De CATÂNIA a PALERMO de trem, pelo interior – Sicília.

01/02/2020

A sobra da pizza caiu muito bem no café da manhã, mas ainda assim, sobraram 3 pedaços. Ainda tinha um dos 4 lanchinhos que preparei em Taormina. Esta é uma boa forma de economizar, já que tem coisas que não é possível e nem vale a pena.

Sentei do lado direito do trem, como havia programado, mas estou extremamente cansada, como já previa. Eu estava aflita com esta viagem pela Sicília justamente pela troca diária de cidade. Não sabia se ia dar conta, e até que dei. Mas, como dizem por aí: "Estou só o pó."

O trem saiu e eu comecei a ter pequenos lapsos de sono, ou seja, comecei a 'pescar'.

E quando olhava para fora, achando que ia ver o mar, via verdes montanhas. Estava estranhando, será que estou do lado errado? E o tempo de percurso estimado era muito menor do que a soma dos trechos da vinda. E ele só fez 3 paradas no caminho. E só demoramos 3 horas. E sim, viemos por outro caminho. Estávamos vindo pelo interior da ilha e a primeira estação que paramos foi Enna.

Quando me dei conta disso, o sono passou. Mas eu já havia perdido algumas lindas paisagens que vi, mas não registrei pois tinha guardado o celular quando percebi que ia dormir. Mas ainda tínhamos quase duas horas pela frente, e foi suficiente para ver rebanhos de ovelhas correndo pelas montanhas, bois pastando, vales e casas de camponeses, plantações de hortaliças e de palma forrageira, e aves, e até um gato e muito pouca água. Não lembro de ter visto mais que riachos.

E a Estação de Palermo já é minha conhecida. A primeira coisa que fiz quando cheguei foi procurar o banheiro. Custava um euro. Coloquei uma moeda e a porta não abriu, não entendi o porquê. Mas a moeda passou direto. Quando a olhei, era uma moeda de 5, e não era euro. Alguém me passou esta moeda em algum troco, não sei se por engano. Bom, assim sendo vou ter que trocar dinheiro. Fui até a cafeteria e pedi um cappuccino e um canolo de ricota. Brilhante, foi o meu preferido. Agora o cappuccino, devia ter pedido um machiatto. Está bem, o cappuccino é italiano, mas nós o melhoramos muito, com chocolate, canela, uma densidade maior, e até um pouco de chantilly. Aqui é um café com leite, e com muita espuma, E acaba esfriando. Mas troquei meu dinheiro.

E agora consegui entrar no banheiro, e coloquei a moeda em outro canto para não correr o risco de confundir mais.

Hospedei-me no B&B Aquilone. Ficava mais perto da estação e por um caminho distinto. Chegando lá, o zelador do prédio me ajudou e me indicou um elevador já que a hospedagem fica no sexto andar. O elevador foi uma atração a parte, daqueles com várias portas e não se move enquanto não as fechamos, todas. E só cabia eu e a mala.

E o proprietário me recebeu, com alguma dificuldade por não falar e não entender o espanhol. Mas eu o entendia, quase tudo pelo menos. Ele estava fazendo a arrumação da casa e foi o lugar mais cheiroso em que estive. Logo depois chegou sua filha, Zelia, que fala espanhol e terminou de fazer meu check-in e explicar-me as coisas.

A Zelia me perguntou se eu queria indicação de passeios porém lhe expliquei que já estivera em Palermo, e que minha intenção era aproveitar minha tarde final para fazer uma visita guiada ao Teatro El Massimo.

E peguei aquela mesma rua que passa pela Quatri Canti, e no caminho vi uma lojinha com lenço preto de bolinhas. Eu estou querendo dois, uma para o cavelo e outro para a cintura. Serão minha fantasia de Carnaval em Tenerife. Calma... Estarei também com um vestido vermelho. O tema é: Coquete anos 50, e vi que lá todo mundo se fantasia mesmo.

Parei e olhei o lenço, o vendedor já pegou-o no mostruário e levou para dentro. Perguntei o preço:

_ " Dez euros."

_ " O que? Não pode deixar pra lá."

_ " Quanto quer me pagar?"

_ " Não, deixa pra lá."

_ " Cinco?"

E fui saindo.

_ " Quatro?"

Não sou boa negociadora. Ou me fala logo o preço justo, ou não compro. Não aceito esta história de pedir dez e vender por dois ou três. Pode ser cultural, mas não para mim.

Deixei-o lá, falando sozinho. Logo adiante vi uma outra loja com artigos diversos, tipo loja de chinês, e entrei. Perguntei para o moço sobre lenços e ele me mostrou echarpes de frio. Expliquei que era para colocar no cabelo, e ele me levou até uma banca que tinha um montão, de várias cores, inclusive os de bolas. E ainda de crepe. O teciso era bem melhor do que o do anterior, e as bolas maiores, Perguntei o preço e ele mostrou na plaquinha, 3,80 euros.

_ " Tem outro preto?"

E ele achou, e eu levei os dois por 7,60 euros. Muito engraçadinho o outro lá.

