Costa Oeste da ILHA DA MADEIRA

25/12/2019

Hoje foi um dia muito intenso também, explorando o outro lado da ilha.

No café da manhã, inicio com o cantante e fã de Nelson Ned. O senhor que cuida do café, sempre contente, todo dia se aproxima das mesas de quem fala português e fica cantando alguma canção de seu ídolo. O ruim que ele tem uma voz muito grave, e mesmo falando português, não entendo quase nada do que ele fala.

O Antonio chegou às 9 horas, e eu já estava com a sacola pronta para as atividades do dia.

Ele iniciou refazendo algumas paradas da terça feira que ficaram prejudicadas pela chuva, e como aconteceu comigo em Montreal, tive a oportunidade de rever sob o sol: o Fajã dos Padres, o Mirante do Cabo Girão, e o Fajã do Cabo Girão, de onde, com o céu limpo, foi possível avistar também o Mirante, onde estivemos um pouco antes.

A nova via rápida atravessa algumas propriedades e a obra pensou também no novo acesso dos moradores às suas casas. E haja escada.

Depois atravessamos um túnel de 3 km que corta as montanhas de pedra do centro da ilha. Meu guia me explicou que, antes deste túnel, era impossível fazer passeios para ir e voltar no mesmo dia. A estrada antiga ia circundando as montanhas, inclusive em locais bem perigosos, por estarem a beira do precipício e por quedas de pedras.

E antes do próximo túnel há uma Queda d'água São Vicente. Ela é bem volumosa. Mas pude ver, como ela, várias outras, ao longe, como um choro da montanha, só não sei dizer se de tristeza ou felicidade. Observando o caminho que deixamos para trás, uma nuvem invadia a base da montanha, dando um bonito e envolvente efeito. E olhe a onda...

Nossa próxima parada foi num mirante para observar a Cascata Véu da Noiva. Interessante observar que a estrada antiga passava junto dela. Eu fiquei tentando ver por onde, e o Antonio me explicou que tinha ali um túnel, que só se consegue ver quando está próximo, mas também pode ser que alguns desmoronamentos que ocorreram após as explosões para construção do novo túnel e a vegetação que cresceu quando a estrada foi inutilizada, tenham mesmo fechado a passagem.

A seguir paramos na nas piscinas naturais do Seixal. Na Praia do Seixal alguns banhistas se aventuravam nas ondas do mar gelado e bravio. E as piscinas não são muito naturais. São feitas algumas barragens entre as pedras, e entre as pedras e os muros se formam as piscinas que, nas estações de primavera e verão, com o mar calmo, ficam tão serenas que, olhando agora, quase impossível acreditar.

Eu fiquei um pouco frustrada por não ter visto as praias de areia preta da Islândia. A prais de Seixal me compensou. O guia me disse que ali haviam pedras antes, ou seixos, ou calhau, como eles chamam, e foram retirados para que a areia ficasse disponível para os banhistas. É só um pequenino espaço de praia, mas que lota no verão.

Em seguida fomos a Praia da Laje. O acesso estava impedido para os carros e pela primeira vez o Antonio levou um turista a pé lá para baixo. A descida é bem íngreme e em curva. Carro aqui tem que estar sempre em dia com a embreagem. Mas eles sempre pensam nos pedestres e há uma escadaria á margem, que facilita bem tanto a descida como a subida. E vou dizer que preferi assim o acesso, pois pude ir observando as paisagens do caminho. Lá embaixo está a laje. Fico impressionada com a violência do mar, mas o Antonio diz que ainda não é nada. Dali já dá pra ver o Ilhéu da Ribeira da Janela, ao longe. Esse aí ao meu lado é o Antonio. No final do post passo o contato dele.

Depois nós fomos ao Miradouro da Ribeira da Janela, descemos até a Ribeira da Janela, e saindo de lá paramos em outro Miradouro, só pra ter vários ângulos de visão do Ilhéu da Ribeira da Janela e de todo o conjunto. Neste Miradouro conheci uma planta chamada Dragoeiro. Seus frutos são amargos, para nosso paladar, mas apreciados pelos pássaros, segundo o Antonio.

