CÓRDOVA – a Medina e outras coisas mais.

25/11/2019

Minha visita a Medina Azara, em árabe Madinat al-Azhara, estava marcada para às 10 horas e foi adiada para às 10h30 por causa da meia maratona que aconteceu no centro da cidade de Córdova. Ela fica a uns 10 quilômetros de distância, mas alguns turistas foram para lá com a guia, usando transporte público.

Eu fui cedo para tomar café da manhã lá. Quando cheguei o complexo mal havia aberto. E tive que comprar um bilhete de 1,50 euros pois a atendente me garantiu que eu teria que pagar, mesmo já tendo comprado pelo Get your Guide.

A guia só chegou às 10h40 com um grupo de 3 pessoas. Enquanto isso eu já conversava com uma família de cartagenos, o casal e a filha mais nova, de 32 anos. Eles vieram passar o final de semana e trazer a filha para conhecer a cidade. Resolveram fazer este passeio, desta vez, com guia porque, da vez anterior em que estiveram aqui, fizeram sem guia e acharam que faltou explicação do lugar. Comentaram que fizeram também a Catedral Mesquista com guia, e concordaram comigo que perderam liberdade. Na vez anterior apreciaram por muito mais tempo e com mais minúcia o mesmo espaço.

A guia, que por sinal é da Hungria, chama-se Cristina. Nosso pequeno grupo era composto de 10 pessoas incluindo-a. Eram 3 casais, todos espanhóis, de diferentes regiões, uma alemã, de uma pequena cidade próxima a Colônia, que já viveu em Santiago do Chile, a filha do casal de Cartagena e eu. Tínhamos então 4 países representados neste pequenos grupo.

A Medina foi construída no século X, demorou 25 anos para ser construída e só foi utilizada por outros 20. A construção de obras grandiosas era uma forma de demonstrar poder, tanto nas áreas civil e militar, como religiosa. Ali viveu um Califa, que é detentor dos 3 poderes. Porque o Califa que a construiu deixou apenas um herdeiro de 11 anos. E enquanto ele não podia assumir o poder, o então governador transferiu a sede para Córdova e o lugar começou a ser saqueado, levando-o a derrocada.

Ela ficou por um milênio esquecido e enterrado e, em 1911 iniciou-se um trabalho de escavação e restauração, que ainda prossegue, patrocinado pelo governo espanhol. Menos de 10 por cento foi descoberto.

Devido a característica do terreno, ela foi construída em terraças, ficando no nível superior as dependências do Califa. Depois as casas dos vizires, corpo de guarda, dependências administrativas, jardim.

A parte mais interessante da visita guiada foi observar no solo, junto as saliências que foram reconhecidas como portas, pequenos furos no mármore que demonstram que ali realmente havia alguma estrutura de encaixe que possibilitava o fechamento, aumentando a segurança da construção labiríntica, característica das construções árabes.

A guia também nos disse que azhara quer dizer brilhante, então era a cidade brilhante, pela cor de suas casas brancas que brilhavam ao sol.

Interessante também pensar que as cidades não estão lá, intactas, esperando ser descobertas. São encontrados as partes e fragmentos e tudo é montado como se fosse um quebra cabeças. A Cristina disse que nada ali foi inventado, existe uma estrutura e algum conhecimento baseado em escritos, e assim se erguem as novas estruturas com base neste conhecimento prévio.

Todas as demais informações e até algumas mais são possíveis achar na internet, incluindo fotos para se orientar. E a visita é delimitada por um tempo específico, e com outros grupos também visitando o local, nem sempre é possível estar no melhor local, e nem tempo para as fotos está previsto, de modo que, eu não iria com guia se soubesse que era assim. E meu gasto seria mínimo, pois o estacionamento é gratuito, acho que o ônibus para ir até lá em cima custa 10 euros, mas não é obrigatório ir nele. E o ingresso que paguei 1,50 é porque não sou de nenhum país da União Europeia.

