Conhecendo LANZAROTE, de Arrecife a Playa Blanca, ILHAS CANÁRIAS

19/02/2020

Vou começar falando de meu último relato, pois a amiga Susi, que conheci em Catânia, perguntou-me se foi desagradável o cortejo dos napolitanos? Pelo contrário. Senti-me envaidecida. E ela me fez perceber que só considerei atrevimento o pedido de meu cicerone porque talvez não tenha gostado dele. Ele era muito simpático, mas devo confessar que ela tem razão. Se eu tivesse gostado, talvez eu mesma pedisse o beijo. Será???

Feitas estas considerações, iniciei minha segunda feira bem cedo, pois às 4 horas da manhã, ou um pouco mais tarde, quando fui ao banheiro em minha casa, notei que eu me esqueci de fechar a janela do quarto. Estava fechada só a janela de vidro. E quando me aproximei para fechar a de ferro, dei de cara com a magia do sol, preparando-se para despontar no horizonte. E Vênus, refletindo a luz do sol, como a espiar a sua aparição. Foi um momento mágico.

Mas ainda era cedo para ficar de pé. O ônibus com destino a Lisboa só sairia às 10h30 e eu estava com tudo pronto, só tendo que recolher os lixos e depositar no caixote externo, chamar o taxi e me arrumar.

O táxi chegou às 10 horas, conforme meu pedido, e quem veio foi o senhor Matias, que eu ainda não conhecia. O telefone do Senhor Jorge estava indisponível. Mas a corrida ficou em 11 euros, está bem.

A viagem de 3 horas de ônibus me incomodou um pouco. Não me sentia muito confortável.

Chegando à Estação Sete Rios, tomei um suco de pêssego com uma torta de creme de ovos e fui para a Estação Jardim Zoológico do Metro, que fica logo no nível de baixo. Dali, segui pela linha azul até a Estação São Sebastião, na linha vermelha e nela até o extremo oposto, o aeroporto.

O Metro de Lisboa tem 4 linhas, além das acima citadas, tem também a amarela e a verde. E a linha vermelha, que vai ao aeroporto, tem estações que conectam às outras três. Bem legal isso.

Quando cheguei ao aeroporto, passava de 14h30. Aí pensei, comi aquela bobeira, mas meu voo tem conexão em Madri, e só vou chegar após às 20 horas. Vou ficar sem comer nada até lá? E resolvi comer no FryChicken uma porção com 3 pedaços de frango frito e salada. E tomei um chá gelado. Estava muito gostoso, e na salada tinha milho verde. Fazia tempo que eu não comia milho.

Meu voo foi pela Ibéria, com horário de partida marcado para 16h40 e às 15h45 eles anunciaram o portão de embarque. O voo saiu no horário, e desta vez estou carregando somente a mala pequena, sem mochila. A minha mala foi a última a embarcar, e quase fica sem lugar. Atrás de mim, os demais passageiros tiveram que deixar levarem suas malas para o porão do avião.

Qualquer coisa que sai fora do planejado, já me deixa atrapalhada. Por isso faço questão de deixar tudo preparado, e evitar o meu próprio estresse. Pois quando eu ia embarcar com a mala, o fiscal me pediu para aguardar um pouco, na porta do avião, para ver se haveria lugar para minha mala.

_ " Eu tenho conexão em Madri. Não haverá problemas em coloca-la no porão?"

Normalmente, nos voos com conexão as malas são encaminhadas para o destino final. Porque os passageiros não vão para a área de esteira e de saída. Eles ficam junto aos portões de embarque, só para troca de voo.

E assim arranjaram lugar para minha malinha.

Chegando em Madri, às 19h25, e tendo que embarcar para Lanzarote somente às 20h55, resolvi fazer meu jantar. Ainda não tinha fome, mas tinha sede. E pedi um bolo de cenoura no estilo espanhol, com um frapuccino.

E saí sossegada. O número do portão de embarque já estava disponível mas eu não conseguia enxergar se era K36 ou K86. E não adiantaria colocar os óculos pra perto. O números nos painéis estavam longe. Mas acho que minha vista já estava cansada. Mas pelo menos eu sabia que eram os portões K.

