De LINARES na província de Jaén, e um sítio arqueológico, até CÓRDOVA.

22/11/2019

E eu pensando que não ia passar por esta província.

Mas antes vamos saindo de Granada. Preocupada porque ainda não abasteci. Tenho quase meio tanque, quase 180km de autonomia, mas não me sinto à vontade de sair em uma estrada desconhecida desta forma.

E fui trafegando, na maior parte do tempo pela mão esquerda as vias. Muitas delas têm faixa exclusiva para ônibus e táxi do lado direito.

De repente, do nada, pensei: " Deixe-me passar para o lado esquerdo caso apareça algum posto de combustível". Pois não andei mais 500 metros e eis que ele surge. Não consigo achar que é casualidade. Eu anjo, meu guardião, meu instinto, um sexto sentido... Mas eu agradeço por esta sensibilidade que tanto me ajuda.

Completei o tanque com 27 euros. Comprei uma garrafa de água. E sai aliviada.

Pouco depois acessei à estrada para Linares, passando pela Serra, sob chuva. E já lá adiante vejo placas que dizem que, em caso de neve os caminhões não devem ultrapassar os carros pequenos. Neve? Será possível a chuva se transformar em neve hoje? Por favor, não. A estrada só não estava mais preocupante porque não ventava. A chuva era fraca. E, apesar de muitas curvas, o asfalto é muito bom. E a velocidade 120 km/hora. É raro algum carro andar em velocidade menor que esta. E também os caminhões.

De repente vejo que faltam 40 quilômetros para chegar a capital da província, Jaén. Ou seja, a única província de Andaluzia que não passarei é Almería. Uma pena porque minhas amigas disseram que Alicante é linda, e certamente a província tem muito mais encantos.

Meu destino primeiro em Linares é o Yaciamento Arqueológico de Castulo. Um pouco afastado da cidade, cheguei lá depois das 11 horas. A chuva tinha dado uma trégua. Assisti a um pequeno vídeo, olhei algumas explicações...

E, vesti minha capa de chuva e, minha curiosidade venceu o receio, e destemidamente segui, a pé, pela estrada de terra, para ver o mosaico. Incrível! Este é um sítio arqueológico que está sendo trabalhado ainda. E acharam todo um piso com um mosaico completo. Fabuloso.

Eu devia voltar pelo mesmo lugar, mas voltando não resisti explorar pelo menos um pouco os lugares que estão sendo descortinados. Passou por mim um carro com 3 homens. Estavam para realizar o passeio. Pareceram-me especialistas. Convidaram-me para seguir com eles, mas eu preferi seguir meu caminho, sozinha, até porque estava molhada, ia sujar o carro. D alto consegui avistar o rio que guarnecia a cidade, o Guadalimar.

E depois terminei a viagem até o Hotel Baviera, que por 30 euros a diária, me oferece estacionamento a 8 euros/dia, e um quarto superconfortável. É a primeira vez que ligo a TV desde muito tempo. Mas estou só ouvindo enquanto trabalho o blog. Sim, porque já sou capaz de ouvir e entender o espanhol como se fosse meu idioma (com raras exceções). Feliz que estou.

De manhã descubro que o Hotel tem um convênio com uma cafeteria e que, por 2,50 euros tenho direito a um suco, um café com leite e uma media. O Café Viena fica na mesma rua do Hotel, mas num trecho que é só para pedestres.

E perto também está a Plaza de Toros de Linares, só que em sentido oposto. Decido por terminar de arrumar minhas coisas e descer de uma vez, já que recepção e meu quarto estão no primeiro andar. Coloco a bagagem no carro, visto a capa de chuva e vou ao café.

O diferencial deste café foi o que eles chamam de media é meio pão na chapa, servido com um copinho de tomate batido, sem tempero. E fica bom passa-lo no pão. O tomate puro é adocicado, refrescante. E acompanhou bem o pão. Pareceu-me algo bem tradicional porque enquanto estava lá, foram servidas umas 10 pessoas do mesmo modo.

