Enfim, conhecendo o Monte Teide, em ILHAS CANÁRIAS - ESPANHA

04/03/2020

Eu já tinha desistido do Monte Teide quando o Angel me disse que tinha vaga para uma excursão que incluía o Monte Teide, mas sem subir no teleférico.

_ " Não tem problema, eu até já cancelei o ingresso, não ia ter condução mesmo."

É isso mesmo, não há condução adequada para ir da Capital até o Parque, o que considero absurdo, mas isso é coisa para eles pensarem por lá.

E quem veio me buscar no mesmo 'Batlocal' e na mesma 'Bathora' foi o Daniel e a guia pirata. Não que ela estivesse clandestina no passeio não, ela estava fantasiada de pirata mesmo. Já que era carnaval. E se disse o seu nome, não consigo lembrar.

E o tempo estava bom de novo, e o itinerário foi definido em função do tempo, e aproveitamos para ir para o Parque de Anaga. No meu caso, de novo, mas desta vez paramos no mirante que eu apreciei de passagem. E eu estava correta em ficar desejosa. Dali, além de avistarmos a principal atração da cidade, o único vulcão ativo da ilha, e também o maior, vemos também vária cidades, incluindo a capital e sua vizinha, Laguna. E uma série de montanhas que tornam a paisagem ainda mais bonita. Fizemos ali uma foto do grupo.

Já no Parque de Anaga, acabei acompanhando o grupo pela trilha número 1, no Sendero dos Sentidos, já que era bem curto e eu ainda não o havia feito. A apreciação do grupo foi completamente diferente, mesmo num curto espaço de floresta laurisilva, com as explicações fornecidas por nossa competente guia, e também porque o grupo era mais velho, e a idade traz consigo a vontade de sorver a vida, e a floresta foi sentida, ouvida e cheirada. E o Mirante. Agora fiz um enquadramento diferente.

Na volta ao estacionamento fomos até a administração do Parque, e ali tem uma sala museu, com fotos das espécies da fauna e da flora e algumas explicações sobre a floresta. O que senti falta na excursão anterior, que fiz na quarta-feira.

E de lá fomos nós para Laguna. De novo, terceira vez para mim, mas cada vez foi diferente. E agora a guia nos acompanhou. Eu pedi a ela se podia tirar uma foto da Casa de José de Anchieta enquanto o grupo terminava de descer da Van. Era bem ali, na Praça del Adelantado mesmo. E também tirei fotos da praça.

Passamos em frente ao Palácio Bispal ou Casa Salazar, um bonito prédio todo revestido com pedra vulcânica e que apresenta um estilo art decó em sua fachada. 

Depois fomos em direção ao Convento, que estava fechado. Queríamos aproveitar a visita para usar o banheiro.

Seguimos para o Palácio de Lercaro, onde pudemos usar o banheiro e apreciar o saguão interno, com balcões em madeira talhada, riquíssimos em detalhes, uma verdadeira obra prima.

Novamente passamos ao lado da Catedral, sem contudo entrar por causa da cobrança de ingresso. E ali ao lado tinha um mercado SPAR onde fomos comprar água. Eu já estava com muita sede. As excursões às vezes levam uma garrafa de água para cada passageiro. Não foi o caso destas.

A caminho de nosso destino, para encontrar o Daniel e a Van, passamos em frente ao Teatro Leal de San Cristóbal de la Laguna, que já tendo sido a capital de Tenerife, abriga um teatro até bem grande,com 512 assentos, e pelo que pude constatar, na internet, eles oferecem visitas guiadas.

O Hotel Aguere foi outra de nossas paradas. Adentramos usando a porta rotatória com lâminas de madeira e vidro, e alcançamos um bonito hall, com cafeteria, restaurante e muitas mesas. Este Edifício foi residência do Marques de Torrehermosa, patrimônio histórico da cidade, abriga 26 quartos e não dispõe de elevador, dada a condição de patrimônio. É muito charmoso e requintado.

