es-CARUARU (PE) - FIM DE SEMANA COM SÃO JOÃO

13.11.2018

Imaginei que o retorno para Caruaru seria tão simples como a ida. Não me enganei. 

Na saída do Hotel Arcoverde, a camareira perguntou-me de onde eu era, pois disse que certamente não era de lá. Ao questioná-la por que, ela me disse que eu sou educada e alegre. Não creio que seja exatamente isso, creio que, como na maior parte dos lugares, sua profissão faz com que não seja percebida pelos demais 'pobres' mortais.

Queria sair na estrada, mas não no trevo que fiquei quando cheguei. Não é um bom lugar para pedir carona. Por isso, andei um pouco mais, por subidas e descidas, dentro da cidade. Quando finalmente cheguei a BR-232, mal sinalizei para o primeiro caminhão, jé consegui carona até a cidade vizinha de Pesqueira, há uns 40 km. Considerando que até Caruaru 160 km, já é 1/4 do caminho. 

O Petter Djone vinha de Rondônia entregando bicicletas e peças de moto, saiu de sua casa antes de iniciar a greve e já estava há 21 dias na estrada, e na esperança de conseguir voltar até dia 19. É muito tempo longe de casa, mas ele disse-me que, quem é casado, pode carregar a família, pois a empresa permite. Quando perguntei se tinha estrada asfaltada até lá, ele sentiu-se meio ofendido, pois lá tem cidade grande também. Expliquei que sabia que não era meio do mato, como  índios, mas que outros caminhoneiros já me haviam dito que, a transamazônica, por exemplo, tem ainda, muitos trechos de terra. Ele disse que o povo de sua terra é mais simpático e sociável, todo mundo se ajuda, tem muita segurança e tranquilidade. Disse-me que o pai mora em Rondônia, mas a mãe mora em Florianópolis, e que, de vez em quando tem carga para lá, mas não gosta não. De Pesqueira ia pegar uma estrada vicinal para atingir uma cidade mais adentro.

Parou num posto no sentido oposto da estrada. Agradeci, desci e atravessei a pista. Estava ainda atravessando quando um caminhão passou e o motorista falou comigo, já sinalizei, e ele parou rapidamente, até derrapando na areia molhada do acostamento. O Alexandre, motorista, e o Nailton, seu ajudante, estavam retornando para São Caetano após uma semana fora, entregando sardinhas e outros itens do mesmo gênero. Vinham de Custódia, sua última parada, há 122 km. Normalmente, saem às segundas, retornando na sexta. E criticaram alguns colegas que só folgam aos domingos, fazendo hora extra para ganhar um pouco mais de dinheiro, mas que não têm tempo para desfrutar um pouco a vida. Nessa dupla, o Naílton era o mais falante. Comentamos sobre as diferenças das formas de diversão, mesmo nós não estando na mesma geração. Ele relatou festividades mais simples, com fogueira e milho assado, festas de amigos, sem bebedeira e drogas. Acho que por serem do interior, apesar dos mais de 10 anos de diferença na idade, tiveram experiências semelhantes às minhas.

Não sou de falar de política, mas tenho provocado este assunto com as pessoas do povo que tenho encontrado, quero saber de suas impressões. Sempre estão se repetindo. Sentem que têm mais oportunidades agora, para permanecer em suas terras natais, que os governos, finalmente, deram possibilidades para o nordestino se desenvolver. Deram opções, e eles estão aproveitando. E as cidades crescendo. Troquei zap com o Nailton pois ele disse que iria na festa do Cuscuz gigante. Eu tinha conhecimento desta festa, mas não sabia que ia coincidir com minha estadia em Caruaru.

Me deixaram no ponto da lotação, e não demorou que eu conseguisse, por R$ 3,00, chegar ao centro da cidade de Caruaru. Cheguei à casa da Joelma, minha anfitriã pelo AirBnb, por volta de 13h.

Dei muita sorte, como sempre! Graças a Deus. 

A rua onde ficarei hospedada fica no melhor bairro da cidade, em frente ao Shopping Difusora, e a menos de 2 km do ponto de lotação, e um pouco mais de um quilometro do Polo Juarez Santiago, onde ocorrem os principais eventos do Maior e Melhor São João do Mundo.

