Dois dias em CAGLIARI, capital da SARDENHA, ITÁLIA.

03/02/2020

Como disse, deu tudo muito certo com o voo e rapidinho cheguei a Sardenha. Combinei com meus anfitriões o serviço de traslado por 20 euros e assim que retirei minha mala, fui para a zona exterior e me comuniquei com eles pelo What'sApp e eles já estavam chegando e o Alessandro e a Fery logo em seguida me pegaram . O Alessandro sugeriu parar para um café e eu aceitei imediatamente, já estava com muita fome e, enquanto eles tomavam cafezinhos eu pedi um café duplo e uma espécie de wrap.

Dali fomos direto para o Carali's Hotel, sei que o nome pode soar estranho para nós, mas é isso mesmo. A rua onde está instalado é tão estreita que, quando passa algum carro os pedestres tem que se enfiar em algum canto. Mas não tem muito movimento, ainda bem. Eles pararam o carro bem em frente ao hotel e o Alessandro ajudou-me com as malas. E enquanto ele fazia meu check-in, a Fery foi estacionar o carro. Não nos vimos mais depois disso, infelizmente.

Os apartamentos ficam no prédio ao lado do prédio da recepção e refeitório, meu quarto tinha janela para a rua e o único porém é que, apesar do banheiro ser privativo, era longe do quarto, e nas duas noites necessitei levantar duas vezes, cada noite.

Eu já percebi que toda viagem que faço, em algum momento algo foge dos planos e abre uma janela para descanso. E este vácuo aconteceu em Cagliari, o que é ótimo, e talvez até um acaso desejado. Fato é que, em minha primeira tarde, pretendia ver algumas atrações na cidade e tentar contratar serviço de guia com transporte para Villasimius, que ouvi dizer que tem lindas praias.

Então, depois de acomodar-me, já tendo lanchado, resolvi procurar o Posto de Informações Turísticas, passando, no caminho, pela Torre do Elefante, que quase não acho, pois esperava algo como o monumento em Catânia. E na verdade não me dei conta de que a porta pela qual passei está sob uma torre, e o elefante, minúsculo ao seu lado. Mas é mesmo um conjunto bonito, e eu até já tinha fotografado antes de compreender que ali era um dos pontos por mim planejado.

E precisava lavar a minha roupa, então marquei no Google Maps a lavanderia mais próxima e lá fui eu. O hotel fica na parte alta da cidade, e o local indicado fica no nível do mar. E no caminho já pude avistar a cidade abaixo de mim, vi o arco de entrada da Universidade, e uma grande escadaria que me levou a Praça Yenne, e a rua que eu queria, passando em frente a uma igreja. Mas a lavanderia eu não achei, porém senti meu pé afrouxado e vi que, se andasse mais dois quarteirões ia ficar só com a sola e os cadarços. Mas, coincidentemente (você acredita mesmo em coincidência?), ali, bem ao lado de onde deveria estar a lavanderia, tinha uma loja de sapatos ortopédicos. Você imagina a minha cara...

Bom, resumo da história, eu deixei meu tênis no cesto de lixo e sai com um sapatinho de couro, muito confortável, com fecho de velcro. Não sei se ele será adequado para meu tipo de caminhada. Mas pelo menos não ficarei descalça. Paguei 52 euros.

Fui até o Posto de Turismo e o atendente foi muito simpático, mas disse-me que não tinha informações sobre a Villasimius, por tratar-se de outra cidade. Mas ainda assim me deu alguns cartões de guias e um resumo da cidade em Português.

Na volta aproveitei para entrar num mercado e comprar suco, pão e estas coisas que completam minha alimentação diária, mas desta vez comprei também um filé de frango empanado e uma porção de espinafre refogado. Seria meu jantar de duas noites. A porção de espinafre era bem generosa, e o filé bem grande.

A parte difícil foi subir de volta as escadas com meus joelhos já cansados de tantas andanças. E aproveitei para entrar na Universidade, e de seu estacionamento também pude avistar o Porto.

E depois, já na Via dei Genovesi, a mesma do hotel, registrei a acomodação de uma família de gatos, que todas às vezes em que passei no local, ali estavam, mas eram um tanto ariscos.

E um pouco antes de chegar ao hotel, virando a direita eu vi uma escada, e resolvi ver aonde ia dar. Em uma Praça, com a estátua de São Francisco, em frente à Catedral de Santa Maria. Mas a mesma estava fechada. E eu não fui até lá em cima. 

Mas antes fui procurar uma sobremesa e água. E encontrei num restaurante um semifreddo. Considerando que freddo em italiano é frio, é quase um sorvete. E coberto com calda de morango, como pedi.

Voltei para o hotel e tentei contato nos telefones do cartão. Num deles tinha contato pelo What'sApp, e respondeu-me a mensagem. No Porto de Turismo o moço me disse que o guia deveria cobrar uns 70 euros. Eu esperava pagar até uns 90 pois já havia consultado os preços locais na internet e vi que eram bem salgados, então está bem. Quando mandei a mensagem recebi o valor de 45 euros, e fiquei super contente. E perguntei por quanto tempo e o que sugeria fazer. A resposta que era por 24 horas. Ou seja, o guia estaria a minha disposição enquanto houvesse serviço. Mas vejam como a palavra escrita pode ser deturpada. Em dado momento quando quis contratar o serviço, a pessoa me disse que precisaria do cartão de crédito e de minha habilitação para dirigir.

_ " Eu não tenho habilitação para dirigir na Itália. Você não será o condutor?"

_ " Espera aí. Eu pensei que você queria alugar um carro.", que seria um Toyota Yaris, o que é bem bom, diga-se de passagem.