Quando olho nas placas anunciavam que os portões K estavam à oito minutos em frente. Mais um pouco e anunciava que agora eram 7 minutos, depois 6. E 3 esteira rolantes depois eu cheguei ao portão. E cá está o K86.

O aeroporto de Madri, além de ser grande é muito bonito.

E fiquei sentada, de novo, e fui quase a última a embarcar. Aqui as pessoas se colocam na fila de embarque muito antes. E as companhias, às vezes, fazem as pessoas se levantarem, fazem o check-in de embarque, e as deixam de pé em antessalas pequenas e sem assentos.

Mas, quando entrei, depois de ter olhado umas 4 vezes, em painéis diferentes, o número do portão de embarque, fiz o mesmo com o número da poltrona. E de longe vi que não havia espaço para minha mala junto ao meu assento, o 20 D. E coloquei minha mala sobre os assentos da fila 16. E sentei-me na 17D. Por que? Não sei. Achei que era ali. E estava feliz porque não tinha ninguém sentado ali.

Mas logo descobri meu engano. Assim que o dono do lugar chegou, e o comissário de bordo veio gentilmente me pedir meu bilhete. Pois eu o tinha colocado ... onde mesmo? Mas lembrei o número da poltrona.

_ " Desculpe-me. Meu assento é o 20D."

Levantei-me e saí. Mas o 20D estava ocupado. E eu precisava achar minha passagem. E abro a pochete, e não encontro. E o moço que esta sentado na fileira 19 me mostra a passagem que caiu no chão, e eu me dobro para pegá-la. De onde ela caiu? Também não sei. E nisso cai a minha blusa. Ah! Estou toda atrapalhada. Isso me desestabilizou. Porque eu já estava atrapalhando o embarque. Nisso chegou uma cadeirante, estava sendo conduzida para o seu lugar, no fundo da nave. E eu ali pelo meio...

Quando mostrei minha passagem ao comissário, ele pediu para ver a do homem que estava no 20D. A dele era 21D, que também estava ocupado. E a mulher que lá estava era a do 22D. No fim, fui eu sentar no 22D para não ficar maior a confusão.

Os voos tem sido todos, espetaculares. Os comandantes decolam e pousam com tanta suavidade que quase passam despercebidos estes estressantes momentos.

Mas uma coisa eu notei quando chegava a Madri. O sol já estava próximo do poente. E, de longe, já que meu assento era o do corredor, por minha escolha, percebi que uma faixa avermelhada se manifestava entre duas camadas de nuvens, A mais baixa parecia escurecida, pelo solo, pela noite, sei lá, e a de cima estava mais clara. Era um espetáculo tão bonito e poucas foram as pessoas que viram. A maior parte estava adormecida, ou usando seus equipamentos eletrônicos com filmes, jogos ou músicas... E a gente viajando para ver coisas bonitas. Queremos ver a Aurora Boreal, o Pico mais alto, as profundezas do oceano, o céu noturno do deserto, e projetamos nossos sonhos em coisas distantes, por vezes inatingíveis. E a beleza está ali, ao alcance dos olhos, mas está tão fácil que você não quer ver. E não quer crer que ela está disponível para você. Porque seus sonhos são impossíveis... E você está infeliz por não poder realizá-los. Mas ás vezes, basta abrir a janela de seu quarto, no meio da madrugada, para deparar com a magia do mundo, que está ao seu redor, não longe. Nem inatingível.

Logicamente o aeroporto em Arrecife, capital de Lanzarote, é bem pequeno. E nos meus planos iria tomar um táxi, Vi que o preço seria de 12 a 16 euros. Eles usam o taxímetro e quando passei o endereço, Via Democracia, o taxista já me disse que uns 12 euros. E já eram quase 23 horas, assim, não me restava mesmo alternativa. Aqui não há UBER.

Instalei-me e só fiz tomar um banho e comprar umas passagens de ônibus, on line, para abril. E fui dormir já eram quase duas da manhã.

E sobre hoje só posso dizer: Tomei café da manhã em Beja, almocei em Lisboa, jantei em Madri e vou dormir em Arrecife, cidade de Lanzarote (Ilhas Canárias).

