linda praça, com uma enorme bandeira do Uruguai, tremulando intensamente aos fortíssimos ventos desta terra.

Tomei o assento Cinco, ao lado da janela, e mais uma vez comprovei a educação do povo, um rapaz, que veio sentar-se ao meu lado, antes de fazê-lo, mesmo tendo adquirido a passagem para o lugar, meu pediu 'permiso' para sentar. É o nosso 'com licença'.

No terminal, comprei um sanduiche natural para comer durante a viagem, por URL 100. Como não havia grandes paradas, por volta de 13h30, desembrulhei e comi com gosto meu lanche. O moço tentava dormir. Depois, também me aquietei e cochilei, pois a paisagem é bastante repetitiva. Uma estrada reta e plana, com muitos campos e árvores, gado bovino e ovino, uma casa vez por outra. O ônibus fez várias pequenas paradas para descerem e subirem passageiros. Três horas após a partida, chegávamos à estação terminal, em Colônia.

Observei um posto de gasolina onde me informei sobre a Rua Eduardo Lobo. Ótimo, era bem em frente. Andei umas três quadras e já cheguei ao meu destino. Fui logo inserindo o código Wi-Fi e informando minha localização para a família e alguns amigos. A atendente foi chamada por um hóspede e fez meu check-in. Para minha surpresa, o hostel não aceita cartão, eu tinha pesos suficientes, URL 1000.

Mas este dinheiro era para alimentação. Terei que cambiar. Dada minha ansiedade peculiar, minha programaçãoo previa a compra do 'buquebus' para atravessar dia 25 em direção a Buenos Aires. O terminal marítimo fica ao lado do rodoviário, assim sendo, guardei minhas coisas e já fui atrás da passagem. É um terminal grande, limpo e arejado. No caixa, soube que a passagem custa US$ 44. Ai. Que salgado. Mas já previa um valor próximo a esse. Imaginava uns R$ 100.

Pedi que o troco fosse, parte em dólares, parte em pesos, pois não quero mais pesos uruguaios do que os que pretendo gastar aqui, comendo e bebendo. Recebi URL 1000, e US$ 20.

Dali fui acompanhando a rua Beira Rio, que me parece é o que chamam de Rambla, e tirando fotos de belas paisagens. Muitas famílias aproveitavam o sol de domingo à tarde para jogar bola, brincar e tomar chimarrão nos gramados, sob as frondosas árvores.

Como a recepcionista do hostel havia me instruído, quando chegasse à cidade velha, logo veria o farol. Entrei pela porta da antiga muralha, observei um outdoor  comum mapa dos pontos de interesse, registrando em foto para me ajudar, e fui para a pequena fila de subida do farol. URL 25 e uma escada em caracol, com uma parada intermediária, também panorâmica, para respirar, e continuo a subida. Um lindo sol prateava o rio, e o vento dera uma trégua.

Na descida, queria comer. Agora vou gastar o dinheiro do dia de amanhã inteiro. Quero carne. Encho meus olhos com um cardápio externo, quando o moço me infoma que estão fechando. Oras. Vou procurar outro lugar. Encontro o Cafe Fredo. Irresístivel. É uma das mais conceituadas sorveterias argentinas. Pedi uma casquinha, com dois sabores, por URL 160. Primeiro: 'Dulce de Leche', o outro, 'Chocolate Suizo'. O sorvete de doce de leite, pasmem, tem doce de leite dentro. Não quero mais carne. Vou comprar uns pães e comer no hostel. Lá tem cozinha e posso aquecer água para tomar minha cevada, e me aquecer. Penso ate em parar a reposição hormonal. Estou com muito frio.

Dali sigo para ver o por do sol no 'Mulle Viejo', por indicação de minha prima Márcia, mas passo na frente de Igreja e, ainda é cedo. Vamos orar e agradecer, sempre. Vou na direção que o mapa indicava quando vejo uma rampa avançando no rio. Ali, vários barcos e lanchas se espalham, e vejo o nome do Yate club. Consigo um banco, dou as costas para o sol que ainda está muito brilhante e me ponho a observar a vida em volta, cantantes, dançantes, gente calma absorvendo a vida. Fico quase duas horas, parada, o frio começa a aumentar, mas o por do sol esta chegando, maravilhoso. Antes que o espetáculo termine, sigo adiante, pela Rambla, muitas pessoas estão espalhadas, esperando o desfecho do espetáculo.

Música alta se fez ouvir, saindo de alguns carros estacionados ao longo da avenida. Dão um tom mais festivo ao momento. Me agradou.

Volto para o hostel, me deparo ao longo do caminho com cachorros adequados ao frio da região, 2 coolies, e 2 São Bernardos.Vejo também, quase em frente ao hotel, uma armação de árvore e flor, encantadora, como tantos outros detalhes dessa pequena e charmosa cidade. Encontro uma 'panederia' para compra de uns mini pães de massa folhada, recheados de presunto ou queijo, mais um cone de doce de leite, por URL 70, e meu jantar já esta servido.

Aqui são quase 23h e está um frio danado. E eu vou dormir sozinhaaaaaa. Buáááá!