_ " Se for para serviço de guia também tenho que rever o preço, por quantas horas? Para ir até lá demora quase uma hora."

_ " Umas cinco horas, creio eu."

Demorou um pouco e veio o novo orçamento. 180 euros. Só pode ser brincadeira. Eu já sabia que aqui o serviço é caro, mas estamos em baixa temporada... Só para vocês terem uma ideia, eu paguei, na Islândia, para atravessar toda a Ilha, que é bem maior e mais inóspita, 8 dias de passeio com hotel nível 3 a 4 estrelas, micro-ônibus, guia e passeios, na faixa de 230 euros por dia. E era o dia inteiro literalmente. O guia nos acompanhava desde às 8h da manhã até 19 horas. E isso porque tive um acréscimo nos preços de hotel porque viajo só.

A pessoa com quem eu me comunicava aqui me disse que o carro seria para 4 pessoas, ou seja, o guia e mais 3, então seria um custo de 60 euros por pessoa. Está bem, mas estou só. Pedi desculpas mas não poderia fazer o passeio.

_ " Você não vai achar preço melhor."

_ " Eu nem vou pesquisar, já desisti. Não conhecerei as praias."

Passado um tempinho ela me mandou um áudio, então sei que é ela, dizendo que poderia ir só até a primeira praia com um custo menor.

_ " Quanto?"

_ " 100 euros."

_ " Desculpe-me por tomar seu tempo mas eu não farei o passeio. Agradeço a atenção."

E assim que fiquei com um dia sem programação, para antecipar algo que fosse fazer adiante, colocar os relatos em dia e descansar. Que bem-vindo descanso.

Este é um dos motivos que Portugal tem sido eleito como o melhor destino turístico do mundo, na atualidade, é bonito, tem história, é quente, seguro, limpo e barato, comparado com os demais destinos de características semelhantes.

Escrevo até tarde, relaxo, assisto a série da Netflix e ainda deito até cedo. E de manhã, não tenho pressa. E quando saio já é quase meio dia, e vou ao Parque Regional Monlentargilius. Estava no caderno que recebi no Posto de Turismo. E para chegar lá, como sempre, usei o Google Maps, mas como era de ônibus, vi que está disponível uma nova funcionalidade semelhante ao Moovit. Ele me levou até o ponto de ônibus, passando pela Porta del Leoni e por Il Bastione, que por sinal, adorei. No caminho ainda tirei uma foto dos carros estacionados na Via dei Genovesi. Olha 'a fina' que eles tiram da parede.

E dali descobri um elevador que facilitou em muito a minha vida. E depois indica o horário que o ônibus chegará no ponto e vai acompanhando o percurso do mesmo até chegar na parada de destino. Adorei! Não tive que ficar preocupada com os pontos para saber onde estava. Foi só seguir o mapa.

Só cometi uma grande falha, não levei nada para beber ou comer. E cheguei ao parque por volta de 13 horas. E tinha caminhado 1km desde o ponto, depois andei outro dentro do parque. E é uma estação estadual de sal. E eu tinha lido que costuma ter muitos flamingos, especialmente em novembro. Mas há muitas outras espécies de aves. E fui andando devagar e apreciando-as.

E no final, quando estava já retornando, pude filmar um flamingo solitário. E Depois fotografar uns que estavam num lago verdinho, acho que de tanto sal. E foi um passeio bem diferente. Vi muitas pessoas chegando com parceiros, filhos... de bicicleta, a pé... andando, correndo, pedalando... e o dia estava propício, quente, e com vento. Ali não tem árvores, deve ficar quase insuportável no alto verão.

Mas a fome foi apertando, e não tinha onde comer ou beber. Fui para o ponto com a ideia de comer no centro da cidade. E dada minha falta de noção espacial, quase pego o ônibus para o lado oposto.

Mas de súbito tive a impressão que estava do lado errado e confirmei com outro passageiro que aguardava o ônibus. No caminho, o motorista, muito apressado, entrou numa rotatória atrás de um carro pequeno, e percebi que o veículo não estava respeitando sua faixa ao fazer a curva. Certamente o motorista do ônibus também. E o ultrapassou, fechando-o. E assim que passou ouvi um barulho forte. O condutor do ônibus olhou pelo retrovisor e fez algum comentário como dizendo que para usar um carro tem que saber. Pareceu-me que o veículo bateu em algo, ou no ônibus, ou na guia, levemente, pelo barulho, mas achei desnecessário.

Chegando de volta ao pés do Il Bastione, entrei no Antico Caffé e tomei um café com sorvete, comi uma tosta com maionese e catchup, e comi a macedônia, sobremesa que ficou marcada em minha memória visual em 2010, e não comi porque já estava mais que satisfeita com o almoço. Mas essa não chegou aos pés da apresentação daquela. Mas o sabor desta estava ótimo, daquela, quem sabe???

Continha morango, pera, abacaxi, kiwi, melão e maçã, todos muito saborosos, e pedi com sorvete. E quando subi de volta pelo elevador, percebi que o por do sol ali seria fantástico. Mas ainda faltava uma hora.

Deu tempo de eu ir até o hotel, usar o banheiro, e retornar para um belo por do sol. E o mais encantador de tudo. Muitos bandos de passarinhos pequenos, parecendo borboletas negras, fazendo giros e curvas no céu azul, procurando um local para se aninhar durante a noite fria e ventosa.

E ainda passar na Catedral no último minuto antes de encerrar para visitação, por cortesia do responsável. Mas tirei umas fotos rápidas e fiz meu agradecimento. Habitual, necessário e prazeroso.

E agora vou voltar para o hotel cuidar da vida, pois amanhã meu destino é Ólbia, ainda bem que não muito cedo.