es-De Carona ate Porto Alegre

14.03.2018

Foi dada a Largada! Começa a aventura.

E eu, na terça a noite, mando uma mensagem pelo 'zap' para o amigo de minha filha querendo saber se tem alguma previsão de viagem. Coincidência ou nao, ele acabara de receber a confirmação de carga, mas uma parada intermediaria. Saindo de Barueri e passando por Gravataí, grande Porto Alegre. 

_ Você pode estar aqui as  5 horas?

Oh meu Deus. 

_ Ok. Dou meus pulos.

Tentei contactar um UBER conhecido, mas ele tinha viagem logo cedo para  Sao Paulo. Avisei minha filha que teria que me levar. 

Bom, uma hora de percurso, mais o tempo de me arrumar, vou me levantar as 3:10.  Então, deixe-me dormir mais cedo do que de costume, pois a jornada sera extensa.

Resolvi algumas pendencias de ultima hora e eis que me embrulho na cobertas por volta de 23 horas. O sono, bem, vamos rezar primeiro. Ainda não veio. Vou meditar um pouco... Sera que eu peguei tudo? Para de pensar na viagem... Nossa, não posso me atrasar para chegar em Barueri. Caramba! Você tem que dormir... Nossa! Duas horas e a Brenda ainda não chegou?

Bom. O relógio despertou e nada de dormir.

Pegamos a estrada e 5 horas em ponto estavamos no local marcado. Cumprimentos e pode embarcar.

 Caramba! Que alto esse caminhão.

Saímos pelo Rodoanel e eis que vejo uma bola vermelha junto a praça de pedágio. Estava tÃo lindo que ate pensei tratar-se de algum anÚncio ou placa.

A viagem seria num comboio com 3 caminhões. Meu motorista, se e que posso chamÁ-lo assim, um paranaense criado na cidade de Salto,em SÃo Paulo. Os outros dois gaúchos, moradores de Uruguaiana, Rio Grande do Sul, Sr. Gustavo e Sr. Pedroso.

A viagem estava sendo mais rápida e mais confortável do que esperava. Ao meio dia ja estávamos em Curitiba. As 2 horas fazíamos a primeira refeição em Guaruva, num restaurante selfie service a R$ 17,00 por pessoa. O gentil Robson não me permitiu pagar minha conta.

Porém, tivemos que entrar no Distrito Industrial de Joinville para fazer uma manutenção de segurança do engate da carreta, e ali atrasamos mais de 2 horas. Os companheiros de comboio aguardavam em Itajaí, no Auto Posto Santa Rosa. Pegamos ainda um congestionamento na entrada da cidade, que segundo o Robson, os gaúchos chamam de tranqueira e as 19 horas encostamos a carreta ao lado dos outros no patio do posto.

Vi que tinha um hotel e a ele me dirigi. Eles iriam dormir no caminhão.  Meu novo amigo me disse que daríamos um jeito, para eu não gastar meu dinheiro, se estivesse caro ou se nao houvesse vaga, para voltar. Sai com a mochila pequena, que já havia preparado para esse fim e arrumei acomodação no Hotel 10 por R$ 179,00 o pernoite com direito a cafe da manha, que eu nao tomaria,pois a saída seria de madrugada. Chorei um desconto alegando que ficaria poucas horas, que nao tomaria cafe, mas a simpática recepcionista só sabia dizer não. Enfim consegui a cortesia para meu amigo banhar-se no quarto, ja que o banheiro para uso dos caminhoneiros não estava la muito apresentável. 

Apos seu banho, fomos ate a conveniência do posto comer algo, nada pesado pois o sono da noite não dormida, de ambos, ja nos incomodava. Comi um pastel de queijo, um suco de uva e um pedaço delicioso de bolo de banana que paguei R$ 17,50, enquanto o Robson se contentou com uma cerveja long neck. Nos despedimos e fui para meu quarto, atravessando o patio lotado de caminhões e caminhoneiros, que ja se entregavam ao bracos de morfeu.

Chegando ao quarto 105, tomei uma ducha relaxante, lavei minha roupa do dia no lavatorio, torci na toalha de banho e coloquei para secar nas cadeiras do quarto, deixando o ar condicionado ligado para ajudar nesse processo.

