es-Atacama - terceiro de 4 dias - Geysers del Tatio

24.04.2018

Bom. Ou mal. Dormi pouco e mal, um pouco preocupada com o horário de levantar, um pouco saudosa, um pouco sem respirar direito, mas isso não vai atrapalhar meu dia. 

Às 5h10 a Van da Vive Atacama passava para me pegar. Estava pronta desde às 5h, mas assim mesmo tocou três vezes a campainha até eu chegar ao portão. A parte principal da Casa Ecoexplor é no fundo.

Os alemães alegres e simpáticos foram pegos logo em seguida. O guia, de nome Ernesto, é uma figura muito exótica, baixo, cabelos negros e compridos, presos por uma bandana, olhos azuis. É sorridente, mas não simpático, pelo menos comigo. Fez algumas referências ao jeitinho brasileiro, foi curto, e eu diria até um pouco ríspido em algumas respostas às minhas perguntas, de modo que, vou ficar quieta. Essa sempre foi minha forma de lidar com situações inconvenientes.

O primeiro destino já foram os Geysers del Tatio. A entrada custa CLP 10000. A viagem ate lá é de 1h30m, de modo que ele nos orienta a baixar os encostos das poltronas e dormir porque a estrada não é muito boa, coisa que o passageiro a minha frente obedece prontamente, quase deitando em meu colo. Minha poltrona não tem braço, estou de sinto, mas fico meio solta, e a estrada tem muitas curvas perigosas, feitas numa velocidade de 60 km por hora, em media, para o carro não perder a força na subida.

Consigo observar um pouco do céu noturno, apesar dos faróis da Van atrapalharem um pouco. É lindo. Tão lindo como em Juquiratiba, lugar onde morei, no estado de São Paulo. Não farei o passeio astronômico por falta de recursos financeiros. Não posso esquecer que em Salta também terei muitos gastos. Por enquanto, tem dois dias que o gasto com comida é mínimo, por causa dos 'desayunos' oferecidos nos passeios, almoço no de Piedras Rojas, dos lanches que preparei no primeiro dia.

A instrução, quando chegamos aos Geysers, é para fazer primeiro o café da manhã, depois seguiremos o guia em grupo, respeitando o tempo que o guia determina. O café é igual ao do dia anterior, só que aqui, o pão precisa ser aquecido artificialmente, e os ovos mexidos, esfriam muito rapidamente. O Ernesto me manda para o outro lado da mesa, de modo que possa ter espaço para se mexer, a maior parte dos passageiros já se serviu ou está se servindo, eu só estava pegando uma colher para a senhora mais velha do grupo. Não mereço e não gosto de ser maltratada. Faço meu café com leite e me afasto. Tinha comido um lanche com chá no Hostel. Depois que todos se serviram, me aproximo para fazer um lanche, ele acaba de pegar o último pão da cesta para aquecer para si próprio. Pergunto se tem mais um? Ele me entrega um pão frio que pegou na sacola, nem pergunta se quero que aqueça. Divido os ovos mexidos, pois tem pouco, e ele também vai querer. Penso que teria prioridade, mas não ajo assim.

Alguns pássaros pousam em volta. Um que se assemelha a uma gaivota, mas é diferente. Pergunto:

_ "Qual o nome desse pássaro?"

_ "Gaivota", responde ele.

_ "Mas é diferente."

_ "Gaivota Andina."

Um pouco depois uma asiática me pergunta se é um albatroz. Mas ela só fala inglês. Tento explicar que é um pássaro igual ao do mar, mas é uma gaivota andina. Ela se dirige então ao Ernesto com a mesma pergunta. É um albatroz? ele passa 10 minutos explicando para ela sobre o pássaro. Depois disso, nem perguntei o nome do outro pássaro. Ele evidentemente não foi com minha cara.

Até agora estas atitudes me doem. Fiquei deveras magoada. Fui estereotipada. Ele não deve ter tido bons contatos com brasileiros. Depois o ouvi dizer que seu filho estudara em um colégio caro em São Paulo, mas que aprendera menos do que se aprende em escolas chilenas.

Não importa, não estou aqui por ele. Vamos seguir o grupo e ouvir as explicações sobre o terceiro maior Geyser do mundo, sendo o primeiro o de Yellowstone, o segundo é russo. A diferença entre estes é que os daqui são imprevisiveis. Tentaram aproveitar a energia que estes podem gerar, como fazem em países como a Finlândia, mas quando tampavam um buraco com a máquina para aproveitar os gases, ele parava de expirar gases, e outro buraco se abria. De modo que, nunca foi gerada energia assim por aqui.

Agora os terrenos sao demarcados, pois a área em torno das erupções tem terreno oco por baixo. Até há alguns anos atrás, as pessoas se aproximavam para ver os geysers e o terreno cedia, causando muitos acidentes. Alguns curiosos também tentam verificar a temperatura da água com as mãos, se queimando.

Existem mais de um tipo de geysers, uns formam buracos, outros pequenos montículos, uns liberam poucos materiais pesados, outros muitos. Daí tem formas e cores diferentes. De um jeito ou de outro, são impressionantes.

Na primeira parte do passeio, seguimos o guia o tempo todo. Entramos todos na Van e seguimos um tanto adiante, que não sei se tem a mesma denominação o lugar, mas ali pudemos caminhar sozinhos.

Pudemos ver alguns geysers com bocas grandes de água fervente, um bonito ribeirão de águas 'calientes', rodeado de lindas montanhas, e aquele tipo de arbusto dourado, que as vicunhas e guanacos comem os brotos mais jovens, dando, no inverno, aparência de secos.

O frio estava menos intenso, ou eu já mais acostumada.Mas já era mais tarde.

Dali fomos para um povoado de nome Machuca, bem pequeno, perto de um rio. Um Lugar com mais vegetação, de modo que tem criação de 'llamas' e cabras. E oferecem aos turistas espetos de lhama (anotei o nome dos espetos, mas nao sei onde), e pastéis de queijo de cabra. Comi um pastel que comprei por CLP 1500, e provei um pedaço da carne de lhama, oferecida pelos alemães, e gostei. Só não comprei também porque não tinha mais fome.

De lá para San Pedro, um pouco de descanso. A parada da Van foi no estacionamento municipal mesmo, antes das 13h, e como eu imaginava, o caminho para o hostel é mais direto do que o que fiz no primeiro dia. Passei no mercadinho da esquina, comprei um sorvete de massa em potinho, dois pacotes do bolinho. O de chocolate, com recheio de creme, coberto de chocolate, e que parece um muffin, é muito gostoso.

Deixei um pouco o sorvete junto à cama, enquanto fui ao banheiro, conversei com Maria, uns 15 minutos acho. Quando fui comê-lo, de congelado que estava, virou uma espuma, que aliás, gosto. Mexi um pouco com o blog, comendo o resto dos docinhos com muita água e por volta das 17h fui tirar uma soneca de duas horas.

O tempo continua gostoso, na sombra, de modo que fico a comer amendoins, acompanhada de Cookie, a coelha, a quem só dei uns cinco amendoins, pois não sei se lhe farão bem. E escrever, salvar fotos, falar com os amigos, de quem estou saudosa. Ando muito mais emotiva. Sinto falta de beijos e abraços. Mas estou feliz com minhas realizações e descobertas. Com minha fé e esperança. E com tudo o que a vida tem para oferecer. O mundo está se tornando um lugar bem menor. E melhor! Acreditem.