E de repente me dei conta do colorido das casas, diferentemente de Lanzarote, aqui as casas são todas bem coloridas. Estou tão habituada a esse padrão que só me dei conta depois de quase uma semana passeando na ilha.

A Igreja de la Concepcion, na praça com o mesmo nome, possui uma torre enorme que pudemos avistar desde o início da rua Obispo Rey Redondo, rua do teatro e do hotel entre outros. E bem ali ao lado estava o nosso motorista, nos aguardando.

Agora já está na hora de rumarmos para nosso destino principal, o Parque Nacional das Cañadas del Teide. Mas o caminho é longo e tortuoso, e no caminho alguns mirantes já vão antecipando a paisagem e diminuindo a ansiedade e a expectativa.

E pedimos para tomar um café tendo parado no bar La Suegra, que demonstrou ser uma boa sogra já que o café estava muito gostoso. Eu estava junto com um casal de Córdova, que esteve na excursão de quinta comigo, e eles acabaram me pagando o café e a esposa ainda compartilhou comigo um pedaço de um doce de massa folhada. Eles ainda não tinham conseguido tomar um café ao seu gosto em Tenerife, e ali, ajudei-os a solicitar um café só com um pingo de leite. Veio um café forte, ao seu gosto, e pediram até um pouquinho mais de leite para ficar no ponto. E os preços são excelentes. Bem no começo da subida do morro para o Parque.

E é lógico que de longe podemos vislumbrar melhor o formato do Monte Teide, que infelizmente, apesar de ser inverno, não está com o pico nevado. E ele é muito bonito mesmo. Paramos ainda em um mirador para registrá-lo. E apreciar a vegetação. E ver a ilha Grand Canária flutuando no céu.

Nossos guias queriam nos fazer uma surpresa, com uma torta de chocolate, caramelo e marshmallow, mas o Angel, sem querer, estragou a surpresa nos contando sobre o local no dia anterior. Abaixo uma foto da torta. 

E se não foi de dar água na boca, com certeza nos deixou babando por tanta beleza. Mas ainda tinha muito mais por vir.

Da mesma forma que no Timanfaya, a gente vai passando por uma grande extensão de solo formado por lava seca, sem vegetação, de diferentes cores conforme o tempo da erupção. E de repente uma enorme fila sinaliza a entrada para o teleférico.

Mas nós seguimos adiante. Paramos no estacionamento junto à administração e ao Hotel. Sim. Tem um hotel aqui, bem no meio da cratera do antigo vulcão que formou as cañadas del Teide. Ainda podemos ver as bordas da boca deste vulcão, com aproximadamente 800 metros de diâmetro. E por causa das erupções deste vulcão acabou por se formar o Monte Teide, cuja abertura da cratera tem lá, por volta de 80 metros.

As formações rochosas dentro da cratera maior, deste antigo e extinto vulcão, são surpreendentes. Algumas já estão classificadas com nomes segundo sua aparência comum, como a Catedral, o King Kong, a Ursa Prenhe, e a Cabeça de Leão. Outras ficam a critério da imaginação de cada um. 

Estar ali, na cratera de um antigo vulcão, ao lado de um vulcão adormecido, me fez sentir um misto de medo e coragem. Nunca pensei que um dia teria coragem de visitar áreas como esta, e nem que ficaria tão deslumbrada com a paisagem tão inóspita, e ao mesmo tempo tão provocante. As forças da natureza me comovem, tanto ao observar o oceano imenso, calmo ou agressivo, ver a força das águas de uma Foz do Iguaçu, ou uma cascata de pouca água mas grande altitude, como as encontradas na Ilha da Madeira, pensar na devastadora lava vulcânica que atingiu aqueles solos, e na força da natureza se recompondo, através, primeiro, de pequenos fungos, ou mesmo sentir a força e insistência da flor que nasce no deserto após anos de seca, ao mais leve serenar...E o céu então, com o sol nascente e poente, a lua vermelha e gigante, a neve, as tempestades, a calima, o trovão e o cantar dos pássaros. Assustam e encantam, ou só encantam, mas me fazem sentir viva e pertencente, parte dessa força. E entendi porque, na opinião de alguns blogueiros, o Parque Nacional do Teide é melhor do que o Parque Nacional do Timanfaya. É pela sensação que este contato nos dá. Não tem relação com a beleza. Ambos os locais são distintos, mas exuberantes.

