DAS MONTANHAS DE SINTRA ÀS PRAIAS DE CASCAIS

10/07/2020

Depois de quatro dias tomando o café da manhã no mesmo lugar, as atendentes já sabem o meu pedido e economizo tempo. E hoje a omelete estava ainda mais gostosa.

Quando tirei o carro da vaga de estacionamento, virei para o lado de Sintra e fui embora. Pois tive que fazer uma volta enorme para passar de novo na frente da Pastelaria O Moinho porque Cascais é para o outro lado. Notei mesmo que aqui, nestas montanhas belas e cruéis, qualquer erro no percurso pode custar alguns quilômetros a mais no seu itinerário.

E o caminho já era conhecido, foi por ali que cheguei, e passei pela entrada da Praia da Adraga, que não conheci. E pela entrada para o Cabo da Roca, que conheci. E logo em seguida vejo aquela praia linda e grande lá embaixo, de novo, e encontrei um local e parei. Será que é lá a Praia do Guincho?

E era. Parei no estacionamento de um restaurante, creio. Mas estava tudo muito vazio. Tirei fotos perto dali e continuei até a praia. Fiquei indecisa se caminhava pela praia ou não. Mas meu destino estava muito próximo. E a programação do dia era leve, justamente para me permitir parar e explorar. Então chega de dúvida e vamos ao desfrute.

Aproveitei as escadas de madeira para tirar o tênis e as meias, e bora colocar os pés na areia. Um caminho demarcado com cordas vermelhas e azuis, como uma rodovia. E cada um deve andar em sua faixa. Ida e volta.

A praia é grande, o vento era forte, e o mar estava agitado. Na ponta oposta da praia eu avistei muitas pessoas praticando surf. Levantei as barras da calça para não se molharem e fui caminhando rente a água. E de vez em quando molhando meus pés com a água fria. A temperatura chegou hoje aos 25 graus, e o tempo esteve bem limpo, com sol forte. E eu me sentia muito confortável na caminhada.

Vocês têm o mesmo conceito de confortável que eu? Confortável para mim é quando eu me sinto bem, leve, solta, alegre. É quando me sinto acolhida. Então existem pessoas aconchegantes e confortáveis, lugares, roupas... E foi assim que senti aquela praia, quase vazia.

O próximo destino era o Farol do Cabo Raso, e estava a menos de 4 km de distância. Mas quem disse que eu consegui ir direto. E ficava vendo o mar, e vagas para estacionar. E fui me deixando levar, ao sabor do vento.

E uma música que sempre me vem à cabeça quando estou na praia, entoou seu canto. Porém, mais do que nunca ela fez muito sentido:

"Vim, tanta areia andei

da lua cheia, eu sei

uma saudade imensa...

Já me fiz a guerra por não saber

Que esta terra encerra meu bem-querer

E jamais termina meu caminhar

Só o amor me ensina onde vou chegar..."

(Andança - Beth Carvalho)

Então vou continuar este caminho, aprendendo a amar e ver aonde eu chego.

E no Farol do Cabo Raso o vento era tão forte que me escondi atrás de uma casinha para poder fotografar sem ter o celular tomado das mãos. Tinha que segurá-lo com ambas as mãos, coisa que não costumo fazer para tirar fotos. E fiz dois vídeos. O primeiro falava sobre o lugar, mas me enganei, e no segundo, em que fui corrigir a informação, o barulho do vento cobre minha voz. Mas dali eu avistava o Farol do Cabo da Roca, no alto da montanha rochosa. E ali embaixo estava o Farol do Cabo Raso. Seus nomes tem sentido quando os avistamos.

E um pouco a frente vi lírios brancos e uma flor amarelinha, ambos nascendo na areia.

E logo depois cheguei ao Forte de São Jorge de Oitavas, e lá fui eu me encantar com o mar a sua volta. E rochas, que são o enfeite do local. É como pintar os aposentos de uma casa. As paredes coloridas são lindas. Mas o que dá o toque diferenciado são os enfeites, a decoração. Nosso Criador pintou o céu e o mar, e a mãe Terra enfeitou os cenários com rochas e vegetação.

E mais um Farol da Guia, já bem perto do centro urbano de Cascais. Mas o mar e os rochedos por trás dele fazem bonito.

E depois só parei na Boca do Inferno. Calma lá. É só o nome do lugar. Não creio que alguém que procure o amor possa ir parar no inferno.

Havia várias vagas para estacionamento, e uma família que chegou ao mesmo tempo que eu se dirigiu ao paquímetro. Eu aguardei. Na minha vez vi que o período de 4 horas custava 3,20 euros. Mas eu ia almoçar e dar uma volta. Não creio que necessite mais que duas horas. E enquanto separava as moedas, vi um homem falando com os adultos da família. Mas eles recusaram a oferta do homem. Assim, ele se dirigiu a mim:

- Olha, eu paguei o estacionamento até às 16 horas. Fique com ele.

