De baixo para cima, no teleférico da MADEIRA

21/12/2019

Xô preguiça! Hoje queria pular da cama bem cedo para a Missa do Parto, mas não consegui. Ainda assim antes da 9 horas eu já me arrumava para o café da manhã. O tempo estava seco com nuvens esparsas. A previsão era de não chover.

Depois do café, me muni de uma blusa e sai. Voltei. Ventava muito, senti frio. E minha intenção é voltar só à noite, e pode estar mais frio. Peguei mais uma blusa e vesti. Saí confortável.

Fui a pé, saindo para o lado direito, ou seja, subindo um pouco antes de iniciar a descida. Aceitei o conselho do Antonio e resolvi ir ver o Mercado dos Lavradores num dia de atividade normal.

Do hotel até o Mercado dá algo em torno de 2,5 km. A maior parte de descida ou planície, na ida. Kkk E pude ir observando o caminho. Passei por uma das Ribeiras e sobre a ponte tive uma visão bastante interessante.

Passei também pelos cassinos, e logo em seguida já surgiu o Parque Santa Catarina, a rotatória com a fonte, a vista da Marina. E fui me familiarizando com o caminho já percorrido a pé ou de carro com o Antonio na terça feira.

Logo cheguei ao Mercado, mas acho que o movimento já não está tão normal assim. Primeiro vi umas comerciantes com chapéu de elfo, ou duende. Dentro do mercado me senti ainda mais no mercado de Aracaju assim que passei pelo corredor das flores, logo na entrada. E os cheiros, formas e cores se misturam ao vozerio das pessoas, ansiosas por antecipar as compras para as refeições dos dias de festa que estão chegando.

Vi um fruto engraçado, com aparência de milho com casca dura. A plaquinha só dizia fruta deliciosa. Estava junto com a Anona, espécie de fruta pão típica da Madeira. Preciso comprar uma para provar.

E vi também uma barraca/loja que, se houvesse um concurso de beleza na apresentação, ganharia meu voto, com temperos pendurados e muita cor e alegria. Dei a volta só para chegar até ela para poder apreciar melhor.

E agora vou para o Teleférico, pois meu principal destino hoje é o alto do Monte.

A base do Teleférico do Funchal é grande e bonita, estando também decorada para o Natal. Na bilheteria não consegui comprar o ingresso de ida e volta, pois a condição climática indicava que o equipamento podia ser desativado a qualquer momento. Muito vento. O ingresso de ida e volta para adultos é no valor de 16 euros. Só ida custa 11. Mas se estivesse funcionando na volta, eles cobrariam só a diferença.

O caminho me faz indicar este meio de transporte deste trecho como atração imperdível. Durante o percurso é possível entender um pouco o jeito de ser e viver do madeirense. Fiquei admirada pelo esforço deste povo em fazer 'dar certo' esta terra. O terreno é muito acidentado, as casas são construídas respeitando as irregularidades, e possuem muitos andares. Vi algumas estradas muito íngremes para acessar algumas das casas, mas  noutras só era possível ver trilhos de concreto ou pedra, sendo acesso de pedestres. Nas casas vi vãos e jardins, cachorros e hortas. Cada cantinho de terra fértil é aproveitado para agricultura de subsistência ou comercial. E no meio de tudo isso, passam as avenidas, com túneis que não interferem com a urbanização pre-existente.

Mal desci do teleférico, que veio com 5 pessoas e balançou um bocado durante os 15 minutos de percurso, já vi a indicação para o Jardim Botânico, O Jardim Tropical do Monte Palace, e a Igreja. Não vim interessada no Jardim Botânico e sim na Jardim Tropical e na Igreja.

Virei a direita e dei de cara com a entrada deste. Queria aproveitar enquanto o tempo estava bom, com um pouco de sol e sem chuva. A entrada foi meio salgada, 12,50 euros. Dá para perceber que a Ilha da Madeira tem um turismo muito forte. Os preços praticados aqui são um pouco mais altos do que no continente. E parece que todo mundo fala inglês também.