Quando cheguei ao Teatro e me dirigi à bilheteria soube que para hoje não haveria mais visitas guiadas porque havia preparo para um espetáculo. E sai tristinha. Mas lembrei-me do que tinha dito à Valentina, que gostaria de ver um espetáculo para sentir a acústica do lugar, a vibração. E voltei.

_ " Qual é o espetáculo de hoje?"

Ela apontou a placa.

­_ " E o preço?"

_ " Isso a senhora terá que verificar na bilheteria do teatro."

Muito bem, lá fui eu. Tratava-se de uma Ópera. E eu nunca assisti uma ópera.

Parsifal de Richard Wagner.

_ " Quanto custa e a que horas começa a ópera hoje?"

_ " Começa às 17h30, custa 5 euros e tem 5 horas de duração."

_ " E não posso sair antes?"

_ " Não, mas tem este lugar por 15 euros."

_ " E neste eu posso sair antes?"

_ " Sim."

Muito bem, comprei um mais caro para poder assistir menos tempo, uma ironia. As portas do teatro se abririam às 17 horas e já eram quase 16 horas. Se eu voltasse até o Hotel ia gastar 40 minutos entre ida e volta. Não valia a pena. Vou tomar um chocolate nesta cafeteria em frente, para relembrar, já que a Susi comentou. Eu ainda não tinha tomado nenhum e me recordo que em 2010 quando viemos, tomei muitos. E pedi o melhor canolo de ricota que comi e também o doce de pasta de amêndoas com pistache.

Por mais que tenha demorado meu atendimento, ainda terminei cedo, e sentei-me num banco de pedra vulcânica encerada, bem em frente ao teatro e fiquei ouvindo um saxofonista que tocava jazz na rua, logo atrás de onde eu estava. Mas fui ficando gelada. E vi um guarda no pé da escada do teatro. Fui até ele.

_ " A entrada será por aqui?"

_ " Sim, daqui uns dez minutos."

_ " É que tenho frio, então vou ficar junto à bilheteria."

Ele me entendeu mais ou menos e perguntou:

_ " Fredo?"

E me falou para entrar por lá e eu poderia ir depois pelo elevador.

Mas voltei por ali mesmo, subi a escadaria e ingressei naquele estupendo teatro. 

E fui logo perguntando minha direção. E sim, eu ia ter que usar o elevador e subir até o último andar. E sim, quando lá cheguei, ainda fui orientada a subir um lance de escada. E fui para nos balcões laterais, sem local marcado, mas fui uma das primeiras a chegar, assim que fiquei quase no meio. E que espetáculo. Pude ver o teto de bem perto, quase trocando a lâmpada, e apreciar sua pintura. E ver todos os camarotes em frente bem como a plateia abaixo. E o teatro é bem grande, mas mesmo assim foi enchendo, enchendo até que ficou quase lotado, restando poucas cadeiras na plateia e os lugares do fundo nos camarotes.

E via também a orquestra no porão, primeiro afinando os instrumentos, depois dando vida ao espetáculo.

A obra Parsifal trata-se da busca do personagem central, Percival para nós, pelo Santo Graal. Ela tem três atos e o primeiro terminou depois de 1h30, quando se deu o intervalo, aproveitei para usar o banheiro e ir embora. Estava sozinha, o hotel fica a quase dois km, e já era noite. Não gosto de abusar da sorte.

A ópera é interessante, mas eu estava com sono e o tema era meio monótono, de modo que não ia aguentar até o final também. Mas sai feliz, realizando duas vontades, ver uma ópera e dentro daquele teatro lindo. Quantas: primeira vez...

Mas o trem sairia da estação para Punta Raisi às 7h38, eu teria que levantar às 6 horas. E foi mais do que o suficiente.

Meu voo pela Volotea estava marcado para 9h40. O trem iria chegar em Punta Raisi às 8h29. E eu tinha pouco tempo para fazer todo o processo, mas achei que em tratando-se de um aeroporto pequeno, tudo seria mais rápido.

E assim foi, mesmo tendo que tirar o lap-top da mala de mão, e passando novamente por revista pessoal...

Porém tive que ir direto para o portão de embarque, só passando no banheiro para um rápido xixi.

E parece que essa foi uma boa medida, porque eu poderia entrar com 2 volumes que somados dessem 10kg de bagagem. E devo estar com uns 13kg, Só o Lap-top pesa mais que dois. Mas um pouco a frente de onde eu estava, na fila, começaram a etiquetar a mala de mão para ir para o porão. O moço que fez a verificação e etiquetou minha mala, olhou-me com estranheza, verificando os volumes. Mas não disse nada. Pode até ser impressão minha...

E quando estava quase entrando no avião, já que fui uma das últimas, eles pegaram outras malas e mandaram para o porão também, porque não havia mais lugar para guardar nos compartimentos acima da cabeça.

Era um avião menor, com uma fila de 3 poltronas e a outra de 2. Eu estava na poltrona 14C, no corredor, e na 14 D e E não havia ninguém, de modo que pude colocar minha mochila embaixo daquelas poltronas, com autorização da aeromoça. E viajei confortável. Eu sou muito agraciada e agradeço.

O tempo de voo é só de 40 minutos e o resto da história fica no próximo capítulo, chegando a Cagliari, na Sardenha.