es-Atacama - Segundo dia de 4 - Piedras Rojas e Lagunas Altiplânicas

23.04.2018

Hoje a Vive Atacama vem me buscar no Hostel. O horário previsto é entre 7h e 7h45. Adivinha a que horas fiquei pronta? Se disse 7h, acertou. Adivinha a que horas eles me pegaram? Se disse 7h44m também acertou. Que crise!!! Gente, sou ansiosa. Será que podem me dar um tempo???

A Van esta completinha, meus amigos brasileiros, de São Paulo, a Iraci e seu filho Gustavo estão lá de novo e eu sento bem ao lado deles. Dois simpáticos alemães me cumprimentam efusivamente, mas não me lembro deles de ontem... Depois descubro que devem ser alemães paraguaios, falsos, pois são muito alegrinhos. Ou melhor ainda, comprovam a minha teoria de que os viajantes são mais felizes.

O último passageiro é pego um minuto depois, e assim eles estão completamente dentro do programado.

Primeira parada, povoado Tucunao, onde as casas são construídas com pedras vulcânicas. Vamos direto a uma loja de artesanato, mas o objetivo ali é nos mostrar a Lhama. Um cabritinho jovem é passado de braço em braço, e todos nos munimos de uma vagem para alimentá-los. Pergunto se é comestível, se já é nosso café da manhã? Sim, é adocicada e eles fazem uma farinha da mesma, que serve para fazer pães. Experimento, é docinha mesmo. Tiro fotos do cabrito nos colos. Ttambém o pego, é lógico. E alimento a lhama para fazerem fotos melhores. A Iraci achou que era um filhote de lhama, ao que o Gustavo contestou. Intercedo a favor dela explicando que é um filho adotivo. Hahaha

Paramos na Praça onde o Ricardo nos conta que o Chile tem 200 vulcões ativos, quatro no Atacama. Conta-nos a história da igreja... que seus sinos possivelmente eram de ouro, mas que aquela região já fizera parte da Bolívia, e quando o Chile incorporou aquele território, o sino de ouro foi levado para a Bolívia.

Vamos rodar 440 km hoje, por estradas boas e não tão boas.

A próxima parada é na Laguna Chaxa, que significa circular. Ali se encontra um tipo de camarão pequeno e seu predador natural, o flamingo. Na região são encontrados três tipos de flamingos, dois deles frequentam a laguna. Eles comem 10 horas por dia, e em função de seu reflexo na água, parecem narcisos, o tempo todo se beijando. Essa é uma observação minha.

As montanhas, ao fundo também são refletidas no espelho d'água. Maravilhoso! Um caminho demarcado nos mantém em área de segurança para eles, os flamingos.

Ali fazemos nosso desjejum, já são quase 10h. Serviu-se: ovos mexidos, pães típicos do Chile que tem o formato de uma bolacha gorda e grande, e estavam aquecidos pelo sol, bolachas recheadas, geleias, requeijão, água quente, café e leite em pó. Bem adequado e bem servido. Ali aproveitamos para ir ao banheiro.

Continuamos nosso caminho, o Gonçalo, o mesmo chofer de ontem, dirigindo tranquilamente e o Ricardo dando explicações sobre os tipos de erupção vulcânica, o lado do vento, a posição geográfica dos países vizinhos, estamos muito próximos da divisa com a Argentina, quando passamos por um magnífico campo de flores roxas e amarelas. Ele fala sobre elas e continua em frente. Pergunto se iremos parar para sacar fotos. Instantaneamente, o Gonçalo para e o Ricardo nos dá 5 minutos. Ele me informa depois que se alguém quiser parar é só pedir... (cara de feliz)

Acho que estas serão as imagens mais tocantes que poderei ver. Impressiono-me com o poder da natureza se transformar, e tudo aqui mostra a ação de milênios de anos em metamorfose. Mas a beleza e o colorido das flores, tão frágeis e ao mesmo tempo, tão fortes, faz transbordar o feminino que habita em mim, a deusa interior. Diante da secura e da rigidez do tempo e espaço, somos capazes de surgir e dar leveza com simplicidade.

Um pouco adiante, ele aponta para o lado esquerdo da van e um alvoroço se forma entre os turistas. É uma raposa cinza, que ele chama de zorro, igual a que vi na Cordilheira, atravessando a Ruta.

Pouco depois o guia aponta para o horizonte nos apresentando o vulcão Miñiques. Ele tem pouco menos que 6000 metros de altura, e com uma erupção piroclástica, que lança volumes a até 160 km por hora, perdeu seu cone. Acredita-se que antes disso tinha mais de 7000 m de altura, e seria portanto, o maior pico das Américas, pois o Aconcágua tem 6962 metros.

Próxima parada, com um vento cortante e uma vista deslumbrante, 'Piedras Rojas'. A entrada para este passeio custa CLP 5500, e vale cada tostão.

Entre as pedras vermelhas se forma uma lagoa salgada de um lindo e contrastante tom de verde, dada a pequena profundidade e a luz do sol.

A formação está a 4200 metros de altitude, de forma que devemos caminhar muito lentamente pois sentimos a falta de oxigênio. Andei de costas um tempo, contra o vento, depois inverti o casaco. E pedi para que ninguém destorcesse meu pescoço caso me acidentasse. Não sei qual era a temperatura neste momento, mas já passava do meio dia, o sol estava em seu auge. O Ricardo me emprestou sua toca de lã, eu estava com blusa de manga longa por baixo da impermeável, e sentia frio. Então, o jeito é movimentar-se para esquentar o corpo e apreciar esta maravilha.

Nosso almoço seria na próxima parada. Lagunas altiplânicas. Novo encantamento. As lagunas de Miñiques e Miscanti também estão a 4200 metros de altitude, mas estão numa baixada em relação à cabana de apoio, onde fomos ao banheiro e almoçamos burritos. Assim, descer foi bem fácil, alguns voltaram bem antes do final, já preocupados com a subida. A Iraci sentiu-se mal e retornou. As águas azuis, devido à maior profundidade das lagunas, me incentivaram na descida. O retorno teve que ser com passos pequenos e muitas paradas para respirar. Mas fiquei contente. Fomos de carro até a Laguna Miñiques. Lá tem aves nadando e explicações, em placas, sobre a Tagua cornuda.

Com o burritos tomei um copo de vinho, quando entrei na van para o retorno, foi a primeira vez que tive uma sensação ruim. Mas passou logo, ainda bem. Umas fotos de despedida pelo excelente dia com meus amigos de viagem...

 Chegamos por volta de 17h, e desci do ônibus bem perto do hostel, na rua do restaurante Lo Peru, e dou de cara com um Fato e uma trompa, hahaha, coletivos de cabras e lhamas. Tanto trabalho para ver uma lhama em Tucunao e aqui elas passam ao meu redor enquanto fotografo.

Descobri que a lhama é um cruzamento acidental entre as vicunhas e os guanacos, enquanto a alpaca é um cruzamento feito pelo homem entre a vicunha e a lhama.

Jantei o peixe com arroz do almoço de ontem, que deixei na geladeira,  comi bolinho e deitei às 22h pois, além de estar cansada, o passeio de amanhã começará às 5 horas. Então, às 4h devo estar de pé.