Quando fui para à Plaza de Toros a chuva já caia mais forte. Junto a ela tem uma pracinha, bem bonita. E uma escultura de touro. Mas, como as outras por que passei, em outras cidades, estava fechada. Fiquei mais uma vez na vontade. É possível perceber também o quão tradicionais ainda são as touradas por esta região da Espanha.

Voltei ao estacionamento, preparei meu roteiro e fui para a estrada. O caminho todo até Córdova chovendo. E eu alternando a velocidade do limpador de para-brisa entre as velocidades 1 a 3. Já falei que guarda-chuva em espanhol é para-água? A maior parte da estrada tem um asfalto muito bom. Alguns poucos trechos tinha algumas rachaduras num piso meio concretado. Por causa da chuva, o vento estava mais fraco.

Cheguei a Córdova ao meio dia. E achei uma vaga na rua paralela a do hotel. Mas chovia forte. E preferi almoçar até dar o horário de fazer o check-in. Na recepção do Hotel de Linares uma mulher comentou que eu não devia deixar de provar o Salmorejo Cordobês e o Rabo de Touro, pratos típicos do lugar.

O Bar 3 Califas estava bem perto de onde deixei o carro, e serve almoço. No menu diário tinha as duas opções, entrada Salmorejo e prato principal, Rabo de Touro. Foi o que pedi. Vamos honrar as tradições.

O Salmorejo estava tão bom quanto o de ... já nem lembro mais onde foi, acho que Granada mesmo. E o rabo de touro cheirava muito bem, um molho gostoso, e batatas fritas. E em cada prato acompanhou um pão quentinho. Tudo muito gostoso. E de sobremesa uma torta de massa folhada recheada de cabelo de anjo, e um cálice de Vinho Pedro Gimenez, que é copo vinho do Porto. Gastei 17,90 mais dois de gorjeta.

Apesar de muito saboroso, algum tempero não me caiu bem pois o gosto voltou à boca.

Quando cheguei à Pensão de los Arcos a recepcionista me perguntou meu meio de transporte e descobri que não poderia deixar o carro na rua. A vaga é reservada a moradores, e tem câmeras para fiscalizar. Passei o número de minha placa para ela, que eles chamam de matrícula, pois ela repassa para o órgão fiscalizador, informando que se trata de um cliente do hotel desembarcando a bagagem. Coloquei minhas coisas no quarto e fui colocar o carro num parking a 16 euros o dia. Preciso lembrar-me deste detalhe ao fazer as reservas, quando estiver de carro. Já pensei nisso para a viagem de janeiro. Os hotéis todos têm estacionamento. Talvez eu alugue um carro por lá. Onde é lá? Depois eu conto.

Voltei embaixo de chuva forte. Só parei para comprar a merenda da tarde, que talvez vire jantar e vim direto para o hotel. Agendei para hoje fazer duas ligações na parte da tarde. Um oftalmologista em Beja para conseguir a autorização para dirigir. Sabe quanto a consulta? 65 euros. É 10% do salário mínimo deles. Pensando assim, no Brasil seria também 10% do nosso mínimo uma consulta particular num especialista que não seja celebridade.

E ligar para minha tia, que tem estado bem ausente nas redes sociais, e saber se está tudo bem. A grande maioria de amigos e parentes, eu vou acompanhando pelas redes e só sinto falta mesmo é dos beijos e abraços. Quando alguém some, e não é por atribulação do trabalho, me preocupo.

Disseram-me que está chovendo a semana toda aqui em Córdova, mas vi que a previsão é de amanhã o tempo esteja melhor, e no domingo terá até sol. É bom mesmo, para conseguir fazer meus passeios a pé.

E já estou no caminho de volta. Estou na sétima das 10 cidades que programei para esta viagem. E tudo vai bem, obrigada.