es-ARACAJU (SE) - FIM DE SEMANA

27.11.2018

Já senti que quando estou rodeada por minha família, meu espírito aventureiro se aquieta. O conforto do ninho me dá preguiça, e eu quero curtir essas pessoas que tanto amo. Começou em Maceió, e culminou em Aracaju. Tanto que não fiz grandes programações para estas cidades. Vim para apreciar as festas juninas e acalentar meu coração.

Já conheço muito bem a cidade de Aracaju, a capital mais jovem do Nordeste brasileiro, fundada em 1855 e a melhor planejada, com ruas mais largas, mais arborizadas, com uma bela orla, praças e espaços de convivência. Como já disse, é minha preferida. Só tem 600 mil habitantes o que torna mais fácil o cuidado e manutenção. É a que menos destoa entre os espaços turísticos e os populares.

Assim sendo, passei uma sexta feira preguiçosa, sendo mimada por meus anfitriões. Logo pela manhã, aproveitei para lavar a roupa, pois já estava quase toda suja. Isso no intervalo do jogo do Brasil, e assim que terminou o confronto, terminei o serviço. Fiquei triste, pois meu coração estava, verdadeiramente, torcendo pela vitória da Costa Rica. Fiquei insatisfeita com a vitória de 2 á 0 para o Brasil, principalmente pelo segundo gol, que não exprimiu nem o trabalho da equipe, e muito menos do jogador que o fez.

O chefe da casa e 'chef'  preparou para nosso almoço um delicioso Camarão ensopado, todo descascado para atender às minhas necessidades estomacais. Depois fui conduzida ao conjunto Inácio Barboza, passando por uma sorveteria do bairro onde fui agraciada por minha prima por um delicioso sorvete de massa, em que escolhi os sabores de pinha e talento com passas. Excelentes! E fomos para casa da mãe dela, que também estava com visitas. Passamos um resto de tarde agradável.

Quando chegamos de volta, no final da tarde, minha roupa já estava toda recolhida e arrumada em meu quarto. Que permanecia com a porta fechada para que as lindas gatas peludas da casa não o adentrassem. A única gata autorizada a entrar era a gata pelada, eu.

Talvez com medo da chuva do dia anterior, não me animei para ir à festa na sexta, e tinha muita história ainda por reproduzir para o blog. Como tínhamos tomado um café com bolo de macaxeira e de banana na casa de minha tia, não precisei jantar. Mas com tanto café, meu sono vai pro saco. E quando começo a escrever, aí sim que minha mente fica acesa.

No almoço de sábado, fomos nos reunir com amigos de minha prima, de Salvador, que estavam visitando Aracaju. O lugar escolhido para encontrar o Dante e o Elias foi o Bada Grill, na passarela do Caranguejo. Uma excelente música ao vivo animava, discretamente e sem interferir na conversação, o ambiente. Tratando-se de um Grill, todos queriam comer carne bovina, menos eu, pois quando estou a beira mar, quero frutos, do mar. Pedi então uma entrada, ou melhor, meia, de bruschetta de camarão, que custou R$37,00, mas não paguei, pois foi mais uma cortesia de meu primos. Estou ficando mal acostumada. A única surpresa foi a cobrança de couvert artístico, que foi merecido, mas deixou de ser informado em nossa chegada.

Eu ainda queria uma sobremesa, assim, deixamos os meninos em casa e fomos a procura da Casa Alemã, que faz deliciosos bolos no estilo que gosto, confeitados. Pedi uma torta húngara com chá de maçã, e fui acompanhada por minha prima, que experimentou a torta e tomou um café, de que tanto gosta. Fui autorizada a pagar esta conta de R$ 30,69.

É noite de véspera de São João, o santo mais importante de toda a festança de junho, e a véspera é sempre o dia das grandes comemorações no Nordeste. Grandes mesmo. Minha prima, a caminho de casa perguntou à família:

_ "Vocês vão querer quitutes de São João? Avisem logo pois precisamos comprar."

Com o consentimento de todos, já paramos para comprar milho verde, numa barraca da Praça. O vendedor informa que milho para cozinhar, só terá mais tarde. Como o lugar é próximo à residência deles, o Hélio virá buscar mais, tarde. Passamos numa padaria para comprar bolo de milho e de macaxeira, minha tia manda canjica (nosso curau) e bolo de macaxeira que ela mesma fez e o café noturno está definido. A vizinhança toda prepara fogueiras, muitas ruas estão bloqueadas para a festa do bairro, com direito a bandeirinhas e grande comilança, músicas típicas se ouvem por todo lado. E os fogos, estouram como se fosse virada do ano.

O dia foi bem movimentado, a noite anterior de poucas horas de sono, assim, deito-me cedo.