Quando a visita terminou, ela já tinha nos avisado que só tinha um ônibus em circulação, a fila estava enorme, previ 2 ou 3 ônibus para carregar toda aquela gente. Ela disse que deveria demorar uns 15 minutos entre um e outro. Ou seja, no mínimo meia hora até conseguir embarcar. E quanto tempo você imagina que levo caminhando?

_ " Uns 30 minutos, creio eu."

_ " Só de descida, né?"

_ " Sim."

_ " Então pessoal, prazer em conhecê-los, obrigada pela visita e tchau."

E desci caminhando. Cheguei primeiro que eles, mesmo eles tendo conseguido pegar o segundo ônibus. Sei disso porque quando cheguei fui ao banheiro, o segundo ônibus passou por mim, no caminho, ainda quando ele subia e eu já estava quase no meu destino. Quando fui para o carro, o terceiro ônibus chegou e fiquei olhando para ver se alguém precisaria de carona até a cidade. Mas eles não estavam neste.

No caminho aproveitei para abastecer e comprar snacks.

Passei primeiro no hotel e deixei as coisas. Tirei também a meia calça porque já estava bem quente.

E fui procurar o Restaurante Casa Rubio que a Marta de Córdova, que mora em Madri, me indicou. Assim como me informou de outro prato típico que eu devia provar: o Flamequín. Ela me contou que seu marido, o Enrique, também é louco por Salmorejo. Eu virei fã.

Ela me indicou este restaurante porque disse que após a Medina iria conhecer a Sinagoga. Mas fui almoçar primeiro pois já eram quase três horas. E comi salmorejo, flamequín, vinho e água. Estou virando uma autêntica europeia.

Infelizmente, quando saí do restaurante em direção a Medina, encontrei-a fechada. De domingo só abre até às 15 horas.

Meu próximo programa era a Torre Romana, pois passei de carro em frente às colunas quando voltava da Medina e me interessei.

O Goggle Maps me levou até lá passando pela Plaza de las Tendillas, e havia um mercado de Natal montado. Que maravilha! Porque queria comprar duas lembranças, uma para minha locadora.Fora que o lugar estava animado e bonito, por suas tendas verdes e vermelhas, pela gente que ali passava já no espírito natalino e pelas belas construções que rodeiam a praça ou a compõem. Notem que algumas de nossas preciosidades estão virando lembrancinhas de Natal, como artefagtos com Capim Dourado e Pedras brasileiras.

Cheguei depois até as colunas, branquinhas contra o céu ainda azul, fazem um efeito visual muito bonito.

E depois resolvi voltar ao hotel. Mas em uma bifurcação onde havia umas 3 saídas, tomei o caminho errado, e fui parar em outra praça. A Plaza de la Corredera, que é uma praça maior quadrada, única na Andaluzia. Nenhum deste 3 últimos lugares estavam no meu roteiro e estão um pouco fora do centro histórico, mas são dos lugares mais emblemáticos da cidade. Entrei pela porta alta, assisti a uma apresentação de dança, que acho ser bachata, gravei e coloquei no meu Facebook (Meyre Lessa , em modo público) e sai pela porta baixa.

Pela primeira vez que cheguei ao hotel pelo lado oposto da rua, tendo passado então pela Praça do Potro.

E fotografei também os arcos que dão nome à Pousada. São muito charmosos, com sua estrutura e suas plantas. E os ricos azulejos da escadaria e da entrada.

E uma consideração sobre frutos. A cidade tem laranja para todo lado e eu quis saber o que é feito deles quando estão maduros. A guia me disse que são recolhidos e vendidos para a Inglaterra fazer marmelada. A laranja daqui é do tipo amarga. Ainda descobri o que é Granada. É a nossa romã. E ela até parece com o explosivo. E para finalizar o assunto, na Medina esta cheio de árvores de medronho. É uma frutinha que quando madura fica vermelha, e isso se dá normalmente no final do outono, ela é adstringente e muito boa para problemas renais. Pode dar sensação de embriaguez ao comê-la fermentada.

E meu dia terminou com muita gratidão pelo tempo maravilhoso que o final de semana me proporcionou e a acolhida que a cidade me deu.

Amanhã sigo para Mérida, para uma passagem rápida. Já estou fazendo o caminho de volta para Beja.