A casa da Joelma está em reforma. Conheci sua linda filha Aluska, de 5 anos, curiosa e inteligente, alojei-me e já fui procura onde almoçar. Resolvi ir à Praça de Alimentação do Shopping mesmo. Seria mais rápido. Queria atualizar o blog com a postagem sobre o Catimbau durante a tarde, pois a noite tem forró. 

Optei por uma massa, nhoque, que eu adoro, e o molho é a escolher. Você escolhe os ingredientes e eles preparam na hora, ao molde de muitas casas do mesmo tipo por todo o país. Tomei um suco de maracujá e gastei R$ 31,50. Estava com muita sede. e Depois um cappuccino, que ficou quase mais caro que o almoço. R$ 11,55.

Após a publicação do post, a Joelma me convidou para comer pamonha com leite integral, puro. E tomar café. Estava uma delícia e já foi meu jantar. Tomei um banho e optei por uma bermuda e camiseta para ir à festa. Ia colocar vestido, mas caminhando suada, na volta, podia ficar assada. E aqui, à noite, é bem fresco. Sai tarde, por volta de 21h. O movimento era grande. A entrada para a festa é livre, durante o trajeto, longo, surgem várias barracas de manifestações da cultura e folclore locais. Como o teatro de mamulengo, o circo, feira de artesanato, dança de capoeira, palcos para dançar forró pé de serra, além de espaços para os patrocinadores interagirem dom os visitantes. Tem gente caracterizada, tem gente feliz, tem gente atrapalhada, e no final, tem gente bêbada também. Na sexta as atrações que assisti foram: Cavaleiros do Forró e Flavio José. Gostei muito do segundo, além do trio de forró no Baião do Gonzaga.

A revista para o espaço das atrações foi 'forte'. Passam a mão na gente em todo lugar, nos homens até entre as pernas. Lamentavelmente necessária!

Por volta de uma da manhã, iniciei o caminho de volta, chegando ao meu destino 1h30 mais ou menos. Me diverti, dancei, só e acompanhada, mas o forró daqui é diferente. Bom também.

A Joelma me ofereceu café da manhã, o pedreiro trabalhou no sábado, com seu ajudante. Muito alegre, cantava sertanejo de raiz, e por sinal, muito bem. Tinha roupa suja para lavar, descobri que aqui não seria o melhor lugar para isso, pois falta água encanada com frequência. Mas assim mesmo, a Joelma, muito gentil, me deu as orientações, disponibilizando água que armazenara em garrafões. Fiz como no sítio, e com a ajuda da Aluska, realizei minha tarefa, deixando a roupa estendida e rezando para secar, pois o tempo não estava com cara de sol.

Fui de novo para o Shopping, devido a proximidade e facilidade. Queria comprar uma sapatilha, pois a alpargatas que trouxe, como já imaginava, tem o solado mole e inadequado para os pisos que enfrentei. Já estava nos meus planos fazer isso. Primeiro almocei no Mariola-Culinária Nordestina, a quilo, tomando suco de graviola, e gastando R$ 25,00. Quando desci, já com a escolha do lugar para adquirir a sapatilha, vi um trio de forró e parei para escutar.

Uma senhora, vestida de cangaceira me chamou a atenção e pedi para fotografá-la.

Convidou-me para assistir sua apresentação na quadrilha do Grupo da amizade, da melhor idade, do SESC. Ainda dava tempo de eu comprar o sapato antes, voltar e sentar-me nessa arquibancada de madeira. Assim fiz.

Quando retornei, achei que meu joelho, judiado nos últimos dias, com andanças e forró, não ia me conduzir aos degraus mais altos. Fui incentivada pela Dona Nielza a sentar-me ao seu lado. Se ela subiu, também consigo. E lá vou eu.

Tive uma grata surpresa: três quadrilhas se apresentarão ali. Uma tradicional, do SESC, e duas estilizadas. Que bom. Adoro. E no espaço destinado a elas, no Polo Juarez Santiago, fica muito cheio, com gente de pé, atrapalhando a visão e as fotos. E a tarde eu não tinha nada para fazer mesmo. Além do que, fiquei ao lado da simpática Nielza, cuja irmã Elzani (vejam que os nomes têm as mesmas sílabas em posições diferentes) estava no primeiro degrau, devido a problemas nos joelhos.