O domingo é para almoçar com a família reunida. Só faltaram a Gabriela e o Yves, e a Liz, mas como ela está em São Paulo, não teria como vir. Os demais chegaram tarde da festança de São João e não quiseram acordar cedo. O combinado era encontrar-nos no canal da Barra dos Coqueiros, para apreciar a famosa galinha caipira cozida, com pirão, arroz e vinagrete do Sr.Ney. O lugar é bucólico, a comida, apetitosa, a companhia, agradabilíssima. As horas ali escoam sem ninguém perceber, tão prazerosa a junção de todos estes ingredientes. Um único casal destoava do ambiente, sentados a uma mesa, comendo caranguejo, portavam seu próprio som com volume concorrente ao do som do forró pé de serra da casa. Mas acho que percebeu que incomodava os demais clientes, e abaixou o volume. Fartura de comida, as sobras foram acondicionadas em vasilhames adequados para transporte. A família toda recebeu o almoço como oferta dos generosos primos Marta e Hélio. Já começo a me sentir desconfortável. Não quero abusar da hospitalidade.

Mas o domingo ainda nos reserva mais festa junina, e vou com as irmãs para a Praia de Atalaia, bem cedo, por volta de 18h, para conseguir lugar nas arquibancadas e assistir sem risco de tomar chuva e com melhor ângulo para fotos, as atrações do dia.

Chegamos quando se apresentava o Grupo Vocal Vivace de Sergipe, que num coral de vozes, cantou os foros mais tradicionais, conhecidos e cantados por todos, com arranjos especiais e com muita alegria.

Um pequeno e novo grupo cantou uma única música de protesto e conscientização, sobre cuidados com a natureza, mas o tom era meio sombrio, inadequado para o clima de festa que reinava. Depois entrou o Batista do Acordeon, que tocou algumas músicas instrumentais, e depois cantou e tocou, repetindo algumas músicas do repertório anterior, muito apreciadas, e conduzindo muitos casais à pista de dança, e uma grande multidão acompanhava o show.

A atração por nós esperada iniciou a apresentação às 21h. A quadrilha Meu Sertão, também de Sergipe. Eles se apresentam sobre um chão de madeira, onde estavam os casais dançando durante o show. A organização do evento solicita que o povo dê espaço para apresentação da quadrilha, e a maior parte dos que ali estavam, cercam o local, muitos se amontoando na arquibancada, tomando inclusive, a frente de pessoas que, como nós, chegamos um pouco depois da 18h para achar lugar.

Quando duas moças fizeram isso na nossa frente, perguntei a elas se não queriam subir para o degrau de trás, que seria mais alto, já que elas não eram muito altas. Elas disseram estar bem ali. Ao que retruquei:

_ "Acontece que cheguei às 18 horas para ter um bom lugar."

Uma delas respondeu:

_ "E nós desde 18h30."

Disse-lhe que não queria brigar, só queria fotografar. A que estava falando comigo até então parou um pouco, pensou e abriu um espaço entre elas, me chamando para melhor me posicionar. Não o fiz e expliquei que era para não ficar na frente de minhas primas, já que sou mais alta, mas com o espaço livre, tinha como tirar boas fotos. Até que... Entrou uma cabeluda, se espremendo entre elas. Fiquei com a visão, novamente, impedida. Até que, aconteceu alguma coisa do lado direito, e a cabeluda, curiosa, desceu do degrau para ver. Aí as mulheres me chamaram para ocupar o lugar, e quando a outra veio, levou uma bronca, da mais brava das duas, olhou para mim, como quem diz:

_ "Foi você que ocupou meu lugar." Mas como achou que eu estava com elas, nem dei meu olhar intimidante, e ela achou melhor sair. Logo depois, mais duas pessoas desceram e minhas primas se juntaram a nós na frente do degrau da arquibancada.

Quando sai, voltei para agradecer-lhes. Acho que me identificaram como turista, pelo sotaque. E, como não fui mal educada, repensaram sua posição.

Na saída pude tirar fotos de alguns integrantes da quadrilha e do conjunto que os acompanha. A música desta equipe é ao vivo, inclusive com cantores. Excelente! Sempre gostei deste movimento folclórico.

O que estranhei é a realização de dois eventos separados, numa cidade tão pequena. A Festa da Orla é executada pelo Governo Estadual. O Forró Caju acontece junto ao Mercado Municipal e tem realização da Prefeitura Municipal. Até entendo a existência de dois nichos festivos. O Forró Caju traz nomes de maior peso, e atrai mais pessoas jovens. As duas festas são bem concorridas, ou seja, existe demanda. Mas por que não unir forças na realização? Seria econômico demais?

Depois de deixar a Mércia em casa, voltamos e vou banhar-me e adiantar a mala, pois amanhã já é dia de partir. Quero passar pela manhã no adorável Mercado Municipal, na área de artesanato, e depois me vou.

Marta e Hélio, Mercia e Marcos, Ivonete, filhos e netos, explicar essa relação que nos une não será possível em palavras, pois tenho a certeza de que não conseguiria expressar. É um amor do tamanho e significado que esta palavra possui.

Não tenho nem como agradecer tamanha hospitalidade desta família maravilhosa, que sempre me recebe de braços abertos e coração quente, tornando Aracaju, pela soma dos conteúdos, sem dúvidas, minha Capital Nordestina Favorita.

Minhas também amadas famílias de outras capitais e cidades espalhadas por este Brasil afora que me perdoem, meu amor é tão intenso também por vocês. Mas, vocês não residem em Aracaju!