es-BONITO (PE) - DOIS DIAS NESTE LUGAR LINDO!

15.11.2018

Devo estar ficando doidinha. Sai da casa de Joelma hoje pela manhã toda apressada para chegar logo a Bonito e aproveitar melhor o dia. Desci certinho até a igreja N.Sra.do Rosário e quando perguntei a um senhor onde pegava o ônibus, ele apontou e disse:

_ "É aquele ali."

Junto ao ponto tem um guichê de passagem. O ônibus sairia em 10 minutos. A passagem era pra ser R$ 7,90, mas acabou ficando por R$ 8,00, pois ela queria me devolver o troco em bala. Tinha até um pote de balas no jeito, em vez de moedas. Recusei e deixei pra lá.

Na hora de embarcar, eu queria colocar a mala embaixo. O moço da Companhia disse que podia levar em cima mesmo, não era tão grande. Eu contestei que estava pesada. Tinha ainda uma catraca. Ele acabou subindo a mala para mim. O ônibus não foi cheio, de forma que coloquei minhas coisas no assento ao lado. São 76 km. O ônibus que peguei passava por Agrestina. A BR-104 esta boa. Quando muda para a PE-112, em direção a Alto Bonito, a paisagem é linda, porém a estrada está toda esburacada. Num trecho, pegamos gado bovino cruzando a pista.

A cidade de Bonito é bonita, simpática e gentil, pelo que pude notar até agora. Desci no posto de informações turísticas, não tinha panfletos, e recebi uma informação errada sobre o funcionamento do teleférico. A atendente me indicou como um ponto bom para ser visitado na tarde de hoje, passei primeiro na Pousada Casagrande, deixei minhas coisas e fui, pois o check-in teria que esperar a chegada do Ivon, recepcionista. Lá verifiquei que eles só abrem de quarta a domingo. A passagem inteira é de R$ 30,00. Achei cara, estou com pouco dinheiro.

Passei por uma padaria tomei um café com leite, pegando também uma água. Gastei R$ 4,00. Ali observei o cuidado com as pessoas, tinha uma barra de segurança na porta, para facilitar o ingresso no estabelecimento, bem como um lavatório, junto à entrada. Padaria Brasil, bem que o Brasil podia ser todo assim.

A cidade está toda enfeitada para o São João. A pracinha é muito charmosa.

De volta à Pousada, conversei com a Dona Maria, a camareira que me recebeu mais cedo. Ela me disse que essa casa era de uma família de um casal com onze filhos. A mulher ficou viúva, os filhos já estão todos adultos, a maior parte vive em Recife ou João Pessoa. Só tem um filho que ainda vive aqui, e a casa vem sendo alugada para Pousada já há alguns anos. Esse último locador está há pouco mais de 1 ano. E ela trabalha com ele desde março do ano passado. Então são 11 quartos para hospedagem. É realmente uma casa bem grande. A acomodação é boa, tem duas camas e mobília e tomadas suficientes.

Quando o Ivon finalmente chegou, já perto das 15 horas, perguntou-me:

- "Antecipou-se?"

Pensei que não, mas quando ele falou as datas de 12 a 14, consenti. Paguei quatro diárias em Caruaru e só fiquei três dias. Mandei mensagem para a Joelma, mas não sei se ela irá me reembolsar. Falou para eu voltar. Inviável.

O recepcionista foi tentar conseguir um guia para mim amanhã, mas a moça pediu R$ 120,00. Não tem ninguém na cidade. A pessoa prefere ficar parada a ganhar menos... Então tá. Verei o que farei.

Passei a tarde de bobeira. Assisti a um filme na Netflix. Foi bom, precisava descansar. Quando fui procurar um lugar para jantar, o Ivon me disse que contatou o Cicinho e ele topou me levar de moto, e me conduzir por umas três cachoeiras, por R$ 70,00. Já pedi para que ele confirmasse. Vai dar certinho o dinheiro que tenho. Ele vira me buscar às 8h30.

Pedi sugestões, ao recepcionista, de restaurantes. Segunda feira nem todo lugar é aberto. Indicou-me uma lanchonete ou uma pizzaria. Escolhi a segunda. Fica na avenida, bem próxima à Pousada.

Olhei o cardápio e vi que tinhas mais opções além de pizza, e apesar de ter comido, de almoço, assim que cheguei, as esfihas que restaram de ontem, fui de massa, de novo. Pedi uma pizza brotinho, meia atum, meia quatro queijos, e um suco de pitanga. Hummm!!! A proprietária, logo em seguida, trouxe para a mesa bisnagas de Ketchup, Mostarda e Maionese. Constatei que, estou no Nordeste, nada de molho de tomate na pizza. Chego a conclusão de que esse hábito se deu a partir da dificuldade de produtos frescos na região, os hortifrúti. E, atualmente, já com mais facilidades para obtenção de tomates e outros, já é um costume enraizado. A massa é de pão. Não dá para chamar de pizza, mas está bom e me alimentou, por R$ 24,00. Eles aceitam cartão. Ainda bem.