Deitei nua, como gosto, sob o edredom daquela cama Queen, me espalhei toda, e mal tive tempo de agradecer a Deus pelos acontecimentos ate ali.

As 4 horas estava de pê para mais uma jornada. Recebi uma mensagem do Robson dizendo que nossa partida estava autorizada, me vesti rapidamente e fui em direção ao caminhão. Ainda estava escuro e fresco. Muitos ainda dormiam.

Novamente, vimos o sol nascendo lindamente, agora no mar. Ja estávamos na região de Itapema.

Paramos para um cafe no posto Sorocaba. Tomei um pingado, comi um pastel de carne e um pedaço de bolo de cenoura. O Robson pediu um cafe puro, e comeu 2 pasteis de carne. Paguei R$ 18,00 por tudo.

Ao longo do caminho, conversamos muito ao som de um radio que hora sintonizava em alguma estação local, hora ficava só na chiadeira, mas a conversa prosseguia animada. Conversamos sobre comida, sobre musica, sobre linguagem da gauchada, ate porque ele,de tanto vir para o sul, fala como estes e aprecia um bom mate, sobre relacionamentos, sobre família, e aprendi muitas coisas sobre o caminhão e os hábitos dos caminhoneiros.

Em Osório, paramos para reabastecer o caminhão. Entrando no Rio Grande do Sul, a chuva começou, e não parou mais. 

Chegada ao primeiro destino, deles. Gravataí! Completariam ali a carga para seguir viagem so no dia seguinte. Como a cidade pertence a grande Porto Alegre, era o melhor lugar para eu seguir em frente. Mas primeiro fomos almoçar num restaurante logo em frente. Como todos os outros lugares, simples, com comida excelente e ótimo preço.  Tambem selfie service, por R$20,00 por pessoa,com suco e sobremesa.Ali não resisti a tentação de tirar uma foto dos pratos de meus novos amigos, com sua autorização, e logico. Eles fazem uma unica refeição no dia, comem bobagem a noite e tomam chimarrão ao longo da viagem. Mas capricham no almoço.

Acreditam que me surpreendi perguntando aos motoristasdos onibus que iam levar os funcionarios da empresa na troca de turno, se alguem ia para Porto Alegre para pegar carona? E batendo no vidro de carros com placa de PoA com o mesmo questionamento? Quem diria. Mas a sorte nao me abandonara.

Encontramos saindo de Gravatai um motorista amigo do Robson que gentilmente concordou em me levar ate Porto Alegre. Sugeriu que eu ficasse no primeiro Auto Posto apos o estadio do Grêmio, onde seria mais seguro e onde poderia chamar um UBER. O Wesley, também gaúcho, mas da região das missões, ficou muito entusiasmado me contando um pouco sobre sua região, sobre sua admiração pela Argentina e pelo Chile. Foram so pouco mais de 30 km, mas rendeu uma boa conversa.

Minha primeira impressao de Porto Alegre nessa viagem ja foi muito boa, pois o simpatico Valdione, motorista do UBER, foi me passando informacoes sobre a cidade ate me deixar no hostel Minas Inn, na Rua Duque de Caxias, 1659. Gasto de R$ 32,72.

A reserva foi feita pelo booking la no restaurante do posto, e a recepcao pela Sandy, e pela proprietaria, a Val, foi calorosa e acolhedora. Conversamos bastante e fui instalada num quarto com 2 beliches, com mais duas garotas, a Juliana, baiana, que gentilmente me cedeu a cama de baixo do beliche. E a Gleice, que chegou uma hora antes de mim.

O hostel esta instalado numa casa antiga, mas com cômodos amplos, e sao poucos leitos, o que da uma sensação de ambiente familiar. Fiquei mais a vontade com isso.

Agora ja me banhei no banheiro de uso comum, mas com um banheiro completo, com bastante espaço e uso individualizado, novamente lavando minha roupa do lavatorio. 

Muita chuva ja caiu, raios e trovoes enquanto eu aqui relatava minhas proezas, ate quase parar completamente o aguaceiro. Meus pés estão gelados e acho que devo me deitar e me esquentar, se nao quiser me resfriar logo no inicio da jornada.