es-Colônia del Sacramento - A vida passa lentamente

25.03.2018

Por aqui, o tempo passa diferente, não o clima, nem o tempo do relógio, mas a sensação do tempo, ele transcorre devagar e tudo parece estar em câmera lenta.

Se ouvem os pássaros, o vento, as folhas em movimento, o som dos rádios e das conversas alheias. Até a energia elétrica passando pelos transformadores, nos postes, e possível ouvir.

Deitei ontem na cama 3 do beliche, a de cima. Assim escolhi porque o beliche é baixo e fico arqueada quando sentada na cama de baixo. Novamente, estou sozinha no quarto. As casas por aqui beiram a calçada, e o quintal é em patio central. Neste, com uma belissima árvore centenária.

Porém, o banheiro coletivo também dá para o pátio. Fui desaguar antes de deitar na esperança de não precisar levantar durante a noite. Bexiga inconveniente. Faz tudo ao contrário. Menos de duas horas depois, já estava transbordando. E lá fora, uns 10 graus. Brrrrr.

A cama fica arrumada, com um edredom, um cobertor e um lençol de cobrir. Como estava bem frio, deitei-me sobre o cobertor, assim fiquei mais aquecida. E quase derrubei a cama sobre mim na hora de subir. Mas descer é mais fácil, escorrego um pé e apoio na cama de baixo e... Despenco.

O café da manhã esta incluído na diária de URL 330, a mais barata até aqui. Também tenho toalha seca e sabonete todo dia. O café, como nos demais lugares, é composto de torradas, margarina, geleia, café e leite, também tinha água quente para o chá. Fiz minha cevada. Aqui não servem suco.

Apos obter informação sobre o ônibus para a 'Plaza dele Toro', caminhei duas quadras e tomei o coletivo para San Rafael. Estas têm sido experiências gratificantes. Paguei URL 23. O cobrador fica no primeiro banco, você entra e se senta, ele passa cobrando um a um. Fui observando a cidade e a calma vida deste povo, que se reflete em gentilezas.

Uma mãe entra com sua filha de uns oito anos, a menina fala para a mãe se assentar que ela deseja ir sozinha no banco. A mãe não diz nada. Determina o banco para a menina sentar e se acomoda ao seu lado. A menina não contesta. Nem cara feia faz. Ate onde pude observar, os limites aqui são bem claros. Não que as crianças não tentem ultrapassá-los.

Depois, uma senhora sinaliza para a parada do ônibus e tem muitas sacolas com flores artificiais, o cobrador se levanta e corre para ajudá-la. Pega as sacolas e deixa perto dele. Ela se senta e se dirige a todos, inclusive com piscadelas para mim, pois está brincando com o cobrador. Na sua descida, ocorre o processo contrario.

Na Plaza del Toro ele me alerta para descer. É um prédio circular e grande, não há como não ver. Não é permitido entrar, esta em ruínas. Porém soube que está prevista sua restauração. Na mesma praça tem o Museu Ferrocarril, que não pude visitar por estar fechado por duas semanas a partir de 16 de outubro. Este é um problema de viajar fora de temporada. Muitos lugares estão em manutenção. Do resto, só vejo vantagens, preços mais baixos, serviço melhor, menos movimento.

Há duas possibilidades de ponto de ônibus para volta, pedi informação e me foi indicado onde passaria mais rapidamente o ônibus.

Colônia é toda muito charmosa, muitas árvores gigantes decoram as avenidas, mas é pequena, e uma cidade para se aproveitar acompanhado. É romântica com seus gramados sombreados, o tempo pede um vinho, uma bebida quente, o calor humano. Dizem que é a Paraty uruguaia. Sim. Tem a mesma vibração. A mesma vibe.

Voltando, desci um pouco antes para caminhar pela General Flores, que junto com a General Artigas, são as principais avenidas da cidade. As lojas normais fecham para o almoço. A hora da 'ciesta'. Por ali se encontram outros cantinhos diferenciados, alguns bons restaurantes para escolher entre carnes, massas e frutos do mar. Fui caminhando, fiz uma nova amizade, felina. Vi uma fonte de sapos de concreto e pombas de verdade e, quando percebi, estava dentro da cidade velha, pois a muralha é parcial. E eu não tinha me dado conta.

 Fui olhando os preços porque queria comer carne, compensar o dia de ontem e gastar todo o dinheiro do dia em uma única refeição. Achei o SOS Gardel, que já tinha me encantado no dia anterior. Tudo incluso por URL 435. Perguntei o horário e soube que encerrava às 15h30. Ótimo! Para uma única refeição, não posso fazê-la muito cedo. Além do que, tomei café às 10h, simples, mas comi todo o pão a mim destinado.

Caminhei para fazer mais umas fotos, quando vi um carro antigo semi aberto, com um cenário de restaurante. Estava tirando uma foto quando uma turista se ofereceu para tirar uma minha. Entendi que podia entrar ali, e o fiz, até com certa facilidade, ela tirou algumas fotos minhas, e fui descer, ou melhor, escorregar pela cadeira a fora, assustando as coitadas das moças. Envergonhada sai com 'muchas gracias'. Para elas deve ter sido muitas graças. Hehe.

Voltei para o hostel del Espanol, dei uma pequena carga no celular, fiz uns exercícios para pernas e costas e voltei para lá, chegando um pouco antes das três horas.

Confirmei o preço e iniciei minha orgia gastronômica. Buffet de Saladas livre, carnes assadas a escolher, um refrigerante, uma porção de batatas fritas, dois pãezinhos e sobremesa. Comi quase tudo. Só deixei um pouco de batatas. A gorjeta não estava incluída, então deixei URL 480. Mas fui muito bem atendida.

Uma hora depois, voltava para a pousada, feliz e realizada por hoje. Estou até adiantando a postagem de hoje. Quero me deitar mais cedo, e quem sabe tomar um 'vaso' de vinho Tannat, que adoro, e ainda não provei nenhum durante a viagem. 

O tempo mudou de repente, o céu esta nublado e o frio intenso. Estou enrolada em minha manta de viagem, de meia e chinelo, louca para pular na cama. Um companheiro me faria muito bem nesta noite fria, neste lugar propício. 

Se for tomar o vinho... ou não, depois eu conto.