es-CENTRO DO RECIFE - HISTÓRIA X REALIDADE

31.10.2018

O Governo Municipal garantiu a condução coletiva urbana no dia de hoje, apesar da greve dos caminhoneiros que ja dura 8 dias. Fui para o ponto orientada pela Alexandra, do Hostel Cosmopolitan. Ela me entregou um papelzinho com o número e nome do ônibus, (032) Setúbal, indicando o Marco Zero como parada de destino.

Não levantei muito cedo pois fui dormir quase uma da madrugada, mesmo depois da noite anterior curta e dos perrengues do dia para aqui chegar. Como o meu quarto é coletivo, fiquei preocupada em 'emitir ruídos altos pela passagem interrompida do ar pela garganta', fora que colchão e travesseiro são cobertos de material plástico/sintético. O Daniel, que estava muito bêbado, saiu por volta de 23h e até nos deitarmos, o Japa, o Argentino que chegou tarde, e eu, ainda não tinha voltado, então não teve nenhuma ocorrência neste sentido.

Por volta de 9h eu tomava meu café, que diga-se de passagem, surpreendeu, em tratando-se de Hostel com valor de R$ 36,00 a diária. Tinha salsichas fatiadas no molho, cuscuz, pão, bolo, queijo branco, mamão, sucos artificiais de 3 sabores, chá, leite e café, isso o que eu lembro. A Alexandra passava orientações para as argentinas que resolveram ir de ônibus mesmo para Porto de Galinhas, pois ao tentarem alugar um carro, nenhum estava com o tanque cheio. E o ônibus passa aqui pertinho. Mais um ponto positivo para a localização da hospedagem.

Antes de sair, perguntei a Alexandra pelo Daniel, pois ainda não o vira. Ela não tinha sido informada que ele estava ausente, e acharam até que ela estava dormindo, pois deixou sobre a mesa da cozinha, seu celular. Eu disse que ele estaria no mesmo quarto que eu, e não dormiu lá. Fiquei sinceramente preocupada, e perguntei qual seria a atitude se ele não aparecesse. Ela me disse que a estadia dele venceria às 11h e se ele não surgisse, outra diária seria cobrada em seu cartão. Então tá né?

No ponto de ônibus, um moço mendigando passagem ou lanche, acabou conseguindo entrar num ônibus sem pagar, com o consentimento do motorista. O Setúbal demorou uns 20 minutos, a cobradora me ajudou descer no Marco Zero, onde encontrei um grupo de turistas ouvindo as últimas explicações sobre a estátua da serpente do mau, na Praça das Esculturas, em frente, logo após o rio Capibaribe. Este marco tem o mesmo siginificado que a Praça da sé, em São Paulo, com relação às estradas do estado. É o principio na contagem da quilometragem das mesmas.

O sol estava tão intenso que dificultava enxergar a tela do celular para fazer as fotos. E incomodava a vista.

Entrei no Centro de Artesanato do Recife, um grande prédio que já foi cadeia um dia. Fiquei impressionada com a diversidade de arte de boa qualidade, passando por temas religiosos, do candomblé ao catolicismo...

E por temas de Carnaval, como o Cabloco da Lança:

Cangaço e festas juninas. Renda e patchwork. Hábitos e costumes, folclore e música.

Encontrei na rua um guia que queria me cobrar R$ 50,00 para mostrar sua cidade, e que nunca namorou uma paulista. Perguntou se eu já tinha namorado um pernambucano. Disse-lhe que só dois sergipanos, além dos paulistas, mas que ainda não estava interessada. ele me acompanhou por parte do caminho até o posto de informações turísticas, onde consegui um mapa, a comprovação de que amanhã, terça, os museus têm entrada gratuita, e orientações de como chegar ao Centro do Recife, passando pela ponte Maurício de Nassau. Uma judiação ver tantos lindos monumentos escondidos atrás da rede elétrica.

Passei pela Igreja Madre de Deus e tive uma bonita visão das ruas do Recife antigo, com suas casas coloridas e árvores antigas.


Depois de atravessar, tive uma visão do Shopping Paço Alfândega. Amanhã passo por lá.

As contradições após a ponte são mais gritantes, muita sujeira, mendicância, antigas construções, em mal estado de conservação. Mas um comércio latente, e muita história desprezada. Uma das igrejas por que passei foi restaurada, num prazo de 5 anos. Se forem cuidar de uma de cada vez, com tantas igrejas concentradas num mesmo local, quando terminar a última, a primeira já precisará de reparos novamente.

A Praça 17 é um exemplo destes contrastes.