Descobri, conversando com ela, que mora na mesma rua que a Joelma, só não se conhecem pelos nomes. Coincidências da vida. Não se apresentaria com o grupo pois sente muitas dores nas pernas e costas para se comprometer com a dança, porém, veio prestigiar, e disse que participa de outras atividades que o SESC oferece.

Na quadrilha tradicional daqui, apresentam-se além dos noivos, representantes da diversas culturas que, misturadas, formam o povo nordestino. Tem cangaceiros, ciganos, religiosos...

A próxima quadrilha já é estilizada, ou seja, não apresenta os passos e músicas tradicionais.  Eu os comparo às Escolas de Samba do Rio e São Paulo, no Carnaval. Têm coreografias muito complexas e ensaiadas, as músicas são conhecidas, juntadas de forma a contar uma história, e as roupas são lindíssimas, tem muito glamour.

A primeira a se apresentar foi a "Pé na Roça", que veio de São João de Garanhuns, e apresentou um casamento com a interferência de Catirina e Pai Francisco, personagens lendárias, pertencentes a história do Bumba Meu-Boi, onde a escrava Catirina, grávida, fica com vontade de comer boi, mas não qualquer, queria do preferido do Sinhozinho, do boi Mimoso, e o Pai Fransciso, para a criança não nascer com cara de boi, vai atrás e mata o bicho. O resto da história varia conforme autor e lugar. mas fato é que, na quadrilha, as personagens participam do casamento, ajudando o pretendente da filha do fazendeiro, que lhes promete a libertação caso seja aceito como marido da Sinhazinha. E depois que ocorre o acordo, por trás dos panos, a comitiva se transforma, e em roupa de festa, segue o casamento. Personagens do Maracatu também apresentam-se na comitiva. E observei a alegria da maior parte dos integrantes do grupo em dançar, se apresentar, transparecem o amor que sentem pelo que fazem, alguns em especial, como a rainha, vestida de amarelo, e uma das convidadas, que fiz questão de isolar na foto.

O outro grupo, Gibão de Couro, veio de Pilar do estado de Alagoas, e num primeiro momento, achei suas vestimentas menos chamativas. Tiveram um grande contratempo, o noivo e o rei não embarcaram no ônibus, ficando para trás.  Eles iniciam os procedimentos com uma oração.

O tema deles é mais atual, e os pretendentes a mão da filha do fazendeiro, terão que disputar um campeonato de tiro, sendo o campeão, o futuro marido. A noiva e a rainha devem ser bailarinas. Fazem uma apresentação ímpar, com giros contínuos, pelo espaço. Têm que encenar como se ali estivessem os dois rapazes ausentes. Fizeram-nos com maestria. Algo que podia descontar pontos em seu julgamento (havia uma banca de 4 juízes), certamente os favoreceu.

Quando o noivo é determinado, uma surpresa: entra o grupo de Lampião, indignado por não ter participado do campeonato.

Lampião disputa com o vencedor, vence, mas cede a argumentos do amor. Esse grupo tem músicas fortes e animadas. A dança é intensa, vibrante, compensando qualquer outro detalhe.

A festa segue com todos os integrantes agora, num multicolorido junino.

Fiquei pensando: 'já assisti a alguns filmes de competições de dança entre torcidas organizadas americanas. eles têm tradição neste tipo de competição. E contam as histórias do preparo, sempre romanceando e mostrando a trajetória dos participantes. Acho que temos nestas quadrilhas estilizadas excelente material para realização de um ou mais filmes com temática semelhante, mostrando muito das nossas dificuldades, tradições e competências, porque o resultado é impressionante.

Mas o dia mal começou. Recebi indicação de uma padaria próxima pela Dona Nielza. Panini. E fica na mesma calçada do Shoppping, um pouco mais a frente. Outra grata surpresa. Encontrei o primeiro Café Nordestino a quilo que já vi em minha vida.

Você pode pedir tapioca, mas também tem cuscuz, banana frita, macaxeira cozida, batata doce cozida, bolo de tapioca, de milho, de macaxeira, pamonha, frios, pão com manteiga na chapa, manteiga, sucos e café. Por R$ 49,50 o quilo.

Na noite de sábado, terei companhia para a festa. Trata-se de uma amiga de Joelma, agora também minha, que gentilmente fez serviço de manicure em mim, antes do almoço. É a Célia. Combinou de me encontrar por volta de 19 horas.