Tinha a intenção de levantar-me cedo para pegar o ônibus que parte de hora em hora para Playa Blanca. Na parte sudoeste da Ilha de Lanzarote. Mas só me levantei às 9 horas. Até verificar na recepção onde pegar o ônibus, já que o Google Maps não localiza opção de transporte coletivo para chegar onde quero; tomar café da manhã, esperar o ônibus... Peguei o das 11 horas, na estação intermodal de Arrecife, com o número 60 e paguei 3,50 na passagem.

E desci na estação de Playa Blanca. Pensei em descer no Cais de Playa Blanca, mas o motorista me disse que ali eu só atravessaria a rua para pegar o 30, e ir até a Praia do Papagaio. Esta é tida como uma das mais bonitas da região sul da Ilha de Lanzarote.

O percurso inicial foi de uns 50 minutos. E fui observando a grande planície, junto ao mar. E a cadeia de montanhas na parte central da ilha. E tanto a beira mar como aos pés das montanhas, uma infinidade de casas brancas com esquadrias em verde. Por que será? As casas brancas dão vida ao lugar, e não retém o calor. Este é um bom motivo. Mas por que esquadrias em verde? Noventa por cento das casas nos mais de 30 km percorridos são assim.

E as montanhas, peladas. É um deserto só. As árvores e arbustos que existem são ornamentais.

Lembrei-me do que disse o Antonio sobre Porto Santo, no arquipélago da Madeira. Não o conheci, mas pelo o que ele falou, me parece que são ilhas parecidas.

Ao meio dia e quinze minutos eu embarcava no ônibus 30 pagando a passagem de 1,40 euros. Quase não tinha ninguém no ônibus circular.

E quando chegou a Colorados, antes dos passageiros embarcarem, o motorista olhou pelo espelho retrovisor e perguntou:

_ " E a senhora, para onde vai?"

Ele repetiu a pergunta, eu olhei em volta, depois o olhei pelo espelho e perguntei:

_ " Eu?"

_ " Sim."

E toda feliz respondi:

_ " Para a praia do Papagaio."

_ " É aqui."

_ " Ah. Obrigada." E desci pensando... Como será que ele adivinhou que era aqui que eu queria descer? U será que todos os turistas descem aqui?

Bem, não vou adivinhar mesmo, então deixe-me tentar descobrir onde está esta praia agora.

E vi um shopping. Lá devo encontrar algum lugar aberto para me informar. E encontrei mesmo. Vários. Mas perguntei em uma farmácia e a moça me disse que teria que andar um bom tanto numa parte de terra.

Mas o Sendero, que é como eles chamam as trilhas, estava bem perto. E mesmo a trilha em si não é muito longa. Mas é em meio as montanhas peladas. E não é um só caminho, são muitos, e não há placas indicativas. Mas chegando ao alto, avistei o mar. E uma praia bonita onde pretendia chegar. Mas vou para o outro lado primeiro. De onde avistei, do alto, uma escarpa escura e bonita, e uma praia de areia escura. Mas a descida era muito acentuada para eu gastar meu folego. E correr risco desnecessário. A vista de cima estava ótima.

Voltei para a outra praia e fui procurando entre as várias trilhas a que o caminho de descida fosse menos íngreme. Várias pessoas faziam trilhas diferentes. Não são lugares ermos como peguei na Sardenha, por exemplo.

A Praia do Papagaio é uma das mais famosas por sua beleza natural. Está localizada ao sudoeste da Ilha de Lanzarote, arquipélago das Canárias, região autônoma da Espanha.

E achei um caminho bem bom. E fui registrando na memória e na câmera para voltar pelo mesmo lugar.

Bem no final da descida, logo ali à direita, um bloco de rochas quebrado pela água e pela ação do tempo, a beira mar, fazia pequenas piscinas de água salgada, onde a maré baixa não alcançava, possibilitando o deleite de um garoto que brincava com seu avô.

Dali eu fiquei um bom tempo observando as ondas, percebendo os tubos que se formavam quando vinham mais volumosas. E vendo a luz passando pela sua transparência e a iluminando de verde, para depois se espalhar em forma de espuma branca.