O tempo passa muito rápido quando estamos nos divertindo. Mas ao final de cada dia, tenho a impressão de que ontem foi semana passada. Perco totalmente a noção, de tantas coisas sendo realizadas.

Tomei meu café ás 7h30, e conheci a Josneide, que prepara o café e atende a recepção até às 14h. Ontem foi sua folga. Antes que o Cicinho chegasse, fui comprar água, biscoitos e amendoim para o passeio, gastei R$ 4,20. Saímos por volta de 9h. São uns 13km de estrada, parte de paralelepípedos, parte de asfalto. A moto vibra tanto no paralelepípedo que tinha que manter a boca travada para não ficar batendo os dentes.

A vista lá de cima é fantástica! Mas vou fotografar na volta. Não tinha combinado nada com ele. O céu ainda está nublado.

Perto das cachoeiras, as estradas são de terra. Em uns poucos pedaços desci da moto para facilitar a passagem desta, por causa do barro. Ele me perguntou se tinha problema fazermos uma trilha, e eu disse que para isso vim de tênis, já previa.

Passamos por uma casa onde o proprietário da terra cobra R$ 5,00 a título de taxa de conservação. Em sua varanda, várias caixinhas de madeira penduradas. Imaginei que fossem de Abelhas, ele confirmou. Tinha uma ou outra que parecia de passarinho, mas ele disse que não ia criar bicho para comer sua produção.

As trilhas são pelo meio do mato, com subidas e descidas, usando raízes das árvores e pedras como apoio para os pés. A primeira cachoeira é a da Pedra Redonda. Evidente!

Seguimos adiante em direção ao cartão postal da cidade, a Cachoeira Véu da Noiva. Ali, aos finais de semana, equipes de Recife trazem os grupos de turistas e realizam rapel. No começo tinham acesso gratuito, mas o número de turistas foi crescendo com a divulgação do lugar, e também os problemas de conservação, de modo que iniciaram a cobrança das taxas. Muito justo.

Voltamos, e logo abaixo está uma Gruta, mas para chegar nela temos que atravessar a correnteza do rio. O Cicinho vai a frente e prepara o lugar para eu passar. Depois vem me buscar, me indica onde devo pisar e como me apoiar em cada trecho da passagem. Eis o principal motivo de contratar um guia local, e, no meu caso, também para não me perder na mata, desorientada que sou. Ele carrega uma mochila com capinha protetora do celular para não molhar, itens de primeiros socorros, faca, água. Usou tudo comigo. As fotos na gruta ele fez com o celular dele e depois me passou. Infelizmente não sou uma sereia, a cachoeira sem mim é muito mais bonita. Mas é a única forma de comprovar que enfrentei mais uma vez meus medos e limites.

No caminho de volta, descendo, ele encontrou uma madeira e fez uma bengala para mim. Foi muito útil. Um excelente apoio para evitar escorregões.

Vi uma área sendo cultivada e ele confirmou se tratar de inhame, ao qual chamamos de cará, aquela raiz que mais lembra a mandioca (ou macaxeira, por aqui). Eles são os maiores produtores do Estado de Pernambuco, e junto com a banana comprida (ou banana da terra) são os principais itens da economia local, seguidos pelo turismo.

O Cícero, conhecido como Cicinho, pede-me para encontrá-lo após a ponte de madeira, pois é um pedaço que está bem lamacento.

 Dali, seguimos de moto para a Cachoeira Barra Azul. Ela é assim denominada devido a um engenho que havia no local, com esse nome. Parece que é possível escorregar nela, mas meu guia diz que não, é perigosa. Mas linda também. O acesso é bem fácil, e quase não é necessário caminhar para nela chegar. Também tem uma taxa de R$ 5,00.

Vamos agora para a melhor cachoeira para banho, segundo o Cicinho. A Paraíso. E assim parece, a melhor, e o paraíso. Lá encontramos o Rafael, um cearense de Fortaleza, que viaja de forma ainda mais despojada que eu. O Cicinho diz que tem muita vontade de fazer viagens assim, mas é casado, e acha também arriscado. Gosta muito de sua profissão e demonstra o amor que tem pelo lugar, e muito carinho e atenção com o visitante.