Mas, antes de começar a longa caminhada pelo Jardim, resolvi fazer um lanche que serviu de almoço. Comi uma tosta de atum. E descobri a diferença entre tosta e sandes. A tosta é com o pão quente e o sandes ( uma abreviação de sanduíche, creio eu) é com pão frio. Os recheios são os mesmos. Tomei um suco de romã com laranja. E gastei 10,50.

A entrada do Jardim dá direito a uma prova do Vinho da Madeira num café na outra extremidade do mesmo. E como o mesmo é feito a partir do alto do monte para baixo, são ruas, escadas e pontes levando para baixo, entre árvores, flores, arbustos, galhos, fontes, quedas d'água, lagos, azulejos, brasões, e muita história.

Eles têm um grande trecho com muitos painéis em azulejos que representam cada reinado de Portugal e os principais acontecimentos do período.

Há também um Museu de Pedras Preciosas. São ametistas, turmalinas, quartzos, feldspato, e tantas outras originárias principalmente do Brasil. A mais preciosa brasileira que encontrei aqui está na última foto registrada.

Apesar de ter recebido um mapa, achei-o desnecessário, e fui seguindo para o centro do jardim, onde sabia que encontraria um lago. Nele algumas pontinhas e uma cascata, que pude observar por vários ângulos, inclusive atrás da cortina de água. Fiz inclusive uns vídeos que estarão no Instagram (@ lessa meyre) e Facebook (Meyre Lessa).

Por estarmos às portas do inverno, havia poucas flores. A principal ocorrência foi a das hortênsias, inclusive branca.

E na prova de vinho descobri o Vinho da Madeira Seco que pode ser comercializado. A cor dele é semelhante, só um pouco mais clara, que a do licoroso. Fui de licoroso por ser o mais tradicional.

E voltei por um caminho diferenciado, para poder ver mais detalhes deste Jardim que era propriedade particular anexo ao Hotel Monte Palace, construído por um dos proprietários da área, e que passou às mãos da entidade Associação de Colecções que beneficiou a área, tornando-a um local muito aprazível, e além de apresentar algumas coleções, como foi o caso das pedras preciosas, acima, ainda preserva o meio ambiente.

A última área que passei foi de uma coleção de estátuas fabricadas no Zimbabue, e expostas como que estivessem em seu ambiente original. Elas são expostas ao ar livre por seus criadores em sua terra natal. Esta coleção chama-se Paixão Africana. Teve uma escultura em especial de que gostei muito, para mim, ela simboliza a maternidade.

Saindo, depois de 2h30 passeando no jardim, comi um pedaço de bolo de maracujá (também com uma boa produção na ilha), e café expresso.

E vi uma pequena capela no alto, e subi uma ladeirão. Mas, tanto a capela como a vista, valeram a pena. Reparem nos degraus de pedra da última foto, eles são como ondulações para suavizar a descida, na maior parte das vezes com pouco mais que 5 cm de altura. Achei muito cortês. E tem degraus assim por toda a ilha.

Depois fui para A Igreja Nossa Senhora do Monte, a padroeira do Funchal. E tinha 70 degraus para chegar até lá.

Ainda bem que a igreja estava aberta. E lá dentro descobri mais um degrau, após quase me espatifar no chão, fazendo um barulhão para me equilibrar, em meio ao silêncio reinante.

Esqueço que é tempo de presépio nas igrejas. E um mais encantador que o outro.

Ao pé da igreja existe um transporte, nada tradicional, pra baixo. Mas aqui é tradicional sim e, me parece, que era uma forma de transportar produtos outrora. Hoje é a alegria dos turistas. Parece um carrinho de rolimã sem rodas. As pessoas se sentam no cesto e dois condutores empurram e sobem na rabeira como se fosse um bonde. E eles vão conduzindo o cesto até lá embaixo. Os cestos voltam de caminhão. Os condutores eu não sei. Filmei. Mas não desci. Achei um disparate. O preço para duas pessoas é de 30 euros, que não é pouco. Mas, sozinha, eu ia pagar 25 euros. Apreciei olhando e voltei de teleférico mesmo.

A volta foi mais de curtição e menos de reflexão.