Descemos um pouco mais tarde, fomos recepcionadas por uma boneca na porta, que me deu duas camisinhas, para prevenir. Não sei do que?

Os grupos que se apresentaram durante a tarde, no Shopping, já estão prontos para a apresentação noturna, no Polo. Aproveitei para fazer foto do casal mais jovem do Pé na Roça e cumprimentar a noiva e a rainha da Gibão de Couro pela valentia.

Continuamos nosso caminho, sem saber que, a principal atração da noite já estava se apresentando. A Célia queria comprar bebida do lado de fora do Pátio de Eventos. Lá dentro tudo fica por mais que o dobro do preço. Ela entrou no Assai, rede de supermercados, para comprar um vinho. De lá, muitos jovens saiam com garrafas de vodka, e compravam embalagens de plástico duro, por R$ 2,00 para transpor o conteúdo, já que é proibido entrar com garrafas de vidro, por questão de segurança. A Célia não precisou, a garrafa que comprou já era plástica.

A fila de entrada estava imensa. E no telão externo já podíamos acompanhar o show, por um tempo. Muita gente ia passando a frente, se amontoando para furar fila, e sem condição de controle ou impedimento. Mas não eu. Vou pro meu lugar, no fim da fila, mesmo que em alguns momentos a fila se perca, como em um momento que a cavalaria interviu em alguma ocorrência, e o povo se assustou com os cavalos. e correram desordenados, como em um estouro de boiada.

A Célia queria muito ver o Xand, da banda Aviões do Forró. ainda bem que o show se estendeu, e ainda entramos a tempo de ver pelo menos um pedaço.

Antes de iniciar a próxima atração, Azulinho e Azulão, que são representantes da cidade, fui sozinha para o Baião do Gonzaga. A noite de sábado tem uma maior participação do povo e de turistas. Esteve muito, muito cheio. E foi impossível dançar se não tivesse levado seu par, pelo menos para mim. E mesmo sozinha, não tive muito espaço. Mas ainda assim aproveitei, e ri, me diverti.

Enquanto eu ali estava, caiu uma chuva fina, como as antigas garoas de São Paulo, mas nem vi.

A Célia ainda não tinha jantado, assim, convidou-me a sair do Pátio logo após o show do Azulão e seu filho. Quando estávamos procurando algo apetitoso, vi uma garota, de uns 20 e tantos anos, dançando provocantemente, mas quando parava um pouco, cambaleava, quase caindo. Cometi o impropério (dada a sua reação) de querer segurá-la, tocando em suas costas para evitar uma queda. Sua reação foi brutal, mas dado seu estado de embriagues, não me atingiu fisicamente. Essas cenas me chocam e determinam, para mim, o fim da festa.

Ainda voltamos para dentro do Pátio, após nova revista, a Célia comprou mais um espetinho, agora de bacon, pois o de frango que comeu fora não estava gostoso, depois comprou ainda batatas fritas, com queijo ralado,  que dividiu comigo, além de pagar-me uma água. Parecia que ia chover novamente, e antes que começasse, decidimos retornar ao lar. No caminho, passando pela rua dos points noturnos, ainda fomos premiadas, mas são chuvas passageiras e antes de chegarmos ao nosso destino, já tinham parado.

Coloquei o despertador para 9h30, tomei o café que a Joelma preparou e lá fui eu atrás de condução para o Cuscuz Gigante. A Joelma dizia que se fosse tarde não ia mais ter ônibus. Achei absurdo, mas depois entendi o porquê.

Passei em frente a Catedral antes de chegar no ponto de ônibus.

No ponto, acabara de passar meu ônibus, mas uma lotação, em um Toyota Estendido, muito comum aqui na região, customizado por uma empresa local, e o preço da passagem era um pouco mais baixa, R$ 3,00. Quinze centavos mais barata. Me parece que cabem uma 12 pessoas.

Fomos chegando ao alto do Moura e o trânsito ficando congestionado. Pela rua foram aparecendo os 'paredões' que falam nas músicas 'funk' e que eu não sabia o que eram. Caixas de som de alta potência, com gente dançando em volta, às vezes bem em frente às caixas ou sobre elas, no limite da possibilidade de surdez...

Desci no limite de onde podiam chegar os carros. Ônibus pararam antes ainda, mas foi demorada a viagem, cerca de uma hora. Passei pelo Portal às 11h30.