O Rafael viaja usando o ID jovem (para jovens até 29 anos) e assim tem direito a passagem de ônibus por apenas R$ 5,50. Às vezes também pega carona, e como eu, não tem dificuldades. Troca trabalho por hospedagem, usando o aplicativo Worldpackers, ou se hospeda em casas cadastradas pelo Couchsurfing. Muitas vezes recebe refeições e é muito simpático e sorridente, condição 'sine qua non' para este tipo de viagem. Trocamos telefones, ou melhor, 'zaps', e ele lá ficou, pois foi de lotação, gastando apenas R$ 5,00, mas não conseguiria ir aos lugares que fui, pois estão distantes para ir a pé. Mas tenho certeza que aproveitou muito.

Na Paraíso, na parte mais baixa, tem um fio de aço retorcido, encoberto, que podemos usar como apoio para atravessar as pedras junto a margem do rio, chegando ao meio, no banco de areia, e assim podendo aproximar-se da cachoeira. Para os mais ousados, e que sabem nadar, dá para explorar por trás da água a formação de caverna da rocha.

Na parte alta, seguindo por uma pequena trilha, chegamos a uma piscina natural, com algumas rochas que proporcional um pequeno escorregador. Não quis me aventurar no escorrega, mas entrei na piscina. Já não tirei mais o short. Não adiantaria, já estava todo molhado de vestir sobre o biquíni. Ali, no lugar mais fácil e tranquilo, na hora de sair, meu pé escorregou e ralei-me na lateral de uma pedra cortante. Isso porque os meninos me ajudavam.

Descobrimos, junto às mesas, enquanto eu calçava os tênis, que o Cicinho completa 33 anos hoje. Que massa! Que ele seja abençoado por Deus, tendo retorno por toda a bondade que há em seu coração. Que Deus lhe proporcione uma farta colheita, pois é um bom semeador.

Nosso próximo e último destino, a cachoeira Véu de Noiva II. Ela não é tão conhecida quando pesquisamos na internet, mas injustamente. Apresenta excelente infraestrutura, com restaurante, escadas e corrimãos. Pareceu-me um excelente lugar para visitar com a família. Tem laguinho, acho que é possível tomar banho ali. E a cachoeira é muito bonita. Algumas árvores frutíferas no entorno, como essa maravilhosa jaqueira.

Pedi ao meu guia que, no retorno, parasse no alto para eu fazer foto do panorama. Ele atendeu meu pedido, sendo possível fotografar o vale, junto a Pedra do Rodeadero, avistando dali um Hotel Fazenda do mesmo nome, que ele disse cobrar R$ 200,00 a diária por pessoa, com tudo incluso.

Precisaria pegar um pouco do pouco dinheiro que ainda restava no Banco do Brasil para completar o valor combinado de R$ 70,00. A avenida principal, onde fica o banco, tem duas pistas, e uma ilha de calçada, com guia muito alta, que as separa. O Cicinho encostou ali para eu descer, no meio de um dos pontos mais movimentados da cidade. Quando fui descer, meu pé esquerdo não ficou bem apoiado no chão, e quando fui tirar a perna direita de cima da moto, sem me apoiar direito no motoqueiro, dei um capote. Que vergonha! Minha sorte que a mochila dele estava comigo, para facilitar o meu transporte, e ela amorteceu minha queda, cai feito uma jaca madura, se jaca tivesse bunda. Como a calçada é alta, não estava tão longe do chão. Minha bunda bem acolchoada e a mochila evitaram a pancada dolorida. Doeu mesmo foi o EGO.

O Cícero levou-me até a Pousada Casagrande, eu agradeci e disse que ele merecia maior valor por tudo que ele fez, pois tinha até remédios para a limpeza do machucado. Mas infelizmente, hoje não poderia dar nada além do contratado. Mas se alguém quiser conhecer a cidade de Bonito e suas belas cachoeiras, não deixem de procurá-lo.

                  BONITO (PE) - GUIA LOCAL - CICINHO (81)9.9777.1799


Já eram 14h quando chegamos de volta, assim, por indicação da Josneide, fui até um restaurante bem próximo que atende também com Prato Feito. Segundo ela, aqui não é normal o atendimento a quilo.

O restaurante está funcionando há poucos meses, e não aceita cartão ainda. Cobra R$ 12,00 o PF, que na verdade é muito mais que um PF. E paguei R$ 5,00 numa jarra de meio litro de suco de graviola. O prato vem vazio, e um enxoval de tigelas vem abastecido de arroz, feijão, farofa, maionese, vinagrete, e eu escolhi costelinha de porco, que veio acompanhada de batatas fritas. Como sobrou muito, pedi uma marmita, que custou mais R$ 1,00, totalizando R$ 18,00 e trouxe as sobras para o jantar.

Que dia dos namorados Bonito. Só, mas apaixonada pela vida. O resto, só em pensamento.