Parei a contagem das moedas e fui até ele. Ele me estendeu o papel do parking, e era exatamente o tempo que eu necessitava.

- Obrigada.

- Não tem de que.

Aqui não há identificação do veículo no equipamento. É só colocar o dinheiro e o aparelho vai informando o horário de término. Se você colocar dinheiro a mais, ele devolve todas as moedas. É um programa bem simples. Tanto que o motorista do UBER ontem, me disse que eu não me preocupasse com a multa. Eles não têm como te localizar. Como assim? Não têm no sistema de trânsito o endereço do proprietário do carro? Pois o número da placa eles têm. Mas acho que os sistemas não se conversam. Afinal, estacionamento é atribuição de esfera municipal. Mas no caso de multas de trânsito, devem chegar. A que tomei na Espanha chegou. Mas eu mandei o e-mail com meus dados para o local indicado no Auto de Notícia. Então posso esperar a multa de estacionamento.

Economizei 1,60, dos 30 que gastarei com a multa, hahaha.

Fui olhar a boca do inferno, mas as pedras estão com cercas protetoras. Já devem ter ocorrido acidentes por aqui. Ainda assim consegui fazer umas fotos bonitas. E em segurança.

E já tinha o nome do restaurante em que eu queria comer, e ele estava bem ali. O Mar do Inferno. Parecia chique, talvez necessitasse de reserva. Mas pelo horário, e estando sozinha, não foi o caso.

Um simpático garçom me trouxe o cardápio, já que eu disse que não tinha o aplicativo para ler o código de barras e acessar o mesmo.

Mas os pratos eram, em sua maioria, para duas pessoas. Vi prato de lagosta, que deviam ser escolhidas pelo consumidor, no aquário bem na entrada do restaurante, por até 150 euros, mas serviam 4 pessoas.

Mas o atencioso garçom me informou que eles fazem os pratos para uma só pessoa também, e o preço é exatamente a metade. Não são todos os locais que adotam esse critério tão justo. Muitos cobram entre 60 e 70 por cento o valor do prato, e não são todos os pratos do cardápio que podem ser feitos só para um. Ele me indicou um robalo na chapa, com camarões e legumes. Achei perfeito. E acrescentei uma taça de vinho branco, já que estou bem perto do Jasmim Doce, onde estarei instalada. E aqui se acabaram as montanhas e curvas perigosas.

Gastei um pouco mais do que com o almoço de ontem, contudo eu digo que aqui o preço foi justo e lá, na Praia das Maçãs, foi caro, em função da qualidade do serviço e da comida. E olha que aqui eu tomei o vinho e um café. Se bem que lá eu comi o quejo, e tomei suco.

Fui caminhar um pouco mais antes de ir para o carro e vi um túnel com várias barraquinhas. E umas coisas em cortiça dependuradas. E eu queria mesmo ver uma loja com estes artigos, tão típicos de Portugal. Mas achei melhor ir primeiro ver o mar. E na volta eu compro, como dizem as mães aos filhos, quando não voltarão pelo mesmo lugar. Achei uma trilha no meio de uma cerca viva, e mesmo roçando nos arbustos que me pareceram de arruda, eu consegui chegar até as pedras e fotografar o mar. E quando viro de volta e tento achar a trilha, cadê? Ainda bem que achei uma melhor, mais curta e mais larga.

E voltando, percebi que era mesmo um túnel, pois tinha duas entradas, e entrei pelo lado oposto ao dos restaurantes. Para a sorte da Dona Ana Maria. Ela me mostrou seus produtos e conversamos um tempinho. E ela me disse que, se eu tivesse entrado pelo outro lado, não chegaria até a banca dela, pois ali estão duas outras concorrentes que abordam os clientes que por lá entram, e eles compram, não chegando até ela. Falei que vou avisar minhas amigas que moram em Portugal para procura-la, entrando então pelo lado oposto ao dos restaurantes.

Cheguei ao carro e só faltavam 3 minutos para o término do tempo. Costumo ter um bom controle de tempo quando sei bm o que vou fazer. E em minha programação do dia era exatamente este horário que queria chegar ao hotel.

Que é longe da praia, mas em lugar muito agradável, numa mansão ajardinada. Pensei até que seria um bom destino para as mansões abandonadas dos jardins paulistanos. Estou instalada numa suíte, com varanda, cama de casal e luzes escondidas por retábulo de gesso, no forro. Muito confortável! Lembram?