Imagine a Ladeira Porto Geral em dia de muito movimento de trabalho...

Aqui só não é ladeira e está todo mundo se divertindo, até os trabalhadores. Tem de tudo, e a música? Além do forró, tem muito funk, e vai se misturando entre os paredões. 

No Alto do Moura, muitos restaurantes. Espaços de arte dos mestres Vitalino e Galdino. Gente vendendo toda sorte de coisas para fotografias típicas. 

Queria almoçar em algum lugar com música ao vivo, mas pareceu-me que a maior parte dos restaurantes se preparam para atender grupos nestas ocasiões, não por preconceito, senão porque as pessoas vão mesmo em grupo. Sou uma exceção solitária. Um simpático garçom convenceu-me a almoçar em seu restaurante, pois tinham PF. Até resolvi experimentar a buchada de bode, mas, talvez para minnha sorte, não estavam servindo-a no Prato Feito.

Pedi carne de bode assada. Acompanhando arroz, feijão, farofa e vinagrete. Saladas verdes são raridade nesse clima quente e seco. Até para trazer de outros estados é problemático. Achei que uma cerveja cairia bem, pois estava muito calor. Quando o garçom chegou e rapidamente abriu a garrafa, não tive tempo de corrigir o engano. Intimei-o então, a beber comigo, solicitando outro copo para ele. E ele realmente o trouxe.  Enquanto ele atendia outras mesas, servi seu copo, brindamos, ele bebeu parte, e de vez em quando passava na mesa para tomar mais um gole.

Dali já fui seguindo, pensando em ir embora. Passei perto do paredão com as latas gigantes da Schin e comprei uma canjica daqui (nosso curau). Paguei R$ 4,00 e estava delicioso.

Passei pela Cuscuzeira gigante e não vi. Estava do lado direito do Portal, para quem estava saindo do Alto do Moura. Andei um 'bocado' procurando o ponto de ônibus ou lotação e quando encontrei, voltei para fotografar as comidas gigantes. O cuscuz fica nessa torre azul, parecendo caixa d'água. É retirado com uma concha também gigante, com acesso pela escada, e distribuído para o povo, com acompanhamentos. Não esperei para comer. Já eram quase 15h.

Achei um negócio peculiar e não pude deixar de registrar.

Enquanto fui descendo procurando a condução, entendi porque  Joelma disse que não teria mais ônibus. É porque não consegue passar. É uma multidão sem fim. E também entendi quando disse que o povo vinha 'não sei de onde' caminhando. Eles vêm atrás do Trio Elétrico, ou na frente. Quando passam, os paredões baixam o som. E é uma folia só. Mas minha pilha já estava arriada. Depois de mais de 4 horas andando, sentando só para o almoço, queria ir embora.

Mas não seria tão cedo. Andei um monte. Encontrei um moto-táxi. 

_ "O preço, até o centro?"

_ "R$ 20,00"

_ "Moça, diga aonde a senhora vai||?"

- "No Shopping Difusora."

_ "Faço por R$ 15,00. A senhora vai?"

_ "Pra mim, ainda tá caro. Vou caminhando"

E continuei. 

Mais um montão de chão, cheguei a um posto de combustível, e a rua começava a ficar livre de gente, com a possibilidade de passar carros. Tentei chamar um UBER, mas a tarifa era de R$ 16,52. Desisti!

Um pouco mais a frente parei outro moto-táxi. Queria me cobrar R$ 12,00, mas quando eu disse que mais atrás me cobraram R$ 15,00 e eu já havia andado um 'tantão', resolveu fazer por R$ 10,00. Graças a Deus. Louvado seja. Meu calcanhar já estava fervendo.

A avenida Agamenon Magalhães tem uma pista fechada aos domingos, para pratica de esportes e lazer. Assim, ele me deixou na rua paralela ao meu destino. só tive que andar um pequeno quarteirão.

Tomei um banho, deitei um pouco, e depois das 18h30 fui buscar algo para jantarmos, devolvendo as gentilezas de Joelma para comigo. Peguei umas esfihas  e um suco de maracujá no Habib's. Aqui tem suco de todas as frutas típicas nesta franquia. Gastei R$ 28,00.

E fui na Panini pegar um pedaço de bolo de tapioca, por R$ 12,00.

A Joelma fez um café e completei meu dia de forma muito positiva.

Caruaru não decepcionou, Visse!