es-Atacama - Primeiro dia de 4 - Valle de la Luna

23.04.2018

Fui almoçar no 'Lo Peru'. O cardápio previa duas opções de entrada. E no prato principal tinha umas quatro opções.

Dois homens comiam uma espécie de sopa com espaguete, e no prato principal tinha um espaguete ao pesto. Queria aquilo. Estava com uma cara ótima. A atendente me explicou que aquilo era 'Porotos'. Então é isso que quero para entrada, e pescado com arroz como prato principal.

O 'Poroto' tem um tipo de feijão branco, carne, que acho ser de porco, abóbora, cenoura, tomate, espaguete e coentro. Vem numa tigela, como uma sopa, com caldo grosso. Nem bebi nada, só isso já foi suficiente para o almoço, de modo que pedi que embrulhasse o peixe para viagem. Paguei CLP 3500.

Mexi mais um pouco no computador, separei o dinheiro e documento junto com as demais coisas que já estavam prontas, e às 15h fui para a praça. Não poderia passar na Space para contratar o passeio astronômico porque não levei dinheiro.

Peguei um sorvete Mega de framboesa, por CLP 1400 e fui chupar na praça enquanto esperava o horário de me apresentar para o tour de hoje.

O Valle de la Luna pode ser feito de manhã ou à tarde. A entrada para o Valle na parte da tarde é um pouco mais cara porque o movimento é maior para ver o por do sol. Porém, se tivesse levado a carteirinha de estudante, ia pagar 2000 ao invés de CLP 3000.

A primeira parada foi nas Cordilheiras de Sal, que segundo o guia Tony, é mais antiga que a Cordilheira dos Andes. Depois fomos para a Caverna de Sal. Um caminho entre duas formações rochosas, às vezes estreito demais, baixo demais, e irregular demais. Os mais altos tiveram até que se ajoelhar. É muito bonito, mas depois que ali entrei, o que mais queria ver era a saída. Tive um pouco de trabalho numa descida com mais de metro, mas duas jovens francesas me ajudaram. O resto do grupo estava bem à frente. Aí esta uma desvantagem de estar só. Faltam mãos para nos apoiar, às vezes.

O retorno foi por cima. Em todo o processo, o que mais me incomodou e continua incomodando é o nariz seco. Mesmo colocando o soro, o neosoro, ele fica entupido. Com o esforço e a necessidade de mais ar, na altitude, a coisa se complica um pouco mais. A Lucía do Hostel disse que é a maior reclamação dos brasileiros.

Passamos por um lugar que o Toni mencionou ser, originalmente, o Valle de la Luna. Fomos de Van em direção a umas esculturas de pedras, formadas pelos ventos, que Gustavo le Paige chamou de 3 Marias, porque enxergou ali três mulheres rezando, usando bastante a imaginação. O guia nos disse que agora só tem Duas Marias e meia, pois um turista, para tirar foto, se enganchou em uma delas, quebrando-a. Pagou uma multa, mas trata-se de uma perda irrecuperável. O vento levou milhões de anos para construir e o homem destrói com uma chave de pescoço. Lamentável! Agora, tem umas placas avisando os limites de aproximação.

Baixamos para ver uma formação rochosa que chamam de Anfiteatro, tem a estrada e um caminho ao lado, feito para pedestres, de modo que vamos fazendo as fotos enquanto caminhamos, até chegar no carro que nos aguarda lá embaixo para levar-nos ate o pé da duna mais alta. Vimos um monte de gente lá em cima enquanto caminhávamos, e brinquei com a Iraci que subiríamos a pé.

Santa adivinhação... foi um dos trechos mais pesados do caminho, pois boa parte é de areia fofa, o que torna mais difícil a caminhada, a altitude prejudica a respiração, além do pó. Tínhamos 1 hora para subir, observar, fazer fotos e descer. Fui a última a chegar, caminhei no meu ritmo, fotografando pelo caminho. Quando lá cheguei, fiz mais umas fotos, e fui a primeira a voltar. Não queria atrasar os demais, afinal, a hora marcada era 19h com destino: Por do Sol no Valle de la Luna. Esse mirante foi a parte que mais me lembrou o deserto do imaginário, aquele do "Laurence da Arabia".

O Valle de la Luna é assombroso, como tudo por aqui. Tudo muito gigante e esplêndido. O por do sol em si, já vi mais bonitos no mar, mas o reflexo que as montanhas apresentam é um espetáculo a parte, ficam todas alaranjadas, como um teatro em que o sol é o holofote. Tem gente bem ousada, faz coisas malucas por uma boa foto, mas não da natureza, de si mesmo. Muita gente sentando nas pedras, bem na beirada, com toda aquela areia... Podem me chamar de covarde, mas prefiro ser precavida. É ousadia demais...

Fomos deixados no estacionamento municipal, junto a Praça da Igreja, e cada um foi para seu hotel.

Depois desse passeio eu digo, se não tiver problemas com alturas, como eu não tenho, pois normalmente não passo mal, mas, tiver problemas respiratórios, como eu: NÃO COMECE POR ESTE PASSEIO.

Mas não deixe de fazê-lo, e não entre na caverna de jeito nenhum se for claustrofóbico.