Esta Ribeira está num bonito vale, dali podemos ver os canos de água que abastecem a Usina Elétrica que está na base do morro, a Ribeira abriga uns patos selvagens, mas que são alimentados por ali. E a formação rochosa que tem ali é muito linda. Uma se pareceu com aquela formação de pedra preciosa que vi na exposição do Jardim Monte Palace. A outra tem a aparência de uma coluna vertebral. Passamos também por um túnel que leva-nos a outro mirante. E pude observar na rocha algumas lapinhas. Uma com Nossa Senhora.

Dali seguimos para Porto Moniz, onde à noite aconteceria uma feira do Mercado. Este concelho é famoso por suas piscinas naturais. O dono do hotel Residencial Melba até me aconselhou trazer roupas de banho para aproveitá-las caso estivesse com o sol bem forte. Mas acho que ele nunca aqui esteve no inverno.

Fizemos mais que uma parada, as primeiras piscinas já me assustaram. Impossível imaginar como seria no verão.

As ondas estavam tão fortes que o acesso de pedestres e de carros na pracinha junto a amurada do mar esta fechada. Algumas ondas batiam ali e a água avançava para a praça. E mesmo assim, muitas pessoas estavam nos locais permitidos para fazer fotos. Eu fui chegando devagar, pronta para correr na primeira onda mais forte. Boba eu, até parece que conseguiria identificar.

O guia foi se encaminhando para uma pontezinha que se achegava mais ao mar. Eu, ao perceber sua intenção, já que alguns turistas estavam ali, já me adiantei em dizer que não tinha interesse de me expor tanto assim!

Fomos em direção à antiga fortaleza que hoje abriga o aquário. E um pouco mais adiante, onde estava montado o presépio e de onde se observava, de novo, o Ilhéu da Ribeira da Janela.

E em seguida as piscinas naturais de Porto Moniz. Já havia visto um filme sobre este lugar, com as pessoas sentadas sobre os muros e se deliciando com a passagem das ondas do mar para dentro e para fora. Acho que nem é permitido banhar-se nesta época do ano. Cruzes!

O próximo destino foi o Miradouro do Porto Moniz. Daqui as águas não são tão assustadoras. E pude observar cada canto antes visitado.

Fomos ver a Levada da Ribeira da Janela. As levadas são as calhas feitas no norte em direção ao sul da ilha, onde a água é levada para abastecer a região. O sul da ilha não teria água não fosse por estas. Porém é a região onde o relevo possibilita uma melhor acomodação humana. No caso deste trecho de levada que vi, a água esta correndo para o norte mesmo, e alimentando a represa. É possível fazer trilhas acompanhando as levadas. Esta tem 25km e leva de 7 a 8 horas para cumprir.

O Miradouro das Achadas da Cruz veio em seguida, com o teleférico mais íngreme da ilha. Mas a escarpa é íngreme, o cabo está na mesma inclinação da escarpa, mas o carrinho vai de pé. E uma família de franceses vinha embarcada, todos sorridentes e felizes, dando tchauzinho. Acho que felizes porque estavam chegando à terra firme. Kkkk. Veja o vídeo no facebook Meyre Lessa.

O próximo Miradouro foi o da Ponta do Pargo, ponta esta na qual uma placa aconselhava a não ir, por ser perigoso, e o Antonio me disse que a vista de lá não acrescenta muita informação, não vale o risco. E pra estas coisas sou obediente, risco só quando desconhecido. Ali há um farol. Este é o extremo Oeste da Ilha.

Fomos ao Miradouro do Fio. E a neblina realmente fez parecer que havia um fio separando-a da terra e mar logo abaixo.

E ao do Precipício, de onde se avista uma mini Canyon. Diferente de todos os outros onde o principal objeto é o mar e a encosta. O dia já está quase se encerrando... E o sol já esta quase na linha do horizonte. As nuvens ajudam a luz amarela a se espalhar. E oferecem uma imagem espetacular.

Saímos por um dos antigos túneis, onde a rocha aparece escavada, sem acabamento.

E do outro lado o sol se despedia. Só mais um olhar, e um até amanhã. É hora de descansarmos.

Contato do Antonio: + 351 934531449 ou pelo Facebook Madeira Portugal