Aproveitei para passar no restaurante Le Jardin para cancelar os almoços. Farei lá só a ceia de Natal. E a ceia de Ano Novo será no Estrela do Mar, ao lado praticamente. Expliquei que, ao reservar, através do Antonio, pedi que fosse na região Central, onde acontece a queima de fogos, achando que eu iria ficar numa quinta, afastada da cidade. Mas ao constatar que estou na região mais forte de hotelaria e gastronomia também, e verificando que os restaurantes próximos ao meu hotel também abrirão no Natal e Ano Novo, vou preferir me deslocar menos e poderei levantar mais tarde.

Depois de resolver este assunto, pude ir até a Fortaleza de São Tiago, e paguei 3 euros para entrar. No andar superior tem uma mostra de fotos, mas nada significativo, com exceção da magreza dos muares que puxavam uma carrocinha comercial em idos tempos. Mas da Fortaleza temos uma bonita vista do mar junto às rochas, e da violência com que as águas se chocam com as mesmas, mesmo com ondas baixas. Seria um ótimo lugar para ver o por do sol, mas ainda eram 17 horas e o por do sol aqui é um pouco mais tarde. Estava marcado para 18h06. Então resolvi ir ao Miradouro junto a Igreja Nossa Senhora do Socorro.

E fiquei lá, curtindo o movimento da nuvens e das águas por uns 15 minutos ou mais. Até que pensei em caminhar um pouco mais para cima e conhecer melhor a área, até dar o horário do sol poente.

Mas mal andei 10 metros, encontrei uma lanchonete com mesinhas ao ar livre, na calçada oposta, e que proporcionaram uma excelente vista. Que ótimo, matei dois coelhos com uma cajadada. Quero ver a música de Natal na Catedral. E comer. Se eu fosse fazer ambos após o por do sol, penso que ficaria tarde para retornar ao hotel. Não pela segurança, mas pelo tempo de passeio e pelo cansaço mesmo.

Assim jantei enquanto aguardava. Um hambúrguer de bacon com batatas fritas com orégano e molho especial. Os portugueses gostam muito de orégano, já reparei. O Antonio também me disse que tem preferência por este tempero. E, que aqui na Madeira, a salsa é mais comum que o coentro. No Continente é o oposto. Mas o orégano é preferência nacional. E tomei um copo de sangria com canudo de macarrão. Que bom, aqui eles vendem em copo também. E gastei os mesmo 10,50 do almoço. Será que este número quer dizer-me algo?

E fui observando o sol descendo no horizonte. E percebi que não iria vê-lo tocando a água, pois algumas nuvens mais densas se aproximavam. Então consegui fotografar enquanto ele fazia seu caminho para o quarto, mas já de pijama listrado.

E desci feliz e contente para ver as ruas com as luzes acesas, as pessoas sorridentes desfrutando o ambiente. Ver tudo assim iluminado fez-me lembrar do início do ano de 2017, quando passei por Maceió, que também capricha na decoração natalina. E me lembrar da querida prima que lá nos recebeu.

Cheguei cedo à Catedral e ela ainda estava aberta. É bem simples, e está sendo restaurada. Mas mal deu tempo de eu fotografar o altar, uma capela e o presépio e já anunciaram o fechamento, um pouco antes das 19 horas. Fui dar uma volta nela, vendo as decorações diferentes em cada rua. E sentei-me assim que dei a volta completa, aguardando ainda uns 10 minutos até começar a música e perceber a harpa do anjo com as luzes piscando, indicando que ele tocava para nós. Algumas pessoas também pararam para olhar.

E agora já posso voltar pra o hotel. Mais luzes. Mais presépios. E muita gente na rua. Imaginem como serão os próximos dias. : )

Passei em frente a um palco, na Avenida Arriaga, e um coro de Natal se apresentava. Depois, assistindo TV, no hotel, vi a decoração de bolas vermelhas enquanto uma cantora se apresentava. Então é ali o principal palco de apresentações.

E durante os mais de 3 quilômetros que andei, as luzes estavam por todos os lugares. E em alguns momentos vislumbrei também as casas, no alto dos morros. É muito bonito mesmo. Acho que irei todos os dias a Noite para o Centro, pelo menos arte o Ano-Novo. E saio um pouco mais tarde... Concluindo o relato do blog pela manhã. O que acham? É Natal. Parecerei só mais um gato entre tantos.