Ali, enquanto eu tirava fotos da Igreja do Espírito Santo, dois senhores, que descansavam em um banco, me preveniram para guardar o celular, apontando um outro cidadão:

_ "Tá vendo aquele home de blusa listrada? Mas não olhe agora."

Hahaha, é pra ver mas não é pra olhar.

Pois era um ladrão oportunista.

Entrei na simples igreja, onde iniciava a missa de meio dia, para meia dúzia de fiéis.


Eles me indicaram a rua Nossa Senhora do Carmo para seguir e chegar às Basílicas Nossa Senhora do Carmo e Nossa Senhora da Penha. Muito comércio e muitos tocando forró, principalmente de Luiz Gonzaga. Eu ia olhando para cima e avistando torres de igrejas para todos os lados, virando para lá e para cá a sua procura, pois são os pontos turísticos gratuitos, que revelam boa parte da história de um lugar.

Avistei a Igreja Nossa Senhora do Livramento dos Homens Pardos.

Todas guardam muitas semelhanças do estilo de construção de uma época. Não se esqueçam da torre individual ou dupla, que marca a importância, mas também a forma de burlar os impostos portugueses do Brasil colonial.

A Basílica de Nossa Senhora do Carmo é imponente, e pode ser avistada a partir da ponte que dá aceso entre a parte noca da cidade e o Centro velho. Infelizmente, estava fechada, e parece que passa por processo de restauro. 

A sua frente um largo, porém sem nenhum policiamento. Não dá pra ficar muito à vontade.

Fui me embrenhando pelas ruelas, com muitas barracas de ambulantes para todo lado, até que cheguei na Igreja São Pedro dos Clérigos, esta totalmente restaurado entre dezembro de 2012 e dezembro de 2017. Na portaria, o Wellington me informou, ao ser por mim questionado, que os guias não foram trabalhar em função da falta de condução. A visita guiada ou o acesso para fotografias é cobrado. Paguei meio ingresso na qualidade de aposentada. A igreja é de meados do século 18 e é toda entalhada em madeira. Suas portas são de jacarandá, e no teto, linda pintura na madeira. Ela é considerada uma Concatedral, sendo que a Catedral de Olinda e Recife fica nesta primeira cidade. Não precisei de guia, pois o Wellington ma deu muitas informações, na qualidade de curioso, que aprende com os guias e o pároco.

Recebi orientações dele para chegar ao Mercado São José. Já passava das 13h e eu estava com fome. Ali perto a Basílica de Nossa Senhora da Penha.

Primeira à direita, primeira à direita, primeira à esquerda. O Mercado tem uma feira permanente à sua volta, de frutas e verduras. Na sua frente, a área de alimentação. E sob a estrutura de aço, o centro de artesanato, com passagens muito estreitas e uma grande variedade de artesanias. Meus pés doíam, precisava sentar e comer. Tomei informação para comer uma tapioca bem feita, me indicaram um lugar próximo aos banheiros, mas eles só fazem a tapioca pela manhã.

Vi um lugar que estava aquecendo pão com queijo coalho na chapa.  Perguntei a Beth quanto cobrava para aquecer meu lanche na chapa. Ela o pegou, enrolado que estava em papel da padaria, aqueceu, cortou ao meio, colocou guardanapo e serviu-me em um prato, comprei uma água por R$ 1,00 e tomei parte da água e o suco de laranja que comprei no dia de ontem. Não me cobrou nada e a agradeci com um : "Deus te pague." ao que ela retrucou: "Volte mais vezes." Muito simpática. Pareceu-me ser muito bem quista no lugar.

Dali resolvi vir embora, e na rua Nossa Senhora do Pilar me indicaram o ponto e os ônibus que poderia tomar em direção à Boa Viagem.  Mas fiquei uns 20 minutos e só passava ônibus no sentido contrário, o ponto estava um pouco cheio e descobri que tinha gente ali já há mais de 45 minutos. Uma moça sugeriu dividir um UBER entre 3 pessoas. Mas 5 minutos depois apareceu o com destino ao Shopping Recife. Me servia. E a todos que estavam na parada. Encheu, mas não ficou ninguém de pé.  

Desci em frente ao WallMart e entrei para comprar mais 1 litro de água, Tang de limão, pão, coentro, sardinha, banana da terra e duas porções de mamão e melão. Gastei R$ 18,52, e preparei meu jantar e o lanche do almoço de amanhã. Salada de coentro com sardinha no pão com requeijão e queijo.

Demorei de escrever o post de hoje porque aqui todo mundo gosta de conversar, e como estou usando a cozinha para este fim, bati bastante papo com o Raul, recepcionista do Hostel, e sua esposa, um pouco com o Daniel, que reapareceu, e com o argentino Sergio. Agora, todos já se deitaram e passa da meia noite.