E estava um sol gostoso, com bastante vento, mas muito agradável e eu ali, de tênis, moleton, camiseta de mangas... Pensei: " E nem coloquei biquíni na mala, já que na Madeira ele voltou sem uso. Mas ao mesmo tempo cogitei, o sutiã da pra mostrar, é preto e não é transparente. Mas estou de calçola, acho que não vou querer mostra-la por aí. E eu não trouxe toalha para me enxugar..."

E continuei caminhando com vagar, pois queria captar em fotos os registro que meus olhos fizeram de algumas ondas. E ficava ali esperando a onda certa, como o fazem os surfistas, esperando o tubo, como eu. Parei em vários locais ao longo da praia.

E de repente vi uma bunda, pelada como as montanhas. Era um homem, com um corpo muito bonito. Mas eu duvidei de minha visão. Mas não queria encarar. Porém, como ele logo estava de costas para mim, pude confirmar, estava nu. E logo mais a frente outros dois rapazes estavam também. Estes já vinhamandando em minha direção. E ao lado, deitados sobre uma toalha na areia, um casal de idosos. E mais alguém ali e outro acolá.

"Será que esta parte da praia é reservada aos naturistas?" pensei eu. Mas logo vi que havia outras pessoas de biquínis, sungas, e até vestidos. Vi crianças correndo em suas roupas coloridas e sosseguei.

Fui até a ponta da praia e tinha dali uma bonita visão de toda a praia.

E voltando, com aquele calorzinho, pensei: "Não ter trazido roupa de banho não é desculpa para eu não entrar no mar. Posso tirar toda, dobrar e deixar aqui na areia, sequinha. Mas eu vou ficar molhada, e não trouxe toalha." Kkkkk A gente sempre arruma desculpa para não fazer aquilo que inconscientemente não queremos mesmo fazer.

Na volta eu contei o tempo e gastei um pouco mais de 20 minutos em todo o percurso. Mas fiquei lá, entre trilhas e montanhas, um pouco mais de duas horas. Agora vou procurar um banheiro e um lugar para almoçar, no shopping.

E achei o Simple e Natural, na Plaza Mayor do shopping. Além de ter um atendimento impecável, recebi um delicioso lanche, com capricho no visual e no preparo. E eles são muito detalhistas. Veja a canequinha do café. E ainda ganhei um bombom de chocolate artesanal. E olha como me foi oferecido. Até a conta vem numa caixinha que parece de chá. Um encanto. E nota 10 para o pão do hambúrguer.

Na volta tirei fotos do Cabildo, que fica ao lado da estação Intermodal de Guaguas. E acho que guaguas é como eles chamam os ônibus.

E já eram 18h05, vocês acreditam? O dia voou. O sol vai se por às 18h45 então deve dar tempo de eu ir até o mercado comprar artigos para o café da manhã e água. Depois que entrar no quarto, não quero sair até amanhã cedo.

Ainda tenho tempo para fazer uma reflexão. Olhamos a vida ser ver, ouvimos sem escutar, e assim não compreendemos a maior parte das maravilhas que nos rodeiam. Vocês acreditam que só fui pensar no crescimento das árvores observando essa grandes palmeiras? Porque vi que as folhas mais velhas, que estão embaixo, caem ou são cortadas. Mas o tronco é formado justamente pela toco da folha, que fica conectada ao seu núcleo, e fiquei pensando? Como pode o tronco ter ficado assim quando a árvore cresceu? E pela primeira vez entendi que a árvore cresce de dentro para fora. Aquela primeira folha que rompeu a terra vai formar sua base. E pensei em nós. Nós também crescemos de dentro para fora, tanto na matéria como no espírito. E eu nunca tinha pensado nisso, simplesmente porque nunca observei. Quanta coisa ainda tenho para aprender. Ainda bem. 

E assim o fiz, deixando a sacola na recepção do hotel às 18h30 e como o hotel é mesmo a dois quarteirões da praia, num instante eu estava lá para registrar o belo por do sol e a ventania, cujo registro eu postei no stories do Instagram. E tem lá, e também no Facebook, os vídeos que fiz na Praia do Papagaio.

E amanhã tem mais.