E para comprovar essa força natural, lá estava o tajinaste, seco, espetado e cheio de beleza. Mas nossa guia nos disse que na primavera ele fica mais alto e florido de vermelho, e até me passou umas fotos que ela fez. Dá para acreditar?

Mas nem todo mundo tem a mesma sensibilidade. E um casal de turistas, não sei ao certo de que nacionalidade, achou que ali seria um bom local para fazer um churrasco. Resumindo, o prejuízo pode ser visto na foto abaixo e o casal está preso.

Hora de voltar e comer algo, já que o almoço não estava previsto em nosso curto passeio (nem tão curto assim, mais de 5 horas). No restaurante em que paramos também existiam 'tapas' (porções) e eu pedi uma de croquetes. Um dos passageiros pediu garbanzas, que eu não sabia o que era, e recebeu um prato tão bonito com grão de bico, parecendo um puchero com menos carne. Fiquei até com vontade. E tomei um copo de cerveja, para variar. Combina melhor com os croquetes. O casal de Córdova pediu uns lanches, e os ingleses comeram uns Snacks. Estávamos em três casais, dois guias e eu, lotação completa de novo.

Saindo de lá paramos num local que parece o solo de Marte, e, falando nisso, a guia nos disse que a sonda marciana foi testada aqui, e que os ilhéus dizem que os americanos não foram a lua e sim a Tenerife. Meu avô não conheceu Tenerife, mas certamente compactuaria com essa ideia. Nessa parada ninguém, exceto eu e a guia, desceu, e isso porque sentiu-se obrigada por mim, já que me fez com vontade fazer fotos de E.T. 

Olha que fiquei mais com cara de Gremlins malvado do que de E.T. bonzinho.

E uma última parada onde ficam os observatórios solares mais importantes do mundo. Os lunares ficam numa ilha, aqui vizinha. E o Teide no cenário dá uma sensação futurista. 

E a gente vai descendo e os cheirosos pinheiros, e alguns eucaliptos plantados para manter a estrada seca, já que, por ser uma zona protegida, as ações para manter a segurança da estrada quando neva não podem ser as usuais ( não me perguntem quais são as usuais, não vivo em local com neve), voltam a surgir.

E fui encerrar o dia na Pastelaria Dias, onde de novo não encontrei o Polvo Uruguaio, mas comi um bolo de abacaxi delicioso.

E não me dei por vencida, na manhã do dia de partida, sábado, fui tomar meu café da manhã na Pastelaria e esperei o Polvito Uruguaio chegar, tomando um suco de laranja e comendo um bocadillo pequeno de presunto e queijo. E enfim provei o doce indicado pelo Angel, feito de massa folhada, creme, e doce de leite, com um pó por cima de tudo. O doce de leite é o diferencial. Muito gostoso.

E pra não sair com vontade da ilha, fui para o aeroporto usando o aeroexpress número 20, que saiu do intercambiador Santa Cruz, e custou 3,25. Fui a pé até o ponto, primeiro porque era perto e depois porque as ruas do centro estavam fechadas para o Carnaval de dia, novamente. Não tive tempo de explorar a cidade de Santa Cruz de Tenerife melhor, por causa do Carnaval, que eu quis aproveitar, mas ficam abaixo uns registros do caminho.

E no aeroporto resolvi almoçar, já que o voo pela Voeling estava marcado para 16h20, e a chegada em Lisboa só para 18h50. E adivinhem o que comi???

Garbanzas. Numa porção pequena, acompanhada de um delicioso pão, e vinho tinto. E um mousse de café coberto com chocolate que estava especial. Realizei minas vontades e até coisas que nem sonhei. E volto para Beja feliz e satisfeita, mais uma vez, obrigada.